Pagª 21 - EDIÇAO NºXXIV , IIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Artigo / Opinião
Olga Savary: Quem Tem Medo Dela na Academia Brasileira de Letras?
Silas Corrêa Leite
A maior escritora brasileira atualmente é Olga Savary. No mesmo nível de Hilda Hist, Clarice Lispector, Marina Colasanti (para dizer o mínimo), pois estas estão pra mim no mais edificante patamar da maravilhosa qualitatividade letral. Já pensou?
Curtindo Olga Savary tinha eu, cá com meus botões, que ela já era e fazia tempo da bendita Academia Brasileira de Letras. Desantenado?
Errei feio. Pois não é que é? Bem, ela estar na ABL pelo histórico handicap lítero-cultural que tem, seria uma honra. Mas uma baita honra mesmo lá para a Academia. Aí o leitor desavisado perguntaria: mas, o que mesmo que a Olga Savary é no contexto literário do Brasil?
O problema mesmo não é o que ela é, mas o que ela não é, quero dizer, ela faz de tudo, além de ser humanamente dizendo uma tremenda Poeta, talvez a melhor do Brasil desde 1500. Pois aí que está a questão: se ela é tudo isso que ela é mesmo, por que ainda então não pintou de fardão e se eternizou na Academia Brasileira de Letras?.
Fiquei de butuca: quem tem medo da Olga Savary? Pois é, se ela tem um currículo que, valha-me Deus, é o melhor femininamente falando em terra de santa cruz que virou afrobrasilis, então, cara pálida, qual é mesmo o impedimento letral?
Tá certo que o Brasil é de, às vezes esquecer seus mitos, principalmente nesta época de inumano e amoral neoliberalismo de tantas (mais) riquezas injustas, lucros impunes, contrastes sociais, propriedades roubos (e sampa com seu capitalhordismo atucanado agoniza); tá certo que o Rio de Tantos Carnavais tem seu, argh!, Cesar Maia que oscila entre um nada e um ninguém, mas, convenhamos, esquecerem a Olga Savary e, a turma toda da ABL não ir de mala e cuia, na casa dela, em Copacabana, bem aparamentada, convidá-la em coro (e com orgulho), para a honra de tê-la na ABL, aí já é demais.
Acredite se quiser. Poeta, Contista, Ensaísta, Tradutora, Jornalista, Crítica, Literata, Palestrante, Curadora, Depoente, Personagem Em Livro, Personagem Viva de Nosotros Que A Amamos Tanto (amalgamados afrobrasilís de tupi-davidicos), Verbete, Copiada, Adorada, Consultada: faz Orelhas, Prefácios, Resenhas, Saraus, Catálogos, Músicas, e, se precisar, periga ver, ela Voa... e ainda não pintou para literalmente ilustrar a ABL?
O que é que é isso, companheiros? Onde já se viu? Tem cabimento? Vamos fazer uma Marcha Pela Olga Savary na ABL. Tipo «Olguistas unidos/Jamais serão vencidos!»
Russa e brasileiríssima pela própria natureza de ser livre e água, nordestina e acariocada, ela mesma é a alma mutante do brasileuropeu. Russa-amazônica, com sua poesia água e sua alma sextante. E os direitos humanos da Olga Savary no palco iluminado da ABL?
Uma mulher do quilate da Olga Savary valoraria em muito a ABL. Ela é a grife da literatura brasileira, da poesia brasileira, nesse macadame de significâncias históricas. Nesses tempos de um brilhante Lula Light e o Brasil no auge como nunca, a maior dose de brasilidade que a nossa cultura tem é fulgurada no coração lítero-cultural de Olga Savary.
E não existem outras. Olga não pede para entrar. Ela é iluminura em si mesma. Ela não é como uma escola de samba que pede passagem. Ela é ponte entre o mérito e a conquista. Está faltando o quê?
Ela não precisa gastar dinheiro para fazer sala para os que a indicarão pelo voto. Ela é voto líquido e certo. A paixão dela pela arte literária a qualifica, quase que a santifica. Como a alma brasileira é feminina, Olga Savary é essa alma, essa cara, essa aura, pois luta ainda e muito, produz, escreve, se consome noiteadeira nas lides de escrever, por isso também que é o nosso maior nome para ser expresso como uma grife na Academia Brasileira de Letras. Será o impossível?
Eu acredito em sonhos. E em lutas. Mas, será tão difícil assim?. Uma escritora portentosa como ela, não pode ficar de fora. Se ela vai para o décimo-nono livro; se tem 36 prêmios de renome, se é famosa no mundo inteiro, em todos os continentes, referência até como avaliadora de todos os nossos consagrados escritores de todos os tempos, se participou de 950 livros, é de se espantar que ainda não seja agora e assim mesmo no belo e empolgante açodado do momento, uma convidada de honra para lá se assentar, na Academia de Letras, e finalmente e mais do que ninguém, tornar-se imortal.
Machado de Assis se sentiria honrado.
Silas Corrêa Leite, de Itararé-SP, Santa Itararé das Letras
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário (ECA/USP), Escritor (Poeta,
Ficcionista, Ensaísta, Romancista), Conselheiro em Direitos Humanos (SP)
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Prêmio Ligia Fagundes Telles Para Professor Escritor
Autor de «O Homem Que Virou Cerveja», Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio,
Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, 2009, Salvador, Bahia, no prelo, Giz Editorial
Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, finalista
do Prêmio Telecom, de Literatura, Portugal.
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas.htm
Blog premiado do UOL:
www.portas-lapsos.zip.net
Texto da Série «Brasil: Panurgismos, Bravatas e Prosopopéias Jugulares» - Ensaios, críticas, resenhas e Pensadilhos (livro inédito do autor)
A dualidade masculina - feminina tem tanto de engraçado, como de
curioso. Se pensarmos no corpo humano, os olhos são claramente
masculinos e os ouvidos femininos.
De facto, parecem imiscuir-se com o que é considerado natural encontrar
num homem e numa mulher. Os olhos, para funcionarem, têm de descansar
pelo menos oito horas e, quando acordados têm constantemente de
pestanejar para um melhor operar.
Por vezes, ainda precisam de lunetas, os tais indesejáveis apetrechos
que as mulheres sem qualquer constrangimento costumam apelidar de
«desfiguramento facial»!
Os ouvidos, tal como uma dona de casa atarefada, não pára, nem pode: é a
casa, os filhos, o trabalho, o marido, e … mesmo sem ninguém dar por
isso, trabalha, trabalha, mesmo sem honras devidas… continuamente, 24
sob 24h, os ouvidos funcionam sempre atentos, sempre vigilantes!
Mesmo no período de descanso dos olhos, continuam ininterruptamente a
funcionar e bem, bem alertas! Tal como a atarefada dona de casa que
prepara o almoço com a família a dormir, … ninguém deu por ela… mas na
verdade, a comida está pronta, a comer e em cima da mesa… tal como os
ouvidos que ininterruptamente captam tudo e todos … e, por vezes,
esmeram-se tanto que acabam por ouvir o que não devem e, o não querem.
Já os olhos mais espertos, sabem bem proteger-se, fechando-se quando não
interessa ver…, tal como o homem, que quando não quer e isso não lhe
interessa, não repara na roupa no estendal estendida, que urgente é
guardar!
Uma mulher, com muitas dores musculares do lado direito (como pescoço,
braço), por certo poderá ter problemas com a sua própria feminilidade;
por certo poderá ser uma mulher franzina, de aparência frágil e suave, …
mas, certamente deverá ter personalidade forte e bastante consolidada,
um autêntico furacão que tantas e tantas vezes desejou ter nascido
homem!
Para compensar, amigos homens não lhe faltam! E estes, admiram-nas, é
certo! Mas competir com elas? Nem pensar… no íntimo percebem que de duas
pessoas se tratam: mulher e homem.
Juntos, é certo que formam uma coesa e sólida muralha impenetrável e
indestrutível! Por outro lado, não se admirem que estas mulheres
prefiram o sol, esse brilhante e magnifico astro de natureza masculina,
sim, porque com a lua, essa «feminina», ligações não encontram!
É tal e qual como o branco e preto do símbolo yin e yang. Distinguem-se,
mas não se misturam! Yin do feminino, Yang do masculino! Ambos com
olhos, ambos com o mesmo formato arredondado e pontiagudo!
Ambos iguais, mas ambos diferentes! O que é indiscutível é que ambos
necessitam um do outro e, … tal como o símbolo que se apresenta unido… o
feminino e o masculino acabam por ser isso mesmo: interligados e até bem
mais unidos do que parecem.
Nenhum deles pode subsistir sem o outro, comportando importantes
factores de equilíbrio e de harmonia para o universo. Yang está pois
para as colinas, montanhas e outras áreas elevadas como o yin está para
os vales, rios e correntes. Unidos, pois!
VER E SENTIR
Cristina Maia Caetano
(XXIV)
Mas, continuando a deambular pelo corpo humano fora, é certo que a
feminilidade corporal não se fica por aqui. Todo o lado esquerdo
corresponde ao mundo feminino e, o direito à masculinidade.
Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza
que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...