Pagª 2- EDIÇAO NºXXIV, IIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Continuação da Coluna Um (Ver início)
Ora as eleições para o Parlamento Europeu são universalmente conhecidas como sendo aquelas que maiores volumes de abstenção proporcionam.
As razões são as mesmas que são argumentadas quando se obtêm números baixos de
participação noutras eleições e que se resumem mais ou menos assim neste ping -
pong : «Para quê ir votar se fica tudo na mesma?» - da parte dos
abstencionistas, e: «A nossa mensagem não chegou a todo o eleitorado!» da
parte dos «abstencionados».
O que não deixa de ser curioso, tanto a repetição dos clichés, como a análise
«científica» dos dirigentes e outros elementos partidários, porque não se pode
dizer que uma coisa que não partiu (a tal de mensagem) não chega. Antes de ir
apanhar a bola é preciso mandá-la primeiro.
Para mais sabe-se que, em termos estratégicos, os mais interessados na ida às
urnas são precisamente os concorrentes, os partidos políticos e com a
significação que o voto atinge, «Para quê ir votar se fica tudo na mesma?»
estamos convencidos que a não ser estabelecido um significado real ao acto, cada
vez haverá uma maior abstenção e cada potencial eleitor acabará por tornar mais
repetida a solução «moeda ao ar» da abstenção.
Ora a base da democracia é a participação dos cidadãos e quanto menor for o
volume de participação mais a democracia se esfuma.
Vi uma peça sobre o volume da participação, salvo erro em Itália (nem todos têm
eleições no mesmo dia) onde o Presidente de uma mesa Eleitoral tinha obtido na
sua mesa 20% dos votos dos inscritos e que por aquela troca informal entre pares
das mesas de voto, acreditava que o volume de participação seria inferior a 15%
a nível nacional.
As eleições europeias são assim a base mais expressiva (apresentado
especificidades mais claras na rotura) que de uma forma geral se conjugam quase
ao extremo através da distância e do nível de conhecimento e de complexidade dos
interesses em jogo.
Se hoje, mesmo a nível nacional de todos os países ninguém percebe pévia do que
se passa, e aqui em Portugal, por exemplo, não se sabe como nem onde se foram
buscar cerca de três mil milhões de Euros para comprar os passivos dos Bancos
falidos, quando se tem feito uma corrida à poupança e à impossibilidade como
resposta aos milhões de portugueses que vivem abaixo do nível de pobreza, nível
este fixado através de fórmulas devidamente abstractas de interdependência que
ninguém consegue entender a menos que perca uma vida a tentar destrinçar as
escorregadias Leis, Despachos, Esclarecimentos, que burocraticamente são
alteradas à velocidade do som.
Ora, percorrendo o caminho «exemplar» das Eleições para o Parlamento Europeu e
encontrando nos seus sub - sectores nacionais (Eleições para a Assembleia da
República, Eleições Autárquicas, etc.) apenas como factor de diferença
quantitativa a ausência da possibilidade de entender porque o manancial de
informação vinda da UE, francamente só é informação para quem não pode viver sem
essa informação, prevê-se, ao nível que estas inexplicações se colocam no povo,
destes mistérios que umas vezes são milagres da multiplicação dos peixes, outras
são o passe de mágica da desaparição do singelo peixe, eu, sem descrer na utopia
camoniana que dia 10 se celebra, espero, pelo menos que a memória dos Lusíadas,
nos faça passar do verso aos actos.
As quedas
Por Haroldo P. Barboza
Quando cai um avião com mais de 10 vítimas fatais, ocorre uma comoção mundial pelo fato. Alguns explicam que isto acontece pelo fato da imprensa manter o assunto nas manchetes durante vários dias.
Quando as possibilidades das causas esgotam, enchem as páginas até com o tipo de cardápio que era servido dentro do aparelho.
Outros afirmam que existe uma atração natural das pessoas por ser um acontecimento raro em comparação com choques de veículos que se tornaram banais pela quantidade elevada de ocorrências destas fatalidades.
Os que ainda não tiveram a oportunidade de viajar pelos ares, declaram que o fato chama atenção por ocorrer num cenário onde pobre só transita se tiver sido premiado em algum concurso esporádico. Estas tragédias ocorrem poucas vezes devido à criteriosa sistemática de manutenção dos equipamentos envolvidos.
Alguns menos comovidos esclarecem que até a queda de um avião pode ser considerada normal, ainda que sejam duas ou três por ano. Fazem comparação com qualquer evento anual (como dia dos finados) que acontece uma vez por ano e é conduzido sem alarde. Uma comparação pálida pelo fato de nestes festejos não acontecerem falecimentos em alta escala.
O fato é que eventos bem mais contundentes, com mais prejuízos materiais e colocando milhares de pessoas ao desalento são produzidos regularmente. E na maior parte das vezes, pela falta de critério das autoridades públicas na construção e manutenção dos artefatos de uso cotidiano por milhares de eleitores.
A tragédia do rompimento da represa no Piauí ocorrida alguns dias antes da queda do avião da Air France talvez já não frequente nem a terceira página dos jornais. O desleixo (como a tv Band exibiu) que envolve a obra tende (como outras do passado) a não destacar os culpados. Quanto mais penaliza-los!
E assim, milhares de desabrigados que só enxergam aviões quando os mesmos passam sobre suas cabeças, ficarão a ver navios (ou aviões?) dependendo de ajuda humanitária para a reconstrução de suas vidas destroçadas pelas águas que a Natureza despejou na região e a engenharia mal aplicada não soube conter.
Certamente receberão algum auxílio quando faltarem uns dois meses para as eleições de 2010.
ISABEL DE ALMEIDA DE SOUSA FURTADO
Acróstico de João Furtado
I - Imagem tua me segue
S - Simples mulher desejada
A - A mãe perfeita e amada
B - Bela fantasia me persegue
E - Este amor que nos une e cura
L - Loucos desejos em pureza pura!
D - De ti tudo desejo
E - Esteja eu perto ou longe!
A - Amor de amiga querida
L - Lembrança de mulher escolhida
M - Mesmo na difícil hora
E - Este quadro jamais borra
I - Impossível não admirar-te
D - De poema, com ou sem arte
A - A tua pessoa escrever!
D - Desejo ser poeta e rimar
E - Este poema, mas não sou, certeza tenho,
S - Sou teu maior admirador
O - O teu, reclamo com direito,
U - Um completo e perfeito amor
S - Seja hoje, seja sempre, sem despeito
A - Atrás do teu carinho estarei sempre
F - Foi a forma de te dizer
U - Unicamente que te amo
R - Repito tanto que necessário for
T - Tal um gravador ou papagaio
A - A loucura que vivo por tua atenção
D - De dia ou de noite, hoje ou ontem ou sempre
O - O teu amor foi, é e será a minha vida!
Acima das nuvens
Por
Haroldo P. Barboza
Como nosso governo vive voando (literalmente), sempre é o último a saber que
nossa aviação civil (e militar) está em crise. E nas raras vezes que transita em
terra firme, faz declarações para empolgar a galera. No final de março de 2007
«exigiu» data para o fim do caos que assola o setor. No meio desta zona, o
Mi(si)nistro Waldir Pires ficou a ver navios (ou aviões?). Este sim deveria voar
para conferir de perto as barbaridades. Mas «Pires» não voa. Se fosse «xícara»
teria mais chances, pois esta tem asas.
Esta exigência de soluções imediatas da figura máxima do governo deveria ser
feita também nas demais áreas sob sua tutela.
Mas nada funciona por três fatores principais:
1 – Os orçamentos para cada área são aprovados pela Câmara Federal. Mas na
metade do ano os valores são cortados em até 60% dependendo do impacto político
que garanta a perpetuação no poder das parasitas que «galgaram» (como gatunos
escalando muros residenciais) os postos de comando. Ou mesmo por «ordem» de um
abutre estrangeiro que nos coloniza e deseja um superávit alto para reduzir o
«risco Brasil».
2 – Do que sobra para aplicar na área, cada «ortoridade» busca um meio escuso de
se locupletar do cargo que lhe foi conferido. Sempre deixam uma «merreca» para
comprar uma máquina há 15 anos fora de uso no primeiro mundo, um rolo de arame
para amarrar pés de móveis prestes a desabar, ventilador para substituir o ar
refrigerado que não funciona há 4 meses e uma «verba» para agradar fiscais que
possam contestar condições inadequadas de trabalho.
3 – A Justiça omissa e com preguiça não age para punir culpados encontrados com
a mão (e o corpo todo) na «massa». Bandos de advogados de plantão estão com
mandatos de soltura prontos (basta colocar o nome do acusado na linha
pontilhada) para seus réus primários (mesmo com 20 escândalos nas costas). Os
Juízes logo assinam tais documentos desde que seus polpudos salários e suas
enormes vantagens estejam garantidos. Se fazem isto pelos marginais que portam
armas de fogo, por que deixariam de atender aos que usam silenciosas canetas?
Continuação da Crónica de Arlete Piedade - 10 de Junho – Dia de Camões, de Portugal, e das Comunidades Portuguesas (Ver Início)
As comemorações do 10 de Junho, começaram em 1933, mas foi durante o período da
guerra colonial entre 1961 e 1974, que ganharam mais significado, pois era nesse
dia que se homenageavam com cerimónias e desfiles, os militares que se
distinguiam em combate, que recebiam das mãos dos altos dignitários do Estado,
as condecorações e medalhas com que a nação reconhecia os seus feitos heróicos.
Depois da revolução de 25 de Abril de 1974, as comemorações perderam um pouco o
significado anterior, mas desde há alguns anos, começaram a ser efectuadas cada
ano, numa cidade diferente, para descentralizar da capital, Lisboa, todo o
fausto e dar visibilidade a outras cidades portuguesas.
Assim que este ano cabe a Santarém a honra de receber por três dias, o
Presidente da Republica Portuguesa, Dr. Aníbal Cavaco Silva, bem como o governo,
e o Corpo Diplomático, acreditado em Portugal.
Também os três ramos das Forças Armadas, estão representados em Santarém, que
para o efeito se engalanou e lavou a cara, com obras e pinturas um pouco por
todo o lado, bem como a asfaltagem do antigo Campo da Feira, que ao fim de mais
de 30 anos ganhou enfim direito a um novo visual que outros eventos nunca
tiveram poder para lhe conceder, como o caso do Festival de Gastronomia, que
durante décadas teve os seus acessos lamacentos através desse espaço, agora
convertido em recinto de festas, desfiles e espectáculos.
Mas também outros espaços públicos em Santarém, foram beneficiados, para
servirem de palco a estes grandiosos eventos já que do programa oficial fazem
parte várias cerimónias, jantares e almoços oficiais, desfiles militares,
homenagens a Salgueiro Maia, o capitão de Abril, um festival aéreo dos Asas de
Portugal, baptismos de voo, e mergulho, subidas em balão de ar quente
pertencente ao Exército Português, exibições de arte equestre, exposições de
equipamentos militares, e espectáculos diversos dos quais se destaca um
grandioso concerto com o fadista Carlos do Carmo. Quem quiser vir a Santarém ou
ver o programa completo, pode aceder ao site das comemorações em:
http://comemoracoes10junho2009.pt.vu/
Mas em Santarém, que é a capital oficial de Portugal por três dias, tem também
lugar a Feira Nacional de Agricultura – Feira do Ribatejo, entre 6 e 14 de
Junho, pelo que festas não faltarão na cidade desde 6 a 14 de Junho. É só
escolher e rumar a Santarém. Espero por vós.
Arlete Piedade
(Ver o Poema Mão Negra e apresentação P.Point-pps)
AS VITRINES
Sá de Freitas
A noite - eu da janela - me surpreendo
Com a multidão (olhando os Magazines),
Que parece encantar-se com as vitrines,
Pois mesmo sem comprar, tudo vai vendo.
Por fim todos se vão e a noite vela
Comigo, agora, as ruas solitárias...
Só o clarão das grandes luminárias,
Fica junto de mim, rente a janela.
Fecho a janela... A madrugada é fria...
Vou junto ao meu PC fazer poesia,
Mas a mente procura outras andanças.
E aí então uma grande dor me invade,
Porque abro a janela da saudade,
Para ver as vitrines de lembranças.
