Pagª 32 - EDIÇAO NºXXIV , IIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes.
A origem das fogueiras de São João (continuação - Ver início)
A história de São João, da maneira a qual é contada oralmente no interior do
Brasil, é algo distinta daquela com que é conhecida nas cidades.
Muita gente crê que a fogueira e os fogos de São João devem-se «a uma promessa
feita pela prima de Maria, Isabel, que mesmo depois dos sessenta anos de idade
ficou grávida de um filho, que viria a ser João Batista.
As duas primas moravam distantes, porém Isabel morava no alto de um espigão. Isabel prometeu «a Maria que, tão logo desse a luz, acenderia uma grande fogueira e soltaria fogos de artifício; dessa maneira, Maria ficaria sabendo da boa nova».
Maria não podia ir visitar a prima por ela também estar grávida e a
caminhada era bastante dura.
A outra lenda sobre João Batista dizia que João, ainda menino, era um santo
muito folgazão, daqueles que exalam alegria todo o tempo. E a coisa que ele mais
gostava eram as festas.
No céu, conta-se, que todos os santos comemoravam seus aniversários com festas.
Havia uma festa para cada um deles. E foi então João reclamar a com Deus. Se
todos os outros santos tinham suas festas, ele também queria uma para si.
E Deus, na sua infinita bondade, prometeu-lhe uma. E disse-lhe Deus que sua festa seria a mais bonita.
João ficou muito feliz com a nova, que saiu correndo pelo
céu, fazendo algazarras, contente da vida, chamando a atenção de todos os outros
santos para si.
Ele, na sua euforia, espalhou para todos que pudessem ouvir que, finalmente
teria sua festa, e que ela seria a mais bonita de todos os santos.
João dizia a todo mundo que na sua festa faria uma fogueira muito grande, fogueira esta que seria vista pelo mundo todo, que ela seria tão grande que quase poria fogo no mundo.
Na sua festa, dizia João, ele soltaria rojão, fogos de estrelinhas e teria além de rezas, muita bebida.
A vontade de João era tanta que parecia
embebedar-se de tanta felicidade. Ele afirmava que, de todos os santos, sua
festa seria a mais bonita.
Desde então, todos os santos, com medo de que João ponha fogo no mundo e
comporte-se mal, o fazem dormir na véspera de seu aniversário, anos após ano;
séculos após séculos.
Assim, até hoje, as pessoas comemoram o dia de São João de
maneira segura. Em alguns cantos do mundo há o costume das pessoas baterem nas
casas, perguntando: -«São João passou por aqui?» E a resposta é sempre: «ainda
não»!
No céu, quando João acorda, sempre pergunta:
- «Hoje é o dia da minha festa?»
Então, os outros santos respondem que não, ou que seu aniversário já passou; que
ele dormiu e que a perdeu. Então, João começa novamente a fazer planos para sua
próxima festa, garantindo que não irá perdê-la, de modo algum.
Mas, sempre, com
medo do fogo, os outros santos farão com que João durma, fazendo-o perder sua
festa mais uma vez e assim continua, pela eternidade afora.
Desejo que todos continuem a festejar São João de modo seguro, com fogueira
pequena, para não pôr fogo no mundo e que bebam só um pouquinho para se
aquecerem do frio do inverno. Desse modo continuamos a festejá-lo em paz, com a
graça de Deus.
E se alguém, mesmo em sonho, te perguntar se São João passou por aqui, diga-lhe
que ele está dormindo! Não seremos nós os culpados desse João pôr fogo no mundo,
não é verdade?
Escrevi este texto baseado em informações trocadas com a Tita (83), a Dadá(78) e
da Luciene Lima, crítica literária, além de menções dispersas trocadas nos sites
que esporadicamente visito.
Acredito que a humanidade está dormindo para as coisas simples. Uma metáfora pode fazê-los acordar. Há Joões aos montes nas ruas, passando frio em noites de inverno, sem comida, sem horizontes, perdidos.
Sónia Tavares, Amália Hoje - A Gaivota (Continuação - Ver inicio)
Veja o Vídeo:
AMALIA ONTEM
O original no qual se apoia esta versão, foi cantado por Amália Rodrigues, seguindo música de Alain Oulman e um Poema de Alexandre O'Neill.
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.