Pagª 18 - EDIÇAO NºXXIV , IIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Coluna de Liliana Josué

HARPEJOS DE FELICIDADE
Naquele dia, apetecia correr despidos em direcção ao vento.
Escorregar num raio de sol até ao mar, tão transparente como olhares
serenos.
O escuro dos desgostos, crueldades e traições ficaram pendurados nas
portas dos quartos abafados.
Dançava no ar a esperança da renovação; o reencontro com a vida.
Bocas sorriam no vermelho das suas cores: Cerejas doces e cravos de
Primavera.
Todas as mãos eram asas batidas de pássaros felizes, dando-se como
ninhos macios.
Os corpos, nuvens brancas e suaves, deslizavam no sonho efémero do céu
libertador.
O paraíso abria-se generoso.
Perfumes raros desprendiam-se dos cabelos, apaziguando outros odores.
Como era lindo o mundo, naquele dia.
Mas foi só naquele dia...
Porquê só naquele dia... ?
Primavera Branca
Há sol azul
nos olhos do ancião,
metamorfoses de vidas
esvoaçando como tule
adormecem esse olhar
de solidão.
Cabeça pendendo sonhos
recordações
do distante
memórias de luares antigos
polvilhados de emoções
de cor imaculada
e cheiro a ontem.
Tudo é Primavera branca
cabelo, barba, ilusão...
a face nívea desgostos tranca
só os olhos é que não.
Coluna de Rosa Pena

A Dona da História
Qual de nós não gostaria de rever nossa própria história e de repente até conseguir modificá-la?
Na segunda metade da vida, toda e qualquer mulher enfrenta o susto das rugas. Apenas corpos em mutação? Tenho certeza que não.
Rugas do rosto um botox até resolve. As da alma são mais complicadas. São compostas das tentativas de expansão no mercado de trabalho, tão fechadas ao sexo masculino, são da sexualidade reprimida, quem desse vazão era mulher da vida, são das preocupações de criar filhos sem se guiar nos modelos anteriores, afinal, sonha-se sempre com um mundo melhor para as novas gerações, são as dos silêncios magoados em que se engoliu sapos para manter uma relação estável, são as da falta de coragem de não termos feito o que realmente sonhamos.
Ah! E se tivéssemos a oportunidade de bater um papinho aos cinqüenta, conosco mesmo aos dezoito? Mudaríamos o curso de nossa vida? Afinal quando se é jovem não se presta atenção aos mais velhos. Sempre achamos que o velho é coadjuvante da cena da juventude e que essa é eterna. No frescor da vida, conselhos são faróis traseiros.
A gente quer é acelerar, pra frente é que se anda, marcha ré é coisa de coroa!
Finalmente, será que teríamos sido mais felizes se tivéssemos a chance de refazer nossa biografia ou o enredo dela seria exatamente este que vivemos por vezes até com arrependimentos imaginados?
Carolina é a Dona da História. Podia ser eu ou você, visto que essa
história é de uma mulher em crise na meia-idade. E os conflitos sempre
serão semelhantes, esteja onde estiver, basta apenas, ser mulher
pós-quarenta. Vale ver e rever a sua história. A nossa!
O filme, baseado na peça homônima de João Falcão, mostra Carolina (Marieta
Severo), aos 55 anos de idade, no momento em que se questiona sobre o
percurso de sua vida.
Num diálogo com ela mesma, aos 20 anos de idade (Débora Falabella), pensa sobre suas escolhas e expectativas do passado. Casada desde a juventude com seu primeiro amor, com quatro filhos adultos, Carolina vive uma crise em seu casamento e com sua idade.
Sua versão madura vê desfilar diante dos olhos suas possíveis personagens em ação, vivendo outros destinos e sonhos. (90 min.).
Fome zero
Viver é coisa do dia- a- dia.
Sem você?
Sobrevivo de teimosia.
Amor é feito de carboidratos
cheio de calorias.
Alimenta minha alma esguia!
Meu ultimato:
Chega de lero- lero.
Obedeça ao programa
Fome Zero!
Na mesa e na cama,
diga que me ama.