Pagª 20 - EDIÇAO NºXXIV, IIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
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Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Psicanálise à República

Por Mário Henrique Matta e Silva
Andando assim descontente
Triste, de cara fechada
Achou ser mais previdente
Passar a ser vigiada.
E a República assim fez
Com esperança na Psicologia
Foi para o divã desta vez
Tentar nova terapia.
A psicóloga, entendida
Na consulta a recebeu
Quis saber da sua vida
E a República acedeu.
As angustias desabafou
Face às crises sucessivas
Gesticulou e chorou
De voz trémula mas expressiva.
Ajeita o peito desnudo
Aperta melhor a faixa
E esconde o corpo carnudo
No divã onde se encaixa.
Foi longa e atormentada
Toda a sua narrativa
Falou de tudo, coitada
Sem guardas nem comitiva.
Mas do mais que se queixou
Com Freud no pensamento
Foi do povo, que a levou
Ao maior role de lamentos.
E nessa amarga desdita
De séculos tão conturbados
Lembrou Fátima bendita
Todos os transes, os fados.
O povo trá-la inquieta
Em depressão sem brandura
Por saber quanto a afeta
Tanto doutor sem cultura.
Depois do Sebastião
Tantos reis, tantas Rainhas
De bom ou mau coração
Consumindo-se em ladainhas.
Duques, Condes e Marqueses
Almas brandas ou danadas
Ricos ou arruinados por vezes
Ostentando suas mansardas.
Lutas ferozes, ideologias
Liberais, conservadores
Muitos bastardos e ousadias
Nas intrigas, nos amores.
Josés, Joões ou Maneis
E Antónios nem se fala
As cadeias, os quartéis
Chapéus de coco, bengala.
Desbragada burguesia
Moderados, extremistas
Todos em grande euforia
Poetas, bêbados, fadistas.
Ditadores e democratas
Gente rica na avareza
Na Banca só acrobatas
E uma escondida pobreza.
Para onde vou nunca sei
Sempre assim fragilizada
Meti-me na Europa e ganhei
Tantos subsídios para nada.
Governos se sucedendo
Qualquer deles gasta e se avia
E todo o povo vivendo
Pasmado em demagogia.
Desabafando, coitada
A República, em seu mutismo
Chora a Pátria acorrentada
Ao mito do sebastianismo.
- O que é que faço doutora?
Tudo tento e não acerto…
- Tenha Fé, virá a hora
De voltar esse Encoberto!
Sistema de Orquestras da Venezuela em Portugal para ajudar bairros degradados

São muitas e diversificadas as formas de apoio às crianças e jovens dos
bairros degradados da área metropolitana de Lisboa. Mas a mais recente é
também a mais inesperada. Através da música erudita é possível mostrar um
caminho diferente a quem cresce em ambientes onde impera a marginalidade e a
estrutura familiar é muito frágil.
O conceito chegou a Portugal em 2007, mas na Venezuela já deu provas ao
longo de três décadas. O Sistema de Orquestras Infantis e Juvenis da
Venezuela teve efeitos surpreendentes e, garantem os responsáveis, a
criminalidade violenta nas favelas diminuiu.
O ensino da música chega assim aos mais novos através de um método único que
se afasta das tradicionais aulas. Com o «Sistema», como ficou conhecido na
Venezuela, «os alunos, na posse dos instrumentos, vão imitando aquilo que o
professor faz através da execução de melodias muito simples baseadas em
canções populares», como explica António Wagner Diniz, presidente da Escola
de Música do Conservatório Nacional e um dos responsáveis pelo projecto.
Por cá, o sistema venezuelano arrancou no passado ano lectivo com o projecto
Orquestra Geração e começou por trabalhar com jovens em bairros da Amadora e
de Vialonga. Os alunos vão pisando já alguns palcos em concerto.
Dois instrumentistas da Orquestra Sinfónica Portuguesa e da Orquestra
Gulbenkian, também eles formados pelo sistema venezuelano, supervisionam o
projecto nos bairros, assistidos por uma antropóloga que faz o
acompanhamento social.
Neste momento existem três orquestras – bairros da Boba e Mira, na Amadora,
e Escola de Vialonga, em Vila Franca de Xira – que abrangem 183 crianças.
«Vamos envolvendo as famílias, que vão ajudando os filhos na deslocação e
envolvem-se na programação», descreve o director.
A «importação» do sistema venezuelano nasceu de uma parceria entre a Câmara
Municipal da Amadora e o Conservatório Nacional, numa altura em que o
financiamento estava a cargo da autarquia, da Fundação Gulbenkian e do
programa EQUAL.
Mais tarde, juntaram-se parceiros privados, como a fundação EDP. Em
Vialonga, os apoios são garantidos pelo Ministério da Educação e na Amadora
é o grupo Chamartin - Dolce Vita que cumpre esse papel.
Perante o êxito da iniciativa, e tendo a Venezuela como exemplo, os
responsáveis pelo projecto sonham constituir dentro de cinco anos uma grande
Orquestra Geração da área metropolitana de Lisboa, envolvendo o maior número
possível de municípios.
Na Venezuela, o Sistema Nacional de Orquestras integra já 250 mil crianças
em mais de 100 orquestras. Ao longo de 33 anos já formou mais de 400 mil
jovens. Muitos fazem hoje da música profissão.
O objectivo é «integrar as crianças ou jovens na sociedade, aumentando-lhes
a auto-estima e o respeito pelo outro, de forma a atingir-se um
desenvolvimento harmonioso da sua personalidade e combater o absentismo
escolar ou a saída para a marginalidade» adianta António Wagner Diniz.
Neste momento existem três orquestras - bairros da Boba e Mira, na Amadora,
e Escola de Vialonga, em Vila Franca de Xira - que abrangem 183 crianças.
«Vamos envolvendo as famílias, que vão ajudando os filhos na deslocação e
envolvem-se na programação», descreve o director.
Veja mais sobre o Sistema Nacional de Orquestras Sinfónicas Juvenis (Venezuela).