Coluna
Um
Eleições, Abstenção e Utopia
Daniel Teixeira
Realizaram-se neste Domingo em Portugal e no maior número de países da UE, as eleições destinadas a eleger os Deputados de cada país segundo o espectro político partidário concorrente em cada um dos países.
Para quem não sabe a organização da UE tem pré-determinado os números dos
representantes por país na respectiva Assembleia em Estrasburgo, de acordo
com factores relacionados com a representação proporcional das suas
populações e outros (nomeadamente a importância económica e política cujo
peso representam) pelo que em termos globais a fraca ou a forte participação
eleitoral em cada país não influi nesta representatividade.
Ou seja, e para ser mais claro, se por exemplo na Alemanha ou noutro país se
se verificar uma abstenção de 85% (o que se prevê acontecer pelo menos num
país) e se num outro se verificar uma presença nas urnas de 85%,
representando estes últimos, por hipótese o dobro numérico ou mesmo o triplo
(igualmente por hipótese) isso não
influi absolutamente nada na distribuição dos Deputados entre estes dois
países. Não influi também na distribuição dos Comissários Europeus, breve,
não influi em nada...
Em termos globais não importa o volume dos votos, repetimos, mas em termos
dos
diversos grupos ou famílias políticas estacionadas nestas soberbas
instalações interessa obter localmente o maior número de lugares dentro do
universo distribuído, de forma a «fortalecer» o grupo a que pertencem,
embora exista um regra de alternância entre os dois principais grupos ou
famílias políticas.
Como os dois grupos ou famílias políticas estão próximos em termos de número
de Deputados, optaram essas duas famílias por se apoiarem uma a outra
alternadamente na eleição do Presidente da Assembleia. Embora esta distância
em termos de Deputados esteja próxima, não interessa nada aos grupos que
essa distância numérica se altere substancialmente.
Os outros grupos, com número de Deputados inferior e incapaz de eleger o
Presidente não têm outro remédio senão dançar seguindo esta música. Ora as
eleições para o Parlamento Europeu são universalmente conhecidas como sendo
aquelas que maiores volumes de abstenção
proporcionam.
A COLUNA DE ARLETE PIEDADE
10
de Junho, Dia de Camões, de Portugal, e das Comunidades Portuguesas
Santarém, a cidade onde vivo, é este ano, a cidade escolhida para as
comemorações oficiais do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades
Portuguesas que se celebra a 10 de Junho, data em que o nosso maior poeta, o
pai da língua portuguesa, Luís Vaz de Camões, se libertou da lei da morte, e
ascendeu para a eternidade à galeria dos imortais.
Como o próprio refere nos Lusíadas a obra – prima dos feitos da nação
portuguesa, (Canto I – Estancia II), ao apresentar o tema e os personagens,
– «aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando,
cantando espalharei por toda a parte se a tanto me ajudar o engenho e arte.»
Ora a lei da morte é o esquecimento, excepto para aqueles que por obras
valorosas, se libertam e para sempre são recordados e os seus feitos
enaltecidos e apresentados como exemplo às gerações vindouras.
Por isso Luís de Camões, é um símbolo vivo e eterno, do espírito e da alma
portuguesa.
Foi um estudante galã e namoradeiro mas teve uma paixão impossível por uma
dama da corte e sofreu um grande desgosto de amor.
Foi para a guerra no norte de Africa, como consequência mas, ferido em combate, perde o olho esquerdo. A partir daí a sua vida foi uma sucessão de viagens e aventuras, por Africa, Macau e China, até que regressa a Portugal, pobre o doente, mas com um tesouro incalculável, o manuscrito dos Lusíadas, salvo a muito custo e sacrifícios, de naufrágios, guerras e outros perigos.
Os Lusíadas são publicados em 1572, e em 1580 o poeta morre, no mesmo ano em que Portugal perde a sua independência como nação.
Pagª 1- EDIÇAO NºXXIV , IIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
Luís Vaz de Camões

As informações sobre a sua biografia são relativamente escassas e pouco seguras, apoiando-se num número limitado de documentos e breves referências dos seus contemporâneos. A própria data do seu nascimento, assim como o local, é incerta, tendo sido deduzida a partir de uma Carta de Perdão real de 1553. A sua família teria ascendência galega, embora se tenha fixado em Portugal séculos antes. Pensa-se que estudou em Coimbra, mas não se conserva qualquer registo seu nos arquivos universitários.
Serviu como soldado em Ceuta, por volta de 1549-1551, aí perdendo um olho. Em 1552, de regresso a Lisboa, esteve preso durante oito meses por ter ferido, numa rixa, Gonçalo Borges, um funcionário da corte. Data do ano seguinte a referida Carta de Perdão, ligada a essa ocorrência.
Nesse mesmo ano, seguiu para a India. Nos anos seguintes, serviu no Oriente, ora como soldado, ora como funcionário, pensando-se que esteve mesmo em território chinês, onde teria exercido o cargo de Provedor dos Defuntos e Ausentes, a partir de 1558.
Em 1560 estava de novo em Goa, convivendo com algumas das figuras importantes do seu tempo (como o vice-rei D. Francisco Coutinho ou Garcia de Orta). Em 1569 iniciou o regresso a Lisboa. No ano seguinte, o historiador Diogo do Couto, amigo do poeta, encontrou-o em Moçambique, onde vivia na penúria. Juntamente com outros antigos companheiros, conseguiu o seu regresso a Portugal, onde desembarcou em 1570.
Dois anos depois, D. Sebastião concedeu-lhe uma tença, recompensando os seus serviços no Oriente e o poema épico que entretanto publicara, Os Lusíadas. Camões morreu a 10 de Junho de 1580, ao que se diz, na miséria. No entanto, é difícil distinguir aquilo que é realidade, daquilo que é mito e lenda romântica, criados em torno da sua vida.
Da obra de Camões foram publicados, em vida do poeta, três poemas líricos, uma ode ao Conde de Redondo, um soneto a D. Leonis Pereira, capitão de Malaca, e o poema épico Os Lusíadas. Foram ainda representadas as peças teatrais Comédia dos Anfitriões, Comédia de Filodemo e Comédia de El-Rei Seleuco. As duas primeiras peças foram publicadas em 1587 e a terceira, apenas em 1645, integrando o volume das Rimas de Luís de Camões, compilação de poesias líricas antes dispersas por cancioneiros, e cuja atribuição a Camões foi feita, em alguns casos, sem critérios rigorosos. Um volume que o poeta preparou, intitulado Parnaso, foi-lhe roubado.
Na poesia lírica avultam os poemas de temática amorosa, em que se tem procurado solução para as muitas lacunas em relação à vida e personalidade do poeta. É o caso da sua relação amorosa com Dinamene, uma amada chinesa que surge em alguns dos seus poemas, nomeadamente no conhecido soneto «Alma minha gentil que te partiste», ou de outras composições, que ilustram a sua experiência de guerra e do Oriente, como a canção «Junto dum seco, duro, estéril monte».
No entanto, foi com Os Lusíadas que Camões, embora postumamente, alcançou a glória. Poema épico, seguindo os modelos clássicos e renascentistas, pretende fixar para a posteridade os grandes feitos dos portugueses no Oriente. Aproveitando a mitologia greco-romana, fundindo-a com elementos cristãos, o que, na época, e mesmo mais tarde, gerou alguma controvérsia, Camões relata a viagem de Vasco da Gama, tomando-a como pretexto para a narração da história de Portugal, intercalando episódios narrativos com outros de cariz mais lírico, como é o caso do da «Linda Inês».
Os Lusíadas vieram a ser considerados o grande poema épico nacional. Toda a obra de Camões, de resto, influenciou a posterior literatura portuguesa, de forma particular durante o Romantismo, criando muitos mitos ligados à sua vida, mas também noutras épocas, inclusivamente a actual.
No século XIX, alguns
escritores e pensadores realistas colaboraram na preparação das comemorações
do terceiro centenário da sua morte, pretendendo que a figura de Camões
permitisse uma renovação política e espiritual de Portugal.
Amplamente traduzido e admirado, é considerado por muitos a figura cimeira
da língua e da literatura portuguesas. São suas a colectânea das Rimas
(1595, obra lírica), o Auto dos Anfitriões, o Auto de Filodemo (1587), o
Auto de El-Rei Seleuco (1645) e Os Lusíadas (1572)

Tumulo de Camões
Colaboradores:
Abílio Lima, Adélia Mateus, Afonso Santana, Alexa Wolf, Alexandra Figueiredo, Ana Mendes, Ana Paula Freitas, Antônio C. A. dos Santos, António Cícero da Silva, António Manuel Fontes Cambeta, António Zumaia, Arlete Piedade, Arlete Brasil Deretti Fernandes, Armando C. Sousa, Carlos Carito, Carmo Vasconcelos, Cecílio Elias Netto, Clara S. Tinoco, Cleide Canton, Conceição Bernardino, Cônsoli, Cristina Maia Caetano, Daniel Teixeira, Denise de Souza Severgnini, Douglas Lara, Efigênia Coutinho, Eugénio de Sá, Fernando Reis Costa, Francis Raposo Ferreira, Haroldo P. Barboza, Humberto Neto, Humberto Soares Santa, Humberto Teixeira, Igor Emanuel Lobo Amaro, Ilona Bastos, Irina Krolov, João P. Correia Furtado, Jorge Linhaça, Jorge M. Pinto , Jorge Vicente , José Geraldo Martinez, José Pedreira da Cruz, Laé de Souza, Laila Murad de Carvalho, Lauro Kisielewicz, Lígia Tomarchio, Liliana Rodrigues Josué Nunes, Luis Cardoso, Luis Fernando Graça, Luiz Poeta, Luíza Benício, Marcelo Torca, Maria da Fonseca, Maria Luiza Bonini, Maria Theresa Neves, Maria Vitória Afonso, Maria Petronilho, Mário Matta e Silva, Martim Afonso Fernandes, Michel C., Patricia Neme, Pequenina, Miguel Deretti, Naida Terra, Nídia Vargas Potsch, Roberto de Oliveira, Rosa Pena, Roseli Busmair, Roze alves, Samuel Freitas de Oliveira (Sá de Freitas), Sandra Fayad, Silvia Araújo Motta, Susana Mendes, Urbano Reis, Vanise Vergasta, Valdeck Almeida de Jesus, Walter Pereira Pimentel