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Pagª 21 - EDIÇAO NºXXVIII , Iº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

 A Reencarnação

 (Continuação - ver Início)

Já quanto ao segredo Pitagórico ele é referido em seguida na mesma obra de Porfirio:

«Depois disto, a sua fama aumentou, e ele (Pitágoras) conquistou muitos sequazes na própria cidade (não só homens mas também mulheres, uma das quais, Teano *, veio a ser também muito conhecida), bem como muitos príncipes, e chefes guerreiros do território bárbaro em redor. O que dizia aos seus associados, ninguém o pode dizer com certeza; pois o silêncio entre eles não era de tipo comum.»

* Teano é considerada a primeira mulher matemática.

E numa outra obra refere ainda Porfírio: Iâmbl.,V.P.,199: «O rigor do seu sigilo é espantoso; pois é evidente que, em tantas gerações, nunca ninguém encontrou quaisquer notas pitagóricas antes do tempo de Filolau; foi ele quem primeiro publicou aqueles três livros, que se diz terem sido comprados por Dion de Siracusa a pedido de Platão(...)» e sublinhamos Platão principalmente para referir que Porfírio foi não só o coleccionador das referências a Pitágoras e aos Pitagóricos como também o biógrafo de Plotino, iniciador e fundamentador do chamado Neo-Platonismo.

Findamos esta parte através de uma referência a uma obra importante para compreensão de toda esta problemática da união possível entre Pitagóricos e Platónicos.

(...) o máximo que se pode intentar, no caso dos Pitagóricos, é dividir a sua doutrina em três secções, duas das quais abarcam o período que vai do fundador a Parménides, enquanto a terceira diz respeito à geração dos Pitagóricos, que floresceram, sob a chefia de Filolau, no final do Sec.V. (G.S.Kirk-J.E.Raven: Os Filósofos Pré – Socráticos - Fundação Gulbenkian)

Ora, onde Platão está indiscutivelmente de acordo com os Pitagóricos é na convicção de que a alma humana é uma substância independente, que já existia antes de habitar o corpo actual e que continuará a existir, separada do corpo, depois da morte deste.

Além disso é, não só indestrutível como consciente e inteligente, possuidora de um conhecimento que não foi adquirido através dos sentidos.

A finalidade do Fédon (diálogo platónico) é defender esta crença numa inteligência separada, bem como a crença igualmente pouco conhecida de que os objectos conhecidos por esta inteligência são Formas que estão separadas das coisas materiais.

O discurso protréptico de Sócrates que antecede a parte argumentativa do Fédon abre com uma definição da morte que resolve de antemão a questão da sobrevivência.

A morte é definida como «a libertação da alma do corpo»: «estar morto» quer dizer que «o corpo fica sozinho, separado da alma, e esta sozinha, separada do corpo».

Segundo a doutrina religiosa a que Sócrates já recorreu, os prazeres animais são condenados por acorrentarem a alma ao seu companheiro material.

Os sentidos - até mesmo a vista e o ouvido - mais não fazem do que dificultar o pensamento. A alma que está apaixonada pela sabedoria foge de todo e qualquer contacto com o corpo.

O seu desejo é alhear-se inteiramente do corpo e concentrar-se sozinha na contemplação das realidades que os sentidos não podem revelar.

Esta é a «purificação», a que se segue a visão da verdade, que os mistérios recomendam. Neste mundo esse alheamento não pode ser conseguido a não ser, quando muito, de maneira imperfeita. A libertação final e completa virá com a morte do corpo.

Assim o diálogo do Fédon começa não com qualquer argumentação mas com um passo de eloquência religiosa sobre o significado da vida e da morte, no qual a convicção do autor o levou manifestamente para além do domínio da prova racional. As dúvidas e os argumentos elaborados para as rebater surgem depois.

Novamente a teoria da reminiscência é apresentada como prova de uma preexistência: a alma que pode existir separada do corpo é aquela parte do nosso ser que pensa e conhece as Formas que existem separadas das coisas materiais.

As razões das crenças na reencarnação estão cada vez mais presentes na nossa sociedade actual.

Há assim como que um desejo sublimado pela realidade de regresso às origens, à alma e ao corpo primeiro, ou ao conhecimento do corpo primeiro, um conhecimento mais rústico, ou pelo menos, menos aperfeiçoado do que aquele que adquirimos no presente, mas que não deixa de ser contraditório porque na sua génese este tipo de pensamento não rejeita senão parcelarmente o conhecimento que vai adquirindo (o conhecimento das coisas más ou menos boas) pretendendo regressar ao passado mas não viver como no passado.

Este prolongamento da vida, nesta forma, é uma soma de saberes: os presentes e os passados vistos na óptica do presente.

A sua adaptabilidade lógica em termos de comunhão vivencial é matéria de crença.

Ninguém pensa - pensamos nós - em debruçar-se entusiasticamente hoje, nessa vida idealizada, sobre os primórdios do Teorema de Pitágoras nem em conviver com os aspectos mais negativos desses tempos.

 

 

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XXVIII)

Inspirem profundamente. Expirem profundamente. Lentamente e de forma alternada e coordenada. Pensem que ao inspirar, absorvem todo o ar do universo, positivo, de mudança e de força.

Pensem que esse ar é purificador e que ao expirar ajuda a limpar pensamentos obsoletos, desgastantes e… uma vez em contacto com o ar do universo, se dissolvem completamente, depois…, depois a mente, o corpo, a alma e o espírito preparados e ávidos para novas experiências e conhecimentos ficam.

Agora, mais descontraídos, com a certeza que tudo é possível e de que cada um tem o controlo da sua própria vida nas suas mãos, sentem-se confortavelmente e preparem-se para viajar… viajar pelo universo… viajar pelo tempo… viajar pelo inconsciente de cada um!

Deixem todos os pensamentos do dia-a-dia, todas as decisões, todas as incertezas, todas as infelicidades do lado de fora do vosso ser… e sintam-se mais leves, tal como uma mochila completamente vazia, tal como uma folha de papel completamente em branco … e tenham a certeza, que cada um de vós, pode escrever de novo, do inicio, a vossa história, a vossa vida da forma que sempre desejaram que ocorresse…

Conscientes deste estado meditativo, deixem o vosso corpo soltar-se, desprender-se e… leve, leve, deixem-no ir… não o travem… deixem-no ir, só ir… e sentam-se levitar, levitar, como se o corpo se separasse da alma e do espírito…e leve, leve, deixem-no ir…e imaginem esse corpo, agora leve, agora despojado de mágoas e sofrimentos, envolto na beleza de uma paisagem pacificadora, banhada por um oceano meigo, forte e magnânimo… e sintam o calor da areia nas vossas costas, o sol queimando brandamente as vossas faces e… gozem esse momento… desfrutem-no como uma dádiva gentilmente concedida pela natureza, pelo universo, …

Sem medos, podem passear, descansar, contemplar a paisagem ou falar com o sábio dentro de vós.

Perguntem-lhe o que quiserem, o que mais vos aflige, o que mais precisam para continuar com a vossa vida…, preparem-se para o escutar como nunca o fizeram com ninguém e deixem-se envolver pelos seus preciosos concelhos, pelas suas preciosas palavras, pela sua voz meiga e afectuosa.

Cada um de vós sabe bem que esse velho sábio é o vosso mais profundo e recôndito «Eu», o vosso mestre, o vosso anjo da guarda, o vosso guru!

Apreciam mais uma vez o velho sábio, o sábio que cada um de vós idealizou, o sábio que existe dentro de cada um de vós! Escutem mais uma vez a sua voz, os seus concelhos!

Deixem-se agora projectar lentamente para a vossa actual dimensão, para a «doce» união do vosso corpo, com a vossa alma e espírito!

Deixem a imagem do velho sábio sair do campo de vista das vossas retinas, deixem que lentamente o nosso vosso ser acorde lentamente, preguiçosamente e saboreiam o triunfo do vosso ser, o triunfo da vossa força, o triunfo da vossa vontade… e principalmente tenham sempre a convicção cada vez mais lúcida de que o melhor é mesmo não se fazerem julgamentos...