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Pagª 31 - EDIÇAO NºXXVI , IVº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Asas no chão.

Por Haroldo P. Barboza

 

Quando banqueiros estão com dificuldades financeiras, o PROER efetua empréstimos generosos (doações em troca de apoio em campanhas eleitorais) para que eles tenham suas fortunas preservadas. Sacrificam a missão do BNDES que seria a de ajudar o povo a conquistar seu sonho de comprar a casa própria.

Se fazendeiros sofrem prejuízos em seus rebanhos bovinos (ou suínos – com ou sem gripe) por má gestão, recebem linhas de crédito a perder de vista. Já o pequeno agricultor que perde sua safra de milho ou feijão por culpa da seca ou da enchente, tem de ralar as palhas para fazer uma sopa para a família.

A VARIG, nossa tradicional companhia aérea (que nos dava um grande orgulho), entrou em regime de decadência em meados de 2006. Nenhuma ANAC (que só produz «ANA(r)Cquia» em nosso espaço aéreo (e terrestre) estabeleceu um plano de ajuda para preservar este patrimônio nacional.

Por força das concorrentes estrangeiras, largou-a à deriva entregue à própria sorte num mar (ou no ar) repleto de tubarões (e «gaviões») torcendo para que afundasse com rapidez abrindo espaço para as companhias estrangeiras nos explorarem. Devem ter seguido o mesmo modelo do que foi executado com a Panair do Brasil e a VASP há mais de 20/30 anos.

Se você não tem coração forte para suportar a visão de um crime que se comete contra nossas empresas (a favor das estrangeiras), NÃO abra o anexo (foto) deste texto. A imagem exibida pela nossa colega Cléia Carvalho é de chocar o mais tranqüilo monge tibetano. Faz doer o coração.

Mas se você já está acostumado com os desperdícios que inundam nossa terra (obras começadas e largadas à ferrugem apenas para embolsar as verbas), observe com o olhar indiferente que é a marca de nosso povo acomodado.

Ambiente confortável para as ratazanas do poder enriquecerem através de escândalos públicos (carinhosamente chamados de «atos secretos») sem serem molestados.

Para ver tamanho maior carregue na imagem

 

 

 



Morreu Pina Bausch

A coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch faleceu no primeiro dia deste mês de Julho aos 68 anos, vítima de cancro. Nascida a 27 de Julho de 1940, em Solingen, filha do dono de uma cervejaria local, acabaria por se tornar na grande inovadora da dança moderna, recebendo numerosos prémios, entre os quais a ordem Militar de Santiago de Espada, uma das mais altas condecorações da República Portuguesa.

O ministro da Cultura destacou que a bailarina é um exemplo de inovação, criatividade e rigor, e uma bailarina e coreógrafa extraordinária, disse José António Pinto Ribeiro.

Temos que ser capazes de ser inovadores, criativos e rigorosos. Seguir o exemplo da extraordinária mulher que foi Pina Bausch, que representou tudo o que devemos fazer para a dança moderna, para a dança contemporânea, disse o ministro, em Madrid.

Na antevéspera da sua morte, no domingo, Pina Bausch ainda pisou o palco da Ópera de Wuppertal, para mais um espectáculo da sua última criação, uma coreografia ainda sem título, mais uma vez aclamada pelo público. Ela tinha recebido o diagnóstico que indicava cancro apenas cinco dias antes, segundo informações da Companhia de Dança Wuppertal, da qual era directora artística.

Bausch ganhou fama internacional por suas performances e coreografias classificadas logo como sendo de vanguarda, que misturavam dança, som e narrativas fragmentadas. «No penúltimo domingo, ela estava aqui, no palco do Teatro de Ópera de Wuppertal, com sua companhia», disse o site oficial a companhia de dança e teatro, que Bausch liderava desde 1973.

Pina Bausch coreografou e encenou suas próprias obras, como Café Müller e Viktor, e entrou em filmes de ícones do cinema como Federico Fellini e Pedro Almodóvar. Estava a preparar um trabalho com Wim Wenders, num filme considerado o primeiro de dança em 3D, teria o nome de «Pina». Em Paris, onde os seus trabalhos eram frequentemente apresentados, o ministro da Cultura francês, Frederic Mitterrand, afirmou que «o mundo da dança está de luto hoje após a perda de uma de suas representantes mais brilhantes».

Pina Bausch iniciou os seus estudos de dança aos 14 anos de idade na Escola Folkwang, em Essen, com vários mestres, incluindo o coreógrafo expressionista alemão Kurt Jooss. Em 1960, estudou na Juilliard School de Nova Iorque e integrou os quadros da Metropolitan Opera. Em 1962 regressou à Alemanha, onde se tornou solista do Folkwang Ballett. Dez anos depois, tornou-se directora-artística e coreógrafa da companhia de dança e teatro Wuppertal, que acabava de ser fundada.