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Pagª 7 - EDIÇAO NºXXVIII , Iº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


Crónica

Por Antônio Carlos Affonso dos Santos - Acas

 

 

 

Texto a respeito do João Furtado
e de Uma Composição em Inglês ou O João da Praia

Quero deixar registrado o apreço que tenho pelo João Furtado (ainda que isso não seja novidade). Depois que li a composição da BELMA, mais ainda fiquei certo desse meu apreço.

O João da Praia(como pretendo chamá-lo doravante), me transmitia a imagem de um ser humano que dispensa adjetivos. Agora isso ficou evidente. Na verdade, pouco sei de sua vida; descobri algumas coisas na composição da filha; porém ele também não sabe muita coisa a meu respeito.

Também não sei nada de outras pessoas, que conheço apenas virtualmente, nessa aldeia global: embora tenha convivido anos em «site sharing», (aproveitando o gancho da composição em Inglês), pouco ou nada sei da Patrícia Neme, da Denise, da Sandra Fayad, sei um pouco do José Pedreira, porque nós nos falamos por telefone uma vez ao ano e assim por diante.

Tenho imensa curiosidade de conhecer também mais detalhes sobre o Cecílio de Piracicaba (acabei de saber que também ele escreveu um dicionário, chamado de «piracibano», mas que na verdade, também trata do caipirês; o mesmo caipirês com o qual costumo escrever meus «causos».

Similar portanto, o dicionário do Cecílio com o meu. Talvez a maior diferença é que o meu é de conhecimento ínfimo. Sei tão pouco de pessoas que admiro, que teorizo situações sobre seus modus-vivendi, da sua escolaridade, sua profissão, tipo de criação e etc.

Outro dia vi o filme em que a Arlete, nossa Fada das Letras, realizou em Portugal um sarau de posias, onde compareceram alguns colegas do Raiz On Line. Vi a imagem, ainda que o som não estivesse bom, ouvi a voz dos amigos lusófonos, com a Maria Petronilho e outros, dos fadistas e todos aqueles guerreiros, que tentam fazer uma revolução pela poesia.

Não entendo como é possível uma língua tão rica como o Português (e sobretudo belíssima), tendo apenas um Prêmio Nobel de Literatura. Custa-me crer que escritores brasileiros de escol, assim como os lusitanos (desconheço escritores das outras colônias lusófonas e o Raiz on Line me proporciona isso semanalmente). sinto um imenso prazer, a par das mazelas e armadilhas que a vida nos prega, em participar do Raiz e conhecer pessoas como o João da Praia, que me levou a escrever estas duas linhas em reconhecimento ao seu caráter, sua sapiência e sua cultura invulgar.

Os textos do João da Praia são, para mim, a certeza de que se eu quero aprender a escrever, tenho de ler seus textos. A Belma não está sozinha. Pudesse eu iria até Praia e juntos, começávamos um cortejo, passando por Macau, por Timor Leste, por Portugal, Moçambique, Angola e falaríamos em Português com diversos sotaques e melodias, usando frases inintelígíveis para muitos, iríamos falar de literatura, de política, de esportes (ou desportos, como dizem), além de falar de poesia, de amizade e de amor entre os seres humanos.

João da Praia, como já disse Barak Obama certa vez: You are the MAN!
(god, save the João da Praia!)

 

José Eduardo Agualusa
«Brasil tem de fazer mais pela língua portuguesa»

O escritor angolano, José Eduardo Agualusa, afirmou que o Brasil precisa fazer mais para divulgar a língua portuguesa no mundo.

A declaração foi dada à Rádio ONU antes da participação do escritor num seminário sobre o idioma na Assembleia da República em Lisboa.

Promoção do Idioma

De acordo com o escritor angolano, o Brasil deveria seguir o exemplo de Portugal na difusão da língua. No ano passado, o Parlamento do país aprovou uma política de promoção do idioma no mundo.

A iniciativa foi depois endossada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP. Mas de acordo com Agualusa, o Brasil ainda não se deu conta da relação entre língua e poder político na hora de divulgar o seu próprio idioma.

Traduções

«O Brasil não está a fazer o que Portugal está a fazer, por exemplo. Portugal tem o Instituto Camões cujo objetivo é exatamente o de promover a língua portuguesa no mundo e o Brasil não tem nada equivalente.

O Brasil, por exemplo, não dá apoio às traduções de seus autores no estrangeiro. Portugal tem uma política eficiente de apoiar tradução, apoiando inclusive autores africanos também e o Brasil não tem esta política. De vez em quando, a Biblioteca Nacional apoia uma ou outra tradução, mas não há uma política definida. O Brasil tem que fazer isso.

O Brasil tem que entender que a cultura traz muito dinheiro ao país. A Música Popular Brasileira hoje está trazendo muito dinheiro ao país através do turismo, por exemplo. A literatura brasileira também. Então o Brasil tem que compreender isso. Tem que compreender que sua afirmação no mundo passa também pela afirmação da língua portuguesa e tem que criar estruturas de promoção da língua e tem que começar a apoiar seus escritores, seus cantores e seus músicos, afirmou.

Comunidade Diplomática

O seminário sobre Internacionalização da Língua Portuguesa reuniu além do autor angolano, representantes da comunidade diplomática, especialistas e os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, e da Cultura, José António Pinto Ribeiro.

O papel do português nas Nações Unidas também foi tema de uma das apresentações realizada pela encarregada da editoria de Português no Centro de Informação da ONU em Bruxelas, Mafalda Tello.

 


ESCOLA COMBATE OU REPRODUZ O PRECONCEITO?

Tese de Cristina Ubaldo

 

 

 

 

De acordo com Silva (2006), a escola ao mesmo tempo podia representar a possibilidade de ascensão do negro na sociedade, como também se tornar um problema em sua vida. Isto porque segundo Bastide (apud Silva 2006), em um primeiro momento as escolas foram direcionadas à elite, como os colégios religiosos, que recusavam a presença dos negros, principalmente se estes quisessem estudar humanidades.

Quando seu acesso era garantido, tinham que «optar» pela área técnica, na verdade esta opção nada mais era do que uma imposição. Ainda assim, dificilmente o negro teria acesso à educação sem o apoio e a intervenção de padrinhos influentes que lhe abrissem as portas das instituições de ensino.

O acesso não era a única dificuldade a ser superada, outros desafios vinham posteriormente que testavam a determinação do candidato.

Talvez o mais difícil fosse superar as manifestações claras de racismo pelos colegas e a descrença do professor em relação ao seu potencial. Ainda para a autora, a escola inicia o processo de discriminação racial.

Em sua pesquisa, Nilza (2006) teve a infeliz constatação através dos depoimentos, que a escola é um ambiente impregnado de preconceitos, o que causa grande sofrimento ao estudante negro independente da faixa etária.

E praticamente na escola que a criança negra vivencia sua primeira experiência de discriminação seja por parte dos colegas que reagem a esta interação sobre a conivência dos responsáveis pela educação, ou então por parte dos professores que deixam notória a diferença entre os alunos não acreditando na capacidade das crianças negras por serem muitas vezes advindas de classe econômica menos privilegiada.

Esta diferença que o professor faz reflete na sala de aula contribuindo na formação de opinião negativa nos outros alunos.

Estas dificuldades de acordo com Silva (2006), levam a um «enfraquecimento das motivações» para freqüentar a escola, já que ir a escola pode significar submeter-se a uma serie de constrangimentos causados pelo racismo.

Entra aqui a questão do amor ferido pela discriminação na escola, muitas vezes expressa por apelidos cruéis que se transformam em um grande problema para a criança negra causando sofrimento e marcas que a acompanhará por toda vida.

A educação ao se constituir uma resposta na busca de solução do problema das desigualdades raciais e sociais, de acordo com Silva (2006), pode-se tornar também um elemento agravante na experiência das crianças negras, principalmente dos que vivem nas periferias. Isto devido à falta de oportunidades agravadas pelas dificuldades relacionadas à pobreza e pelas dificuldades do negro em relação à própria escola.

Rosenberg (1992, apud Silva 2006), em pesquisa sobre o rendimento escolar das crianças negras, observou a dificuldade que alguns professores têm em reconhecer a capacidade que as crianças negras possuem, não os tendo como indivíduos dotados de igual capacidade que os outros.

Ainda neste trabalho, Rosenberg (1992, apud Silva 2006), afirma que muitas vezes «o negro é tratado como aquele que não tem talento e, portanto, fadado ao fracasso».

Para a autora a obrigatoriedade de conviver com esse descrédito dos educadores quanto a seu potencial e com o estigma e as manifestações de racismo, pode interferir até mesmo na formação da identidade da criança que passa a não se aceitar com as características físicas própria de sua raça, querendo ser mais semelhante às outras crianças na intenção de não ser motivo de zombaria.

De acordo com Silva, estas experiências negativas vividas pelas crianças negras na escola, mostram uma dura realidade que produzem estigmas com muita força.

Segundo Munanga (2002, apud Silva 2006 p. 120), «sem assumir nenhum complexo de culpa, não podemos esquecer que somos produtos de uma educação eurocêntrica e que podemos, em função deste, reproduzir consciente ou inconscientemente os preconceitos que permeiam nossa sociedade». Para a autora, a escola pode também agir e funcionar como controle social.

Quanto à escola como reprodutora do racismo, Munanga (2002, apud Silva, 2006), afirma que a escola como produto desta educação eurocêntrica citada acima, reproduz o racismo de maneira consciente e inconscientemente, com uma tendência à perpetuação da discriminação racial.

De acordo com Silva (2006), sendo o professor e a escola frutos desta sociedade, este contexto também pode reproduzir os estigmas que marcam as crianças negras com resultados negativos na trajetória escolar e de vida do aluno.

Silva (2006), afirma que em nosso país utiliza-se como justificativa para o baixo rendimento dos alunos, principalmente dos negros que na maioria são pobres, as condições sociais dos pais.

Apesar de não poder desconsiderar a pobreza como base da justificativa, Munanga (2002, apud Silva 2006) lembra que os alunos negros e brancos recebem expectativas diferentes independentes das condições financeiras de seus pais, sendo essas expectativas inferiores em relação aos alunos negros.

As conseqüências do racismo nas escolas, segundo Silva (2006), são perversas tanto nas crianças de famílias de baixa renda com as de famílias de classe média, repercutindo na saúde, rendimento escolar, na motivação do estudo e no baixo rendimento escolar.

Hasenbalg e Silva (1992, apud Silva 2006) concluíram que o acesso das crianças à escola sofre interferência do rendimento escolar.

Neste trabalho os autores constataram que o maior problema não esta no acesso da criança à escola, mas sim na sua permanência na instituição escolar, sendo que é nela que se da o forte confronto com o racismo. Concluem ainda, que «a escola continua sendo um dos lugares traumáticos para as relações raciais».

Silva (2006), afirma existir uma contradição no contexto escolar no que diz respeito à manutenção do racismo e a busca de estratégias para combatê-lo, e conclui que a escola sendo uma instituição reprodutora do racismo no Brasil, dificulta o pleno desenvolvimento das possibilidades de sociabilidade dos alunos negros.

O que entendemos como educadores que admitir ser a escola uma reprodutora do racismo com a reprodução de estigmas que deveriam estar extintos nos dias atuais, é retroceder no tempo e admitir também, que a nossa formação docente deixa muito a desejar quando se fala em trabalhar valores como cidadania, respeito e igualdade.

Veja a Tese Completa e ordenada carregando aqui.