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Pagª 19 - EDIÇAO NºXXVIII , Iº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.           



Coluna

     
      Antônio Carlos Affonso dos Santos.

          ACAS, o Caipira Urbano.



Descobrindo Michael Jackson

O AFRANINHO E O GALEGUINHO

Este texto é dedicado ao amigo, advogado, escritor e poeta,Afrânio Polaris, de Vitória da Conquista-BA e ao Rolando Boldrin, de São Joaquim da Barra-SP, apresentador de TV, ator, declamador, compositor , cantor, folclorista, e brasileiro da melhor cepa, do qual sou admirador; possível autor do causo/mote que deu origem a este texto.

Certa feita o Afraninho estava dormindo debaixo de um pé de café. O dia já ia alto, sol a pino, quente, moroso. Uma mosca teimava em zumbir próximo do ouvido de nosso caipirinha. O Afraninho acordou com um olho só; coisa que aprendeu com o Elomar do Rio Gavião. Assim, meio acordado, meio dormido, bateu com as folhas de mamonas que trazia sob a cabeça na dita cuja da mosca. Lá ao longe, ouvia-se um aboiar de vaqueiro, levando o gado para o curral, para adiantar o trato na ordenha da manhã seguinte. Um nhambu chororó piava ao longe; um sabiá laranjeira, ensaiava umas corridinhas sob o grande jequitibá, caçando insetos. O Afraninho levantou-se a contragosto. Pegou a moringa com energia. Derramou a água gelada na nuca e na cabeça, esfregou os olhos. Olhou para a moita de fedegoso, onde havia deixado a matula. Apanhou a enxada no chão, levando-a ao ombro. Pegou a matula e a amarrou no cabo da enxada.
-Vou pra casa, pensou. E começou a caminhar no trilho que dava para o carreador que levava pra a casa da colônia.
Ao passar sobre o córrego, deu vontade de pescar. Lembrou-se da moita de gabiroba, onde escondera suas varinhas de pescar. Efetivamente encontrou-as. Com a enxada, escavou sob um pinheiro bravo e encontrou minhocas em profusão. Encheu o calderãozinho (onde levara a comida) com elas. Foi até um remanso, numa curva do córrego, onde havia uma aragem fresca. Sentou-se no barranco, iscou o anzol. Um mandi beliscou a isca, em seguida correu a linha. Afraninho puxou com força, o bambu jardim dobrou até o cabo. O mandi apareceu reluzente, dourado como o sol. Iscou novamente, esperou, esperou, nada!
Nisso, um galeguinho que passava por ali, sentou-se ao seu lado e ficou admirando o mandi; depois ficou observando o Afraninho. Ele preocupado; e nenhum beliscão, nada. Trocou a isca uma, duas, três, vinte vezes e nada. E o galeguinho ali, olhando!
Lembrou-se de que tinha uma vara reserva. Ofereceu-a ao galeguinho, ele negou-se a pescar. Mais três horas ali, trocando a isca, trocando a isca, centenas de vezes e nada. Mais uma vez contemplou o galeguinho, que o obsevava sem tirar o olho. Mais uma vez ofereceu uma vara ao menino; mais uma vez ele negou-se a pescar.: só queria ficar ali, olhando.
Lá pelo cair da tarde, quase no lusco-fusco, o Afraninho não se conteve:
-Galeguim, pruquê cocê num qué pescá? Fica aí me oiano faiz mais de quatro hora e num qué pescá ! Num te intendo!
Ao que o galeguinho respondeu:
-É qui num tenho paciência feito o sinhô!

 

Minha Mãe

(Diacróstico) acróstico-mesóstico

Por João Furtado

A imAgem de ti ficou, em,
Minha Mãe querida
O teu AmOr por mim
Repleto de caRinho e ternura!

DeitaDa eternamente, nesta campa, esta o teu corpo
EntrE os anjos vagueia o teu espírito, mãe!

Minhas lágriMas és delas dona, mãe
A paz e a Alegria antes vivida
Estou Esperando ainda, mas sinto, jamais terei!


AMOR SEMPRE NOVO

Amor este que sinto
Mui velho parece
O primeiro fruto e segundo
Rebentos já deram, mas…

Sinto inseguro
E de coração sempre palpitante
Medo e insegurança
Permanecem activos
Recordo o primeiro dia
E tenho a certeza que é o mesmo!

Naquele o medo de nunca ser
O medo hoje é da ausência
Viver interligado por invisíveis laços
O homem e a mulher se fundem!

João Furtado

 

                         
                         Por: Cecílio Elias Netto

(Por especial gentileza do autor)

Confesso ter-me surpreendido com a comoção mundial diante da morte de Michael Jackson. Mas descobri ser, a surpresa pessoal, resultado de minha quase absoluta ignorância a respeito da obra do artista e sua impressionante influência sobre um universo múltiplo de pessoas.

Para mim, Michael Jackson era, apenas, uma personalidade estranha, uma figura singular, pessoa complicada, como que um andrógino. Mais do que suas músicas, como cantor e compositor, dele eu apenas sabia de uma vida confusa, de atitudes excêntricas.

E, com esse pouco de informação, congelei minha avaliação. Ou seja: Michael Jackson era, para mim, um astro de um universo musical que nada tinha a ver comigo, com minhas opções, com minhas preferências.

No entanto, os veículos de comunicação – todos eles, incluindo os eletrônicos, os novos meios – de tal forma se agitaram, tanto deram ênfase à morte, à vida, à obra de Michael Jackson que comecei a desconfiar: Alguma coisa estava errada. E era comigo.

Pois, na verdade, eu, simplesmente, não sabia quem era e quem foi Michael Jackson. A não ser de suas excentricidades, de processos, de acusações de pedofilia. Mea culpa.

Michael Jackson reverenciado por Mandela; por Lady Di; por presidentes da República e por reis e por príncipes. Michael Jackson sendo pranteado em todas as partes do mundo, no Oriente e no Ocidente; a Africa chorando por Michael Jackson; todos os canais de tevê, todos os jornais, todas as emissoras de rádio esquecidos do resto do mundo para lamentar a morte do popstar, como se fossem secundárias as desgraças universais da fome, das guerras, da miséria, da violência. Algo estava errado, pensei. E era eu.

Essa verdadeira idolatria por Michael Jackson tem significados que vão muito além de nossa simples racionalização das coisas. Há algo mais que se espalha pelo mundo, que contamina, que apaixona, que se transforma em fenômeno universal. O quê seria?

Na verdade, há coisas que se não explicam, mesmo porque, até mesmo não gostando do trabalho e da obra de Michael Jackson, milhares de pessoas o amavam, milhões o reverenciavam. No noticiário de televisão, uma frase se foi repetindo em pessoas entrevistadas nas mais diferentes partes do mundo: «É como se eu tivesse perdido alguém de minha família.» Eis aí, pois, o segredo e o mistério: Michael Jackson atingiu o coração das pessoas e elas o tiveram como alguém de sua intimidade.

Quanto a mim, comecei a entender Michael Jackson a partir de sua morte. E mais pelas multidões amarguradas do que por ele mesmo. Esse homem está eternizado como o mistério que ninguém desvendou. Bom dia.

Pode comentar este texto carregando no seguinte link da Província de Piracicaba: Comentário.


Cecílio Elias Netto é fundador do Jornal A PROVINCIA

A PROVINCIA, como jornal impresso, foi fundada em 28 de Agosto de 1987, pelos jornalistas Cecílio Elias Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim. Durante duas décadas, com idas e vindas, ela cumpriu o seu propósito e o sonho desenvolvido: recuperar a memória de Piracicaba, especialmente através da oralidade de seus mais antigos moradores, contar a história do município e da região, com fartura de documentos e de fotos e postais. O lema continuou vivo quando, há cerca de dois anos, A PROVINCIA ingressou no universo digital, criando A PROVINCIA electrónica, com o mesmo objectivo e a mesma motivação: «Paixão por Piracicaba».

Piracicaba é um município do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2008 era de 365.440 habitantes.

 

A cegueira dos ciúmes

Pequenina

Na gruta da boca da noite
Num convento mal-assombrado
Nos sinos, ao pé do telhado
Ouve-se uma Coruja á piar…
Dizem ser uma princesa enfeitiçada
Que ali fora enclausurada
Por uma velha bruxa malvada
Que ao pino da meia-noite ela visita o cativeiro
Vestida na pele de um cordeiro
Conduzida pelo nevoeiro…
Falam que traz nos queixumes
A cegueira dos seus ciúmes
De um um tal príncipe amante seu
A quem tanto amor lhe deu, e pensava ser amada
Até que um certo dia, percebeu que era enganada
E por seu amado príncipe sentiu-se então desprezada
Triste e desesperada atirou-se de uma sacada
Pôs a corda em seu pescoço, e assim morreu enforcada
E agora só por vingança, traz a rival confinada
Tornou-se uma bruxa malvada.