Pagª 23 - EDIÇAO NºXXIX , IIº NUMERO DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
A Cotovia da Minha Rua
Conto
de Armando Sousa
«Histórias em poucas linhas»
Sentava-me na varanda no fim da tarde olhando a rua com mais movimento depois
que as crianças chegavam da escola.
Havia uma já espigadinha que me chamava mais a atenção pela maneira sem
cerimónias como se treinava ou passava o tempo na erva de seu jardim.
Talvez com dez anos mas de riso muito aberto e com enorme delicadeza me dava sempre os bons dias. Creio que se preparava para apresentação na escola... com o seu gravador, lhes dava musica e compasso para ouvi-la cantar nos seus passos de dança, com piruetas e as pernas se abriam ao máximo como se fosse uma profissional de ginástica...
Cada dia que terminava pegava no seu aparelho, de sorriso aberto me assinava com sua mãozita em gestos ondulosos de adeus e entrava dentro de casa.
Haviam diversos que andavam na rua e paravam a ver aquela cerejinha no seu pintar a fazer malabarismo com seu corpo como borracha mas onde não se notavam ossos.
Para mim, essa cotovia era um espectáculo; adorava essa criança, que me fazia lembrar as minhas quatro filhas quando crianças e frequentavam a escola.
Dias passaram que deixei de ver essa menina; sentia saudades, era o meu
espectáculo de todos os dias.
Vi um dia que ela muito triste fugia de se encontrar com meus olhos...
No meio de tudo isto, havia alguma coisa estranha; parecia-me ver preto no seu
lado da orelha esquerda;
Quis saber mas então ela mais depressa fugiu para dentro de casa. Fiquei
intrigado com o sucedido, mas achei que ela tinha a sua razão para fugir dos
homens; mas eu que a vi quase nascer e crescer sentia por ela um amor e respeito
de como fosse uma filha, daria tudo para vê-la feliz como o foi tantos anos.
Um dia peguei no carro para apreciar seu trajecto da escola para casa. Logo que ela deixou as amigas, vi um homem sair do nada e a chamar; a cotovia da rua deitou a correr fugindo. O homem fez um esforço para agarrar a mocinha...
Parei o carro e risquei no telefone o 911, explicando o sucedido... não houve dificuldade em ser preso o homem, conhecido bem da policia. A minha cotovia da rua tinha sido forçada pelo pedófilo e ameaçada de morte.
Esta confessou o que lhe tinha sucedido, depois de reconhecer o homem na polÃcia como seu agressor e ladrão de sua alegria.
O escritor nada tem a ver com esta história...
Doze portugueses no estrangeiro distinguidos com Prémios Talento 2008

Doze portugueses que vivem no estrangeiro foram distinguidos sexta-feira, em
Lisboa, com os Prémios Talento 2008, atribuÃdos pela Secretaria de Estado das
Comunidades.
Na categoria Artes do Espectáculo, a vencedora foi a actriz, escritora e
produtora Alice de Sousa, do Reino Unido, que fundou a Galleon Theatre Company,
o teatro Greenwich Playhouse e a companhia de cinema Galleon Films.
Na área de Artes visuais, foi distinguida a pintora Maria Cristina Tavares, de
França, que expõe em exclusividade numa das principais galerias de arte de Lyon.
O prémio Associativismo foi atribuÃdo ao Real Hospital Português de
Beneficiência em Pernambuco, Brasil, o maior complexo do norte-nordeste
brasileiro, gerido por portugueses e que, apesar de ser uma instituição privada,
dá assistência médica e social gratuita aos mais carenciados.
Na categoria de Ciência, foi distinguido Victor Pereira da Rosa, do Canadá,
especializado em antropologia social e sociologia, tendo já publicados diversos
trabalhos em vários paÃses, incluindo Portugal.
Na Comunicação Social, o vencedor foi José Ribeiro Franco, do Canadá, director e
proprietário do Jornal Luso-Canadiano.
LetÃcia da Costa venceu o prémio Desporto. Esta jovem, de 22 anos, paratica
karaté e foi vice-campeã do Luxemburgo na categoria de Cadetes.
O prémio Divulgação da LÃngua Portuguesa foi atribuÃdo a Pierre Léglise-Costa. O
professor, linguista e crÃtico literário já mereceu outras distinções,
nomeadamente o Prémio Europeu Charles Perrault pelo melhor trabalho de
divulgação de literatura estrangeira em França.
Na área Empresarial, foi distinguido Avelino Costa, um empresário dedicado Ã
comercialização e em 1981 foi eleito deputado federal pelo Estado de Minas
Gerais, Brasil. Criou também a Fundação de beneficiência Mendes da Costa.
Na categoria Humanidades, o prémio foi para Elisa das Candeias Borges, religiosa
da Congregação de Nossa Senhora da Caridade, em França, que ajuda presos da
cadeia de Fresnes, nos arredores de Paris.
O prémio Literatura foi atribuÃdo a Isabel D'Ã?vila Winter, professora de escrita
criativa no Kenmore Community College, em Vrisbane, Austrália. Em 2008, publicou
o romande "Dona Stella e as suas rivais", editado em Portugal pela Quidnovi.
Na PolÃtica, o vencedor foi Gilberto Pereita Martins, um dos mais destacados
membros não africanos do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder na �frica do
Sul) e é actualmente director-adjunto das Obras Públicas do governo provincial
de Gauteng.
Finalmente, na área das Profissões Liberais, foi distinguido Manuel Norberto de
Sousa, um dos melhores vendedores no Candá da rede imobiliária REMAX.
A reencarnação

Por: Daniel Teixeira
Onde existe a crença na reencarnação pensa-se também que a alma terá esquecido as suas vidas anteriores e as suas experiências no outro mundo, tal como as almas no mito de Er bebem a água do Rio do Esquecimento antes de voltarem a nascer.
Simplesmente, umas almas bebem mais água do que outras, o que quer dizer que os espÃritos menos esquecidos conseguem recuperar durante esta vida uma parte do conhecimento esquecido.
Na crença popular, por exemplo na Birmânia dos nossos dias, o Budista consegue frequentemente recordar o suficiente da sua vida anterior para identificar a pessoa morta cuja alma encarnou no seu próprio corpo. A crença sob esta forma aparece na lenda de Pitágoras.
Empédocles descreve-o como «um homem dotado de um conhecimento extraordinário, que tinha conquistado as maiores riquezas e sabedoria e que era exÃmio em toda a espécie de coisas; pois sempre que o seu espÃrito se concentrava com facilidade via tudo quanto existe nas vidas de dez ou mesmo vinte homens».
É possÃvel que estas últimas palavras se refiram à tradição de que Pitágoras, que tal como o Budista, era capaz de se lembrar das suas encarnações anteriores.
Mas, considerado no seu conjunto, o passo sugere ainda mais - não apenas a recordação de experiências vividas neste mundo mas «a maior riqueza de sabedoria», a visão de «tudo quanto existe», alcançada num estado de exaltação em que as potencialidades do espÃrito são exercitadas ao máximo.
Não podemos deixar de fazer reparar a condição positiva pressuposta. Ou seja, saber-se da nossa vida presente e saber-se de mais «dez vidas passadas» não é suposto criar qualquer confusão, antes pelo contrário, é entendido como um factor positivo e aquisitivo de maior conhecimento e confirmador de um estatuto pelo menos invejável.
Por outro lado, o conhecimento sobre o passado, ou sobre as vidas passadas é sempre entendido como um conhecimento enriquecedor, isto mesmo que se tenha em consideração que as sociedades evoluem e que os conhecimentos passados têm alguma tendência à desactualização perdendo assim algum do seu interesse.
Ibn Asside, nascido em 1052 em Silves, bebendo das mesmas fontes Pitagóricas e Socráticas (mais propriamente Neo-Platónicas), no seu «Livro dos CÃrculos» referido por António Borges Coelho em «Portugal na Espanha Ã?rabe» refere diversos graus para as almas (por ordem crescente: alma vegetativa, alma animal, alma humana, alma sábia e filosófica, alma profética e alma universal).
Só para esclarecer digamos que Ibn Asside refere que a alma universal (o topo da pirâmide ou Deus) tem uma escala de ascensões que faz chegar a inspiração divina ás almas particulares puras e por ela descem os anjos e sobem os espÃritos puros até ao mundo superior o que de certa forma faz com que se coloquem neste campo (da alma) as maiores excepções à s regras da puridade, provavelmente inalcançáveis pelos outros.
Ibn Asside não se detém muito tempo sobre esta questão desta alma, ou deste tipo de alma, limitando-se a referir terem-na referido outros filósofos.
De qualquer forma, parece-nos que ela é a via de transmissão ou a estrada ou a escada entre o céu e a terra, tal como um e outro são entendidos, e provavelmente não terá utilidade antes do dia do JuÃzo Final.
A alma profética (segunda na escala superior) recebe a inspiração e a revelação divinas, (tem contacto com a alma universal ou Deus) endireita as almas apartadas da verdade,(é mensageira e pedagoga) aperfeiçoa os talentos inatos e jamais ocorre que esta alma exista senão nos homens dotados de talento natural perfeito e quando estes o possuem não necessitam de utilizar o conhecimento na medida em que as coisas inteligÃveis aparecem como se estivessem já impressas na sua alma (referência evidente ao saber inato). Deus aperfeiçoou este engenho para governar o mundo por seu intermédio. Aparece assim o Demiurgo platónico em Ibn Asside de Silves.
Aqui aparece entre Ibn Asside e Empédocles (considerado pitagórico) um ponto de convergência ainda que este se possa melhor situar num possÃvel limiar entre a alma filosófica e a alma profética. Refere Empédocles que é pelo menos possÃvel que o próprio Pitágoras considerasse as descobertas matemáticas que lhe vinham em momentos de intensa concentração mental como revelações «vistas» quando o espÃrito, liberto do estorvo do corpo, visitava o mundo invisÃvel.
Mas não sabemos até que ponto a doutrina do Ménon ultrapassa a tradição pitagórica tal como Platão a conhecia tanto mais que o Pitagorismo está em grande parte envolto em lendas e transcrições de outros autores considerados Pitagóricos. As referências sobre Pitágoras e os Pitagóricos são dispersas e em qualquer caso é de notar o segredo, ou o culto do segredo professado por esta Escola Filosófico - MÃstica.
Por exemplo, diz Porfirio- (Vita Pythagorae):
Também Empedócles dá testemunho disto, escrevendo a seu respeito: «E havia entre
eles um homem de raro saber, experimentadÃssimo em toda a espécie de obras
sábias, um homem que conseguira a riqueza máxima da sabedoria; pois quando quer
que se esforçasse com todo o seu espÃrito, via facilmente tudo de todas as
coisas que existem, não só em dez, como em vinte gerações de homens.»,
referindo-se a Pitágoras e sublinhando as suas capacidades.