Pagª 26 - EDIÇAO NºXXIX , IIº NUMERO DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Cartas ao Director
Depois de alguns amigos e leitores nos terem escrito com o intuito de colaborarem financeiramente (também financeiramente nuns casos e só financeiramente noutros) lançamos nos últimos números as bases (que recordamos abaixo) para que sejam feitos donativos.
Embora a situação esteja mesmo muito má em termos de disponibilidades neste aspecto financeiro é com agrado que registamos a entrada dos primeiros donativos para o nosso Jornal RAIZONLINE. Em devida altura abriremos uma secção específica sobre esta questão e caso as pessoas queiram tornar públicos os seus donativos, deverão enviar-nos cópia do talão (ou do documento) uma vez que os sistemas bancários não registam de forma inequívoca a origem dos fundos.
E já agora, os nossos agradecimentos... vamos trabalhando para construir um jornal maior e melhor como temos feito sempre.
Repetição do conteúdo anterior:
Este jornal pode gabar-se de não ter até agora consumido um cêntimo (descontando
o trabalho de cada um e as despesas que já eram correntes com a net, software e
computadores).
Mas...talvez seja altura de se começar a pensar nisso:
1) - o primeiro alarme nesse sentido apareceu - nos na mente quando foi aqui noticiada uma festa de homenagem a Odete Murta (uma fadista e marido que atravessam uma situação crítica),
2) - foi crescendo à medida que reparamos talentos que têm dificuldade financeira em fazer-se publicar
3) - e foi crescendo também pela necessidade que vamos tendo de frequentar
eventos onde se possa proceder à promoção do jornal, de fazer deslocações que
nem sempre cabem em salários cada vez mais apertados, enfim...toda a gente
(salvo alguns privilegiados) sabe como é.
Assim, e enquanto as coisas não ficam organizadas de outra forma dizemos àqueles
que já nos contactaram neste sentido e àqueles que ainda não nos contactaram
porque ninguém falou disso que estamos disponíveis para receber donativos (por
enquanto donativos, mais tarde também publicidade paga) e que a pessoa que foi
«nomeada» para fazer o lugar de tesoureira enquanto a estrutura não estiver
melhor organizada é a Arlete Piedade.
Os números (nacionais e internacionais) da conta afecta a este efeito vão
abaixo.
NIB 0033 0000 0007 6587 4180 5
IBAN PT50 0033 0000 0007 6587 4180 5
Países de língua portuguesa inspiram projecto «Nossa Língua, Nossa Música»
Além do idioma, agora também a criatividade musical unirá os países de língua
portuguesa. Esta é a proposta do projeto «Nossa Língua, Nossa Música», que será
apresentado a partir de 21 de julho no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de
Janeiro. De 21 de julho até 11 de agosto o evento acontecerá toda terça-feira,
às 12h30 e às 18h30, informou a assessoria da organização.
A estréia do projeto será feita com a apresentação de Fabiana Cozza,
representando o Brasil, e Eneida Marta, de Guiné-Bissau. Considerada uma das
mais importantes intérpretes de música brasileira na atualidade, Fabiana foi
indicada ao Prêmio Tim 2008 nas categorias Melhor Cantora de Samba e Melhor
Cantora pelo Júri Popular, pelo segundo disco, «Quando o Céu Clarear».
Fabiana vai dividir as atenções com Eneida Marta, nascida em Guiné-Bissau. Mais
tarde, a cantora se mudou para Portugal, onde investiu na carreira, fez aulas de
canto e continuou a freqüentar concursos. Em 2001, lançou o primeiro disco-solo,
«Nossa História», que arrancou elogios de público e crítica, mas foi só a partir
do lançamento do terceiro disco, «Lôpe Kai», em 2006, que Eneida iniciou a
primeira turnê pela Europa.
A programação segue no dia 28 com as irmãs Tetê e Alzira Espíndola e Dam Felix.
Dam Felix, natural de Funchal, na Ilha da Madeira, canta o fado e acumula 30
anos dedicados à divulgação da canção portuguesa, com seis discos gravados.
No dia 4 de agosto, as cantoras Maria Dapaz e Rosa Madeira protagonizam o
encontro Brasil-Ilha da Madeira.
A fadista Rosa Madeira fez sua primeira apresentação internacional em 1985. Um
ano depois, gravou «Aplauso Para Uma Voz» e continuou suas andanças pelo mundo,
cantando principalmente para comunidades de língua portuguesa.
A dupla brasileira As Drianas e a portuguesa radicada no Brasil Maria Alcina
encerram o projeto no dia 11 de agosto.
«Apesar das diferenças de sotaques, os países que falam português são unificados
pela cultura», acredita a curadora do projeto, Jocelyne Aymon.
Coluna de Jorge Vicente
6.
un chien portugais
escrevo um poema da visão
ou de como os sentidos básicos
são devastados pela postura
iniciática da faca.
o poema é o que fica por detrás,
ou a arte ou a dança ou o
murmúrio saliente da base
dos dedos, quando se enrolam
na esteva.
flor giratória, cabeço de visão,
toda a palavra (voz) serve
para abrir o olho aberto
(de cores).
11.
a brisa é apenas a brisa
e o vento o corpo todo
não te prometo mais do que um pouco de esperma jogado ao acaso, naquelas ruas
silenciosas onde tudo o mais dorme, recordando que os sinos tocam no sentido
visceral da pedra
o homem inventa a humanidade quando pensa
que a pedra se inventa na casa e a casa na
pele dourada de um anjo
tudo o mais são sensações e o prazer
imenso de estar vivo, mesmo que o
amor adormeça no caule
de uma folha branca.
Gunther Schuller (Of Reminiscences and Reflections)

O grande problema da música contemporânea é (sempre foi) a sua tendência em quase sempre apostar na atonalidade, em detrimento de um registo mais tonal, como se fazia na «tradicional» música clássica.
Claro que existem excepções à regra como Michael Nyman, Wim Mertens, Arvo Part, Phillip Glass ou John Tavener, que apostam em registos mais belos, embora menos experimentais.
Contudo, mesmo dentro da atonalidade, há obras ímpares (os já velhinhos
Schomberg, Alban Berg, o registo de Gyorgy Ligeti que Stanley Kubrik aproveitou
para 2001: Odisseia no Espaço, etc).
Com esta obra de Gunter Schuller que eu ouvi,
Reminiscences and Reflections, de
1994, tal não se passa.
Apesar de interessante e emocional, não me cativa como o velho Bach ou mesmo como John Tavener me cativa.
Precisamos voltar às origens. Ou talvez, já voltámos, mesmo que não nos tenhamos apercebido. De facto, a música clássica tradicional não morreu.
Reside agora nas
bandas sonoras, nas composições de John Williams, Howard Shore, Clint Mansell,
etc.
Jorge Vicente