Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


Pagª 5 - EDIÇAO NºXXIX , IIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   



Dois Poemas

Por  Denise Severgnini

 



 

 

O Senhor do Tempo e o Senhor Tempo

O Senhor do Tempo ordenou:
Pare o mundo, pare o amor...
Prossiga a dor.

O Senhor do Tempo mandou:
Pare a vida, pare a felicidade...
Prossiga a maldade.

O Senhor do Tempo enlouqueceu,
Algo aconteceu
A razão, ele perdeu...
A insanidade lhe acometeu...

O Senhor Tempo apareceu
E ao senhor do tempo sucedeu
A lei foi invertida!

O Senhor Tempo pediu:
Mova-se o mundo
Amor seja mais profundo...
Vida seja bem vivida
Com a felicidade mantida
A dor esquecida,
A maldade exaurida.

Oh, Senhor do Tempo,
Dê mais um tempo
Ao Senhor Tempo
Para que ele tenha um tempo
Afim de que as pessoas tenham tempo
De viverem mais o seu tempo
Neste tempo, onde o tempo...
É tão sem tempo!


Cor de Ternura

As cores falam
de coisas simples,
singelas,
recônditas na alma
das pessoas
que admiram a harmonia
nelas existentes.

Qual é o significado da cor?
Dizem os físicos,
em seu linguajar científico,
prosaico...
Cor: impressão que produzem
no órgão visual, os raios
da luz refletida nos corpos.

A cor necessita de um ser
Que a empoete,
que demonstre a beleza,
a sutileza,
de sua existência.

Branco...
cor da pureza,
Da bruma evanescente...
Cor da paz,
Que nem todo mundo sente.

Azul...
Cor do mar,
Do céu sem nuvens,
Cor do meu olhar.

Amarelo...
Cor de ouro,
Metal precioso...
Metal perigoso...
Cor do sol,
Que sustenta a vida
E colore o arrebol.

Vermelho...
Cor de sangue,
Sangue jorrado
De feridas profundas
De almas sedentas
De fome e justiça.

Verde...
Cor da natureza,
�rvore, esperança...
Esperança,
Que num futuro próximo
Exista ainda
Natureza a ser vista.

Preto...
Cor da noite,
Cor de gente,
Cor da alma
Daqueles que não sentem
As negritudes da vida.

Rosa...
Cor de ternura,
Da flor bela e temporosa,
Da moça que é pura.

Marrom...
Ébano dos teus olhos,
Fugazes, traiçoeiros...
Olhos que procuram
E não encontram.
Olhos que encontram
E desistem de lutar
Antes de tentar.

Cinza...
Cor que recorda
A insensibilidade de quem vive
Nesta
Vida sem
Saber
Que o mais importante
De tudo é o
Amor
Que
O
Nosso
Coração
Sente.

 

 

 

 

 

Histórias da Vida Real

 

Crónicas por Martim Afonso Fernandes

 

A Cadeia Pública

Em minha cidade natal tive vários amigos mais velhos, ou melhor, «com mais tempo de casa neste planeta!». Há amizades que conservo até hoje.

Alguns já mudaram-se para o piso de cima. É muito bom recordar!

A cadeia pública ficava próxima da usina de geração de energia, da lagoa de alimentação e circulação do sistema energético. O acesso à cadeia era pela rua principal, onde localizavam-se estabelecimentos comerciais e residências.

Como os moradores eram ordeiros, se o carcereiro dependesse do dinheiro da carceragem para viver, morreria de fome.

A cadeia já servia de moradia para o policial responsável.

O movimento do Porto era ininterrupto. De vez em quando algum marinheiro tomava umas graspas fora da conta e aparecia fazendo algazarra.

A polícia logo fazia o convite e o levava para curtir o porre e «ver o sol nascer quadrado». A ordem de descanso era de doze horas.

Quando era alguém de Imbituba, conhecido do delegado ou do policial, que desse algum apronto, era recolhido para que servisse de lição.

A cela tinha grade de madeira e era fechada por fora. Só o nome «cadeia» já impunha respeito ou medo.

Geralmente depois do preso completar umas duas horas de estágio, o policial chamava o detento e dizia:

-Vou dar uma volta. Lá naquele canto tem uma taboa solta. Levanta e sai pelo buraco, mas coloca a taboa no lugar. Some, porque se eu te pegar por aí, vais passar uma semana toda dentro do cubículo.

O detento atendia a ordem do policial, e para se ver livre, corria direto para casa. Como a saída da cadeia era pela rua principal, geralmente deduzia-se que aquele tinha sido preso. O pior era no dia seguinte agüentar as piadas e gozações dos amigos.

Porque sempre tinha alguém para perguntar:
-Fulano, pagaste a diária do hotel do delegado? Que tal, a cama era boa? E o café da manhã?

Velhos e bons tempos, que não voltam mais.

Imbituba era uma cidade tão tranqüila, que quando o delegado queria falar com alguém que cometia algum deslize ou que descumprisse alguma lei, mandava um recado por um amigo ou pelo vizinho, para que o dito cujo comparecesse à delegacia.

Aconselhava-o paternalmente e prometia-lhe que se reincidisse na falta, da próxima vez a pena seria de uma semana no xadrez.

Assim a tranqüila Imbituba ia levando seus dias de paz e ordem.

O progresso veio lentamente, a imigração foi aumentando, a população crescendo.

Felizmente, o índice de criminalidade e o tráfico de drogas é mínimo para a expansão demográfica desta bela cidade de avenidas bem traçadas e de praias, ilhas e lagoas espelhados pelas águas límpidas e azuis do Atlântico.

 

Apesar de você

Cristina Ubaldo

Quando falou em partida, achei que não viveria sem você, nada ficaria no lugar, nada seria como antes.

Joguei-me aos seus pés numa desvairada e ridícula tentativa de impedir sua saída. Rasguei minhas roupas, jurei que morreria.

Joguei pedras em seu caminho para que tropeçasse e voltasse para mim. Prometi deixar a porta aberta, mas tranquei as janelas da minha alma.

Chorei na escuridão maldizendo meu destino. Sem você não saberia caminhar me perderia no tempo das lembranças.

Hoje acordei achando tudo tão igual! Um dia atrás do outros e tantos dias se passaram sem que eu percebesse.

Hoje acordei e não te procurei ao meu lado e nem chorei ao tomar café sozinho, não senti tua ausência.

Abri as janelas e deixei o sol banhar meu rosto. Não te vi no brilho da manhã e nem ouvi sua voz ao vento.

Hoje acordei mais tarde e vi então que apesar de você já outro tempo e a vida continuou sem você, não morri!

Estranhamente sinto-me como se tivesse dormindo por um longo inverno e hoje despertei para o novo verão.

Estava tudo no mesmo lugar, mas a vida andou e levou você dos meus pensamentos. Não sinto aquele nó apertar minha garganta...até cantei uma nova canção!

Hoje acordei e não senti falta de você, não pedi a porta aberta, não olhei para trás.

Hoje descobri que vivi sem você e apesar de você...

Sorri. Porque não? É possível sem você!

Hoje me libertei das amarras que me prendiam a você, sai da escuridão, já posso andar sem você sem me precipitar e nem perder a hora.

Hoje estou pronta para ser feliz, apesar de você.

Cris (Krica)

 

XV Bienal de Arte de Cerveira traz mais de 80 artistas

A Bienal estará presente em vários concelhos, cinco do Minho (Caminha, Valença, Monção, Melgaço, Paredes de Coura) e em Tui, na Galiza. A inauguração nesses espaços terá lugar no próximo dia 18 de Julho, iniciando-se o percurso pelo Museu de Caminha, onde está patente uma exposição de Obra Gráfica - Representação Internacional.

A inauguração em Vila Nova de Cerveira, terá lugar no dia 25 de Julho, às 17h00, no Fórum Cultural.

O concurso internacional teve a participação de 439 artistas concorrentes, dos quais foram seleccionados 83. Estão presentes artistas de 33 países. Alemanha, Angola, Argentina, Arménia, Austria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Egipto, Espanha, França, Holanda, Iémen, Inglaterra, Israel, Itália, Japão, Lituânia, México, Moçambique, Nepal, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Sérvia, Suécia, Suíça, Tailândia, Tunísia, Turquia e Estados Unidos.