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Pagª 49 - EDIÇAO NºXXIX , IIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   



Jardim encantado

Conto de Francis Raposo Ferreira

 

 

 

Aquele ano estava a revelar-se de fome, um ano como ninguém se lembrava. Chovia constantemente, quase sem parar, havia já alguns dias, semanas, ou, pensando melhor, mesmo meses.

O Dezembro fora vivido debaixo de chuva, o Janeiro continuara igual, o Fevereiro em nada se alterara e o Março prometia seguir o mesmo caminho.

Em muitas casas de família apenas se comia o que tinha sido possível ir guardando, muitas das vezes batatas simplesmente acompanhadas de alguma massa e arroz, sem qualquer outro tipo de conduto, era assim há muitas semanas seguidas.

Muito próximo da aldeia viviam duas famílias, ainda com alguns laços de familiaridade entre si, que há muitos anos andavam de costas viradas, isto é, não se entre ajudavam e nem sequer se falavam, apesar das suas habitações quase que se encostarem.

Habitações que não deixavam grandes dúvidas quanto ao estatuto social de ambas as famílias, assim, a casa da família Correia denotava tratar-se de gente com evidentes posses monetárias, enquanto a casa da família Nunes denunciava as dificuldades com que a mesma enfrentava o dia-a-dia.

A primeira tratava-se de uma casa de dois pisos, construída em tijolo e cimento e muito bem pintada, enquanto a da família Nunes era construída em adobe e telha vã. Os Correia nunca perdoaram aos Nunes, o facto de estes terem recusado vender-lhes a sua parcela de terreno para que pudessem ampliar a sua casa, embora nunca tivessem proposto, directamente, fazer negócio com os parentes.

Por seu lado, há muito que os Nunes se tinham habituado a ver os seus familiares preferirem deixar apodrecer a fruta a oferecerem-na, mais que não fosse aos seus dois filhos menores, mas neste maldito inverno nem as frutas dos Correia resistiram.

A fome vai espreitando a todas as portas, até mesmo à daqueles que se julgavam a salvo de todas as intempéries, como os Correia.

O Nunes vinha à porta da rua, espreitava o tempo abria muito a boca ao vento e recolhia-se, não sem antes se atentar no parente Correia que também o observava e dizia, entre dentes, da porta da sua casa:
- Então, a palha ainda não mete água?

Parecia que o Correia se divertia com as precárias condições da casa do familiar, este sabia que ele também começava a ficar preocupado com a escassez de alimentos, mas não lhe respondia.

O mau tempo persistia em ficar e um dia o Nunes ouviu, na taberna da aldeia, uma conversa que o deixou preocupado:
- Vocês sabem que o Correia anda a passar um mau bocado, a mulher está grávida e não se arranja nada para comer.
- Pois é, preocupou-se só em construir um lindo jardim e não em semear que comer, nem a fruta apanhava.

- Pior do que isso, nem a apanhava e nem deixava o pobre do Nunes apanhá-la para as crianças.
Nunes não se pôde conter e disse:
- Meus amigos, o Correia não tinha nada que me dar a fruta, eu nunca lha pedi, tal como eu nunca lhe vendi as minhas terras porque ele nunca me propôs comprá-las.

Dito isto, Nunes abandonou a taberna e, sem vacilar, dirigiu-se a casa do familiar, accionou a pequena maçaneta em forma de mão e aguardou:
- Bom dia, o que desejas de mim?

- Quero apenas dizer-te que não ignoro que nunca gostaste de mim e dos meus, talvez eu também nem goste de ti, mas há uma coisa que quero que saibas, nada deste mundo me fará deixar de ser como sou, e se há uma coisa que não suporto é saber que alguém tem fome.

- Que dizes tu? Sabes lá do que falas, tu vens-me falar de fome quando até a chuva te entra pela casa dentro.
- Ouve, tu podes pensar o que quiseres, mas não tens o direito de negar que eu ofereça uma refeição digna à tua mulher, à tua mulher e ao teu filho que aí vem. A minha casa pode ser pobre, mas ainda me resta um prato de sopa para ti e para a tua mulher.

Correia não teve coragem de negar.
Nunes abriu a porta da sua humilde casa e fez entrar os seus convidados, chamou a mulher e os filhos e disse-lhes que iriam comer todos juntos.
- Nunes, diz-me uma coisa, porque é que nunca respondeste aos meus comentários?

- É simples, tu preocupavas-te com o exterior da tua casa, um lindo jardim, bonitas arvores de fruto que nunca apanhavas, querias mostrar-te aos outros, eu fui deixando a minha casa como estava por fora, fui construindo tudo isto que aqui vês por dentro, para quê tirar as velhas paredes e o velho telhado se até ajudavam a proteger a nova casa.

- Percebo, eu preocupei-me com o exterior e tu com o interior.
- Talvez.
- Há outra coisa que não percebo, porque te preocupaste comigo?

- Eu não me preocupei contigo, só te quis recompensar pela ajuda que me deste.
- Como assim? Eu ajudei-te em quê?

- É fácil, se tu não tivesses aquele jardim tão bonito aqui junto à minha casa, a minha mulher sentir-se-ia mais triste e eu iria ficar preocupado, assim, ela deliciava-se a apreciá-lo e eu sentia mais vontade de lhe oferecer uma casa que fosse tão bela como o jardim.

 

 

Notícias do Grupo Henriquinas

Alguns elementos do grupo «As Henriquinas» em Santarém

As Henriquinas, grupo coral de Sagres, sempre em actividade.

No passado mês de Maio, inauguraram a sua nova Sede, com a presença do Senhor Presidente da Câmara de Vila do Bispo, Engº. Gilberto Viegas que deu início ao evento ao descerrar a lápide, com beberete, baile e cantigas.

Marcaram presença na inauguração da estátua ao Infante D. Henrique no dia 10 de Junho em Sagres, com duas canções alusivas ao Infante.

No dia 24, dia de S. João, tiveram a primeira Tertúlia com os sócios daquela associação, convívio, marcha alusiva ao S. João, escrita por um cidadão sagrense incógnito, lanche, baile e outras actividades. Foi de 5 Estrelas!

Dia 22 de Agosto vão ter o seu 5º Aniversário, no Centro Cultural de Vila do Bispo, com muita animação de seis grupos actuantes.

Brevemente pensam deslocar-se ás zonas suburbanas de Lisboa…

Para dar ênfase ao seu slogan «Mais Alto, Mais Além!»

Suzette Duarte – Maestrina

Nota da Redacção

O grupo coral «As Henriquinas» surgiu da ideia da poetisa, escritora e maestrina Suzette Duarte, ao notar o interesse das pessoas onde se apresentava a declamar poesia, em ouvirem música. Assim formou o grupo convidando algumas senhoras amigas a maioria já aposentadas, para cantarem em conjunto.

Suzette escreveu as letras de inspiração popular e regional, compôs as músicas, e dirige o grupo coral nas suas apresentações, que já ocorreram além de Sagres e região algarvia, em Santiago do Cacém, Sintra, Lisboa, Celorico da Beira, Santarém e Almeirim.

As Henriquinas colaboraram actuando a Festa de Homenagem à Fadista Odete Murta que foi noticiada pelo nosso jornal e à qual podem aceder aqui.

De notar a garra e inspiração destas senhoras que sem formação musical, incluindo a sua maestrina, se têm destacado onde passam, ao ponto de já terem actuado em dois programas de televisão. Foram eles «Verão Total» na RTP1 e Sete Maravilhas do Mundo, na TVI.

Este ano foi publicado o primeiro CD com canções do grupo, Musica Popular de Suzette Duarte, bem como o seu segundo livro de poemas Rimas ao Vento, depois do primeiro «Em Tuas Mãos Estarei» em 2002.

Suzette Duarte participou ainda de várias antologias de poesia no Brasil e em Portugal.

 

Abertas inscrições para terceira edição do Festival Lusavox

Estão abertas as inscrições para a terceira edição do Festival de música Lusavox, agendado para a primeira semana de Agosto no Algarve, anunciou o Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades.

Os concorrentes interessados devem enviar as suas músicas originais através do site www.lusavox. sapo.pt ou entregá-las nos Consulados portugueses. Numa iniciativa do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades, o Lusavox é dirigido aos portugueses e luso-descendentes que residem no estrangeiro e pretende descobrir talentos musicais nas comunidades portuguesas.

Este ano, o festival terá como director musical o músico Pedro Abrunhosa. Depois de em edições anteriores ter passado por Braga e pelo Porto, a cerimónia da terceira edição do Lusavox vai realizar-se no Algarve, na primeira semana de Agosto. Apesar de ser uma iniciativa do Governo e de empresas portuguesas, as letras das canções concorrentes ao Lusavox não têm de ser todas em português. No entanto, o regulamento prevê que pelo menos uma estrofe tem de ser em língua portuguesa.

Os participantes no concurso têm de estar inscritos no Consulado há pelo menos um ano. Do Lusavox vão sair dois vencedores: um eleito pelo público, que irá receber cinco mil euros, e outro eleito por um júri, que irá gravar um CD. O Lusavox é uma iniciativa da Secretaria de Estado das Comunidades em parceria com a Valentim de Carvalho, o portal Sapo e a RTP, que irá transmitir o Festival em directo pela RTP 1, RTP Internacional, RTP Africa e RDP Internacional