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Pagª 42 - EDIÇAO NºXXIX , IIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Santarém Ribatejo

S calabis te chamaram os filhos de Roma
A ntiga tua fundação se perde em lendas
N a margem do belo Tejo, miras-te ufana
T radicional tua gente, orgulha-se da fama
A ncestrais fizeram de ti, cidade formosa
R ibatejo a província tua mãe que te cerca
E ncantos das verdes campinas em flor
M ouras encantadas povoam teu castelo

R ibatejo te chamaram minha terra amada
I nclíta filha do Tejo que te corre nas veias
B anhada pelas suas águas que te inundam
A panhadas de surpresa saem das margens
T ransformam teus campos em lagos e rios
E nchem teus celeiros de melões e vinho
J ogos de cabrestos, cavalos e touros...
O campino conduz para a feira e a tourada...

Arlete Piedade

 

PORTUGAL AMA O BRASIL

P artiram nossos antepassados á descoberta
O rdem real para desbravar novos caminhos
R umos incertos pelo oceano revolto, alerta
T udo a postos para não chegarem sózinhos
U ma rota desconhecida mas talvez secreta
G algando abismos profundos e seres daninhos
A lcançando enfim essas novas terras ardentes
L igadas por corações apaixonados e carentes

A morosos se tornaram esses míticos mareantes
M eninas donzelas encontraram na areia dourada
A maram-nas como se não importasse mais nada

O s corpos e almas unidos, á forte paixão rendidos

B rasil, terra amada, filha, irmã, amiga, amante
R omance eterno de povos diferentes, mas unidos
A mor sem fim entre almas, cores, gente errante
S edução edificante, na distância, seres queridos
I nfeliz pátria, filha amada, terna e inebriante
L aços de amor nos prendem, Brasil te amamos!

Arlete Piedade

 

CABO VERDE NO MUNDO

C - Cada filho seu pão e sua água pura
A - Assim o mundo devia ser e não
B - Barriga vazia a roncar de um lado e
O - Obeso de riqueza por outro lado!

V - Ver até a terra chorar por uma gota de água
E - Enquanto na televisão noticias de enchentes
R - Reciclando lixo muitos pão buscam, e vimos
D - Deleitado na luxúria uns poucos palacianos
E - Entendo a diferença, não entendo a miséria!

N - Nada pode ser tão injusto, penso eu, que
O – O olhar de milhares de crianças famintas!

M - Muitas guerras podiam ser evitadas
U - Uma vez se pensarmos que as mulheres e crianças
N - Não sendo quem guerras pedem, mas paz
D - Delas são maiores vítimas inocentes
O – O dinheiro e o esforço gasto, bem-estar dariam, enfim…

João Furtado

 

IMPOSSIVEL AMOR

Trio por Arlete Piedade, Denise Severgnini e Deth Haak

Tal como a Lua solitária no escuro céu
Os seu pálidos raios de luz derramando
Também dentro da pedra, aqui estou eu
Os meus tristes olhos sempre chorando

Tal como o Sol brilha e irradia dourada luz
Assim tu és o meu farol que de longe me guia
Tanto é o teu encanto e a arte que me seduz
Que sinto as nossas almas sempre em sintonia

Pode ser, ou não, impossível este nosso amor
Mas sempre sinto no meu coração teu ardor
E sei que acabei com a tua dura e negra solidão...

Por isso meu sol, minha inspiração, minha dor
Apenas contigo estou compartilhando meu amor
Porque para sempre serás a minha única paixão

Arlete Piedade (Fada das Letras)


AMOR IMPOSSIVEL

Deitei a noite em meus desejos
Mergulhados na escuridão
Sou, mas não vivo sem tua força
Que está além da minha mão

Quero ser tua, mas não posso
Há barreira entre nós
O amor é meu algoz
Impossível, quase um remorso

Dei-me a ti, simplesmente
Sem pensar no futuro
A impossibilidade me alimenta
Amor impossível me sustenta

Tu és meu em alma
Mas de corpo és de outra
Busco a minha calma
Nesta poesia neutra

Eu te amo, impossível amor!

Denise Severgnini


IMPOSSIVEL AMOR...

Tal qual o grão de areia, o ardor da paixão
Pela estrela. Carpindo na face da espera
Perdido no olhar o céu, alhures ausência
Gotejada como chuva ao irrigar o verão...

Qual nau á deriva, levada ao sabor do intento
Nas vagas de um sentir, soprada no próprio
Vento. Casco fazendo água, velas sentimento
Buscando no firmamento, um olhar fulgurado...

Como onda a buscar a lousa, nos braços de mar.
Amando Hélios como Vesta, nos lençóis do luar,
Despida no sonhar. Veracidade crer subjugar.

Por isso fiz o amor mais bonito! Analgésico
Guento, amar o grão a estrela, amar-te
Sorri-me astros! Bússola impossível amante...

Deth Haak

 

SOFREMOS MUITO?

Sá de Freitas

A cruz que arrastas pela vida afora,
Tal qual a minha, às vezes pesa tanto,
Que nos provoca o mais copioso pranto
E a esperança nossa se evapora.

Mas se olharmos com atenção lá fora,
Veremos com piedade e com espanto,
Que há cruz maior que a nossa, em cada canto;
Que há gente que soluça, grita e implora.

Se os pés ferimos, há os que não os tem;
Se a nossa vista é fraca, há os que não veem;
Enquanto andamos, há os que escalam serras...

Lembremos-nos : Há enfermos condenados;
Há nas ruas farrapos esfomeados;
Há milhares de vítimas das guerras.

 




Crónicas da Minha Terra

Por Arlete Piedade

Alcanena

 

Alcanena é uma vila e concelho do distrito de Santarém, com cujo concelho faz fronteira a norte, passando a linha imaginária dessa fronteira muito próxima da aldeia de onde sou natural. A minha mãe é de uma aldeia do concelho de Alcanena, o meu pai é da aldeia vizinha, onde nasci e vivi a minha infância, mas que já pertence ao concelho de Santarém.

As propriedades de família estão divididas pelos dois concelhos, a minha influência cultural e os locais onde passei a infância e adolescência, bem como onde estudei, pertencem a Alcanena e Santarém.

Portanto é natural que hoje mergulhando nas minhas origens e recordações, venha falar da vila de Alcanena.

A origem do nome é claramente árabe com o prefixo «Al» e significaria segundo alguns autores, Al-kinan ou «Lugar Sombreado». Também a principal indústria da região, o curtimento de peles, teria sido introduzida pelos árabes e ainda hoje se mantêm na vila como uma das principais industrias, embora afectada pela crise económica, como quase todas as actividades.

No entanto Alcanena durante séculos fez parte do concelho vizinho de Torres Novas do qual só se desligou no início do século passado, pelo que a sua história é praticamente a mesma da região onde durante muitos séculos esteve inserida.

No início do século XIX, Alcanena, bem como toda a região em redor, incluindo a minha aldeia, foram palco da passagem das tropas das Invasões Francesas e esse facto deixou histórias e lendas que ainda hoje se contam oralmente de pais para filhos. Também deve ter deixado alguns genes espalhados nas gerações até ao presente.

Dois dos locais mais emblemáticos do concelho, são no entanto, a Serra de Aire e Candeeiros, que é parque natural e protegido, constituído por serras onde se situam grutas famosas, como as grutas de Santo António, as grutas de Mira de Aire ou as Grutas de Alvados, bem como pegadas de dinossauros e um sistema rico em fauna e flora típicas da região.

Também um local muito conhecido são as nascentes do Rio Alviela, que têm origem num rio subterrâneo que corre por dentro da serra formando grutas e passagens e vem desembocar na Quinta do Alviela, dando lugar ás nascentes dos Olhos de Agua.

Lugar muito aprazível e convidativo, desde a minha infância que o conheço e aprecio, sendo tradição no dia de Quinta-Feira de Ascensão, fazer piqueniques e apanhar a espiga nesse local.

Há alguns anos, foi construída uma praia fluvial, parque de campismo e estruturas de apoio, bem como um centro de estudos da serra e das suas particularidades, e hoje em dia é um local ainda mais lindo. Fresco e relaxante, cada vez mais visitado. De notar que desde o século XIX , uma das principais condutas abastecedoras de água a Lisboa, tem origem nas nascentes do Alviela, através da via de cerca de 100 quilómetros, que continua em actividade. Mas como em todos os locais emblemáticos e marcantes para a actividade humana, também aqui há uma lenda sobre a origem das nascentes, cujo foto se pode ver abaixo.

Nascentes dos Olhos de Agua

Diz-se que há muitos milhares de anos, havia um rei que governava este lugar e tinha uma linda filha, uma princesa que ele pretendia casar com o filho de um rei do reino vizinho. Mas a princesa estava apaixonada por um rapaz pobre das redondezas e recusou o casamento que o pai lhe propunha fugindo para as grutas do Alviela junto á nascente.

Uma bruxa má descobriu o seu esconderijo e foi contar a seu pai o rei, que zangado todos os dias mandava a bruxa levar-lhe recados, propondo-lhe novos candidatos á sua mão, que a princesa a quem chamavam A Morgadinha do Alviela, continuava a recusar.

Até que um dia o pai já sem paciência para aquela filha rebelde, mandou a bruxa, disfarçada de Fada, propor-lhe o seu último pretendente que mais não era que um boi encantado, disfarçado de bonito rapaz. Mas ela continuava a recusar e então o pai resolveu castigá-la.

O bonito rapaz transformou-se em boi e a bruxa transmitiu-lhe a terrível maldição: - Ela nunca seria rainha, viveria para sempre naquelas grutas rodeada de bois e vacas e choraria tantas lágrimas que para sempre regaria as terras do Alviela. Daí para a frente passaram a chamar ás nascentes «Olhos de Agua».

Esta é mais uma história da minha terra, espero que gostem. Para a semana conto mais. Mas como sou sua amiga, despeço-me com uma sugestão gastronómica.

Este fim de semana está a decorrer em Alcanena, o Festival do Caracol. Quando ler esta crónica já terá terminado, por isso vou deixar-lhe uma surpresa para poder apreciar na sua casa.

Segue-se uma das muitas receitas de um dos petiscos portugueses mais tradicionais e económicos, também chamados o marisco dos pobres.

INGREDIENTES

2l de Caracóis
4 Dentes de alho
Sal
1 Folha de louro
Orégãos
1 Caldo de carne
Piri-piri

MODO DE PREPARAÇÃO

Lave muito bem os caracóis em várias águas. Se deitar um pouco de vinagre esse processo é mais rápido.

Coloque os caracóis com todos os ingredientes em água fria numa panela com tampa.

Coloque o fogão no mínimo para que os caracóis saiam da casca e seja mais fácil depois comê-los.

Se possível deixe-os ficar de um dia para o outro para apurar o gosto.

Na hora de servir aqueça-os, verifique os temperos e sirva quente.

Há também quem coloque presunto ou chouriço, ou caldo de carne concentrado para apurar o gosto.

Então já sabe! Se vive perto de Alcanena, venha visitar a vila, e vá até aos Olhos de Agua. Tem praia fluvial, parque de campismo e merendas e muito mais! Venha descobrir e aproveite para saborear um pratinho de caracóis!