Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis HomepageAlbum FotosIndice Geral Arquivo



Pagª 12 - EDIÇAO NºXXIX , IIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


Maria da Fonseca

O Sonho da Gatinha (Infantil)

O que é que tem a gatinha?
A Fofinha está doente?
Parece que está mais magra,
Tem andado diferente.

A dormir deu um gemido;
Mas continua a comer,
Bebeu um pouquinho de água
E voltou a adormecer.

O seu sono é inquieto,
O rabito a balouçar.
A gatinha estremece,
Talvez esteja a sonhar.

A dona vai acordá-la,
O seu carinho ela sente.
Levanta-se com preguiça,
E deita-se mais contente.

A Fofinha dorme agora
Um soninho repousado.
Afastou seu pesadelo
Um gesto tão delicado!


Este meu Sentir

Olho-me ao espelho, saudade,
Não daquilo que eu era,
Mas do que não semeei
Na longínqua Primavera.

E a sonhar andei na vida
A procura dum momento,
Em que a minha vocação
Inspirasse o pensamento.

O meu tempo foi passando
Altruísta, mas severo.
Meu espírito mais atento,
De coração mais sincero.

Porém, sou feliz agora.
O meu espaço encontrei,
E junto a vós, meus Amores,
Pronto me realizei.

Descobri que o racional
Nem tudo explica, em concreto,
E que o mundo também gira
Em função de mais afecto.

E a todos fazer o bem
Sem olhar a raça, a cor,
Religião que professam,
E vontade do Senhor.

Cantar este meu sentir
E pra mim grande prazer.
Rezar p’lo nosso porvir,
‘Sperança do amanhecer.


José Manuel Veríssimo

Aos 18 anos foi preso pela Pide / DGS e esteve dois meses numa cela sem companhia. «Os interrogatórios» tinham deixado sequelas e o médico da prisão resolveu receitar-lhe 6 valiuns 10 por dia. Aí - em Caxias - começou a sua «produção» poética.

Saiu em Liberdade sob fiança e em Maio tendo sabido por amigos que ia ser de novo preso, antecipou-se e fugiu para a Suíça, país onde começou a sua licenciatura em História.

A maior parte dos seus poemas vêm das amarguras que viveu ao longo deste mais marcante meio século de vida.

Conseguiu o asilo Político na Suíça em 1973 e apesar de ter regressado durante as férias, já no pós 25 de Abril, fez questão de acabar a sua licenciatura em História na Suíça, voltando a Portugal definitivamente em 1977, tornando-se professor.

A actividade docente e as colocações fizeram-no conhecer quase em pormenor a parte central do país, Cadaval , Tomar, Abrantes e Torres Novas. Residiu 15 anos em Tomar -1984 -1999, tendo voltado a Lisboa mas colocado a leccionar no Seixal. Tirou o Mestrado em Historia das ciências na FCT da UNL no Monte da Caparica.

Passou a residir e a dar aulas no Seixal onde participou em 2004/2005 em numerosos saraus de poesia inter - escolares e eventos no Fórum do Seixal.


ENXERGA

Vês veias inchadas
A empurrar esforços??
Braços - ramos divididos
E desiguais.......................

Vês mãos - punho
Gestos de vontade de cimento
Como quem transforma
Um pesadelo em sonho
Os gemidos e choros
Em urros animais??

Vês cicatrizes abertas
Escorrendo sangue, sofrimento...
Sem vitalidade
Passos lentos de depressão
Corpos
Na fronteira
Entre a força de gravidade
E uma qualquer
Base de sustentação??

Como podes ver
Se és cego?
Pelos muros que ajudas a construir
Pelas teias de aranha em que te esbracejas

Cego de tanto desejo por assumir

E ainda
Que assim seja
Cego por tudo
Aquilo que ainda pode vir