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Pagª 13 - EDIÇAO NºXXIX , IIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


O Choque Tecnológico

Por Michel C.

A minha mãezinha é muito pobrezinha: dá-me beijos, coitadinha, e como não tem nada mais para me dar põe-se a gargalhar. Antigamente chorava, chorava muito e acabava sempre por me dar alguma coisa que eram as lágrimas, mas agora, rindo descaradamente não só não me dá nada - porque o riso não se apanha como se apanhavam as lágrimas antes - como ainda por cima me tira...do sério.

Tenho perguntado às minhas amigas - pobrezinhas como eu - se com elas acontece o mesmo mas elas dizem-me que não senhor, que continuam a ter direito a lágrimas e que não se lembram nunca de ter visto as suas mães a gargalhar quando lhes recusam uma fatia de pão por não terem ou quando raspam a margarina da fatia do pão fazendo-a ficar só com o cheiro da margarina.

Por isso sou muito infeliz; não só não tenho nada, como ainda se ri de mim a minha mãe, porque só pode estar a rir-se de mim porque não está mais ninguém presente: só eu e ela, porque o meu pai anda nas tabernas e chega sempre tarde a casa e quando chega a gente já não sabe se ele chega mesmo ou se é um outro qualquer vestido com a roupa dele porque mesmo perguntando-lhe o nome ele não sabe responder tal o estado hipnótico em que vem, se for ele, e por não saber qual o nome se for outro.

Mas a minha mãe, pobrezinha, não se importa nada com isso nem com as chapadas que leva e acaba sempre por se ir deitar com aquele homem que pode ser o meu pai e seu marido ou não. Eu fico ali a um canto, vertendo abundantes lágrimas, que me correm de fio pela face e me empapam a gola da camisola.

De reparar que escrevo assim tão bem porque já ando na escola e até sou boa aluna embora me coloquem sempre cá para trás, ao pé da porta, para cá da última fila, isolada dos restantes porque alegadamente tenho piolhos, o que não é verdade, e cheiro mal, o que também não é verdade porque todos os anos pelo verão vou para a praia apanhar conquilhas e fico bem lavada sempre, todos os dias, embora não tenha sabão nem essas coisas caras como champô, desodorizantes ou outras coisas.

Tenho um trabalho que eu fiz e ao qual a professora chamou de redacção sobre a alegria de viver que ela achou que estava muito bom, até me deu um dezoito e só não me deu vinte porque ela acha que eu aldrabei quando escrevi que era muito feliz. Posso ter aldrabado, na lógica dela, porque o entendimento que ela tem da felicidade não é o mesmo que o meu: eu fico contente por comer uma sopa mesmo muito aguada como a minha mãe - pobrezinha - faz, e ela pode entender que uma sopa aguada não basta para fazer uma pessoa feliz, que para se ser feliz é preciso comer camarão, lagosta, um bom naco de carne assada (tenho a água a escorrer da boca agora) e batatas fritas ou legumes daqueles muito inteirinhos, couves de bruxelas e cenourinhas anãs.

Mas para mim eu já fico contente quando não consigo contar os grãos de massa grossa na sopa porque isso quer dizer que são mais de quatro, daquela massa grossa tipo macarrão. Se a sopa tiver um cheirinho, basta um cheirinho, de tomate, umas pelinhas e dois ou três bocados de batata em quadradinhos já me chega desde que a tigela fique cheia com o resto que pode ser um puré de feijão escuro ou mesmo grão esmagado.

Eu sei perfeitamente que podia ter mais, que tinha direito a mais (tenho aulas de cidadania e educação cívica) mas não serve de nada andar a dizer isso à minha mãe, e do meu pai nem se fala porque ele anda sempre bêbado, atascado como diz a minha mãe e eu ainda não consegui perceber onde ele mete tanto vinho que bebe ou se calhar até não bebe porque ele não tem dinheiro também e não acredito que dêem vinho de graça nas tabernas.

Mas como ele de vez em quando carrega umas grades para os camiões é possível que lhe paguem em vinho embora eu não saiba quantas grades tem ele de carregar para ter direito a um copo de gola alta. Tenho de lhe perguntar...mas isso é difícil porque mal eu abro a boca ele manda-me logo calar e dá-me uma chapada para o caso de eu não ter percebido fazendo assim uma excelente junção de dois processos simbólicos, o verbal e o gestual.

Mas enfim...onde ia eu? Já sei (!!)... na felicidade. Eu já fico contente quando o meu pai falha a chapada e só me acerta de raspão. Ora, por aquilo que eu penso, a minha professora acha que não receber chapadas, nem sequer de raspão, é que é bom e que é isso que traz a felicidade, a verdadeira felicidade, segundo ela. Ainda tentei defender esta minha tese, tentando fazer uma discussão aberta sobre os graus de felicidade, mas ela não estava aberta a discussões. «Tens um dezoito e não digas que vais daqui!»- rematou.

Bem, tenho de ir agora, tenho de largar o computador (da escola, nada de luxos lá em casa) porque já chegou o João, que é quem tem direito a uma hora de computador a seguir a mim e isto segundo um programa nova cá na escola a que eles chamam de «choque tecnológico». Deve ser por causa disso, por causa do choque tecnológico, que o João traz sempre um spray para borrifar as teclas e o rato e passar um paninho pelo ecrã sem contar com a cadeira que ele borrifa até ficar tudo em água.

Vou comer uma fatia de pão, se houver lá em casa, oxalá que haja porque estar aqui a confessar-me deixou-me cá com uma larica!

 

Jovens e mães

Crónica de Sara Daniela Coelho da Silva

O número de jovens mães no nosso país, bem como em todo o mundo, continua a aumentar. Esse facto verifica-se mais acentuadamente em bairros problemáticos em há muita liberdade no que respeita a este assunto, que vem da consequência de que as jovens atingem a sua maturidade sexual cada vez mais cedo.

Porém não é somente nesses bairros, muitas adolescentes alegam que se esqueceram de tomar a pílula, outras que o preservativo rompeu, entre outros. Muitas adolescentes de 15 anos engravidam do seu primeiro namorado ou então de algum rapaz que mal conhecem.



Essas gravidezes não desejadas devem-se à falta de sensibilização para o uso de métodos contraceptivos, bem como à falta de uma educação prévia ao longo da vida.
Além de essas jovens raparigas não estarem preparadas para a gravidez, não estão preparadas para a vida, algumas delas não tendo ninguém que as apõe. Segundo o livro «Teen moms», os bebés de mães adolescentes nascem abaixo do peso ideal, bem como sofrem mais de problemas de nutrição.

Porém não são somente os fetos que sofrem de problemas, muitas adolescentes grávidas sofrem de graves problemas de depressão e de estados de angústia. Muitas dessas jovens não têm apoio por parte dos familiares e por vezes nem dos próprios namorados.

Na minha opinião, devia ser dado um maior apoio a estas jovens, bem como fazer uma prevenção para que estas raparigas não engravidem tão precocemente, e caminhem à procura de um futuro melhor.

 

Desemprego entre portugueses aumenta em Espanha e na Alemanha

O número de portugueses a residir em Espanha reduziu-se em dez por cento, para 140 mil, no primeiro trimestre deste ano, o que acarreta também a descida no número de trabalhadores. Estes números são baseados em dados recentes confirmam que o número de portugueses registados como trabalhadores na Segurança Social espanhola continua a cair.

Uma descida de 3,5 por cento desde o início do ano, que continua a tendência do último ano, com uma queda total no número de portugueses a ultrapassar os 22 por cento, desde o início de 2008.

Em Março, enquanto o número de portugueses caiu, o número total de estrangeiros registados como trabalhadores aumentou 0,05 por cento, ainda que continue bastante aquém do valor que se registava no mesmo mês em 2008 (menos 8,5 por cento).

A redução no número de portugueses entre Janeiro e Março surge depois de uma queda de 4,46 por cento que já se tinha registado desde Dezembro. No final de Março e segundo os dados revelados no dia 6 deste mês, estavam registados como trabalhadores em Espanha um total de 63.623 portugueses, dos quais a maior fatia no regime geral (49.482), seguindo-se o sector agrário (7.401) e o de mar (5.132).

No que toca especificamente ao desemprego, no inicio do ano atingia já mais de oito mil portugueses em Espanha, ou cerca de 15,3 por cento da população activa, um valor que chegou a ser ainda mais elevado em Setembro do ano passado, quando atingiu os 21,5 por cento.

Bastante flutuante, a taxa de desemprego entre os portugueses residentes em Espanha chegou, no final de 2007, a registar a sua taxa mais baixa desde 2005 (5,07 por cento ou 2.700 trabalhadores num universo de 53 mil.

Na Alemanha

Na Alemanha, o impacto da crise económica entre traduziu-se num aumento do desemprego de cerca de 17 por cento na comunidade portuguesa e na quebra das receitas no sector da gastronomia.

Em Outubro de 2008, havia 4.295 portugueses desempregados na Alemanha, num universo de quase 42 mil trabalhadores inscritos na previdência social. Em plena crise, há agora 5172 portugueses desempregados, mais 17 por cento do que há oito meses, segundo dados de Junho publicados pela Agência Federal do Trabalho.

No total, a comunidade portuguesa na Alemanha tem cerca de 114 mil pessoas, concentradas nas regiões mais industrializadas, o sul, o oeste e o noroeste do país.

Os serviços sociais dos consulados portugueses já notam sinais das dificuldades entre a comunidade: «Temos verificado que o poder de compra baixou muito, e agora, quando as pessoas vêm pedir documentos, a primeira pergunta que fazem é quanto é que custam», disse o responsável pelos serviços sociais do escritório consular de Osnabruck, Manuel Silva.

Neste cidade da Baixa-Saxónia, a falência da Karmann, em Abril, lançou no desemprego cerca de 50 portugueses, os «sobreviventes» das largas centenas que chegaram a trabalhar nos anos oitenta no prestigiado fabricante de veículos convertíveis para marcas como a Volkswagen, Mercedes e BMW.

Em Hamburgo, onde vivem cerca de oito mil portugueses, a situação também é crítica, «as pessoas estão a apertar o cinto, e notámos, por exemplo, que há empregadas domésticas sem trabalho porque os patrões deixaram de lhes poder pagar», disse Maria José Cocq, responsável pelos serviços sociais do consulado.

Na área consular de Estugarda, centenas de trabalhadores portugueses têm sido afectados pelo recurso ao regime de trabalho parcial em grandes empresas como a Daimler (Mercedes), observam os respectivos serviços sociais.

As pessoas tornaram-se mais cuidadosas a lidar com o dinheiro, embora os que tenham entrado em trabalho parcial recebam praticamente o mesmo, graças aos subsídios do Estado», disse Abílio Rodrigues, técnico dos serviços sociais em Estugarda, onde residem cerca de 25 mil portugueses.

Para fazer face a estas situações, «é preciso pôr técnicos dos serviços sociais a trabalhar no terreno, sem esperar que as pessoas apareçam nos consulados a pedir ajuda porque aí normalmente já é tarde», disse à Lusa Alfredo Stoffel, do Conselho das Comunidades Portuguesas.

Também os restaurantes portugueses estão a ser afectados e a palavra de ordem é aguentar até passar a crise, com a ajuda da família, e sem admitir mais empregados, ou até dispensando alguns.

«Desde que começou a crise, ficámos sem metade dos clientes, quer portugueses, quer alemães, e levámos um rombo nas receitas», disse Ana Ruas, proprietária do Restaurante «Ti Zé», num bairro operário de Dortmund. Já Carlos Vasconcelos, dono do Restaurante Porto, numa zona turística de Hamburgo, a que até já chamam Portugiesenviertel (Bairro dos Portugueses), por causa dos numerosos restaurantes lusos, não tem razões de queixa da crise.

«Tivemos uma ligeira quebra em Janeiro e Fevereiro, os meses mais frios, mas isso é normal, acontece todos os anos, e agora até estamos a ter mais gente do que é habitual, provavelmente porque muitos alemães decidiram fazer férias no próprio país, e abdicar de viagens ao estrangeiro», observou.

 

SANTA MARIA BLUES 2009

Realizam-se nos dias 16, 17 e 18 de Julho no lugar dos Anjos, mais uma edição do Santa Maria Blues.

A Associação Escravos da Cadeínha, com apoio da Câmara Municipal de Vila do Porto, Açores, e da DRT produção das Trovas Soltas, volta assim a apostar para que o festival tenha o sucesso dos anos anteriores.

Sherman Robertson é um grande bluesman de Louisiana (USA). A sua actuação no «Pioner Valley Blues Festival» valeram-lhe grandes críticas, inclusivamente do presidente da Alligator Bruce Iglauer. Nos anos 70 Sherman tocou com o expoente máximo do zydeco, Clifton Chenier. Paul Simon convidou-o para o seu disco «Graceland».

Budda é sem sombra de dúvidas, o maior guitarrista português de blues da actualidade, os seus concertos são de grande impacto junto do público.

Paul Lamb e Rocklassicz. Os Rocklassicz, juntaram-se em Novembro de 2003, depois de alguns convites por parte de Paulo Raposo (ele próprio um ex guitarrista), a ex membros de outras bandas marienses activas na década de 90.