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Pagª 21 - EDIÇAO NºXXII , IVº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

 Artigo / Opinião

Olga Savary: Quem Tem Medo Dela na Academia Brasileira de Letras?

 

Silas Corrêa Leite

A maior escritora brasileira atualmente é Olga Savary. No mesmo nível de Hilda Hist, Clarice Lispector, Marina Colasanti (para dizer o mínimo), pois estas estão pra mim no mais edificante patamar da maravilhosa qualitatividade letral. Já pensou?

Curtindo Olga Savary tinha eu, cá com meus botões, que ela já era e fazia tempo da bendita Academia Brasileira de Letras. Desantenado?

Errei feio. Pois não é que é? Bem, ela estar na ABL pelo histórico handicap lítero-cultural que tem, seria uma honra. Mas uma baita honra mesmo lá para a Academia. Aí o leitor desavisado perguntaria: mas, o que mesmo que a Olga Savary é no contexto literário do Brasil?

O problema mesmo não é o que ela é, mas o que ela não é, quero dizer, ela faz de tudo, além de ser humanamente dizendo uma tremenda Poeta, talvez a melhor do Brasil desde 1500. Pois aí que está a questão: se ela é tudo isso que ela é mesmo, por que ainda então não pintou de fardão e se eternizou na Academia Brasileira de Letras?.

Fiquei de butuca: quem tem medo da Olga Savary? Pois é, se ela tem um currículo que, valha-me Deus, é o melhor femininamente falando em terra de santa cruz que virou afrobrasilis, então, cara pálida, qual é mesmo o impedimento letral?

Tá certo que o Brasil é de, às vezes esquecer seus mitos, principalmente nesta época de inumano e amoral neoliberalismo de tantas (mais) riquezas injustas, lucros impunes, contrastes sociais, propriedades roubos (e sampa com seu capitalhordismo atucanado agoniza); tá certo que o Rio de Tantos Carnavais tem seu, argh!, Cesar Maia que oscila entre um nada e um ninguém, mas, convenhamos, esquecerem a Olga Savary e, a turma toda da ABL não ir de mala e cuia, na casa dela, em Copacabana, bem aparamentada, convidá-la em coro (e com orgulho), para a honra de tê-la na ABL, aí já é demais.

Acredite se quiser. Poeta, Contista, Ensaísta, Tradutora, Jornalista, Crítica, Literata, Palestrante, Curadora, Depoente, Personagem Em Livro, Personagem Viva de Nosotros Que A Amamos Tanto (amalgamados afrobrasilís de tupi-davidicos), Verbete, Copiada, Adorada, Consultada: faz Orelhas, Prefácios, Resenhas, Saraus, Catálogos, Músicas, e, se precisar, periga ver, ela Voa... e ainda não pintou para literalmente ilustrar a ABL?

O que é que é isso, companheiros? Onde já se viu? Tem cabimento? Vamos fazer uma Marcha Pela Olga Savary na ABL. Tipo «Olguistas unidos/Jamais serão vencidos!»

Russa e brasileiríssima pela própria natureza de ser livre e água, nordestina e acariocada, ela mesma é a alma mutante do brasileuropeu. Russa-amazônica, com sua poesia água e sua alma sextante. E os direitos humanos da Olga Savary no palco iluminado da ABL?

Uma mulher do quilate da Olga Savary valoraria em muito a ABL. Ela é a grife da literatura brasileira, da poesia brasileira, nesse macadame de significâncias históricas. Nesses tempos de um brilhante Lula Light e o Brasil no auge como nunca, a maior dose de brasilidade que a nossa cultura tem é fulgurada no coração lítero-cultural de Olga Savary.

E não existem outras. Olga não pede para entrar. Ela é iluminura em si mesma. Ela não é como uma escola de samba que pede passagem. Ela é ponte entre o mérito e a conquista. Está faltando o quê?

Ela não precisa gastar dinheiro para fazer sala para os que a indicarão pelo voto. Ela é voto líquido e certo. A paixão dela pela arte literária a qualifica, quase que a santifica. Como a alma brasileira é feminina, Olga Savary é essa alma, essa cara, essa aura, pois luta ainda e muito, produz, escreve, se consome noiteadeira nas lides de escrever, por isso também que é o nosso maior nome para ser expresso como uma grife na Academia Brasileira de Letras. Será o impossível?

Eu acredito em sonhos. E em lutas. Mas, será tão difícil assim?. Uma escritora portentosa como ela, não pode ficar de fora. Se ela vai para o décimo-nono livro; se tem 36 prêmios de renome, se é famosa no mundo inteiro, em todos os continentes, referência até como avaliadora de todos os nossos consagrados escritores de todos os tempos, se participou de 950 livros, é de se espantar que ainda não seja agora e assim mesmo no belo e empolgante açodado do momento, uma convidada de honra para lá se assentar, na Academia de Letras, e finalmente e mais do que ninguém, tornar-se imortal.

Machado de Assis se sentiria honrado.


Silas Corrêa Leite, de Itararé-SP, Santa Itararé das Letras
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário (ECA/USP), Escritor (Poeta, Ficcionista, Ensaísta, Romancista), Conselheiro em Direitos Humanos (SP)
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Prêmio Ligia Fagundes Telles Para Professor Escritor
Autor de «O Homem Que Virou Cerveja», Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, 2009, Salvador, Bahia, no prelo, Giz Editorial
Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, finalista do Prêmio Telecom, de Literatura, Portugal.

E-mail: poesilas@terra.com.br

Site: www.itarare.com.br/silas.htm

Blog premiado do UOL:
www.portas-lapsos.zip.net

Texto da Série «Brasil: Panurgismos, Bravatas e Prosopopéias Jugulares» - Ensaios, críticas, resenhas e Pensadilhos (livro inédito do autor)

 

 

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XXII)

Quando não se sabe o que se quer, é verdade que também ninguém o vai saber por nós! Mas também, é verdade, que a confusão penetra de tal forma nos nossos neurónios, como se de um barulho ensurdecedor se tratasse!

De súbito, tudo parece e se torna enevoado. O desespero aparece como uma revolta, e o desejo mais íntimo, é de a decisão já aparecer tomada e sem esforços. No entanto, impávidas e serenas, no armário, as peças de roupa continuam intocáveis. Incrível, não é? Até na roupa, a confusão instala-se. Saia, ou calças? Rosa ou verde?

Cinto, botas, sapatos, camisa, camiseiro ou camisolão, são pois algumas das dúvidas suscitadas. Sim, porque outras poderão surgir, a começar pelas unhas, corte e cor de cabelo, maquilhagem e porque não beleza corporal…. Aos poucos e poucos, a confusão começa por preencher espaços vazios, e … tentáculos são invadidos sem dó nem piedade. Emprego, filhos, marido, amigos, pais, irmãos e outros familiares também não são poupados. E daí, até a vida ser apelidada de miserável, vai uma curta distância.

O não se saber o que se quer, não é de todo uma mania e muito menos preguiça! Pode, antes, tornar-se num sofrimento reprimido, pela consciência de a vida não caminhar solta e fluidamente. O cérebro sem alcançar proveitos, trabalha e trabalha descontroladamente!

Não se cala, não sossega, mas… continua a funcionar, de forma descontrolada e cega, tal e qual como se estivesse a trabalhar em seco. De nada adianta desligar a tomada do interruptor, pois certamente que o cérebro vai continuar activo. Noites em branco acabam por tomar conta do quotidiano, e a fadiga cerebral acentua-se.

É por certo, um quadro que alguns leitores já devem ter sido os protagonistas da pintura. Como tal, de certo compreenderão que o desânimo, não deve ser pois a principal arma. Assim, e recorrendo a um incenso Saint Germain, com média-luz, música baixa e suave de Deva Premal, um ambiente relaxante é proporcionado.

Concentrados na meditação, deixam-se guiar por um mestre … a voz suave deste, entra no cérebro, entre os neurónios, entre os poros… E a confusão tão dolorosa passa a dar lugar apenas à sua voz, à sua mensagem…

Com as cores dos chackras a entoar nos ouvidos, nuvens fofas parecem despregarem-se do céu para acompanhar a meditação, envolvendo os meditativos!

Prata, branco, amarelo, laranja, vermelho, rosa, violeta, azul e verde e dourado, tornam-se num mundo novo, num mundo calmo onde o silêncio ganha velozmente votos…

Ocupado todo o cérebro pelas brilhantes tonalidades, pela voz e mensagem do mestre, a confusão começa a esbater-se. Dia após dia, o mesmo processo, o mesmo resultado! Lentamente, o cérebro aprende a abstrair-se! Lentamente, o cérebro elimina o que não interessa: o excesso de bagagem! Lentamente, o cérebro aprende a proteger-se e… pouco a pouco rejeitará a confusão, simplesmente porque absorveu que depois de se proteger, deveria amar-se!

E, mais tarde ou mais cedo, todo o acumular de tensões propícias a monumentais dores de cabeça, são eliminadas, simplesmente porque o cérebro aprendeu a respeitar-se….

Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza que o melhor é mesmo não se fazerem julgamentos...