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Pagª 2- EDIÇAO NºXXII, IVº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Continuação da Coluna Um (Ver início)

O processo, que é sempre pouco referido, teve pelo menos o mérito - e que me perdoem os descendentes desta muito sofrida operação - de mostrar que afinal não eram os povos indígenas que exploravam inconvenientemente as suas parcelas agrícolas - que eram a base da sua economia - mas sim que o problema ia para além disso o que no fundo se pode traduzir no chavão mais conhecido da economia: falta de estruturas.

A chamada «inteligência» portuguesa estava mais interessada no acantonamento junto das Cortes do que em produzir ou fomentar a produção. A atracção pelo Estado protector (e pouco exigente em termos de retorno), alimentado bastamente antes pelas caravelas vivia ainda esse período em termos ideológicos e foi vivendo assim (e de certa forma vai ainda vivendo assim).

Resultado disso, mesmo nos tempos mais recentes, já nos finais do Sec. XX, a exploração de mão de obra foi sempre intensiva, o investimento em tecnologias quase nulo e compreende-se não se compreendendo a falta de visão estratégica do pelo menos imberbe empresariado: uma máquina custava mais que manter os trabalhadores que ela iria substituir, daí a manutenção de uma política de exploração da mão de obra barata.

Nestes termos, o colonialismo português não foi nem melhor nem pior que os outros, na sua prática diária, mas teve a seu favor - se quisermos considerar assim - o facto de, em termos numéricos de população colonizadora, nunca ter tido bases para se alicerçar numa autonomia solidária entre «iguais» bastando-se a si mesma.

A negociação com os autóctones (mão de obra ainda mais barata) impôs-se desde sempre e as potencialidades em termos militares nunca conseguiram implantar um colonialismo «puro e duro». Outras fossem as circunstâncias e outro galo não cantaria agora na CPLP.

Mas, e regressando ao presente, estas condições sociais acabaram por fomentar todo um conjunto de factores interligados entre os quais vamos agora referir a miscenização (termo ingrato, mas cientificamente correcto). Ora a miscenização por muito desagradável que possa parecer a afirmação, processa-se entre o povo e constrói laços de afinidade suficientemente distanciados das elites que lhe permitem um regime de vivência autónomo.

Assim, é nas bases da sociedade, quer dizer, nas classes menos favorecidas que se desenvolve o sentimento de igualdade (ou de desigualdade menor) apesar das exclamações à boleia das classes mais favorecidas.

A recente guerra do Alecrim e da Manjerona ortográfica é disso um exemplo claro (ao lado de outras com a mesma base): a chamada «intelectualidade» elitista comunga dos mesmos princípios que temos vindo a referir; não lhe restando, como factor de diferenciação interventiva senão a defesa da tradição que os alimentou e alimenta à sombra de uma ainda farta bananeira estatal e mecenária (não confundir com mercenária) estão contra a abolição do «p» e do «v» e contra o acrescento do «a» e do «b».

Mas quem se preocupa com estas vozes ainda não sabe (infelizmente) que elas não chegam ao céu da realidade do dia a dia.

 

A arca sem rumo.

Por Haroldo P. Barboza 

Há nove anos comemoramos 500 anos de existência cheios de entusiasmo, assim como um adolescente que completa maioridade e acredita que a partir deste momento tornou-se independente e apto a dar rumo à sua vida, por sua própria conta.

Chegamos a imaginar que em 2002 e 2006, finalmente votamos certo. Acreditamos que nem as urnas eletrônicas manipuláveis conseguiram reverter o rumo que nosso país deveria trilhar a partir de agora. Menosprezamos Regina Duarte pela sua mensagem pessimista contra o novo governo, dito da esperança. Parece que foi da esperteza.

E depois de 9 anos começamos a perceber tardiamente que o processo de empobrecimento (financeiro e moral) do povo segue firme a favor do enriquecimento das contas bancárias dos abutres que por séculos nos envolvem com seus tentáculos sangrentos.

A tristeza pela decepção é maior por vermos que o comandante máximo da nação sucumbiu aos encantos da posição que galgou sem mesmo ter feito um estágio como Governador, Ministro ou Senador. Não pedimos que ele tentasse resolver com um passe de mágica, problemas de 100 anos em 6 meses. Nem em 4 anos. Mas pelo menos que olhasse na direção da solução. Que reduzisse a falta de esperança em pelo menos 20%!

Infelizmente, depois da euforia da festa, percebemos os destroços de nossa dignidade aumentando com rapidez. Nosso piloto navega (num caro avião) sem bússola pelo universo da miséria usando os atalhos dourados dos gabinetes. Ficou deslumbrado com os serviços a bordo nas constantes viagens realizadas e finge não perceber que cada «acordo» com presidentes estrangeiros cedemos mais um pedaço da nossa dignidade esgarçada pelas botas dos vorazes abutres.

Abandonou a arca nas mãos dos que permitiram que ele chegasse ao topo de seu sonho em detrimento do futuro de seus compatriotas desiludidos. Boiando a esmo no charco da podridão moral, rezamos para abalroar a embarcação onde esteja Noé, para que este tente nos salvar, pobre gado rumo ao matadouro.

O perigo que corremos é o de Noé já ter comprado uma tela de LCD e estar «encantado» (hipnotizado) pelas belas desnudas que se exibem nas casas do Big Bosta Brasil, com um time de inocentes cheias de silicone e de mentes vazias.

 

Quem vaia já esta na vala.

Por Haroldo P. Barboza

A bandeira e o hino de uma nação são importantes símbolos de uma nação. Mas são escolhidos através de consenso entre figurinistas e músicos. Já o Presidente, é escolhido pela vontade popular. Por isto, é o símbolo mais importante, com a missão de traduzir os anseios de seus seguidores em busca de uma vida de melhor qualidade para a grande maioria que se transforma em credibilidade para o país.

Se esta figura é vaiada num evento público diante do mundo, certamente revela uma baixa estima deste povo pela figura escolhida pela população. Não é um paradoxo como pode parecer à primeira vista. Claramente traduz um sofrimento profundo pelo desgaste da esperança após anos de promessas não cumpridas.

De quem é a culpa de tal ato?

Mal comparando:

Se o seu cão peralta e brincalhão rasga a nova cortina da sala, numa ação de «educá-lo», você o prende na coleira dentro do banheiro de empregada por 3 dias. Um pote de água, ração reduzida, sem quintal, sem Sol, sem afago à noite entre seus pés enquanto você assiste tv.

Após o tempo definido acima ele é «libertado» e corre a esmo pela casa até encontrar a canela da esposa e mordê-la levemente. Passa a ser considerado elemento perigoso à sociedade, mal agradecido e sem educação!

De quem é a culpa de tal ato?

Quem já está na vala da vila, acenda uma vela para vê-la à frente do vilão

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia Internacional das Crianças Desaparecidas – 25 de Maio (Ver Início)

Para esses seres desumanos só importa o lucro e o dinheiro, a satisfação das suas necessidades físicas, para as quais vivem, sem se importarem com mais nada, que não a luxúria e o lucro imediato e fácil.

Convém que todos os pais fiquem atentos á realidade dos seus filhos, pois que crianças desacompanhadas nas suas actividades diárias, que têm medo dos pais, que não se sentem amadas, são mais vulneráveis para serem aliciadas a sair de casa, com promessas mirabolantes de facilidades na sua nova vida.

Essas pessoas estabelecem contactos através da Internet, com os nossos filhos que passam horas sozinhos em casa com o seu computador, enquanto os pais estão ausentes no trabalho, ou nas suas actividades, e assim vão ganhando a sua confiança para os atraíram a encontros dos quais já não voltam. Esta é uma das maneiras que existem para atraírem as crianças, mas muitas mais são utilizadas, algumas também de iniciativa dos jovens.

Por exemplo na altura em que as notas da escola chegam a casa e os pais não estão á espera de notas baixas, muitos jovens preferem fugir de casa, numa tentativa desesperada e inconsciente de fugir a castigos muitas vezes imaginários, refugiando-se em casa de familiares ou fugindo com os namorados para outras cidades.

Talvez estes sejam casos relativamente fáceis de resolver, assim como muitas vezes em casos de pais separados, é o pai ou mãe que não tem a guarda do menor, que o rapta para o levar sem autorização para fora do país ou outro local distante.

Seja qual for o motivo, todos são causa de sofrimentos para o próprio e as famílias, por isso em caso de desaparecimento a família deve tomar providencias de imediato, contactando as autoridades, porque qualquer minuto conta, para se alcançarem as fronteiras e perder-se o rasto ao desaparecido em questão de algumas, poucas horas.

São estes os conselhos que tenho para dar, agradeço a vossa atenção mas não estou muito inspirada hoje, o meu filho acabou de sair para uma noite de farra e fico sempre com o coração em sobressalto.

Arlete Piedade


Polícia Judiciária - Pessoas Desaparecidas

Interpol - Missing Children

FIA - Fundação para a Infância e Adolescência

Brazil - Missing Children Website

National Center for Missing & Exploited Children

Child CyberSearch: Missing Children Agency

Missing Child Search - National Network for Young At Risk

4thekids Missing Children Services

Child Find Canada - assist in the search for missing children

Child Find of America Inc.

IDEA Child Find Project

Child CyberSearch: Missing Children Agency

 

Veja  vídeo de Arlete Piedade em 2007 na II EPAC (II Encontro de Poetas Abralianos e Convidados) realizado em  Almeirim - Portugal.