Pagª 40 - EDIÇAO NºXXII, IVº NUMERO DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Vanise Vergasta
WAGNER
O Poeta das Flores
O meu poeta maior!
Poeta de todas as horas
O meu poeta maior!
Esperança que nasce em meu coração
Tudo em ti será eternamente
Amor e luz, intensidade e vida!
Dia e noite / noite e dia
Amo você Wagner, amo!
Sou filha dos teus olhos!
Flor de tuas flores
Luz do teu olhar
O meu poeta maior
Raio de luz...Vida!
Esperança, carisma.
Sol que ilumina!
MEU LUXUOSO CASEBRE
Moro em várias casas
em várias barracos
em várias ruas
em várias avenidas
em várias alamedas
em vários condomÃnios
em várias esquinas
em vários prédios
em várias mansões
em vários becos
em vários casebres!
Em todos os cantos!
Canto minhas tristes canções,
Sinto um aperto no coração
E nenhum aperto de mão!
Sabem quem eu sou?
Sou um Morador de Rua
No meio da multidão,
Em eterna e inseparável
Solidão, muitas vezes
Sem um pedaço de pão!
DEUS, SOCORRO...
Por que será que na minha vida eu estou sempre dando 10 passos para frente e 20 para trás?! O problema está em mim, eu não sirvo para viver.
Vivo, sim, para servir aos outros. Estou sempre pronta a doar.Tenho sempre um ombro amigo para quem procura repouso; tenho sempre palavras de conforto, de carinho, de solidariedade, de amor e de paz!
E sofro quando não disponho de tempo para atender os que pedem, suplicam, imploram por minha ajuda, assim como aconteceu com Jorge Carvalho e Deise, com Noilson e tantos outros...
O que está acontecendo, Senhor!? Até quando vou carregar
essa cruz?! Não estou agüentando mais. Não estou...
Hoje foi a gota d’água. Tudo é tão sombrio, tão triste, tão sem sentido...
Assim como se revela a própria vida!
O MAR NA TUA TERNURA
Liliana Josué
1
Que sensações
deste mar
que me sussurra baixinho
num jeito de me embalar
em gostoso torvelinho.
2
Que magias
trás o mar
ao meu corpo desejoso
numa ânsia de chegar
ao teu doce alvoroço.
3
Que cânticos
vêm do mar
em ondas de branda altura
onde espraias o olhar
onde agitas a ternura.
PARTIDA
Patricia Neme
Já me desfiz de todos os guardados
e das lembranças que abrigava em mim.
Joguei ao vento, sonhos tão sonhados...
Tristeza, anseios... Tudo teve fim.
Albuns com fotos dos meu bem amados...
E as conchas brancas, qual flor de jasmim.
Agora vou juntando meus trocados...
Já nada resta, nada mais... Enfim!
E desnudada de qualquer lembrança,
tendo nos versos a melhor herança,
outros caminhos eu irei trilhar.
A solidão? Ah, essa vai comigo,
pois nela sempre tive meu abrigo...
Pois ela sempre me soube embalar.
Vibrações
Poema de Mário Matta e Silva
Este poema «Vibrações» utiliza o Mote recolhido do poema «O EspÃrito» da autoria de Natália Correia (quatro versos), e foi declamado por Carmen Dolores, quando do lançamento do livro «com eles NOUTRA ATITUDE» de Mário Matta e Silva em 26 de Novembro de 2008
mote:
Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas:
(...)
«O Espirito»
NatalÃa Correia
Gostava de correr convosco pelos campos fora
Gozando aÃ, das imensas matas floridas
Aromas das suas vestes harmoniosas, garridas
Que respiramos em tÃ, em cada ano e hora.
Filhos de �frica, do teu regaço despontando...
Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Do bando das nostalgias feitas miragem
Dos ventos mornos soprados sobre os ribeiros...
Sou do bando de imbecis, esses últimos aventureiros;
Oh! Fim da saga colonial! Loucos da infernal viagem
Vibração dos marimbeiros! Suor das marrabentas
Impermanente das aves friorentas;
Ali, um elefante, uma vivaz impala no seu cortejar
Além, cresce um coqueiro, perto duma mangueira;
Virasse eu folha ondulando em branda clareira
Ou então vela enfunada por esse bravo mar!
Mas prá vos salvar, crianças, sobre o �ndico me vi chorando
E nos galhos dos anos desbotando
Vibrei de raiva – cuspindo sangue – para voltar
À terra que me deu o ser e me deu o pranto;
Foi a dança mais macabra, sem nenhum encanto
Que a humilhação fez em mim assim gritar!
Agora, sem rogos nem saudades do voo das tormentas
Já as folhas me ofuscam macilentas;
Mário Matta
«com eles NOUTRA ATITUDE»
Crónica a Bocage
JORNADA CREPUSCULAR
Só nas memórias te encontro Bocage
Vem de veludo vestido o crepúsculo que desce sobre nós em traços de ouro fino, em ondas de volúpia, e vai escurecendo tão lentamente que o sol se apressa a esconder atrás de uma nuvem mais aveludada ainda e mais macia.
Parado, à porta de um café conhecido de Lisboa, imobilizo ali comigo a memória, que arrasta tempos, datas, pessoas, que o passado devorou, sem comiseração dos nossos semblantes pesados e das rugas insistentes, que se cruzam na pele que o tempo crestou.
Tinha acabado de ver de novo a estátua imponente de Bocage, ali dentro do Nicola, e este imortal poeta de Lisboa desventrada e crua, traça-me caminhos percorridos, com a gravação a ouro velho do seu nome, que em tertúlias poéticas, lança o brilho dos seus cristalinos desabafos, em poesia, e sempre, sempre aquele murro no estômago feito de polémicas, que em sua memória sabem a liberdade.
O vento sopra fino e áspero nas minhas faces enquanto se dá a jornada crepuscular que me leva até a esse poeta de olhos doces, gingão mas altamente arrojado. Muitos dizem que o conhecem, mas vão-lhe buscar apenas a primeira faceta, a de gingão, esquecendo-se que foi dos primeiros, que, arrojadamente, em pleno Despotismo (Absolutismo) arrancou gritos de apelo à liberdade, à igualdade, à fraternidade.
O nosso Vate Sadino, como não se esquece de lembrar a amiga Maria América Miranda, trás em unÃssono aqueles que conhecem bem o Bocage dessa estirpe de homens que antes quebrar que torcer…
Ouve-se um trovão, aclara-se o fim de tarde com um relâmpago breve mas respeitável, e chove miudinho, em pleno tombar da bruma crepuscular… então ocorre-me a tertúlia no átrio do Teatro D. Maria II, as discussões que dela saiam, os poemas que se diziam a meio das tardes, sempre na euforia dos enaltecidos rompantes bocageanos.
Rio-me ao puxar pela memória, pois nela registei também os espectáculos, em nome e homenagem a Bocage, e organizados por essa mesma tertúlia, no padrão dos descobrimentos, que traziam o Vate Sadino pelos caminhos da decência, enquanto, pelas livrarias e bibliotecas continuava a ver coisas horrorosas sobre pouco mais do que as anedota do mesmo Poeta (diga-se até que algumas lhe foram convenientemente atribuÃdas).
Velhacarias, penso eu, de quem só sabe ver o lado escuro dos sobejados dias que caem, que nem morfeus, nos braços tépidos das diáfanas crepusculares de Setembro (mês em que Barbosa du Bocage nasceu).
Passaram anos, tempos que nos separam ou aproximam, em grupos de debate, tertúlias de poesia, várias e animadas, e voltamos de quando em vez a esse romântico, arremessado à devassa pela maldade, dos que fazem dessa figura delgada e pálida, exaltado e corajoso, metido a ferros, por apelo às liberdades, as piores acusações.
Ainda não há muitos meses uma série televisiva dava, sobre a vida de Bocage, o golpe de misericórdia, não só nesse exemplar poeta, mas até numa sociedade inteira, dos finais do Século XVIII, mostrando só depravação, imoralidade, ruelas de entulho, de bêbados, de prostitutas, de devassos etc… como se fossemos crivados por um certo fado feito de «orgulho» balofo, enfiado na imundice de Lisboa.
Que foi dos primeiros arautos do romantismo e das liberdades não se falou, e nem se enalteceu o motivo mais próximo que esteve na base das acusações que lhe foram feitas por Pina Manique, até o encarcerarem no Limoeiro.
Só nestas memórias te encontro Bocage, num abraço fraterno, orgulhoso de ti! O crepúsculo, esse, visto também pelo seu lado menos risonho, é um manto aveludado mas escuro que nos engole…e a maldição dos homens também!