Pagª 3 - EDIÇAO NºXXII , IVº NUMERO DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
COLUNA DE ABILIO LIMA
Tem como actividades principais a de Formador, de Consultor Técnico e a
Prestação de Serviços e Apoio Técnico a Entidades do Sector AgrÃcola.
Para além da sua actividade profissional é Conferencista da Team Europa que
é uma rede de conferencistas independentes da Comissão Europeia
especialistas em temas especÃficos da União Europeia, existentes em diversos
pontos do paÃs e que estão disponÃveis para intervir em conferências,
seminários, debates, iniciativas nas escolas, acções de formação, ou para
contribuir com artigos na imprensa e programas de rádio, nomeadamente a
nÃvel local.
AbÃlio
Lima é Engenheiro Agrário com larga experiência na sua área profissional e
no campo da formação e desenvolvimento de projectos.
Neste jornal AbÃlio Lima irá desenvolver a parte noticiosa e informativa dos
eventos que têm lugar a nÃvel comunitário relacionados directa ou
indirectamente com Portugal ao mesmo tempo que prestará os esclarecimentos
que lhe forem solicitados sobre programas comunitários, formas de
candidatura a programas comunitários e de uma forma geral tudo o que esteja
relacionado com a União Europeia.
Relações Externas
Comissão consagra 54 milhões de euros de ajuda humanitária a cinco paÃses do Corno de Ã?frica
Com base em cinco decisões financeiras novas, a Comissão Europeia decidiu disponibilizar um montante global de 54 milhões de euros em ajuda humanitária destinada às populações mais desfavorecidas da Somália, da Etiópia, da Eritreia, do Quénia e do Uganda. Os fundos serão encaminhados através do Serviço de Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO), sob a responsabilidade directa do Comissário Europeu do Desenvolvimento, Louis Michel. Mais Informações em IP/09/801.
Cimeira UE-China: défice comercial de 170 000 milhões de euros da UE com a China em 2008
Entre 2000 e 2008, as trocas de bens entre a UE e a China mais do que triplicaram, passando as exportações da UE para a China de 26 000 milhões de euros em 2000 para 78 000 milhões de euros em 2008 e as importações de 75 000 milhões de euros para 248 000 milhões de euros. Por conseguinte, o défice comercial da UE com a China aumentou fortemente, alcançando 169 000 milhões de euros em 2008 face a 49 000 milhões de euros em 2000. A parte da China no total do comércio externo de bens da UE mais do que duplicou entre 2000 e 2008. Em 2008, a China foi o segundo parceiro comercial mais importante da UE logo após os EUA, representando 6% das exportações da UE e 16% das nossas importações .
UE e Austrália juntam os seus esforços na luta contra as alterações climáticas
Comissário Europeu responsável pela Energia, Andris Piebalgs, encontrou-se a 20 de Maio com Altos Responsáveis do Governo Australiano para adoptarem iniciativas comuns em matéria de alterações climáticas, energias não-poluentes e segurança do abastecimento energético. Segundo Andris Piebalgs "a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que vai ter lugar em Copenhaga, no próximo mês de Dezembro, será determinante para alcançar um acordo global para salvar o planeta. A Austrália e a UE partilham as mesmas preocupações quanto às alterações climáticas e procuram soluções idênticas. Temos de juntar esforços em Copenhaga para ter êxito nos nossos propósitos". Mais Desenvolvimento em IP/09/814.
Comissário Europeu Louis Michel vai receber prémio pela paz em �frica
O Comissário Europeu responsável pelo Desenvolvimento e pela Ajuda Humanitária, Louis Michel, vai receber o prémio «Africa, Tempo para a Paz».
Cimeira UE-China: encarar juntos os desafios globais
A 11ª Cimeira UE-China teve lugar em Praga a 20 de Maio. A UE está representada pelo Presidente da República Checa, Václav Klaus, pelo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, pela Comissária das Relações Externas, Benita Ferrero-Walder, e pela Comissária do Comércio, Catherine Ashton. A Cimeira abordou questões como a crise económica e financeira, as alterações climáticas, bem como as relações UE-China e outras questões internacionais. Informações em IP/09/810.
Cimeira UE-Rússia em 21 e 22 de Maio
A Cimeira UE-Rússia teve lugar em Khabarovsk, no Extremo Oriente da Rússia, em 21 e 22 de Maio. A Cimeira será uma oportunidade para debater a melhor forma de coordenar as respostas à crise económica e financeira. Outros assuntos na ordem de trabalhos: alterações climáticas, segurança energética, estabilidade na zona de vizinhança comum, situação no Médio Oriente, Afeganistão/Paquistão, Irão e Sri Lanka.
Cimeira UE-Coreia: análise da situação das negociações
A quarta Cimeira UE-Coreia teve lugar em Seul, em 23 de Maio. Os dirigentes efectuaram um balanço dos progressos alcançados nas negociações com vista à assinatura de um acordo de comércio livre e na actualização do acordo-quadro UE-Coreia. Quando esses acordos tiverem sido concluÃdos, permitirão melhorar sensivelmente as relações entre a UE e um dos nossos principais parceiros asiáticos. Mais Desenvolvimento em IP/09/816.
Defesa do Consumidor
«Iniciativa para os medicamentos inovadores»: 246 milhões de euros para a cooperação público-privada no domÃnio da investigação sobre os medicamentos
A 18 de Maio foram seleccionados quinze novos projectos de investigação para acelerar a comercialização de medicamentos inovadores. Os referidos projectos irão receber 246 milhões de euros da Comissão Europeia e da Federação Europeia de Associações e de Indústrias Farmacêuticas. Estes projectos permitirão compreender melhor determinados problemas de saúde tais como a diabetes, a dor, a asma e perturbações psiquiátricas, bem como reforçar a segurança dos medicamentos. Os projectos foram seleccionados no âmbito do primeiro convite à apresentação de propostas lançado a tÃtulo da iniciativa para os medicamentos inovadores, parceria público-privada (chamada «iniciativa tecnológica conjunta») entre a Comissão Europeia e o sector farmacêutico. Esta é a primeira iniciativa na qual empresas farmacêuticas concorrentes partilham os respectivos recursos com organismos de investigação, associações de doentes e outras partes interessadas agrupadas em grandes consórcios, a fim de desenvolver conhecimentos genéricos pré-concorrenciais.
Ambiente: anfÃbios e répteis europeus encontram-se muito ameaçados
Segundo novos estudos encomendados pela Comissão Europeia e realizados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), a quinta parte dos répteis europeus e quase um quarto dos anfÃbios encontram-se actualmente ameaçados. Estes estudos, que irão ser apresentados no Dia Mundial da Biodiversidade, constituem as primeiras Listas Vermelhas Europeias de anfÃbios e répteis e revelam tendências populacionais alarmantes. Mais de metade das populações de animais anfÃbios europeus (59%) e 42% dos répteis estão em diminuição, o que significa que estas espécies se encontram numa situação de ainda maior risco do que os mamÃferos e as aves da Europa. Para 23% dos anfÃbios e 21% dos répteis, a situação é tão grave que se encontram classificados como espécies ameaçadas na Lista Vermelha Europeia. Desenvolvimento em IP/09/815.
Morreu Edgar Rodrigues, o mais antigo exilado polÃtico português no Brasil

Faleceu a 14 de Maio de 2009 no Rio de Janeiro, onde residia, o escritor e antigo exilado polÃtico português Edgar Rodrigues, há muitos anos radicado no Brasil.
Pesquisador de história social, escritor e historiador autodidata, nascido no norte de Portugal em 1921, naturalizado brasileiro.
Filho de um militante anarco-sindicalista português do Sindicato da Construção Civil filiado à CGT, participou da luta contra a ditadura salazarista, tendo-se exilado no Brasil em 1951.
No Rio de Janeiro relacionou-se com os velhos militantes anarquistas, entre os quais José Oiticica e Edgard Leuenroth, participando das atividades do movimento e colaborando regularmente na imprensa libertária.
Seus primeiros livros: Na Inquisição de Salazar (Rio de Janeiro, 1957) e A Fome em Portugal (Rio de Janeiro, 1958) foram de denúncia da ditadura portuguesa, o que lhe valeu integerar a lista dos autores proibidos em Portugal, paÃs onde só pode voltar após a derrubada do sistema autoritário em 1974.
Em 1969, foi um dos presos e indiciados durante a repressão desencadeada pela ditadura militar contra os anarquistas do Centro de Estudos José Oiticica do Rio de Janeiro.
A pedido de publicações libertárias do Uruguai, começou a pesquisar a história do movimento operário e das lutas sociais no Brasil, escrevendo dezenas de artigos e livros sobre o assunto.
Seus livros Socialismo e Sindicalismo no Brasil (Rio de Janeiro: Laemmert, 1969); Nacionalismo e Cultura Social (Rio de Janeiro: Laemmert,1972); Novos Rumos (Rio de Janeiro: Mundo Livre, 1972) e Alvorada Operária (Rio de Janeiro: Mundo Livre, 1979) são uma das principais fontes documentais para a história do movimento operário e anarquista brasileiro.
É também o autor de quatro volumes sobre a história do movimento operário e do anarquismo em Portugal. Seus trabalhos são um manancial de informação para os pesquisadores da história social do Brasil e de Portugal, podendo-se afirmar que foi um precursor do estudo do movimento operário no Brasil, como foi reconhecido por historiadores como Hélio Silva, Azis Simão e Foot Hardman.
No entanto, tratando-se de um pesquisador não acadêmico, é freqüente sua obra ser utilizada por investigadores universitários que sequer o referênciam como fonte, numa demonstração cabal de honestidade acadêmica .
Nas suas atividades de pesquisa percorreu o Brasil recolhendo depoimentos de militantes e seus descendentes, coletando documentos de importantes militantes operários e ativistas anarquistas, constituindo um acervo único da história social brasileira entre 1890-1940.
Uma de suas últimas obras é Os Companheiros, em cinco volumes, que reúne biografias de militantes anarquistas e anarco-sindicalistas que desenvolveram sua atividade no Brasil é o único dicionário biográfico do movimento operário brasileiro escrito até hoje.
Em 1999 publicou pela Editora Insular [http://www.insular.com.br], de Florianópolis, o livro Universo �crata, em dois volumes, uma história do movimento libertário internacional.
Do Interior da Revoluçao
Livro de Vasco Lourenço em Entrevista de Maria Manuela Cruzeiro
Vasco Lourenço: «O eterno capitão de Abril»
Mais de 40 horas de gravação deram origem ao livro «Vasco Lourenço – do interior
da Revolução», em que a investigadora Manuela Cruzeiro define o entrevistado
como «eterno capitão de Abril».
A obra com a chancela da editora Âncora, é o último livro produzido no âmbito do
projecto de História Oral do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade
de Coimbra (UC), sob a responsabilidade de Maria Manuela Cruzeiro.
«Vasco Lourenço envolveu-se muito intensamente na Revolução, do primeiro ao
último dia. É um homem que atravessa o movimento até ao 25 de Novembro de 1975»,
declarou a investigadora.
Na sua opinião, o antigo membro do Conselho da Revolução (CR) «nunca se deixou
marginalizar» no processo revolucionário, pois «achava-se no direito de
questionar». Manuela Cruzeiro recordou que o militar, «mesmo quando esteve
temporariamente suspenso» do CR, «impunha a sua presença», interpelando os
outros conselheiros para poder manter-se a par de todas as decisões.
Destacou, por outro lado, a «memória prodigiosa» que o entrevistado confirma ao
longo da obra, com quase 600 páginas. «Os militares são geralmente muito
organizados e disciplinados», disse, salientando, no entanto, que «tão boa
memória» é atributo que caracteriza especialmente Vasco Lourenço.
Trinta e cinco anos depois do derrube da ditadura, em 25 de Abril de 1974, «ele
não desligou daquela realidade».
«O que ainda o faz lutar é essa memória que tem muito presente», referiu.
Manuela Cruzeiro realçou que Vasco Lourenço dá continuidade a tal legado
enquanto presidente da Associação 25 de Abril (A-25A), cargo que lhe permite um
contacto regular com antigos camaradas de armas, investigadores e instituições
diversas. «A Associação é a guardiã dessa memória», acrescentou.
Jogo de sombras
O protagonista dos acontecimentos de há 35 anos «ainda hoje está a discutir o 25
de Abril», com o qual «mantém uma relação pacÃfica e normal». Enquanto membro do
Movimento das Forças Armadas (MFA), cuja Comissão Coordenadora pertenceu, «está
quase ao minuto na preparação» do golpe, que se prolongou por oito meses.
O processo conspirativo, segundo a autora da entrevista, «foi semi-secreto, para
desarmar as autoridades». Perante «esse jogo de luz e sombra» do MFA, em que se
misturavam reivindicações corporativas dos militares e propostas de ordem
polÃtica, «as autoridades acabavam por não saber o que eles andavam a fazer».
«Talvez a PIDE tenha sido bastante ludibriada quanto aos objectivos da
conspiração, mas sabia da sua existência», afirmou. Para Manuela Cruzeiro, o 25
de Novembro resultou «numa forte viragem à direita, o que não estava nos
objectivos» do Grupo dos Nove, de Melo Antunes, de cujo documento polÃtico Vasco
Lourenço era o primeiro subscritor.
«Há vários 25 de Novembro. As forças mais reaccionárias colaram-se aos Nove e
deram o beijo de Judas», considerou. O coronel Vasco Lourenço, que comandava a
Região Militar de Lisboa, «foi vitorioso e foi vencido».
«Em geral, os grandes homens do 25 de Abril não passaram de tenente-coronel,
enquanto os do 25 de Novembro, de uma forma geral, chegaram a general», frisou
Manuela Cruzeiro.
Vasco Lourenço dedica o livro ao seu neto Vicente, nascido há seis meses. «O teu
avô procurou ser honesto, falar verdade e não fugir às questões», garante.
(Continua com Biografia do Autor)