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Pagª 21 - EDIÇAO NºXXV , IIIº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

 O PARNASIANISMO DE FLORBELA ESPANCA

 (Continuação - ver Início)

De acordo com tais cânones, Bilac tornou-se o cinzelador dos sonetos talvez mais perfeitos da língua, na tradição de Bocage, com decassílabos rigorosos, imagens sóbrias, riqueza métrica, de suma elegância e sonoridade, que conquistam o leitor sobretudo por se aliarem a um sensualismo ardente, óbvia impregnação das teorias realistas.

Olavo Bilac

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela... (...)

Este poema de Olavo Bilac poderia muito bem ser emparelhado a alguns de Bocage, pelo que achamos útil fazer aqui algumas referências a Manuel Maria Barbosa Du Bocage, socorrendo-nos em primeira fonte de António José Saraiva e Óscar Lopes:

«(…) A arte versificatória (de Bocage) sobretudo o soneto, tem tido muitos admiradores, entre os quais se destaca o parnasiano brasileiro Olavo Bilac. (…) O que o distingue melhor é a matéria psicológica que traz pela primeira vez à poesia portuguesa: o sentimento agudo da personalidade, o horror do aniquilamento na morte. (…)»

De reparar aqui, a este tema voltaremos as vezes que tal se torne necessário, que existe já neste iniciar de corrente psicológica, uma negação ainda que ténue do regresso à terra (feitura em pó difundido pela religião) e a referência a um desejo de imortalidade, que atravessa todos os séculos mas que aqui se reveste de características muito específicas.

Não se aceita a ressurreição pura e simples do cristianismo imperante, mas sim uma continuidade imediata da vida ainda que sob forma não física. O medo da morte só existe se ela não representar algo que continua de forma imediata para além dela, ou seja, um renascimento ainda que o processo implique uma redução transitória ao nada. E esta problemática encontra-se expressa um pouco em toda a escrita de Florbela Espanca ( especialmente nas suas referências à Fénix ).

Continuando com Bocage…«(…)Tal egotismo percebe-se ainda na maneira abstracta e retórica com que, em nome da Razão, se revolta contra a humilhação da dependência e contra o despotismo; no gosto do fúnebre e do nocturno, e nos clamores não menos retóricos de ciúme, de blasfémia ou contrição…) Esse gosto tão romântico do funéreo e tenebroso percorre grande parte da poesia de Bocage.(…) Não se sabe em que medida isto é simples saborear de uma estética (dantesca, shakespeariana, e, então, romântica) do locus horrendus que vira do avesso o locus amoenos do pastoralismo clássico; em que medida o poeta é efectivamente presa de uma obsessão irracional incontrolável, uma espécie de pavor sagrado à procura de imagens; ou em que medida isso traduz uma ânsia, ao mesmo tempo inextinguível e medrosa, de abarcar numa consciência humana todos os medos e dores que ela, espontaneamente, evita, que ela mal enfrenta sem se desagregar. (…) O egocentrismo de Bocage, manifestado em constantes vocativos a Elmano, ao Desgraçado, em constantes pronomes na primeira pessoa, na sua confiança em renome póstumo, no próprio auto-retrato do famoso soneto «magro, de olhos azuis, carão moreno» e de outras poesias (…)»

Fazemos aqui referência a um aspecto igualmente recorrente numa parte substancial dos poetas e autores desta corrente psicológica: O renome póstumo. Este aparece talvez como a última forma possível de continuidade para além da morte, mas seria demasiado fácil aceitar-se que o objectivo profundo de tal reclamação seja exclusivamente ou só isso mesmo.

Vendo o Diário de Florbela do dia 24 de Janeiro de 1930 encontramos esta referência:

«(…)O Diário de Maria Bashkirtseff é qualquer coisa de profundamente triste, de tragicamente humano. Só não compreendo naquela grande alma o medo da morte. O espectro da morte, a ideia da morte, apavora-a, espanta-a, indigna-a. É a sua única fraqueza :«Il faudra donc mourir, misérable. Mourir ? J’en ai très peur…Et je ne veut pas…Je veux vivre, moi, quand même et malgré tout…Mon corps pleure et crie mais quelquer chose qui est au-dessus de moi, se réjouit de vivre, quand même… »

Mas que imensa alma ! Queria o amor, queria a glória, o poder, a riqueza, queria a felicidade, queria tudo. E morreu com pouco mais de vinte anos, gritando até ao fim que não queria morrer.

Como não compreendeu ela que o único remate possível à cúpula do seu maravilhoso palácio de quimeras, de ambições, de amor, de glória, poderia apenas ser realizado por essas linhas serenas, puríssimas, indecifráveis, que só a morte sabe esculpir?

Os seus vinte anos não chegaram a compreender o alto e supremo símbolo das mãos que se cruzam, vazias dessa maré de sonhos que a vida, amargo fluxo e refluxo, leva e traz constantemente.

Princezinha exilada, porque não soubeste tu murmurar, encolhendo os ombros, o teu doce e sereno «nitechevo» de eslava?"(…)»

Contudo, o que se assiste aqui é a uma interpretação (provavelmente motivada por edições pouco fiéis do Diário de Maria Bashkirtseff que só nos anos 60 deste século foram devidamente depuradas) que realçam a chamada fase da recusa da mesma artista confrontada com a tuberculose incurável na época, desvanecida esta ideia por afirmações posteriores da mesma onde se nota, não propriamente um elogio da morte (ou do estado de morte) como o faz Florbela, mas sim a uma aceitação da inevitabilidade e o desejo de ficar conhecida (para além da morte) quanto mais não seja através das afirmações contidas no seu diário. De qualquer forma não deixa de ser sintomático que a observações de Florbela se debrucem preferencialmente (com edição menos clara ou não dos Diários de Maria Bashkirtseff) sobre este plano que lhe é tão caro, a morte familiar, a morte familiarizada, a morte companheira.

«(…) Em Agosto de 1928, cerca de um ano depois da morte do irmão, Florbela Espanca tenta suicidar-se. Segue-se uma segunda tentativa de suicídio em Novembro de 1930. No dia 8 de Dezembro desse mesmo ano, no dia do seu aniversário (já o seu casamento se havia realizado nesse mesmo dia) foi encontrada morta num quarto em Matosinhos. Debaixo do colchão foram encontrados dois frascos de Veranol, ou seja do farmáco que tomava para conseguir dormir (…)».

Florbela fez assim duas tentativas conhecidas de suicídio e acabou por falecer cerca de um mês depois da sua segunda tentativa de suicídio. Nos tempos modernos a ideação suicida e a patologia que lhe estava agregada teria sido detectada por qualquer médico ou psiquiatra.

Contudo também para Maria Bashkirtseff a morte não será nunca o nada…poderá sim ser o pouco uma vez que ela nunca saberá que foi precisamente a publicação do seu diário que a tornou conhecida muito para além da sua obra como artista.

(…)«Je meurs, c'est logique, mais horrible. Il y a tant de choses intéressantes dans la vie!»

«À quoi bon mentir ou poser? C'est évident que j'ai le désir sinon l'espoir de rester sur cette terre par quelque moyen que ce soit. Si je ne meurs pas jeune, j'espère rester une grande artiste, mais si je meurs jeune, je vais permettre de publier mon Journal qui ne peut être moins qu'intéressant». (…) In Diário de Maria Bashkirtseff .

Contudo, e regressando a Olavo Bilac, o espírito e o cuidado da poética que fundamenta o espírito e a prática do parnasianismo são declaradamente expressos neste clássico a que sugestivamente é dado o nome de Profissão de Fé:

Profissão de Fé

Le poète est ciseleur,

Le ciseleur est poète.

Victor Hugo.



Não quero o Zeus Capitolino
Hercúleo e belo,
Talhar no mármore divino
Com o camartelo.

Que outro – não eu! - a pedra corte
Para, brutal,
Erguer de Atene o altivo porte
Descomunal. (...)

Ora, o parnasianismo, com o seu cinzelado formal e aparecendo como reacção ao romantismo é, desde logo, uma estética de elite para elites, donde se destaca desde logo também da poética de Bocage acusada, apesar do seu hermetismo formal e temático, de se afastar o suficiente do elitismo formal ( caindo por vezes na rua, que é, nesta época, o Romantismo ).

Florbela Espanca, não tão aprimorada como Bilac é, de facto uma cultora da forma. Urbano Tavares Rodrigues aponta-lhe algumas rimas forçadas...mas os seus versos, por exemplo, são todos decassilábicos o que não quer dizer muito mas serve como exemplo da existência de algum rigor formal na sua escrita e serve mesmo de informação sobre o facto de Florbela não sofrer de uma Depressão bipolar ( vulgo maníaca - depressiva ). O rigor da forma é incompatível com esta patologia...

Aliás, Nuno Júdice, referindo-se a este facto, ao formalismo Florbeliano, diz: « Florbela adopta um modo de expressão, o soneto decassilábico, consagrado por um uso que vai de Camões até Antero de Quental – o que torna tanto mais excepcional o seu caso, uma vez que ela consegue, de facto, revitalizar esse género poético.»(…)

Contudo, torna-se para mim evidente que Florbela sendo Parnasiana pela forma, nada um muito pouco tem de facto com a envolvência psicológica dos parnasianos.

 

 

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XXV)

Desenganem-se os que acham que os animais ditos «selvagens» só vivem nas florestas, savanas ou parques naturais. Jardins zoológicos, também é certo que os albergam, mesmo sem se importarem que para o efeito, os «bichos» possam estar contrafeitos. Mas que bem presentes fisicamente, lá isso, bem estão! Sim, é certo!

Mas, e se magicamente, sem necessitarem de estarem presentes de forma física, animais vivessem tranquilamente na casa de cada um de nós? Incrédulos?

É de facto verdadeiro, bastando para tal deixarem entrar nas vossas casas, o Feng Shui, «o tal vento, a tal água» e preparem-se para serem felizes! Deixem pois a saúde, abundância e felicidade controlar, dominar a vossa vida e… depressa contaminarão todos os campos do vosso ser e da vossa vida.

Conhecido pelo modo como a disposição dos móveis, cores e objectos podem influenciar na tranquilidade e equilibro zen de cada um de nós, vós, vários são os animais que podem, devem e contribuem para a tão ambicionada tranquilidade do lar.

Simbolizando formas de relevo importantes na criação de bom Chi, o macho Dragão Verde de aspecto benevolente, fornece energia yang e pode indicar o formato de uma colina, ou então pode mesmo ser a fêmea Tigre Branco, que não obstante o seu aspecto feroz fornece energia feminina yin.

Os dois juntos, simbolizam para os habitantes de uma casa, felicidade, prosperidade, saúde e abundância. Os dois juntos, reforçados com a presença de colinas sob a forma do famoso pássaro mítico, simbolizam o renascimento com incitamentos à paz, harmonia e o auto-sacrifício.

Colocado a sul da casa, o tal Fénix Vermelho, com capacidade de arder e voltar a erguer-se de novo das cinzas, juntamente com uma Tartaruga Preta a norte do domicílio, nada nem ninguém deterá a felicidade dos ocupantes da casa. Sem dúvida, ouro sobre azul!

Se o relevo se tratar de umas rochas salientes,… então, pode tratar-se de uma ave de rapina como a águia, que colocada no exterior da casa protege-a de prejuízos.

Já no interior e, de frente para os ocupantes, a mesma águia, pode-se virar contra os incautos habitantes. Se ao invés, de uma protectora tartaruga se tratar, sabedoria, estabilidade e longevidade, bem transmitem.

Quando a outros animais contemplados, os morcegos, que vivem pendurados de cabeça para baixo, são considerados altamente inteligentes por se acreditar que observam o mundo de uma perspectiva totalmente diferente.

Por sua vez, acredita-se que as borboletas contêm almas de pessoas que morreram recentemente e que por tal, simbolizam a vida eterna, a alegra e a felicidade.

Já o grou, cria um símbolo gracioso de pureza, honestidade, justiça e longevidade. Quanto ao elefante personifica a fidelidade, mas a protecção fica ao cargo dos leões, tigres e ursos que por isso é bastante normal e usual encontrarem-se em pequenas estátuas dentro de casa.

Em relação aos animais vivos, dentro desta doutrina fascinante que é o Feng Shui, acredita-se que é de «bom-tom», ter pelo menos um aquário na zona de trabalho, porque se tratam de símbolos de riqueza.

Os peixes preferidos, são os dourados por se crer que aumentam a sorte e a fortuna. Aos peixes pretos, cabe a incumbência de ajudarem a proteger e, defender os «habitantes da casa» de pequenos crimes.

Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...

 

 

Texto de Sá de Freitas e Poema de Val Paladini

Obrigado meu Deus porque o Senhor vem colocado tantos amigos e amigas sinceras(os) e dedicadas(os) em meu caminho, como este Anjo em forma de mulher conhecida, em grande parte do Brasil, como VAL PALADINI.

Nem bem me refiz da emoção causada por Luiz Poeta (cujo nome também é citado no PPS ANEXO), e surge essa Fada maravilhosa massageando-me o coração, tão necessitado nesses momento preocupantes que estou atravessando.

Deus lhe pague Val pela homenagem, pela Formatação do PPS e pelo lindo título que me atribui. Embora sinta-me imerecedor de tanto carinho e atenção, quero lhe dizer que a amo com toda a intensidade do amor amigo que reina em meu coração.

Beijos fraternos.

Meu doce e terno Poeta...Sá de Freitas

Felizes são os que pela vida não passam em vão...

Felizes são os que deixam sua marca de amor e luz em sua caminhada...

Felizes são os que com seu coração transmitem amor, fé e compaixão...

Felizes são os que neste mundo deixam algo à ser lembrado...



Passar pela vida é atuar e não simplesmente viver e poucos são os

que não a passam em brancas nuvens!

Felizes são os que dão de sí em prol de um mundo melhor!

Felizes são os que com sua aptidão deixam contidos

no curso da vida sua passagem esculpida neste chão!

Sá de Freitas, você como Poeta e Escritor deixará seu legado

literário à posteridade após sua viagem ao Mundo Espiritual e há de

ser para sempre lembrado como homem letrado que poetizando

palavras de exemplos de amor, hinos serão soados no céu em seu louvor!

Sá de Freitas, muitos títulos você já possui e hoje aqui e agora, com muita humildade, mais um eu lhe dou...

«Poeta do Coração de Luz»

Val Paladini.