Pagª 21 - EDIÇAO NºXXV , IIIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes.
O PARNASIANISMO DE FLORBELA ESPANCA
(Continuação - ver Início)
De acordo com tais cânones, Bilac tornou-se o cinzelador dos sonetos talvez mais
perfeitos da língua, na tradição de Bocage, com decassílabos rigorosos, imagens
sóbrias, riqueza métrica, de suma elegância e sonoridade, que conquistam o
leitor sobretudo por se aliarem a um sensualismo ardente, óbvia impregnação das
teorias realistas.
Olavo Bilac
Língua Portuguesa
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela... (...)
Este poema de Olavo Bilac poderia muito bem ser emparelhado a alguns de Bocage,
pelo que achamos útil fazer aqui algumas referências a Manuel Maria Barbosa Du
Bocage, socorrendo-nos em primeira fonte de António José Saraiva e Óscar Lopes:
«(…) A arte versificatória (de Bocage) sobretudo o soneto, tem tido muitos
admiradores, entre os quais se destaca o parnasiano brasileiro Olavo Bilac. (…)
O que o distingue melhor é a matéria psicológica que traz pela primeira vez à
poesia portuguesa: o sentimento agudo da personalidade, o horror do
aniquilamento na morte. (…)»
De reparar aqui, a este tema voltaremos as vezes que tal se torne necessário,
que existe já neste iniciar de corrente psicológica, uma negação ainda que ténue
do regresso à terra (feitura em pó difundido pela religião) e a referência a um
desejo de imortalidade, que atravessa todos os séculos mas que aqui se reveste
de características muito específicas.
Não se aceita a ressurreição pura e simples do cristianismo imperante, mas sim
uma continuidade imediata da vida ainda que sob forma não física. O medo da
morte só existe se ela não representar algo que continua de forma imediata para
além dela, ou seja, um renascimento ainda que o processo implique uma redução
transitória ao nada. E esta problemática encontra-se expressa um pouco em toda a
escrita de Florbela Espanca ( especialmente nas suas referências à Fénix ).
Continuando com Bocage…«(…)Tal egotismo percebe-se ainda na maneira abstracta e
retórica com que, em nome da Razão, se revolta contra a humilhação da
dependência e contra o despotismo; no gosto do fúnebre e do nocturno, e nos
clamores não menos retóricos de ciúme, de blasfémia ou contrição…) Esse gosto
tão romântico do funéreo e tenebroso percorre grande parte da poesia de Bocage.(…)
Não se sabe em que medida isto é simples saborear de uma estética (dantesca,
shakespeariana, e, então, romântica) do locus horrendus que vira do avesso o
locus amoenos do pastoralismo clássico; em que medida o poeta é efectivamente
presa de uma obsessão irracional incontrolável, uma espécie de pavor sagrado à
procura de imagens; ou em que medida isso traduz uma ânsia, ao mesmo tempo
inextinguível e medrosa, de abarcar numa consciência humana todos os medos e
dores que ela, espontaneamente, evita, que ela mal enfrenta sem se desagregar.
(…) O egocentrismo de Bocage, manifestado em constantes vocativos a Elmano, ao
Desgraçado, em constantes pronomes na primeira pessoa, na sua confiança em
renome póstumo, no próprio auto-retrato do famoso soneto «magro, de olhos
azuis, carão moreno» e de outras poesias (…)»
Fazemos aqui referência a um aspecto igualmente recorrente numa parte substancial
dos poetas e autores desta corrente psicológica: O renome póstumo. Este aparece
talvez como a última forma possível de continuidade para além da morte, mas
seria demasiado fácil aceitar-se que o objectivo profundo de tal reclamação seja
exclusivamente ou só isso mesmo.
Vendo o Diário de Florbela do dia 24 de Janeiro de 1930 encontramos esta
referência:
«(…)O Diário de Maria Bashkirtseff é qualquer coisa de profundamente triste, de
tragicamente humano. Só não compreendo naquela grande alma o medo da morte. O
espectro da morte, a ideia da morte, apavora-a, espanta-a, indigna-a. É a sua
única fraqueza :«Il faudra donc mourir, misérable. Mourir ? J’en ai très peur…Et
je ne veut pas…Je veux vivre, moi, quand même et malgré tout…Mon corps pleure et
crie mais quelquer chose qui est au-dessus de moi, se réjouit de vivre, quand
même… »
Mas que imensa alma ! Queria o amor, queria a glória, o poder, a riqueza, queria
a felicidade, queria tudo. E morreu com pouco mais de vinte anos, gritando até
ao fim que não queria morrer.
Como não compreendeu ela que o único remate possível à cúpula do seu maravilhoso
palácio de quimeras, de ambições, de amor, de glória, poderia apenas ser
realizado por essas linhas serenas, puríssimas, indecifráveis, que só a morte
sabe esculpir?
Os seus vinte anos não chegaram a compreender o alto e supremo símbolo das mãos
que se cruzam, vazias dessa maré de sonhos que a vida, amargo fluxo e refluxo,
leva e traz constantemente.
Princezinha exilada, porque não soubeste tu murmurar, encolhendo os ombros, o
teu doce e sereno «nitechevo» de eslava?"(…)»
Contudo, o que se assiste aqui é a uma interpretação (provavelmente motivada por
edições pouco fiéis do Diário de Maria Bashkirtseff que só nos anos 60 deste
século foram devidamente depuradas) que realçam a chamada fase da recusa da
mesma artista confrontada com a tuberculose incurável na época, desvanecida esta
ideia por afirmações posteriores da mesma onde se nota, não propriamente um
elogio da morte (ou do estado de morte) como o faz Florbela, mas sim a uma
aceitação da inevitabilidade e o desejo de ficar conhecida (para além da morte)
quanto mais não seja através das afirmações contidas no seu diário. De qualquer
forma não deixa de ser sintomático que a observações de Florbela se debrucem
preferencialmente (com edição menos clara ou não dos Diários de Maria
Bashkirtseff) sobre este plano que lhe é tão caro, a morte familiar, a morte
familiarizada, a morte companheira.
«(…) Em Agosto de 1928, cerca de um ano depois da morte do irmão, Florbela
Espanca tenta suicidar-se. Segue-se uma segunda tentativa de suicídio em
Novembro de 1930. No dia 8 de Dezembro desse mesmo ano, no dia do seu
aniversário (já o seu casamento se havia realizado nesse mesmo dia) foi
encontrada morta num quarto em Matosinhos. Debaixo do colchão foram encontrados
dois frascos de Veranol, ou seja do farmáco que tomava para conseguir dormir
(…)».
Florbela fez assim duas tentativas conhecidas de suicídio e acabou por falecer
cerca de um mês depois da sua segunda tentativa de suicídio. Nos tempos modernos
a ideação suicida e a patologia que lhe estava agregada teria sido detectada por
qualquer médico ou psiquiatra.
Contudo também para Maria Bashkirtseff a morte não será nunca o nada…poderá sim
ser o pouco uma vez que ela nunca saberá que foi precisamente a publicação do
seu diário que a tornou conhecida muito para além da sua obra como artista.
(…)«Je meurs, c'est logique, mais horrible. Il y a tant de choses intéressantes
dans la vie!»
«À quoi bon mentir ou poser? C'est évident que j'ai le désir sinon l'espoir de
rester sur cette terre par quelque moyen que ce soit. Si je ne meurs pas jeune,
j'espère rester une grande artiste, mais si je meurs jeune, je vais permettre de
publier mon Journal qui ne peut être moins qu'intéressant». (…) In Diário de
Maria Bashkirtseff .
Contudo, e regressando a Olavo Bilac, o espírito e o cuidado da poética que
fundamenta o espírito e a prática do parnasianismo são declaradamente expressos
neste clássico a que sugestivamente é dado o nome de Profissão de Fé:
Profissão de Fé
Le poète est ciseleur,
Le ciseleur est poète.
Victor Hugo.
Não quero o Zeus Capitolino
Hercúleo e belo,
Talhar no mármore divino
Com o camartelo.
Que outro – não eu! - a pedra corte
Para, brutal,
Erguer de Atene o altivo porte
Descomunal. (...)
Ora, o parnasianismo, com o seu cinzelado formal e aparecendo como reacção ao
romantismo é, desde logo, uma estética de elite para elites, donde se destaca
desde logo também da poética de Bocage acusada, apesar do seu hermetismo formal
e temático, de se afastar o suficiente do elitismo formal ( caindo por vezes na
rua, que é, nesta época, o Romantismo ).
Florbela Espanca, não tão aprimorada como Bilac é, de facto uma cultora da
forma. Urbano Tavares Rodrigues aponta-lhe algumas rimas forçadas...mas os seus
versos, por exemplo, são todos decassilábicos o que não quer dizer muito mas
serve como exemplo da existência de algum rigor formal na sua escrita e serve
mesmo de informação sobre o facto de Florbela não sofrer de uma Depressão
bipolar ( vulgo maníaca - depressiva ). O rigor da forma é incompatível com esta
patologia...
Aliás, Nuno Júdice, referindo-se a este facto, ao formalismo Florbeliano, diz: «
Florbela adopta um modo de expressão, o soneto decassilábico, consagrado por um
uso que vai de Camões até Antero de Quental – o que torna tanto mais excepcional
o seu caso, uma vez que ela consegue, de facto, revitalizar esse género
poético.»(…)
Contudo, torna-se para mim evidente que Florbela sendo Parnasiana pela forma, nada um muito pouco tem de facto com a envolvência psicológica dos parnasianos.
Desenganem-se os que acham que os animais ditos «selvagens» só vivem nas
florestas, savanas ou parques naturais. Jardins zoológicos, também é
certo que os albergam, mesmo sem se importarem que para o efeito, os
«bichos» possam estar contrafeitos. Mas que bem presentes fisicamente,
lá isso, bem estão! Sim, é certo!
Mas, e se magicamente, sem necessitarem de estarem presentes de forma
física, animais vivessem tranquilamente na casa de cada um de nós?
Incrédulos?
É de facto verdadeiro, bastando para tal deixarem entrar nas vossas
casas, o Feng Shui, «o tal vento, a tal água» e preparem-se para serem
felizes! Deixem pois a saúde, abundância e felicidade controlar, dominar
a vossa vida e… depressa contaminarão todos os campos do vosso ser e da
vossa vida.
Conhecido pelo modo como a disposição dos móveis, cores e objectos podem
influenciar na tranquilidade e equilibro zen de cada um de nós, vós,
vários são os animais que podem, devem e contribuem para a tão
ambicionada tranquilidade do lar.
Os dois juntos, simbolizam para os habitantes de uma casa, felicidade,
prosperidade, saúde e abundância. Os dois juntos, reforçados com a
presença de colinas sob a forma do famoso pássaro mítico, simbolizam o
renascimento com incitamentos à paz, harmonia e o auto-sacrifício.
Colocado a sul da casa, o tal Fénix Vermelho, com capacidade de arder e
voltar a erguer-se de novo das cinzas, juntamente com uma Tartaruga
Preta a norte do domicílio, nada nem ninguém deterá a felicidade dos
ocupantes da casa. Sem dúvida, ouro sobre azul!
Já no interior e, de frente para os ocupantes, a mesma águia, pode-se
virar contra os incautos habitantes. Se ao invés, de uma protectora
tartaruga se tratar, sabedoria, estabilidade e longevidade, bem
transmitem.
Quando a outros animais contemplados, os morcegos, que vivem pendurados
de cabeça para baixo, são considerados altamente inteligentes por se
acreditar que observam o mundo de uma perspectiva totalmente diferente.
Por sua vez, acredita-se que as borboletas contêm almas de pessoas que
morreram recentemente e que por tal, simbolizam a vida eterna, a alegra
e a felicidade.
Já o grou, cria um símbolo gracioso de pureza, honestidade, justiça e
longevidade. Quanto ao elefante personifica a fidelidade, mas a
protecção fica ao cargo dos leões, tigres e ursos que por isso é
bastante normal e usual encontrarem-se em pequenas estátuas dentro de
casa.
Os peixes preferidos, são os dourados por se crer que aumentam a sorte e
a fortuna. Aos peixes pretos, cabe a incumbência de ajudarem a proteger
e, defender os «habitantes da casa» de pequenos crimes.
Texto de Sá de Freitas e Poema de Val Paladini
Obrigado meu Deus porque o Senhor vem colocado tantos amigos e amigas
sinceras(os) e dedicadas(os) em meu caminho, como este Anjo em forma de
mulher conhecida, em grande parte do Brasil, como VAL PALADINI.
Nem bem me refiz da emoção causada por Luiz Poeta (cujo nome também é
citado no PPS ANEXO), e surge essa Fada maravilhosa massageando-me o
coração, tão necessitado nesses momento preocupantes que estou
atravessando.
Deus lhe pague Val pela homenagem, pela Formatação do PPS e pelo lindo
título que me atribui. Embora sinta-me imerecedor de tanto carinho e
atenção, quero lhe dizer que a amo com toda a intensidade do amor amigo
que reina em meu coração.
Beijos fraternos.
Sá
Meu doce e terno Poeta...Sá de Freitas
Felizes são os que pela vida não passam em vão...
Sá de Freitas, você como Poeta e Escritor deixará seu legado
«Poeta do Coração de Luz»
Val Paladini.
VER E SENTIR
Cristina Maia Caetano
(XXV)
Simbolizando formas de relevo importantes na criação de bom Chi, o macho
Dragão Verde de aspecto benevolente, fornece energia yang e pode indicar
o formato de uma colina, ou então pode mesmo ser a fêmea Tigre Branco,
que não obstante o seu aspecto feroz fornece energia feminina yin.
Se o relevo se tratar de umas rochas salientes,… então, pode tratar-se
de uma ave de rapina como a águia, que colocada no exterior da casa
protege-a de prejuízos.
Em relação aos animais vivos, dentro desta doutrina fascinante que é o
Feng Shui, acredita-se que é de «bom-tom», ter pelo menos um aquário na
zona de trabalho, porque se tratam de símbolos de riqueza.
Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza
que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...
Felizes são os que deixam sua marca de amor e luz em sua caminhada...
Felizes são os que com seu coração transmitem amor, fé e compaixão...
Felizes são os que neste mundo deixam algo à ser lembrado...
Passar pela vida é atuar e não simplesmente viver e poucos são os
que não a passam em brancas nuvens!
Felizes são os que dão de sí em prol de um mundo melhor!
Felizes são os que com sua aptidão deixam contidos
no curso da vida sua passagem esculpida neste chão!
literário à posteridade após sua viagem ao Mundo Espiritual e há de
ser para sempre lembrado como homem letrado que poetizando
palavras de exemplos de amor, hinos serão soados no céu em seu louvor!
Sá de Freitas, muitos títulos você já possui e hoje aqui e agora, com
muita humildade, mais um eu lhe dou...