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Pagª 14 - EDIÇAO NºXXV , IIIº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


AGUAS DAS CHUVAS, Por Sandra Fayad (Continuação - Ver Inicio)

Não é uma maravilha ter um sisteminha assim, simples e eficaz?

Ainda mais se considerarmos que o volume de água doce própria para o consumo humano é mínimo em relação ao total de água existente no Planeta.

Além disso, dados estatísticos indicam que, nos últimos 50 anos, a qualidade da água piorou consideravelmente, devido a alguns fatores como maior concentração populacional em áreas urbanas e processos de alta industrialização no campo e nas cidades.

Atualmente, grandes centros urbanos, industriais e áreas de desenvolvimento agrícola com alto nível de utilização de adubos químicos e agrotóxicos já enfrentam a falta de qualidade da água, o que pode explicar a volta de epidemias já erradicadas e o aparecimento de novas doenças de pele, alergias, dengue e outras de difícil controle por parte das autoridades sanitárias e da própria população.

Vejam como tudo acontece:

Na área urbanizada, ao utilizarmos água, seja para uso doméstico ou para fins industriais, geramos resíduos, que por sua vez geram algum tipo de poluição. Um exemplo bem comum é a contaminação por escoamento de águas das chuvas. Decorre da própria urbanização (calçamentos e colocação de pisos impermeáveis fáceis de limpar).

A conseqüência é que, como a água das chuvas não é mais absorvida pelo solo, segue seu curso arrastando o lixo das ruas e dos lixões a céu aberto, os detritos de esgotos e produtos químicos, carreando tudo para os mananciais e subsolo, de onde retorna ao consumo provocando as doenças.

Portanto, a poluição da água traz inúmeros prejuízos a saúde, em contrapartida ao conforto obtido pela edificação de residências «marmorizadas».

Segundo a Arquiteta e Urbanista, Cristiana dos Santos Braga, nos países em desenvolvimento, estima-se que 80% das doenças sejam disseminadas por água poluída. Agentes causadores de doenças infecciosas são facilmente transmitidos pela água contaminada por fezes humanas ou de outros animais.

Diz ainda a Arquiteta que a poluição «...por águas de infiltração pode ser bastante perigosa, uma vez que vão para os aqüíferos (¹) subterrâneos, causando uma série de conseqüências drásticas para a população que faz seu uso e para o meio ambiente. As fontes de poluição de águas subterrâneas em um meio urbano podem vir de:
- Fossas;
- Vazamentos de redes de distribuição de esgotos;
- Depósitos de lixo a céu aberto ou aterro sanitários;
- Práticas agrícolas: fertilizantes e pesticidas;
- Vazamentos de canalizações e armazenamento de produtos químicos;
- Despejo de lodo de esgotos no solo;
- Deposição e infiltração de poluentes atmosféricos;
- Intrusão de água salgada;
- Derramamentos acidentais de produtos nocivos;
- Infiltração de águas de escoamento superficial;
- Cemitérios».

Acrescenta ainda: «Esses resíduos poluentes podem resultar na percolação (²) de microorganismos patogênicos, podendo alcançar os aqüíferos e prejudicando o seu uso para diversos fins. Um aspecto importante a se considerar no processo de infiltração da água são as fraturas em rochas consolidadas, que podem permitir a penetração do líquido a grandes profundezas ou distâncias.» Como vimos, as águas das chuvas podem significar o oposto do que delas esperamos, se não pararmos com a geração descontrolada de lixo, especialmente nas áreas urbanas e industriais.

Com criatividade, determinação e capacidade de convencimento, poderemos fazer muito. Portanto, mão à obra!
«Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado. É um hábito.» (Aristóteles)
(¹) que contém água
(²) filtragem

Fontes:
1. Manual Live Earth de Sobrevivência ao Aquecimento Global, de David de Rothschild – Editora Manole
2. Monografia de Cristiana dos Santos Braga
3. http://www.ana.gov.br/

 

Mulher

Francis Raposo Ferreira

Uma roupa provocante
uma mulher ousada
uma noite escaldante
uma lingerie guardada.

Uma mulher maquiada
uns lábios bem pintados
uma unha bem arranjada
uns cabelos bem penteados.

uma mulher perfumada
uma atitude arrojada
uma orgia anunciada
um fazer do tudo nada.

Quem poderá resistir
a uma mulher destas.
Só quem não conseguir
compreender a alma dos poetas.

 

História da minha Vida

Sandra Fayad

Desenhava meus primeiros passos independentes;
Em preto e branco, despontava minha foto radial.
Se foram múltiplos os cuidados dos antecedentes,
Agora somava às minhas fantasias, o mundo real.

Vinham primos e amigos compor como os irmãos.
Sob paramentos, legislava a igreja da cor de moral.
Doença e pecado se confundiam como mini-grãos
Entre a terra e o céu, na singeleza do torrão natal.

Desembarcavam livros, música, moda, cinema;
Nas lambretas desfilavam calças boca-de-sino
Com mini-saias na garupa, a declamar poema,
No ritmo do rock-in-roll, apelidado de Desatino.

Assinalava a aquisição de responsabilidade
A competência para ensinar: Professora,
Temperada com casamento e maternidade,
De preferência especializada em panificadora.

O futuro não podia ser só isso: havia mais!
Economia, na moda, informa nas entrelinhas;
Mulheres podem tanto quanto...São iguais!
Crédito Educativo é solução para as continhas.

Apear no Tcu e aportar no Bacen - era importante
Garantir casa, estudo e comida às novas gerações;
Conhecer, participar, contribuir, seguir avante!
Traçar metas, labutar e vencer como milhões,

Sem pisar nas flores ou comer terra no caminho,
Sem arriscar mais que o necessário para chegar,
Sem derrota por vaidade ou vitória do «eu-sozinho»,
Sem aplausos efusivos ou ostracismo domiciliar.

Glória é ver através das janelas do meu sobradinho
Mini-canteiros de ervas e flores sob a mangueira,
Tomando seu banho de sol filtrado em desalinho;
Glória é digitalizar uma poesia sobre a vida inteira.

Sucesso é ver duas gerações passar pelos caminhos,
Nas mesmas trilhas que minha geração desbravou,
Sem desconfiarem as mocinhas e os rapazinhos
Que suas conquistas são antigas: alguém as sonhou.

(Poesia inspirada na minha neta Mariana: 1º lugar no vestibular da UNB para o curso de Enfermagem e Obstetrícia)
Bsb, 13/07/2007

 

 


Metodologia do Ensino do Português

 

Por Arlete Deretti Fernandes

 

 

Metodologia do Ensino do Português

1. Objectivos da Proposta Curricular de Santa Catarina

.Desenvolvimento do Potencial criativo do Aluno.
(garantindo a permanência dele na escola)

.Socialização do Conhecimento.

.Encontrar lugar social para trabalhar e viver dignamente

.Reflectir sobre o Processo Educacional Interdisciplinarmente.

(Específicos da área de estudos da linguagem e Língua Portuguesa).

2.Orientação Teórica

O quadro teórico-filosófico.

A linguagem humana pode ser encarada como fenômeno psicológico, e como mediadora da formação do pensamento em suas funções mais complexas. (funcionamento social).

Vygotsky foi fundador de uma nova psicologia baseada na filosofia do materialismo histórico.

Preocupações: buscar um enfoque adequado para abordar as funções psicológicas complexas (memória voluntária, imaginação criativa e solução dos problemas abstratos).

Foi pesquisando essas funções superiores que Vygotsky hipotetizou como propriedade elementar da consciência humanao conceito de mediação.

Para Vygotsky existia uma base reflexa no comportamento dos homens e dos animais, contudo desejava encontrar a especificidade dos processos psicológicos humanos. (recusa do behaviorismo).

Em 1924, Vygotsky e Luria começaram a trabalhar através de elos de mediação, as conexões indiretas entre os estímulos recebidos pelo homem e as respostas emitidas.

Conceito de Mediação

- é dirigido aos processos de desenvolvimento mental da criança e associado sempre à linguagem em um processo sócio-histórico.

Sendo assim: é fazendo sentido que a linguagem opera sobre o sujeito fornecendo-lhe uma imagem da história de sua sociedade.

Luria desenvolveu a partir de Vygotsky, (através de pesquisas experimentais), que a estrutura do pensamento depende de como se organizam as formas de atividades dominantes,(linguagem verbal), em culturas diferenciadas.

Para os dois teóricos os processos cognitivos básicos tinham raízes sócio- históricas. Acentua o importante papel da linguagem dos adultos na aprendizagem da criança. (elementos mediadores).

Elementos mediadores na Formação da Criança

Através destes elementos, a criança:
. reavalia o comportamento do outro.
.desenvolve novas respostas categoriais e emocionais.
.aprende a generalizar
.adquire traços de caráter.

Por sua vez, Bakhtin, constrói uma filosofia da linguagem subordinando a psicologia à perspectiva sociológica, contribuindo para a discussão da abertura de um novo caminho para a psicologia.

São instrumentos psicológicos (hipótese da mediação de Vygotsky): - a língua, fórmulas de numeração e cálculo, mecanismos mnemônicos , simbolismos algébricos, obras de arte, escrita, esquemas, diagramas, mapas, desenhos e todo
tipo de signos convencionais que são criações artificiais da humanidade, portanto, elementos culturais.

São elementos que vêm de fora, mas que se desenvolvem internamente, (internalização), porém com a maturação da mente vão se tornando desnecessários. A consciência só se forma nesse processo, Vygotsky não admitia uma consciência associal.

O aspecto lingüístico dos estudos de Vygotsky, levaram os lingüistas a investir num trabalho interdisciplinar.

O Método sociológico, (Bakthin): análise de vários aspectos das línguas, incluindo sintaxe, as formas discursivas e teoria do texto.

O impasse da relação entre pensamento e linguagem: contrário aos estudos que consideravam que o pensamento se reduz à linguagem interna, a metodologia histórico genética de Vygotsky levou-o a considerar que a linguagem é um instrumento psicológico que age de forma mediada no estágio precoce do pensamento. (ou seja de atividade prática). O resultado desse caráter mediado é o pensamento
verbal.

O ponto de vista ontogenético, (linguagem em voz alta – murmúrio- linguagem interior), proporcionou uma polêmica entre Vygotsky e Piaget.

Para este, a primeira fase da Linguagem da criança é egocêntrica ou associal, que desaparece com a socialização.

Vygotsky contrapõe, afirmando que a linguagem é social desde sua origem e a linguagem egocêntrica não desaparece mas se interioriza, funcionando como importante instrumento do pensamento, (mediação).

Esta hipótese, confirmada em muitas pesquisas, centralizou sua metodologia nos processos de generalização. Com este novo avanço teórico, os instrumentos psicológicos que ajudavam na tarefa de processar a generalização tornavam-se elementos nos quais as crianças davam significado, (valor), porque encontravam a resposta à questão que lhes era colocada.

Para Vygotsky estes estímulos se chamavam signos, estando neles o atributo de ter significados.

A teoria Vygotskyana teve um salto qualitativo pela sua forte cultura humanística, possibilitando o conhecimento de semântica e semiótica.

Assim, Bakthin também atinge o mesmo terreno, sendo suas teses amplamente usadas, por exemplo no campo da educação. Para Vygotsky é fundamental a formação de conceitos na idade de transição da infância para a adolescência.

O conceito é um sistema de apreciações. Para a lógica formal os conceitos reúnem uma série de traços pertencentes a objetos diferentes de outro ponto de vista.

Exemplo: martelo, pá, serra, faca, se representam através do conceito de ferramenta, que corresponde à generalização efetuada a partir das características daqueles objetos.

Vygotsky considera essa operação enriquecedora, dando uma visão mais completa dos objetos consideradas, visto que relacional. Quanto mais amplo o conceito, abarca um número maior de objetos e estabelece conexões com outros
objetos.

Dessa forma Vygotsky diz que se reconhece para um objeto seu lugar no mundo, desenvolvendo-se daí uma concepção de mundo. Nessa transição, as operações marcam profundamente a formação da consciência.

Esses conceitos são pensados pela criança a partir de outro sistema de pensamento chamado por Vygotsky de conexões complexas, porque são ordenadas, concretas, relacionadas com o objeto cuja mediação se faz pela memória.

O conceito diz respeito à formação da personalidade, à auto-consciência, à concepção de mundo.

(Continuação)