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Pagª 7 - EDIÇAO NºXXV , IIIº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


Maria do Mar

Conto de Armando Sousa

Existem promessas que não se podem cumprir : eu prometi-vos um capitulo em que  iria ver a gente da ilha perdida. Por muito que pensasse ao deitar-me, na minha amiguinha sereia Tifa; ela nunca me veio buscar ao meu sono para viajarmos e ir visitar os habitantes cientistas que se refugiaram nesse esconderijo, para a sós, concretizar suas invenções, sem medo das ameaças da KGB ou da FBI.

Hoje, depois de alguns meses deitei-me junto de minha esposa com a promessa de a deixar sossegada, dormindo. Logo que disse adeus, aos últimos sons da noite, estremeci e cai num recanto muito aprazível junto ao mar... entre aquelas dunas de areia quente havia um Painel dizendo... «Recantinho das gaivotas lindas...»

O mar ficava a uma corridinha de prazer... nessa corridinha tropecei num corpo. Dormindo....mas que beleza ali sozinha, tendo como guardião o mar, só ele e sua espuma podia abarcar tanta doçura; pele da cor do mel, e lábios como duas cerejas... beleza afrodisíaca.

Caí; fiquei de cabeça quase beijando seus pés e ao levantar-me com dificuldade. Meus lábios ainda tocaram naquela pele macia e tremula que me ajudou a levantar.

Ficou espantada, olhando para mim, e disse, já te vi em fotografias, eras mais velho, mesmo assim foste um desejo de te beijar e abraçar... assim os dois rolámos até ao mar ficando cobertos por um manto de espuma e de desejo.

Por um momento agarrei seu rosto e disse nunca vi tua fotografia, mas eras aquela que eu pintava naquelas noites de conversa em que tu desvendavas toda a tua vida.

Tu és a Judite; aquela que vivias na minha poesia, és a poeta que nunca fez amor, mas contas a tristeza por nunca viveres com ele... és aquela que os homens não conhecem o açúcar de teus lábios, desconhecem o calor de tuas entranhas, a loucura da lava que brota do vulcão de teu ser; cheia de amor; és tu, aquela que tua verdade cobre o homem de desejo ao saber que a virgindade do amor nunca de ti saiu...

O mar cresceu num rugir mansinho, uma onda gigante lavou a espuma de nossos corpos, muito perto dos penedos onde as algas marinhas, vinham se espernear para depois encher a praia de fé. Elas lavavam tantas vezes males incuráveis, os maiores feitos em chá de saudades.

Apareceram então duas baleias (balugas) branquinhas. Puxando uma couraça de enorme tartaruga que fazia parte dos monstros lendários que tanto medo faziam aos valentes marinheiros Portugueses naquele tempo em que eles venceram o medo do Adamastor e chegaram às costas das lindas terras Brasileiras.

Na couraça vinham a guarda real do rei dos mares Iao e sua bela rainha Aqualia.

6 golfinhos guinchando apareceram com a formação nobre dos cavalos lusitanos, com eles um enorme búzio que servia de carruagem e aposento das três princesas marinhas que tantas vezes me têm levado a ver os estragos dos humanos nas profundezas do mundo marinho.

Aquele «Cantinho das gaivotas» vai ficar embelezado para sempre no ser de meu sonhar... esse cantinho viu a grandeza do rei Iao e seu enorme palácio, que serviu de casa a grandes animais marinhos que os humanos têm destruído com seus contentores cheios de carcaças de vacas loucas e resíduos nucleares que matam a natureza marinha fazendo-a dar os seus urros transformados em tsunamis.

Essas três princesinhas disseram; tudo sabemos, porque os nossos mares não têm fronteiras e todos falamos a mesma língua...Mostramos o quanto estamos zangadas com vocês, encharcando-vos vossas terras...

Mas choramos, porque são sempre os mais fracos a sofrer. A princesinha Mida pondo seus cabelos no colo da minha sonhada Judite, disse: Tantas vezes te vejo chorando na tua janela, olhando o mar, que me apetece como um arcanjo pegar em ti e levar-te para a montanha ou para as falésias junto aquele grande rio onde belos homens montados em lindos cavalos lusitanos com suas varas guardam os touros puro sangue, mas desejando encontrar a mulher de seus amores...

Um dia Judite, um dia... também pegarão em mim... disse eu enquanto o búzio de Mida mergulhava nas profundezas do mar.



 

Tu, leitor da minha poesia

Denise Severgnini

Rascunho-te algumas letras bordadas de sentimentos
Como melodias em retretas de bucólicas nostalgias...
Escrevo-te com a alma desenhada em pensamentos
Como exultações em contentos de boas alegorias...

Rabisco-te minhas emoções livres de metodologias
Como pássaros em aladas viagens de reconhecimentos
Rascunho-te algumas letras bordadas de sentimentos
Como melodias em retretas de bucólicas nostalgias...

Tu, leitor da minha poesia, sem comprometimentos
Submerge em meu poético cerne, minhas fantasias
Viaja nas loucuras tantas, até nos meus “iletramentos�
E saibas que escrevo por precisão e por minhas alegrias
Rascunho-te algumas letras bordadas de sentimentos!


Indedeciso ...cansada, sem muita inspiração...
Denise Severgnini

 


Coluna de Denise Severgnini


A SEMENTE ESTA GERMINANDO

Sou professora por formação, opção e amor à profissão, não necessariamente nesta ordem de importância. Como válvula de escape, eu pinto quadros, escrevo poesias, faço crochê, dedico-me à informática entre outras coisas.

Em minhas andanças pelas escolas municipais de novo Hamburgo, em 2002, fui para na Escola Municipal Rui Barbosa, mais tarde anexada à Escola Municipal de Ensino Fundamental Pres. Washington Luiz.

Estou escrevendo todas estas informações para situar o querido leitor.No referido ano, tive uma classe de terceiro ano, alunos entre oito e nove anos.

Quando se é professora por currículo de atividades, lecionamos todas as disciplinas.   Assim sendo, uma professora formada em Ciências e Matemática, virou uma faz tudo. Que desafio!

Minha primeira idéia foi a de que estes pequenos precisavam aprender a pensar, interpretar e saber expressar-se. Dei muita ênfase à produção de textos, deixando a gramática um pouco em segundo plano.

Foi assim que surgiram os Meninos Escritores do Brasil, que podem ser lidos no site A Aventura de Ilona Bastos.

O ano de 2002, passou e os meninos foram para o quarto ano, onde continuei professora deles, só que nas disciplinas de Ciências e Matemática. Tentei nestas disciplinas incentivar a produção de textos, mas tornava-se um pouco difícil, devido ao caráter das disciplinas.

Em 2004, continuei com a mesma classe, estão no quinto ano (coitados têm que me engolir!). Leciono a eles Língua Portuguesa, matemática, Ciências e Artes. Finalmente, consigo incentivá-los à produção textual, seja prosa ou verso.

Há duas semanas, expus aqui no site, poemas dos meninos sob o título de Poesia Inocente.
Tive o maior presente da minha vida como professora. Uma aluna, Luana Petersen Gomes, chegou pertinho de mim e disse:

Professora, eu escrevi para ti! – entregando-me uma folha de caderno bem dobradinha. Como era hora do recreio, abri a folhinha e li o seguinte:

Balançando

Balançando, balançando
Diz a menina
Que gosta de balançar

Balançando, balançando
Diz a menina:
- Pois eu gosto de dançar.

Balançando, balançando
Diz a menina:
- Pois eu gosto de pintar com lápis de cor.

Balançando, balançando
Diz a menina:
-Gosto de pintar a palavra amor.

Balançando, balançando
Diz a menina:
- Pois eu gosto de colorir.

Balançando, balançando
Diz a menina:
- Pois eu gosto de sorrir.

Depois de ler, eu estava muito emocionada. Procurei a menina e perguntei a ela sobre o poema. Ela disse-me;
_ Professora, eu estou aprendendo a gostar de poesias contigo. Tive vontade de escrever e comecei. Esta é a terceira que faço. São todas para ti!

A semente plantada há tempos atrás, começou a germinar.


O ANJO E A ROSA

Anjo:
Ser espiritual
Que exerce
O ofício de mensageiro
Entre deus e os homens.

Rosa:
Flor da roseira;
Mulher bonita;
Cor de beleza infinita.

A flor despertou chorosa
O sol que lhe dava a vida
Escondeu-se de maneira indevida.

Que fazer ante tal sofrimento?
Mas, surge-lhe um pensamento...
A resposta está no firmamento!

A rosa dobrou seus joelhos
E foi pedir conselhos
Ao ser celestial...

O anjo que de tudo já sabia
Mesmo assim fez que a ouvia:
_ Anjo querido, atenda o meu pedido,
Perante o sol sumido...
Careço proteção!

O anjo logo atendeu
E ao sol que se escondeu
Foi dar a ordem celeste:

_ O sol volte a Terra,
Pois a rosa em desespero
Carece sobreviver
Sem tua luz, tua energia...
A bela pode fenecer.

Assim foi dito e feito
O sol amanheceu...
A rosa tinha esquecido
Que o sol adormeceu!