Um mergulho no tempo
Do vinho tinto, á saudade
Do cravo em flor, o botão
Dos olhos da cobra verde
As lágrimas do coração.
Nos densos galhos, o orvalho
Na noite o medo, o trovão
Caminho por sobre pedras
Converso com a solidão.
Ouço o cantar da passarada
Apregoando o romper do dia
Em mechas os meus cabelos...
Rebelam-se em nostalgia.
O mar, meu cofre secreto
Refúgio de paz, a minha luz
A ele me curvo, e confesso-me
Como aos pés da santa cruz.
De sonhos e de esperanças
Dou vida, a minha fantasia
Absorvo os meus pesadelos
Preencho a alma vazia.
E logo me vem á lembrança
O que se foi, e não mais volta
E assim mergulho no tempo
E vejo que não estou morta.
Autora: Pequenina
NEVOEIRO DO INEXISTENTE
Sá de Freitas
A espionar o passado inutilmente,
Entendo o quanto é tola a minha busca,
Por algo morto que o impossível ofusca,
Com o nevoeiro do inexistente.
Tudo é cinzas que, num recipiente
De lembranças, provocam-me a brusca
Chegada da saudade... E a minha mente
Ingenuamente os bons momentos busca.
Mas há ressurreição de maus momentos,
Que marcaram de dor e sofrimentos,
Grande parte do tempo que vivi.
Mesmo assim quando os lembro, de repente
Sinto maior prazer no meu presente,
Por ver que - por sofrer - lutei... venci.
Dia de Santo António
Maria da Fonseca
No candelabro da Igreja
Vi a chama adelgaçar-se,
E a jovem paroquiana,
Ao meu lado, a ajoelhar-se.
.
Nesse dia dedicado
Ao patrono português,
Entreguei-me à oração,
A rogar mais uma vez.
.
«Admirável Santo António,
Recomendai meu pedido
A Deus Filho muito Amado,
Para me ser concedido.
Quero elevar a minha alma
Com a luz bruxuleante.
Dizer-vos do meu fervor
Minha espera suplicante.
Sempre me ouvistes, meu Santo,
Desde moça me ajudais.
Agora que sou avó,
Não creio que me deixais!»
Sinto que a chama me anima,
Símbolo da nossa Crença.
E com fortaleza aguardo
O sinal dessa Presença!
Pagª 11 - EDIÇAO NºXXV , IIIº NUMERO DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes.