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Pagª 19 - EDIÇAO NºXXV , IIIº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.           



Coluna

     
      Antônio Carlos Affonso dos Santos.

          ACAS, o Caipira Urbano.



Maturidade e perda de ambições

Prosa Debaixo D´água e Sob o Frio

São Paulo, 19 de setembro de 2008

Caro Teixeira,

Estava aqui, cismando com meus botões, sobre a insustentável leveza do ser, não do Kundera escritor, mas da ética do povo brasileiro, tão bem representada pelo mandatário Withoutfinger. Levar vantagens, blefar, mentir, fazer-se de desentendido, são regra, especialmente dos políticos.

Ainda ontem em improviso «de lascar o cano», nosso mandatário elogiou a companheira Yourself, como pessoa apta a assumir a presidência da república. Ela, que tem no currículo a luta contra os desmandos, já assumiu publicamente que mentiu, quando interrogada no antigo DOPS, porque senão alguns amigos estariam em maus lençóis. Quando questionada sobre levantamentos da polícia federal sobre o Banco Oportunity, ela disse que não sabia de nada. Penso eu que ela poderia estar mentindo de novo; pelo mesmo motivo de proteger companheiros; porém dessa vez sem nenhum gesto digno, pois a dignidade agora vagueia pelas ruas e ruelas de nosso país continente, porém só nas casas das pessoas do povo.

Hoje, um frio gauchesco tomou São Paulo de assalto, desde cedo. Nove graus Celsius e úmido, é frio pra lascar. Próximo do estacionamento onde deixo minha máquina possante de um-ponto-zero, o morador de rua que conheço há dezoito meses, dorme tranqüilo sob a marquise do «Palácio dos Empregos», deitado sobre papelões e coberto por um cobertor ralo, o «corta-febre», como se diz nos rincões caipiras. Olho a placa com o nome do belo edifício (que nosso alcaide não conseguiu retirar) e para o mendigo. Sinto pena do rapaz; muitas vezes vejo-o duelando verbalmente com ele mesmo, com denúncias, réplicas e tréplicas (imagino o Afrânio Garcês, descendente do imperador do Acre, na tribuna Vitoriana).

O interlocutor é invisível para mim; porém o pobre olha fixamente na parede revestida de vidro, onde uma gota de água, oriunda da condensação do vapor, provavelmente exalado de seus próprios pulmões, parece chorar a tristeza dessa vista esdrúxula e comovente. Ando nada mais que cem metros e estou em plena Avenida Paulista, coração e artéria econômica da América Latina, neste dias de Lehan Bank e AIG Securities quebrando aos pedaços nos EE. UU. e ameaçando-nos a nos levar de roldão . Meus ralos e raros cabelos, estão cobertos de finas gotas de neblina. O frio sopra forte. Não vejo uma réstia de sol. Lembro os gaúchos «lagarteando-se» docemente sob o sol, com seus ponchos e bombachas.

Ah, amigo Teixeira; como seria bom o mundo sem pobres miseráveis e sem ricos miseráveis, sem políticos com intuitos miseráveis e sem chefes de escritório de projetos miseráveis, como os meus. Ah, a insustentável leveza do ser......

Acas


Porto alegre, 15 de setembro de 2008

Bom-dia amigo Acas,

O noticioso da Rádio Gaúcha dá conta da destruição que aflige o Estado atingido pela tempestade causada por ciclone extratropical. Falam que milhares de pessoas perderam suas casas e pertences, e que a chuvarada é tanta que até sapo está morrendo afogado. É a novo clima do sul: ciclones, furacões, microexplosões e tornados.

Mas não esquente, a gente amansa eles primeiro e só depois manda pra vocês aí do Brasil de cima.

Neste momento (8h45min) voltou a anoitecer aqui em Porto Alegre. Semáforos apagados ou pisca-piscando o amarelo, o que deixa o trânsito de veículos quase parado no centro da cidade onde normalmente já é caótico.

Sempre nestas horas aparece um motorista bagual para ostentar sua macheza. Dirige em ziguezague, coiceando os mais lentos e prudentes, para posicionar-se a frente dos demais. Estriba-se nos valores éticos e morais vigentes «nessepaíz»: esperteza e levar vantagem.

A tormenta que agora desaba sobre a cidade é daquelas que faz saltar tampa de bueiro brotando pela tubulação o esgoto pluvial ao revés. Pois num gêiser desses que vemos da janela do meu gabinete tem um candidato a vereador do lado de fora do seu carro todo pintado de propaganda política. Enfiado até os joelhos dentro d’água, o tal gaudério faz tempo que peleia para desencravar uma roda dianteira do buraco. Em vão. Além de ter que esperar baixar a correnteza vai precisar de ajuda do povo que a tudo assiste num misto de curiosidade e torcida, do contra é claro.

Inutilmente ele tenta parar algum motorista solidário. Ninguém pára, mas não o ignoram de todo. Respondem com buzinadela e mais marola.
Eu hein!?
Aqui do alto de casa, sob proteção de São Miguel à esquerda e a direita, à frente e atrás, em cima e embaixo, agradeço por estarmos em segurança, secos e abrigados.

Pensei comigo, e o Billy latiu concordando, que devíamos dar notícias nossas e da querência.

Forte abraço,

T.S.Junior

 

 

                         
                         Por: Cecílio Elias Netto

(Por especial gentileza do autor)

Um dos resultados de se ir adquirindo experiência e maturidade, conforme se vai alongando a vida, está na perda de certas ambições. A pouco e pouco surgem desinteresses mesmo que sejam realidades que anteriormente pareciam ter muita ou grande importância.

Incluo, nisso, também ideais. Alguns, mais abrangentes talvez por serem universais -permanecem. Outros, quase todos, específicos ou determinados, vão-se embora.

Ideais políticos, por exemplo. Eles vão se perdendo, acabando, de decepção em decepção, à medida que se vai compreendendo a política como um milenar jogo de poder, não de sonho aristotélico tomista, utópico, de «bem comum».

O fantástico da juventude está justamente em sua falta de experiência, o que lhe permite, portanto, todos os riscos e sonhos. E a vontade de mudar o mundo, simplesmente de mudá-lo, mesmo que não se possa entendê-lo nesse tempo da vida. Querem-se mudanças, não importam quais.

Então, um belo dia depois de tanto decepcionar-se, de ir aprendendo com fracassos e quedas – se descobre que, realmente, quanto mais se mexe mais tudo se torna igual. Mas é bom aventurar, ir em busca, aprender com erros, com quedas, com decepções e fracassos.

Entendo, hoje, que não há outra maneira de aprender ou, pelo menos, se chegar a um estágio em que se pode estabelecer uma escala de prioridades, uma hierarquia de valores.

Se não houver, antes, a aventura, a busca, o bater - cabeça, creio que nunca se alcançará a maturidade, esse tempo de desinteressar por tantas coisas e de encontrar interesses em outras que pareciam tão pouco importantes.

O fato é que a experiência de vida tem esse custo ou esse prêmio: causa desinteresse, sepulta muitas ambições.

Lembro-me – e já escrevi sobre isso - do que eu dizia a meus filhos, quando eram crianças ou adolescentes: a lição está no sinal de trânsito. Uma pessoa madura, numa estrada, quando vê o sinal de desvio, de variante, desvia. O jovem não acredita no sinal, vai em frente e, diante do transito interrompido, volta. Trata-se do ver para crer ou daquela certeza de que, se algumas coisas tem sido impossíveis para todos em todos os tempos, para o jovem é possível.

Quando percebe e descobre que há, na vida, o que não é possível fazer, eis a maturidade chegando. E, com ela, o surgimento de outros interesses, essa descoberta maravilhosa, por exemplo, da planície, do anonimato, da paz na alma.

Escrevo isso por causa de um jovem que insiste para que eu volte a lutar politicamente, a participar. “Você desanimou.� – fala ele. Não, não foi desanimo. Trata-se de constatação: não há soluções coletivas. Mas pode haver uma resposta pessoal.

E bom dia.

Pode comentar este texto carregando no seguinte link da Província de Piracicaba: Comentário.


Cecílio Elias Netto é fundador do Jornal A PROVINCIA

A PROVINCIA, como jornal impresso, foi fundada em 28 de Agosto de 1987, pelos jornalistas Cecílio Elias Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim.

Durante duas décadas, com idas e vindas, ela cumpriu o seu propósito e o sonho desenvolvido: recuperar a memória de Piracicaba, especialmente através da oralidade de seus mais antigos moradores, contar a história do município e da região, com fartura de documentos e de fotos e postais.

O lema continuou vivo quando, há cerca de dois anos, A PROVINCIA ingressou no universo digital, criando A PROVINCIA electrónica, com o mesmo objectivo e a mesma motivação: «Paixão por Piracicaba».

Piracicaba é um município do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2008 era de 365.440 habitantes.

 

Minha Mãe

(Diacróstico) acróstico-mesóstico

Por João Furtado

A imAgem de ti ficou, em,
Minha Mãe querida
O teu AmOr por mim
Repleto de caRinho e ternura!

DeitaDa eternamente, nesta campa, esta o teu corpo
EntrE os anjos vagueia o teu espírito, mãe!

Minhas lágriMas és delas dona, mãe
A paz e a Alegria antes vivida
Estou Esperando ainda, mas sinto, jamais terei!