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Pagª 17 - EDIÇAO NºXXV , IIIº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   



PASSEIO PELO BOSQUE

Conto Infantil 
Por Ilona Barros

Agora o tempo passa a correr, pois não mais acontecem as longas perseguições dos cães, nem as frias chuvas do Inverno. Todos os dias o passarinho vai visitar a coelhinha Magui, que com o tempo já aprendeu a andar, a falar e… a fazer traquinices, o que causa alguma preocupação aos seus pais.

No dia em que a Magui completa dois meses, os pais resolvem levá-la a dar um passeio pelo bosque. Querem que a filhinha conheça alguns dos seus amigos, e desejam também que possa apreciar a beleza do arvoredo em pleno Verão.

Começam por apresentá-la às duas irmãs coelhinhas Castanha e Avelã, mais conhecidas por Nana e Lalã. Juntas, brincam com entusiasmo, e as duas manas ensinam à pequenina muitos jogos e brincadeiras. Depressa Magui se deixa encantar pela alegria de Nana e Lalã, de quem se torna amiga, e quando os pais vêm avisá-la de que está na hora de continuarem o seu passeio, a coelhinha fica muito triste, pois não quer separar-se das amigas.

- Para a próxima vez brincas mais – diz a mãe para a consolar, enquanto se despedem daquela simpática família.

Pelo caminho, Magui não se afasta dos pais, e por vezes assusta-se quando um animal desconhecido surge de um carreiro ou por detrás de uma árvore. O pai explica-lhe quem é cada animal, quais são os amigos, e quais devem ser evitados.

Ao virarem uma moita, encontram-se em frente à casa do senhor mocho Alberto, que por ter sido avisado da visita se manteve acordado.
- Bom dia a todos! – saúda ele, com uma voz um pouco sonolenta. – Como têm passado?

- Bem, muito obrigado – responde Francisco, o pai coelho. – Viemos mostrar-lhe a nossa Magui.

- Oh! Sim senhor! Como cresceu desde a última vez que a vi… - diz o senhor mocho, amável e vagarosamente. – Sim senhor!

Ao ouvir isto, Magui solta uma alegre gargalhada:

- Ah! O senhor mocho … é a primeira vez que me vê… Ah! Ah!

- Chiu ! Magui… - repreendem o pai e a mãe ao mesmo tempo, enquanto o senhor mocho Alberto, muito atrapalhado, se desculpa:

- Oh! Na verdade… sim. Naturalmente, eu ainda não a tinha visto, mas tinham-me contado que…

- Senhor mocho, não se preocupe que a Magui estava a brincar… - diz o pai coelho.

- Na verdade... sim… sim! – consegue o senhor mocho gaguejar.

- Bom, agora temos que continuar as nossas visitas – despede-se a mãe coelha - Até à próxima!.

Ao vê-los afastarem-se, o senhor mocho suspira fundo, aliviado com a inesperada partida.

Quanto ao senhor coelho Francisco, envergonhado com o comportamento da filha, repreende-a:

- Magui, acho melhor que na próxima visita não te portes mal, e que não faças comentários pouco educados.

- Sim, papá... – responde a coelhinha, muito triste. – Eu disse aquilo só porque era verdade e …

- Está bem, mas agora silêncio, porque estamos a chegar a casa da dona tartaruga. – recomenda a mãe, ao mesmo tempo que levanta a pata e bate à porta de uma casinha branca com telhado vermelho.

- Toc! Toc! Toc!

De dentro de casa ouve-se o arrastar de patas, o abrir dos ferrolhos e, por fim, a porta entreabre-se.

A cara da tartaruga aparece e uma voz roufenha grita:

- Quem é? Não são ladrões?!...

A senhora coelha Marina e o senhor coelho Francisco entreolham-se, sorrindo, e respondem:

- Não, não somos ladrões. Somos a Marina e o Francisco!

Então, a porta abre-se completamente e a dona tartaruga cumprimenta os visitantes.

- Desculpem a desconfiança, mas todos os cuidados são poucos. Cá no bosque há muitos gatunos, muitos! Sabem lá o que me aconteceu no outro dia…

E conta uma história de polícias e ladrões, que é na verdade o seu assunto favorito, o único que realmente a entusiasma.

A dona tartaruga vive no bosque há muito, muito tempo, e tem tantos anos que já se perdeu a conta à sua idade. Ela própria deixou de festejar o aniversário desde que completou os cem anos. Ah, e isso já aconteceu há alguns Invernos atrás!

Apesar do seu comportamento um pouco excêntrico, a dona tartaruga tem um bom coração e gosta de ser amável com todos… excepto com os ladrões, naturalmente. Decerto desmaiaria de vergonha se reparasse que não tinha convidado a entrar na sua casa a família coelho. Mas não reparou, e , por isso, durante quase uma hora, Magui e os pais ouvem, sem uma única interrupção, aquela formidável história sobre o roubo do seu chapéu de palha com a fita azul.

Quando a história termina, eles apressam-se a despedir-se, antes que a boa da tartaruga avance para outra emocionante aventura.

- São já sete horas! – exclama a mãe, olhando para o seu relógio, com espanto. – Não temos tempo de visitar mais ninguém hoje. O melhor é voltarmos para casa.

O pai concorda imediatamente, e a Magui fica satisfeita, a pensar nas deliciosas cenouras que a mãe vai estufar para o jantar.

Assim, a família Coelho regressa a casa, cumprimentando, pelo caminho, os animais amigos que vão passando.

Ao deitar-se, Magui sente-se muito cansada, mas satisfeita, e certamente vai sonhar durante toda a noite com o seu belo passeio pelo bosque.

A gota de orvalho e o coelhinho Pimpão

Por Maria Petronilho

O dia amanheceu cheio de sol.

De noite, o coelhinho Pimpão deliciara-se escutando a chuva a bailar no ar e a dançar sapateado no chão. Pimpão adormeceu embalado pela música do céu. A noite passou e o vendaval seguiu...

O dia acordou azul e sereno, resplandecente de sol.
Pimpão, olhou pela janela e sorriu
- Hummmm, exclamou sorrindo, espreguiçando muito as patinhas, quase tocando o topo da toca. Saiu abanando a cauda e foi ter com a família, que preparava o pequeno-almoço na cozinha.

Comeu as ervinhas frescas que a mamã lhe serviu e depois saiu correndo, para brincar no ar, saltitar nas poças da chuva caída na noite anterior, mordiscar as pétalas de flor tenrinhas, que tinham desabrochado nessa mesma manhã.

No alto viu um girassol novinho em folha, olhando deslumbrado a grande e linda estrela que luzia no alto.
Era tão lindo!
Amarelinho, viçoso, as pétalas reflectindo a luz.
Pimpão quis chegar mais perto e sentir o perfume da flor.
Colocou-se sobre as patitas traseiras, estendeu a mãozinha macia e puxou para si o caule da planta,
Mas ai!

Uma gota fria, muito fria, escorregou lá de cima e caiu certeira sobre o seu nariz. Pimpão levou um susto, sentiu um forte arrepio e correu, correu, correu...

Entrou assarapantado na toca e refugiou-se junto à bola de pelo macio que era o seu pai descansando.
- Papá, papá, está chovendo muito – gritou o coelhinho em alvoroço.

O pai voltou a focinho sorridente para o filho.
- Confusão tua, Pimpão! Choveu foi durante a noite. E também fez frio. Mas assim que o sol nasceu, a chuva seguiu o seu caminho no céu e as gotinhas que ficaram reuniram-se sobre as pétalas e flores, em perolazinhas de orvalho.
- Mas pai! Uma gota de chuva molhou e esfriou o meu narizinho! Não estou dizendo mentira nenhuma vem ver!

- Eu sei o que aconteceu mesmo sem ir ver, porque quando eu era um láparo como tu também corria pelo campo de manhã e apanhava gotas de orvalho que caíam das flores que eu espreitava e caíam no meu nariz, pregando-me sustos como o que tiveste agora.
- Então não foi um pedaço de chuva que se atrasou e choveu sobre o meu narizinho, papá?

- Não, tolinho, não foi um pedaço de chuva... As gotas de chuva são irmãs muito amigas e vão juntinhas para todo o lado embaladas em nuvens de muitas cores. O que te caiu no nariz foi uma inofensiva gotinha de orvalho que o sol deixou sobre a flor, afim de a refrescar. Caiu sobre ti, não está lá mais. Queres ir verificar?

Papai coelho queria que seu filho crescesse sem medo, embora no mundo dos coelhos seja necessário ser-se muito cuidadoso. Pimpão respirou fundo, bateu com o pé no chão, encheu o peito de ar fresco e declarou:
- Vou ver de novo, papá! Verificarei com os meus próprios olhos tudo quanto me explicaste.

E saiu correndo, aprendendo como é bom viver escutando a chuva, brincando ao ar livre, aspirando o perfume das flores desabrochadas ao sol da manhã.

E contar com o conforto de pais que sossegam os sustos da gente e nos explicam a arte de crescer com coragem e sabedoria.

 

Motivação

Sandra Fayad

(Poema Síntipo IV)

De rainha da humildade passo a vaidosa plebéia
Diante de caracteres digitados em tela européia,
Que trazem novo alento aos descaminhos da vida,
Quando me imagino alvo de vaias da torcida.

Perdem-se batalhas, mas pode-se vencer a guerra.

Acompanhadas da beleza de delicada margarida
Lindas palavras - como verdadeiro herbicida -
Lançam outra proposta inédita. Brilhante idéia!
De presente, hei de ser parceira, na pré-estréia,

Do criador dessa poética insubordinação.