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EDIÇAO NºXX , IIº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           

Maldito Tango - Melingo

Cinema São Jorge

04-05-2009 - 21h30 - Reservas: 213103400

Concerto pelo cantor - actor de tango argentino Daniel Melingo, que apresenta o seu último trabalho, «Maldito Tango».

Ao vivo, Melingo, voz marcada pela vida, é um portento de alma e emoção, que consegue incorporar o lado maldito do rock de Nick Cave e da chanson de Serge Gainsbourg na criação elevada por Gardel até à condição de banda sonora por excelência das vielas de Buenos Aires. Em Paris, Melingo ainda aprendeu algo do cabaret que faz com que a sua música soe melhor com luzes baixas e um copo na mesa em frente a nós. As suas canções pegam no tango e retorcem-no, sem nunca o descaracterizar.

Melingo não é Louco

É esta a razão porque os seus Tangos improváveis, alicerçados na sua aparente loucura são possíveis. Melingo é uma pessoa, sem dúvida. Sobreviveu a si mesmo, às suas inúmeras peripécias pessoais para se transformar numa personagem literária em carne e osso.

É por isso que Melingo é a lenda de Melingo, o herói de uma vida talvez muito intensa que acabaria, inevitavelmente, por desembocar no Tango.

Para se ser Melingo é preciso percorrer as ruas farejando a poesia como um cão de caça, dançar como uma chicote, cantar como uma cicatriz.

Melingo é um extraordinário músico. Estudou num Conservatório mas guarda pouco da sua passagem pela instituição. Ele foi e será sempre um aventureiro furioso, delirante, alucinado. Um boémio de Buenos Aires, quer dizer, do Mundo.

Podemos chamar-lhe Maestro porque ele soube atingir a simplicidade. Nada de mais natural que o estalar de riso de fogo dos seus Tangos.

«Maldito Tango» pulveriza os limites entre o sagrado e o profano. Nas suas canções encontramos tanto a adoração como a insolência. Um contentor cheio de ortodoxia e de toneladas de heresia. De amor e de mistificação.

Melingo desliza sem tocar nos canones da música do Rio da La Plata. As portas abrem-se à sua passagem porque pelo facto de ser como é e quem é ele ganhou o direito de jogar com as leis do Tango, que é o verdadeiro tango, afinal. Extraordinária a loucura de Melingo. (Veja aqui uma sucessão de Melingo - seguir também os restantes videos)


 


La Danseuse Malade
De Boris Charmatz

 

Culturgest - Dança Quinta 7 e Sexta 8 de Maio de 2009
21h30 · Grande Auditório

Textos Tatsumi Hijikata

O corpo é a minha oficina e o meu ofício, conhecido como dança, é um empreendimento de restauro do humano.

Tatsumi Hijikata

Não sei se gosto do Hijikata. Acredito na vontade de transmitir os seus escritos, que eles próprios transmitem a sua dança. A sua dança, o seu butô, as suas inquietações, são legíveis nos terrenos movediços, nos sentimentos de derrota, «esta cabeça de bebé no fundo da minha miséria», que ele derrama sobre o papel.

O que nos poupa talvez radicalmente a necessidade de fazer, refazer, a sua dança. «Embora satisfeitos de termos cabeça e quatro membros, digamos mesmo assim que gostaríamos de ser impotentes, que bem gostaríamos de uma vez por todas de ter nascido impotentes; porque só quando nos vem este desejo é que se realiza enfim o primeiro passo de dança».

Não que seja motivo de vergonha tentar refazer o butô (há-de haver de certeza um butô ainda por inventar : o rebutô?! – repulsivo (rebutant) deveria ser o novo butô…). Mas a minha ideia é não fazer butô a partir destes textos alucinantes, porque eles têm já o butô em si próprios. A miséria, a lama, a deformidade, as tripas, está lá tudo… O trabalho acontecerá por baixo e ao lado. Exumaremos o pensamento de um artista imenso de forma que nos deixe totalmente entregues às nossas próprias extravagâncias.

Que a força dos seus escritos, que devem ser como que dados a ler, nos deixe livres mesmo no gesto de os transmitir. Não nos inspiremos em Hijikata, não fabriquemos um espectáculo que decorra dos seus escritos, não façamos verdadeiramente «uma encenação».

Brandimos uma bandeirola de braço estendido, mas mesmo assim eles são capazes de nos pingar em cima, de derramar as suas imundícies. Talvez seja por isso que eu não sei se sou capaz de gostar de Hijikata: ele parece sujo, morto, impotente, virgem e obsceno.

Boris Charmatz



 

Representação portuguesa na Bienal de Veneza mostra visão poética do mundo através da ciência - De 7 de Junho até 22 de Novembro

«Experiências e Observações em Diferentes Tipos de Ar» é o título da exposição criada por João Maria Gusmão e Pedro Paiva para o Pavilhão de Portugal na 53ª Bienal de Arte de Veneza. A exposição é composta por trabalhos de fotografia, escultura e cinema experimental e cruza metodologia científica com poesia.

A exposição é organizada e produzida pela Direcção-Geral das Artes (DGA) do Ministério da Cultura e ficara instalada no edifício Fondaco dell'Arte. A inauguração está marcada para dois dias antes do arranque oficial da Bienal.

Desde há uma década que Pedro Paiva e João Maria Gusmão têm apresentado um conjunto de ensaios de investigação artística sobre os sentidos para a experiência humana no mundo, em plataformas como o cinema experimental e da instalação. Internacionalmente, a dupla de artistas tem-se apresentado no circuito das bienais, nomeadamente em São Paulo (2006), Mercosul (2007) e, mais recentemente, na Manifesta 7, assim como em apresentações individuais no Wattis Institute em São Francisco, Photoespaña, em Madrid, e Adams Gallery em Wellington.

A edição de 2009 da Bienal de Arte de Veneza vai ter como título «Making Worlds» (Fazer Mundos) e decorre de 7 de Junho até 22 de Novembro.