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EDIÇAO NºXX , IIº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           

 Bancos provocaram deliberadamente a crise financeira

Estudo mostra que os bancos americanos e europeus não são vítimas, e sim os principais culpados da crise financeira que abalou os Estados Unidos em 2008, afirmou nesta quarta-feira uma organização americana de jornalismo de investigação.

O Center for Public Integrity avaliou em 25 o número de organismos de créditos imobiliários que autorizaram empréstimos de alto risco e provocaram a crise do setor imobiliário que estourou em 2007 e desembocou na crise econômica mundial.

A maior parte destes organismos pertenciam a bancos americanos e europeus, e os demais não puderam autorizar os empréstimos de risco, os chamados «subprime», sem a complacência dos bancos, ressaltou a organização.

«Os bancos que financiaram a indústria dos subprime não foram vítimas de um desabamento imprevisto do setor das finanças, como alguns deles alegaram», destacou o diretor executivo da organização, Bill Buzenberg. «Estes bancos facilitaram deliberadamente o financiamento dos empréstimos que ameaçam agora o sistema financeiro», acrescentou.

O estudo foi publicado num momento em que a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos deve aprovar nesta quarta-feira um projeto de lei com o objetivo de criar uma comissão de investigação independente para examinar as causas da crise econômica, no modelo da comissão instaurada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

O Center for Public Integrity afirmou ter estudado números do governo americano referentes a quase 7,2 milhões de empréstimos de risco concedidos entre 2005 e 2007, pouco antes da crise dos «subprime». Segundo o estudo, estes 25 organismos de créditos imobiliários representavam quase um trilhão de dólares, ou seja, quase 72% dos empréstimos hipotecários de risco.

Pelo menos 21 destes 25 organismos foram financiados por bancos resgatados pelo governo americano, e 11 deles pagaram altas quantias para evitar processos na justiça. Quatro destes organismos receberam diretamente fundos públicos, entre eles a seguradora AIG e o banco Citigroup.

Os bancos britânicos HSBC e Barclays Bank também foram citados. De acordo com o estudo, o Countrywide Financial, o ex-número um americano do crédito hipotecário, comprado em 2008 pelo Bank of America para evitar a falência, emitiu pelo menos 97,2 bilhões de dólares em empréstimos de risco.

«Até o mercado imobiliário desmoronar, os bancos arrecadaram lucros gigantescos enquanto seus dirigentes ganhavam vultosos bônus», afirmaram os autores do estudo.

Fonte

 

UE doa 314 milhões de euros a países em desenvolvimento

A União Europeia (UE) concedeu 314 milhões de euros no quadro da «Facilidade Alimentar», um pacote especial dotado de um bilião de euros e destinado a projectos e programas no sector alimentar em 50 países em desenvolvimento. Segundo um comunicado dos serviços de apoio da Comissão Europeia transmitido à imprensa em Bruxelas, entre os países africanos beneficiários dos créditos deste primeiro financiamento figuram o Burkina Faso, o Burundi, a República Centro - Africana, a República Democrática do Congo, a Eritreia, a Etiópia, a Gâmbia, a Guiné-Bissau, o Quénia, a Libéria, o Mali, Moçambique, a Serra Leoa e o Zimbabwe.

Estes créditos, a serem geridos pelas organizações do sistema das Nações Unidas, permitirão financiar projectos de melhoria do acesso aos produtos agrícolas, nomeadamente adubos e sementes. Eles servirão igualmente para financiar serviços agrícolas que abrangem os cuidados veterinários e conselhos, além de facilitar a adopção das medidas à pequena escala para aumentar a produção agrícola, especialmente o financiamento do micro crédito, as infra- estruturas rurais, a formação e o apoio às categorias profissionais.

Eles cobrem também a assistência a grupos de população vulneráveis, muitas as vezes sob a forma de obras públicas com forte densidade da mão-de-obra, tais como estradas e projectos de irrigação. Um dos objectivos da «Facilidade Alimentar» é aumentar a oferta do sector agrícola dos países e regiões, reduzir os efeitos negativos da volatilidade dos preços de alimentos nas populações locais e reforçar a capacidade de produção. Previsto para o período 2009-2010, o novo instrumento financeiro da UE foi adoptado em finais de 2008, na sequência dos motins da fome que eclodiram em numerosos países em desenvolvimento depois do aumento dos preços dos géneros alimentícios.

 

 

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XX)

Firmada inabalavelmente vegetariana e com toda a minha travessia pelo mundo vegetariano, ainda continuo a questionar-me pelo incómodo que tal facto parece nas pessoas causar! Será, porque revela uma diferença marcada entre «ser e o estar» na actual sociedade? Será, apenas indignação, ou simples curiosidade? Ou será, que procuram nos actuais vegetarianos, a força que eles ainda não conseguiram obter sozinhos?

Na minha modesta opinião, tudo isto é perfeitamente normal e aceitável! Eu própria passei por todas essas dúvidas, incertezas e até, imaginem, gozei com a situação!...

Corria o ano de 1998! Num hotel em Amesterdão, vários indivíduos de diversos países reuniram-se em trabalho. Conferência e Workshops eram a temática quotidiana e até rotineira. Foi a primeira vez que tive um real contacto com o vegetarianismo. Presa aos conhecimentos que tinha adquirido até então, a minha receptividade era pouca ou mesmo nenhuma.

Com desdém, ia vendo pratos vegetarianos passearam por entre os meus olhos, sem qualquer preocupações em perceber, ou sequer experimentar. De facto era como a velha máxima «quem não está a favor, contra mim está», e … os pratos continuavam a passar por entre os meus olhos, por entre os meus ombros, por entre o meu ser… e continuava dramaticamente entre os meus «enraizados pré-conhecimentos» … «que miscelânea deve ser!», «estes, devem ser loucos»!...

Hoje, quando me recordo desse período na minha vida, sei bem, que é exactamente o que muitas pessoas pensam hoje de mim, … sei também, que os pensamentos que eu tive nessa altura, vieram em triplo para mim… sei bem, que o ciclo natural das coisas tem de se completar…

E hoje, sou feliz com o meu vegetarianismo, simplesmente porque compreendi que inerente a ele, estão valores diferentes aos que dantes tinha, inerente a ele estão conhecimentos, modos de ser, de encarar a vida e de igualmente ter acesso a outros seres humanos que nem imaginava que pudessem existir….

Também, hoje percebo, que nessa estadia que tive na Holanda, poderia bem ser uma preparação para o suporte do meu actual vegetarianismo, mesmo que na altura eu não o tenha percebido, … mesmo que eu não tenha aproveitado ou entendido a grandeza e conhecimento que essas pessoas me poderiam ter dado na altura!

Mesmo que eu não quisesse perceber que elas eram diferentes, com credos, crenças e religiões diferentes! Mesmo que eu propositadamente me tivesse desviado delas e…, nesse contexto, recordo uma vegetariana e budista de nacionalidade indiana! Como eu fugia dela!

Hoje percebo, que não estava preparada, não estava à altura de perceber. Hoje percebo, que há uma altura para tudo!. Hoje percebo, que essa altura foi um contacto, uma referência para um o meu estado actual. E tal como «o peixe morre pela boca», foi exactamente o que me aconteceu!

Se não quiseram passarem pelo mesmo, experimentem pelo menos e … depois sim… falem e pronunciem-se!

Depois de pensarem carinhosamente no assunto, fiquem com a certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...