EDIÇAO NºXX , IIº NUMERO DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué
Menina / Mulher
(Poema dedicado a todas as meninas que foram obrigadas a ser adultas
antes do tempo)

Liliana Josué
Menina de expressão pálida
olhos rasgados de amêndoa
de certa cor doce e cálida
que a terra entorna e nos doa.
Boca vermelha, vincada
como rosa acetinada.
De cabeleira ondulada
esvoaçando com o vento
e cor negra, bem cerrada
brilhando ao sol do momento.
Seus reflexos espalham vida
calor, brasa enegrecida.
Seu corpo esguio de gazela
desliza graciosamente
num caminhar que é só dela
bem jovial e fremente.
Sua juventude alada
não é de pose estudada.
Menina de sol vestida
não queiras que o mundo apague
a esperança na tua vida
nem deixes que o medo estrague
teu desejo de vitória
ou esse grito de glória.
Arlete Deretti Fernandes

Mulher e Mãe
De um raio de sol, da beleza da lua
e do brilho das estrelas Deus criou a mulher.
E para completá-la, deu-lhe uma essência
que permitiu-lhe ser mãe.
Ensinou-a a plasmar na própria alma,
a tolerância, o amor e a paciência.
Foi quando então a mulher se preparou
para ser mãe, abrigando em si a vida.
Amou e ensinou ao novo ser a bondade a ela concedida,
Com a própria consciência, já então enriquecida.
OfÃcio de Ser Mãe
O bebezinho frágil que inspira tanta doçura,
A mãe é sempre o exemplo da mais doce ternura.
Em seu regaço carrega o mais precioso bem,
É um presente lindo que somente ela tem.
Acompanha com amor o seu desenvolvimento,
São momentos de alegria, de muito contentamento.
Enquanto o bebê cresce, a mãe está sempre atenta,
porque sabe que colabora com Deus no seu pensamento.
Que amor tão grande é este, capaz de qualquer sacrifÃcio?
É um fragmento de Deus, que faz parte deste ofÃcio.
Moçambique tem maior herança musical na CPLP
Dos territórios de lÃngua portuguesa, Moçambique foi o quarto a ter gravações regulares de artistas locais desde os anos 60 até aos dias de hoje, conclui um estudo do investigador alemão Paul Vergon.
Para Vergon, a produção musical moçambicana foi diversa e extensiva que tem o privilégio de dispor, hoje, de uma vasta cultura musical desde as mais tradicionais peças folclóricas até aos sucessos populares das décadas passadas, coisa que definitivamente não aconteceu com o Brasil e Portugal.
«Apesar da incrÃvel e notória musicalidade de todos os povos do continente africano, não era possÃvel acreditar que Moçambique naquela época tivesse artistas a gravar e a vender discos com muita facilidade nos paÃses do primeiro mundo», refere.
O investigador adiciona que mais do que ser um dos maiores repositórios de musica nacional, dos territórios de lÃngua portuguesa, Moçambique foi o quarto a ter gravações regulares de artistas locais, sendo o primeiro Portugal, seguido de Brasil.
O académico refere que as primeiras gravações foram realizadas na ex - Lourenço Marques e na capital de Sofala, Beira. «Lá, uma variedade imensa de artistas locais fizeram gravações, em especial grupos de marimba, corais, solos de mbira (piano de polegar) e guitarristas bastante ricos em essência», acrescenta.
Vergon acrescenta que na altura não havia gravadoras, nem engenheiros de som e muito menos técnicos que garantissem a difusão musical, sendo os responsáveis pela difusão musical ingleses e alemães, que visitavam o paÃs e exploravam novos mercados.
Paul Vergon reporta ainda que o poder aquisitivo dos moçambicanos da época andava em alta, pois muitos trabalhavam nas minas de ouro de Joanesburgo, na vizinha �frica do Sul, e com o seu salário adquiriam muita música recém introduzida em discos.
BONS ARTISTAS DA ÉPOCA
O investigador faz uma referência interessante sobre o facto de Moçambique, desde sempre, ter tido os guitarristas da etnia changane mais conhecidos em �frica e em vários locais do mundo.
Cita como exemplos os artistas Pedro Matabela, Aurélio Kowano, Filipe Sithole e Feliciano Gomes.
Vergon revela um pormenor curioso, quando diz que os mesmos guitarristas apostavam na marrabenta como um ritmo moçambicano nacional, mas alguns membros da comunidade portuguesa que residia no paÃs confundiam-na com o o samba do Brasil.
Costa Neto - A força da continuidade

Costa Neto, dedica-se exclusivamente à música desde 1980, ingressando no mesmo ano no «Grupo 1» de música ligeira moçambicana.Em 1981, funda com companheiros seus o grupo musical «M'bila», um dos grupos que mais revolucionou a música urbana moçambicana, o qual dirigiu até à sua extinção em 1988. Entretanto, o seu primeiro grupo musical fora o «ABC 78». cujo nome foi por si sugerido aquando da sua fundação em 1978.