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EDIÇAO NºXX , IIº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           



HISTORINHA DO MEU PAI

Sandra Fayad

 

 

No dia primeiro de setembro de 2006, ele completou noventa e um anos. Sua trajetória de vida foi recheada de acontecimentos inéditos, grandes sacrifícios e trabalho, muito trabalho...

Como todos os homens de bem da sua geração, sempre primou pela responsabilidade e pela incansável luta, com o objetivo de proporcionar à família o melhor de si.

Assim é que desde os primeiros momentos da instalação da Capital Federal percebeu que poderia fixar-se aqui. Veio, como outros tantos, oferecer sua coragem, seu empenho e seu suor em troca da perspectiva de conforto e boa educação para os seus.

As necessidades de alimentos e serviços dos trabalhadores instalados na nova capital eram muitas e ele, comerciante nato, vinha todas as semanas da cidade de Catalão, a trezentos e vinte quilômetros daqui, trazendo, em seu velho caminhão, os alimentos encomendados e os que conseguia reunir, para atender às bocas trabalhadoras. Estrada de terra batida, com trechos esburacados e desbarrancados, temporadas de chuvas torrenciais, noites em claro, acidentes, nada disso tirava-lhe o ânimo.

Trouxe a família, - esposa e seis filhos - primeiro para um barraco em Sobradinho, depois para outro no Cruzeiro. As condições precárias só o estimulavam a trabalhar mais e mais para conquistar o tão sonhado lugar ao sol. Feirante em vários locais, primeiro a instalar-se no Cruzeiro Velho, deu tudo de si, solidarizou-se e compôs com outros feirantes, cedeu e negociou seus produtos, tendo como documento apenas a confiança, o fio da barba.

Se não lhe pagavam era «porque não podiam». Fez grandes amigos, comprou a casa onde morou até o último dia de sua vida, reformou-a, construiu outros prédios com as próprias mãos em terrenos adquiridos no mesmo bairro, instalou seu comércio, trabalhando juntamente com a esposa dedicada e os filhos. Lamentavelmente, Deus levou-lhe a companheira, no momento em que iam começar a colher os louros do trabalho árduo de tantos anos.

Há poucos dias morreu repentinamente. Estava feliz. Mas não pensem que pretendia parar por aí. Alimentava o sonho de ver publicado um livro, contando sua saga, recheada de estórias muito interessantes.

Esperava viver até aos cem anos de idade, «porque ainda tenho muito a fazer».

 

Denise Severgnini

 

 

 

 

181 ANOS

Deixo os fatos históricos
Para os historiadores
Quero falar com a alma do poeta
O azul de meu olhar
É parte de uma herança alemã
Há 181 anos,
Desembarcaram na Feitoria
Famílias vindas d’além mar
Para ocuparem estas terras
Matas virgens, sem conforto...
Esta gente aventureira
Deu seu sangue, foi guerreira...
E construiu este vale
Que prospera a olhos vistos
Por isto, nesta data especial,
Quero deixar meus cumprimentos
A todos os descendentes da primeira alemoada
Que aqui chegou e foi valente.

LOMBA GRANDE

Paraíso cravado em meio a parques industriais,
Conserva até hoje bucólica paisagem reconfortante
que nas grandes cidades não se encontra mais
É Lomba Grande que nos toca de modo envolvente.

Aqui, entre campos e prédios antigos, coloniais
Sentimos a hospitalidade deste povo cativante.
São pessoas fortes, mas sem que jamais
deixam de fazer o forasteiro sentir-se importante.

Os que aqui nasceram até hoje estão
arraigados a este solo de belezas mil
Mesmo os que partiram, conservam Lomba Grande no coração.

Quem chega nesta terra abençoada
sob o sol quente e o céu de anil
não há mais de partir, faz de Lomba Grande
sua morada.

Publicado no Recanto das Letras em 24/07/2005, Código : T37213

O teatro de rua

Continuação (Ver início)

 

Político desde os primórdios - O teatro de rua sempre foi uma das manifestações preferidas para protestar por meio da arte

A ligação do teatro de rua com manifestações de caráter político e social é antiga.

No século 20, o namoro vem desde as primeiras décadas, quando grupos de artistas revolucionários russos saíram às ruas, após a vitória bolchevique de 1917, para difundir e fazer propaganda de suas idéias sociopolíticas.

Os ecos dessas manifestações, que receberam o nome de agit-prop – do russo agitatsiya-propaganda (agitação e propaganda) – foram ouvidos aqui no Brasil primeiramente no Nordeste, por um grupo de artistas e intelectuais do porte de Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho e Paulo Freire, entre outros, que criaram, em Pernambuco, o Movimento de Cultura Popular (MCP) em 1961.

Embora Suassuna já tivesse protagonizado, junto com Borba Filho, a primeira iniciativa de teatro de rua no Brasil em 1946, foi só dessa vez que essa manifestação artística apareceu como instrumento para mudanças sociais.

«O MCP levava para a periferia da capital pernambucana várias ações educacionais, artísticas e até de saúde», explica o professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Campinas (Unicamp) Rubens José Souza Brito.

«Essas atividades envolviam artesanato, artes plásticas, cinema, música, canto, dança, literatura e, por fim, teatro, que se chamava Teatro do Arraial Velho. E, além dele, havia também o Teatro do Povo, que atendia o entorno da cidade.»

No mesmo ano de 1961, a MCP inspirou a criação do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigido por Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha.

«O CPC era famoso por levar às ruas assuntos atualíssimos da política nacional», explica o diretor de teatro Dorberto Carvalho. «E se eles fossem às ruas num dia e a polícia os tirasse de lá, à força muitas vezes, na semana seguinte eles estavam de volta com uma peça sobre o confronto ocorrido.»

Em 1964, com o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil, o CPC foi dissolvido, entrando para a história como o grupo - símbolo da união dos conceitos de teatro de rua e teatro de resistência.



6º Edição do Festival

Teatro na praça - Espetáculos apresentados em espaços públicos compõem programação de um dos grandes festivais de teatro do País

Parte da programação da quinta edição do Festival Internacional de Teatro (FIT) de São José do Rio Preto, realizado em parceria entre o Sesc São Paulo e a prefeitura municipal da cidade do interior do estado, foi dedicada ao teatro de rua.

A presença de grupos e companhias que representam o gênero reforça o compromisso do FIT de manter uma constante discussão acerca do espaço cênico, promovendo o intercâmbio artístico.

Os espetáculos apresentados nas praças e calçadões da cidade foram Reis de Fumaça, da Companhia do Feijão, de São Paulo, Pouco Acima, do mineiro Grupo Trampulim, O Negrinho do Pastoreio, com a Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais, de Porto Alegre, e Adelaide Fontana, do Erro Grupo, de Florianópolis.

Veja a Programação desta 6ª Edição a partir de 17 de Junho.