EDIÇAO NºXX , IIº NUMERO DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué
OUTRAS CIGARRAS E OUTRAS FORMIGAS

Por Mário Henrique Matta e Silva
2009, um ano que ainda há pouco começou, cheio de maus presságios a prometer um Inverno bem frio e bem chuvoso.
O crepúsculo nem parece o mesmo, sem aquele conjunto de cores que faz a transição para a noite cerrada, na maravilha das constelações em jornada celeste num azul doce. Nada disso. Os dias já vão escuros, frios e húmidos demais para mostrar essa despedida de sóis radiosos e mornos e as noites enluaradas.
Neste desaconchego de um rigoroso Inverno não faltam as cigarras e as formigas, umas cantando outras labutando. Em tempo de recessão não admira porém que sejam outras as cigarras e outras as formigas a esgueirarem-se pelo ruído dos noticiários ou da comunicação social em peso, na guerras das audiências (TV e rádios) e das compras (jornais, revistas…) porque o seu poder de persuasão (mais do que de entretenimento) é tão agressivo que nos trás, diariamente, as maiores brutalidades que o País e o Mundo contém, em si mesmo, esvaindo-se em guerras, em assassinatos, em desavenças, em descrenças, em ódios, em calúnias, em subornos, em roubos, em falcatruas, em doenças, em denúncias, em fraudes, em desemprego, em ruína…
Por outro lado, esse mesmo dia-a-dia mostra-nos bem falantes, opiniosos, malabaristas, astuciosos, tribunos, defensores de criminosos alegando inocência, prevaricadores procurando impunidades, ladrões e criminosos com direito a liberdade, poderes frouxos, políticos audazes a querer convencer os contribuintes, os arautos da cidadania em bicos dos pés em arremessos de autoridade, os ciosos, os traficantes, os arruaceiros, os gananciosos, os palavrosos… que são, sem sombra de dúvida essas outras cigarras, cantando, botando discurso, fazendo batota.
E quando retomo a jornada crepuscular, olhando ao alvorecer a janela, que vejo eu: o corre-corre de quem trabalha a sério (e não à séria) galgando cedo da cama empenhados na garantia de um emprego, que cada vez está mais em perigo.
E lá vejo eu os das obras (privadas ou públicas) que lá vão tendo trabalho, os camarários, os professores, os dos serviços de saúde, (indo muitos dos nossos para o estrangeiro e os da América Latina e Espanha a virem para os nosso pais) os das zonas portuárias, os pescadores, os dos trabalhos agrícolas, os dos serviços, os das fábricas (que ainda vão laborando) os do comércio (que vai resistindo) os da administração pública em geral, etc….tudo gente que ainda vai tendo o seu posto de trabalho, o seu ganha-pão, a sua esperança de não falhar os seus empréstimos, as suas prestações…e logo penso onde estão esses milhares e milhares de desempregados, que todos os dias aquela mesma comunicação social mostra com avidez e pormenor, essas vitimas de falências (muitas vezes fraudulentas) esse grupo de gente, que vai todos os dias engrossando, vitima das maiores desgraças e de muitos erros de administração e de poder, que se vê sem salários, à mingua de parcos subsídios todos os dias anunciados pelos políticos, chorando sem fé a sua desdita… estas são as novas formigas.
As que não se guindam, filhas da crise, nos ares pestilentos da prosápia, que sofrem por terem perdido o seu trabalho ou por quererem começar a trabalhar! Essas pessoas que já nem sabem em que mundo vivem, que para eles não é capitalista, nem socialista… é tão somente avaro de felicidade, arbitrário na escolha dos abandonados à má sorte, dos sem força, sem ânimo, sem poder.
Abandonadas, entregues ao cinismo dos que disputam eleições, dos que decidem, dos que se emproam… essas mesmas, que querem trabalhar, que querem cumprir os seus compromissos, que querem criar os seus filhos, que querem uma vida honrada e feliz, são por certo essas outras formigas…entregues ao livre arbítrio dessas outras cigarras ruidosas, arrogantes, mesquinhas.
E todos os dias a comunicação social lança estas miseráveis noticias de desemprego, falando-nos nessas outras cigarras e nessas outras formigas… porque todos os dias há crepúsculo em tempo de recessão!
Mário Matta e Silva
PORQUE HOJE E DOMINGO
Porque hoje, é domingo,eu acordei-me um pouco mais tarde.
Perdi o espetáculo do nascer do sol, mas ele não fez caso...continuou a
brilhar.
Da minha cama, posso ver uma paisagem maravilhosa. Moro na zona rural de Novo Hamburgo,Rio Grande do Sul. A localidade chama-se Lomba Grande.
E porque hoje é domingo, véspera dos 181 anos da imigração alemã, temos desfile na rua principal. Tudo em homenagem aos imigrantes ou colonos.
Há carros de boi, pessoas com trajes típicos, animais domésticos, a turma do Centro de Tradições Gaúchas (CTG).É tudo muito bonito, pena que me faltam as palavras para descrever...prosa não é a minha praia.
Porque hoje é domingo, vou postar esta crônica(?) e ir ver o desfile.
Desejo um bom domingo de sol e paz a todos.
Denise de Souza Severgnini
Carta a David Fonseca
Isabel Fontes
Bem, hoje o dia não começou lá muito bem devido à greve normal dos maquinistas da CP, mas não foi por este assunto que eu vim a este site «www.litleboyworld.com» e prestar a minha (como é que se diz!?), a minha palavra, o meu cunho?
Ontem, depois de um dia cansativo no trabalho (diga-se mais mental que físico), depois de uma terrível caminhada pelo comboio da linha de Sintra, cheguei a casa. Como todos os dias a 1ª coisa que faço é largar tudo o que trago comigo no chão, despir-me e meter-me logo no duche.
Logo de seguida vem o botão da televisão, sou viciada nos botões, desde o 1º até ao 54(da tvcabo), vejo um pouco de todos, mas acabo por ir parar sempre ao mesmo, o canal História. è o meu canal preferido, vemos guerras, mortes, vidas passadas, não é como os nossos noticiários onde as guerras, mortes e vidas são sempre presentes, mas, além desse canal fixei-me no da Tv2, e porquê?
O David Fonseca estava numa entrevista, que por coincidência (tirando o
canal História), é o único programa seguido que eu vejo na televisão
portuguesa sem fazer o meu «Zaping». A pessoa a ser entrevistada para mim é
misteriosa, logo a minha curiosidade não me larga, e a mudança de focos com
as câmaras como sempre estava óptima, transparece o muito á vontade dos
entrevistados. Como boa portuguesa que sou, adoro saber coisas sobre a vida
dos outros, e uma enorme curiosidade por eu na minha família ter um tio
Fonseca e que a família era de Leiria, será que ele é meu primo afastado?
Bem não sei...
Fiquei agarrada ao ecrã enrolada na minha toalha e com uma meia já calçada,
a ver o programa (diga-se muito bem apresentado e seguido), o David
respondeu a todas as questões que eu queria saber sem evasivas e
esconderijos (será por isso que as pessoas gostam tanto dele?), gostei das
questões colocadas e muito das respostas.
Como já tinha apanhado o programa a meio, cedo acabou o meu pequeno gosto, quando acabou ainda fiquei na preguiça enrolada na toalha em cima da minha cama questionando-me sobre uma das últimas perguntas, a morte.
A morte, nunca sei se devo escrevê-la com letra grande ou pequena, mas considero escrever com pequena um sinal de fraqueza portanto...Para mim é um assunto tabu, não gosto muito de o abordar e de ouvir falar dele, mas gostei ontem, e não senti receio, em geral costumo ficar um pouco atrapalhada com a minha respiração, mas ontem nada, não estava ansiosa nem com medo, deixei-me ficar a reflectir sobre o assunto.
A ideia que o David transpôs fez-me pensar e até certo ponto é uma ideia que pode ser seguida e mais trabalhada, mas agradou-me ver alguém sem receio de falar sobre este meu tabu. Tudo isto porque no domingo não consegui ligar a televisão, pois só davam o transporte da SRª Amália do cemitério para o Panteão (situação que me agradou...), mas o facto de ser uma situação de morte arrepiava-me.
Não consegui, tive que me dedicar ainda mais ao meu hobbie preferido «ler»,
o que me fez ir ontem á Bertrand comprar mais uns quantos livros porque
esgotei os poucos que me faltavam ler da minha biblioteca, mas quem corre
por gosto não cansa, não é o que se diz! Enfim... Isto tudo por causa da
«morte», ultimamente tenho comprado imensos livros de Esoterismo, de
religiões, mas nenhum ainda satisfez a minha curiosidade nem me retirou o
medo de falar sobre o assunto, mas ontem no fim da entrevista fiquei
satisfeita e calma, continuei uns 20 minutos deitada na minha cama só
enrolada na toalha e com uma meia calçada, fiquei a matutar na perspectiva
do David e hoje no meio da lata de sardinhas em que eu vinha no comboio,
fez-me pensar e respirar. Gostei.
Não sou uma «dita» fã dos Sillence 4, mas gosto de ouvir a música e escutar
as letras com muita atenção, e tentar tirar algum conhecimento daquilo que
estou a ouvir, coisa que faço com todas as músicas que ouço, tentar perceber
sempre o porquê!
Aconteceu por acaso ouvir Sillence 4, tenho um amigo meu que por acaso é de
Leiria e antes de se saber quem eles eram, trouxe uma cassete para o
trabalho e perguntou-me se queria ouvir que era de uma banda onde a amiga
dele (Sofia) cantava, disse que sim. Ouvi e gostei, mas como tinha o meu
gravador estragado não consegui gravar para outra cassete e pedi-lhe, ainda
nessa semana estava eu como todas as manhãs a ouvir a rádio comercial e
estava a tocar um remake dos Erasure, I try to ...Uma canção que marcou por
completo a minha adolescência, fiquei «gamada» naquela versão mais calma,
quando o meu colega trouxe a cassete gravada já não foi necessário, o Cd já
estava nas bancas.
Mas eu continuava intrigada no nome da banda do remake, e a minha surpresa
foi maior quando ouvi o lado B da cassete e lá estava ela, mas o nome da
banda não era conhecido e dos «Sillence 4» nunca tinha ouvido falar. Ao sair
da escola á noite depois de uma terrível aula de matemática, passei numa
montra da Valentim, e vi o cartaz enorme a dizer «Sillence 4», de manhã
antes de entrar no trabalho passei na Valentim e comprei o CD, á noite
depois das aulas quando cheguei a casa, coloquei-o no rádio Cd, pus os fones,
pois já era muito tarde e fiquei a noite toda a ouvir o Cd, no fim a reacção
foi muito positiva. Nunca fui a um concerto deles, mas sempre que podia
ouvia o Cd.
Nesta conversa já muito longa, e de passagem já por diversos temas, uns
tabus outros nem por isso, o 2º álbum não foi uma surpresa para mim,
continuava a ter músicas óptimas com letras excelentes, em 1º plano a
referenciada ontem na entrevista, muito «foge» mas muito In.
Continua assim David, continuem assim Sillence 4, que eu continuo a gostar.
Em relação ao tema tabu é um assunto que gostava de debatê-lo com mais força
e contigo David.