Pagª 32 - EDIÇAO NºXXXI , IVº NUMERO DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Brasileiros legais em Portugal são mais de 106 mil
A comunidade brasileira já é a maior com permanência legal no paÃs, de acordo
com relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
A população estrangeira a residir legalmente em Portugal cresceu um por cento
entre 2007 e 2008, de acordo com dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
(SEF).
O ano passado, havia 440.277 indivÃduos com permanência regular em Portugal -
mais 4.541 do que em 2007, de acordo com o relatório divulgado pelo SEF. Os
brasileiros a residir em Portugal, com permanência regular, passaram de 66.354
em 2007 para 106.961 em 2008.
A Ucrânia ocupa o segundo lugar, com 52.495 residentes (no ano anterior somava
39.480). Cabo Verde, que em 2007 fora ultrapassado pelo Brasil, recuou para o
terceiro lugar, com 51.352 (no ano anterior contava 63.925).
Os dados do SEF revelam também o aumento do número de cidadãos da Roménia a
viver legalmente em Portugal, que passaram de 19.155 em 2007 para 63.925 o ano
passado, sendo agora o paÃs membro da União Europeia com número maior de
cidadãos a viver em Portugal.
De acordo com o relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, 2007 foi «um
ano de transição» e 2008 «o ano zero de uma nova etapa nos ciclos migratórios em
Portugal», o que é explicado pela metodologia estatÃstica e pela plena aplicação
da nova lei de estrangeiros (23/2007), que converte «todos os tipos de vistos de
longa duração e autorização de permanência em autorização de residência» e pela
emissão de autorizações de residência ao abrigo do regime excepcional previsto
no artigo 88.
A legislação vigente no paÃs possibilita actualmente a residência para exercÃcio
de actividade profissional subordinada sem ser obrigatório ter um contrato
registado na Inspecção-Geral de Trabalho, sendo suficiente comprovar uma relação
laboral por meio de documento de um sindicato ou associação reconhecida pelo
Conselho Consultivo ou pela Inspecção-Geral do Trabalho.
Segundo o relatório, havia até agora subavaliação das nacionalidades de fluxo
recente, como Brasil, Ucrânia, Roménia, Moldávia, e sobrestimativa de
comunidades consolidadas, como Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, Reino Unido,
Espanha.
Em 2008, o SEF deu 39.652 pareceres favoráveis à aquisição de nacionalidade
portuguesa, enquanto no ano anterior subiu 8.958. Subiram os pedidos de
estrangeiros já nascidos em Portugal e também os de estrangeiros residentes em
Portugal há pelo menos seis anos, que conhecem a lÃngua e não foram condenados
por crime punÃvel com pena de prisão de três ou mais anos.
Os pedidos entrados em 2008 no SEF são oriundos de cidadãos de Cabo Verde
(9926), Brasil (8391), Guiné-Bissau (4589), Angola (4463), República Moldava
(4449), São Tomé e PrÃncipe (2193), Ucrânia (1567), Guiné-Conacri (838), Ã?ndia
(1412), Federação Russa (836), Bangladesh (562), Moçambique (483), Roménia
(480), Marrocos (374), China (351), Paquistão (288) e Senegal (180).
POEMAS DE SANDRA FAYAD
BIOGRAFIA DA TERRA
Sou das águas do Amazonas
verde profundo,
Que azul se torna
sob dourado sol - nascente;
Sou céu cinza - negro
a envolver o mundo,
Onde fui flocos de algodão
sobrevivente.
Sou de bilhões de flores
essência inebriante
Que no inverno exalam
perfume insistente;
Sou das erupções vulcânicas
arroto azedo,
Podridão dos lixões
a apontar-te o dedo.
Sou as lágrimas
do mico-leão-dourado
Que ouve os soluços
do boto cor-de-rosa;
Sou a onça-pintada
viúva do seu amado,
Lobo-guará sem o fruto
Da lobeira preciosa.
Sou esperança tênue
de manter-me em cena
Sou Planeta navegante,
sem rumo, sem antena;
Sou cores verdes, azuis,
Douradas, sou branco
Enegrecido nos veios d’água
sob o barranco.
FUTURO DO PRETERITO
Não fosse a (des) crença na negação,
Não fosse o risco de um (se) não,
Não fosse minha voz emudecida
De tanta falácia vã,
De tanta auto-compaixão;
Não fosse a mudez cabisbaixa
Do olhar espreitado
E a umidade gélida da mão
Que na tua não se encaixa,
Eu te convidaria...
(futuro do pretérito)
sem medo de errar:
- Vamos sair por aÃ! É fácil!
É só ir pela estrada circular
Que nos leva a nós mesmos;
É a mesma que vai dar no mar.
Vamos indo rápido!
Enquanto água ainda há.
Faço uma pequena mala
Se quiseres, fazes a tua ...
Ou melhor, pra que mala?
Tomamos a primeira rua
Enquanto ainda há ar.
Vamos indo ...
(Como costumam dizer):
Sem eira nem beira , sem escala.
Acredita! Não é besteira.
É o encontro com a liberdade,
É o Decreto (sem assinatura)
Do fim dessa tranqueira
Batizada de Civilidade.
Contam que seu nascimento
Ocorreu no Monte Sinai
Quando ainda se conseguia
Audiências com Adonai.
Bendita selvageria!
De lá para cá tudo só piorou, uai.
Não fossem tantos (se) nões,
Eu acabava logo com essa agonia,
Parava com esse vai-não-vai
E ia.
Os homens também choram!Conto Por Arlete Piedade (Continuação - Ver inÃcio)
A fila estava de novo parada. Meteu a mão no saco a seu lado e pegou na caixa de chocolates. Comeu um quadrado sem pensar! O doce derreteu-se-lhe na boca! Seguiu-se outro e outro mecanicamente! Sempre tinha gostado de comer, por isso estava um bocado acima do peso.
Ela sempre o aborrecia por isso. Agora pelo menos já não a iria ouvir a chateá-lo. Aproximavam-se das portagens e o carro da frente travou bruscamente devido a outro ter mudado de fila inesperadamente.
Sem ter tempo de reagir e fragilizado pelas suas recordações de um casamento fracassado, Manuel embateu violentamente no carro que fez peão e ao bater no separador capotou aparatosamente.
O seu carro tinha-se imobilizado com uma violenta travagem e Manuel saiu em socorro do outro condutor. Não tinha reparado que era o carro da mulher loura. Ela estava presa no cinto de segurança e sangrava da cabeça.
Antes de mais nada ele telefonou para o serviço de emergência médica e enquanto esperava a chegada da ambulância, deitou-se no alcatrão a seu lado, acariciando-lhe os cabelos que rapidamente estavam a ficar empapados de sangue.
Ela naquele momento representava todas as mulheres, as que tinham passado fugazmente pela sua vida, as primeiras namoradas, as amantes, a esposa! Em especial a esposa!
Murmurou, sentindo o rosto molhado:
- Perdoa-me, perdoa-me! Não morras, não te vás! Deixa-me conhecer-te melhor! Não
me abandones!
Ouviu os silvos da ambulância que chegava, e afastou-se para dar a vez aos paramédicos! Entrou no seu carro mas ao ligar a ignição nada se ouviu! A porcaria do carro tinha ficado mais afectado do que ele suspeitava.
Agora era a brigada de trânsito da GNR que o chamava para fazer o Auto de Ocorrência. Respondeu mecanicamente ás perguntas, assinou onde lhe pediram, e recusou a ajuda que lhe ofereciam sem pensar.
Ficou junto ao carro imobilizado e pegando no seu telemóvel chamou um pronto-socorro, para o levar para a oficina.
Quando este chegou, deu as indicações necessárias, e recusou ajuda mais uma vez. Lentamente e sem olhar os carros que se desviavam dele para não o atropelarem, dirigiu-se á berma da Auto-Estrada.
Passou as pernas pelo separador, e deixou-se cair no talude cheio de ervas que ainda deviam estar verdes, mas já estavam a secar naquele inÃcio de Primavera, que se comportava como o fim do Verão.
Afastou-se perdendo-se entre os matagais! Para ele não havia estações do ano. Tinha deixado de haver Primavera, ou Verão! Seria sempre Inverno doravante!
Dueto Poético Francis Raposo Ferreira Arlete Piedade
Paixão Versus Amor - Paixão e Amor
Paixão Versus Amor
Em meu entender
Amor difere de paixão,
Esta vem aquecer
O lugar daquele no coração.
Amor é serenidade.
Paixão é encantamento,
Vivida com a intensidade
Própria do momento.
Amor supera a rotina,
Vence crises financeiras,
É um brilho na retina,
É um partilhar brincadeiras.
O entusiasmo e a admiração,
Por vezes exagerados,
São próprios da paixão,
É o mundo dos apaixonados.
Amor, problema não desaba,
Ele é dividir, conviver, admirar,
Com a distância não acaba.
A isto se chama AMAR.
A paixão pode chegar a cegar,
É como sentimento infantil
Que faz os amantes pensar
Que o resto do mundo é senil.
O evoluir de uma paixão
Pode desencadear um outro valor
E então o que fica no coração,
Não é mais paixão, mas AMOR.
Francis Raposo Ferreira
Paixão e Amor
Paixão é posse, é loucura,
Amor é liberdade é ternura.
Paixão é desvario, confusão,
Amor é carinho, é comunhão.
Paixão é atropelo, é desatino,
Amor é confiança no destino.
Paixão é querer tudo controlar,
Amor é ter certeza no voltar.
Paixão é uma insensata obsessão,
Amor é como uma luz no coração.
Paixão é como tempestade tropical,
Amor é uma chuva benéfica e igual.
Paixão é avassaladora e até mortal,
Amor é guardar um eterno e belo ideal.
Paixão faz ferver todo o teu sentir,
Amor te acalma, serena e faz sorrir.
Paixão pode ser um ruim sentimento,
Amor é maior que o firmamento.
Paixão é uma terrena fraqueza,
Amor é olhar o espaço e ver beleza.
Paixão te faz sofrer e querer saciar,
Amor te faz querer todo o bem ofertar.
Paixão custa a conter e sufocar,
Só o amor nos faz querer controlar.
Paixão faz o outro gemer e sofrer,
Amor faz sentir felicidade e renascer...
Arlete Piedade