Pagª 5 - EDIÇAO NºXXXI , IVº NUMERO DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Dois Poemas
Por
Denise Severgnini
PORTO ALEGRE, ONDE EU NASCI
Foi minha primeira morada
Em tempos de outrora
É ponto de passada
No hoje, tempo de agora
Cidade do meu sorriso
Antigo - Porto dos casais
Onde volto, quando preciso
Amainar os meus tristes ais
Fundada por casais açorianos
Às margens do Lago Guaíba
Origina filhos, tal qual os cavalarianos
Jamais deixam de ir à arriba
«cidade dos meus amores»
das antigas recordações
sempre coberta de flores
rica de gentes com buenos corações
«Cidade dos meus encantos»
dos bairros Glória, Partenon, Santana
às vezes, infunde-me prantos
ao rememorar de Mário Quintana
cidade de recuerdos antigos
Redenção, Bonfim, universidades
Onde deixei família...amigos
De onde levei saudade!
Obs: os versos entre aspas são do poema «O Mapa» de Mário Quintana
Denise de Souza Severgnini
SAUDADES DO POETA VALERIANO
No vazio dos dias, trabalho árduo do esquecer não perece
Quero... Eu quero tua vida toda hora
Sábios ventos bem de perto ensinam temas
Não fizeram as crianças lições certeiras
Sabem girassóis, que van Gogh não morrerá
Até estrela do dia está morrendo
onde poeta vai cantar nostalgia?
Saudade, dor que principia
Na ausência do ser que se queria.
Doce partida sem despedida
Do ser que de asas plenas buscou alforria.
Cantam os anjos a sua melodia
Nos versos alinhados na emoção tardia
Poeta, das letras fartas
Fazes falta no cotidiano da poesia terrena
Egoísmo meu querer-te para sempre neste plano
Fica no firmamento a ser eternamente Valeriano!
Denise Severgnini
16/02/2008
Homenagem ao grande amigo e poeta Valeriano que partiu em 20/02/2006 e que
deixou um vazio muito grande em meu coração. Uma amizade não acaba com a morte,
mas fica sempre uma saudade infinita...
Apesar de você

Cristina Ubaldo
Quando falou em partida, achei que não viveria sem você, nada ficaria no lugar,
nada seria como antes.
Joguei-me aos seus pés numa desvairada e ridícula tentativa de impedir sua
saída. Rasguei minhas roupas, jurei que morreria.
Joguei pedras em seu caminho para que tropeçasse e voltasse para mim. Prometi
deixar a porta aberta, mas tranquei as janelas da minha alma.
Chorei na escuridão maldizendo meu destino. Sem você não saberia caminhar me
perderia no tempo das lembranças.
Hoje acordei achando tudo tão igual! Um dia atrás do outros e tantos dias se
passaram sem que eu percebesse.
Hoje acordei e não te procurei ao meu lado e nem chorei ao tomar café sozinho,
não senti tua ausência.
Abri as janelas e deixei o sol banhar meu rosto. Não te vi no brilho da manhã e
nem ouvi sua voz ao vento.
Hoje acordei mais tarde e vi então que apesar de você já outro tempo e a vida
continuou sem você, não morri!
Estranhamente sinto-me como se tivesse dormindo por um longo inverno e hoje
despertei para o novo verão.
Estava tudo no mesmo lugar, mas a vida andou e levou você dos meus pensamentos.
Não sinto aquele nó apertar minha garganta...até cantei uma nova canção!
Hoje acordei e não senti falta de você, não pedi a porta aberta, não olhei para
trás.
Hoje descobri que vivi sem você e apesar de você...
Sorri. Porque não? É possível sem você!
Hoje me libertei das amarras que me prendiam a você, sai da escuridão, já posso
andar sem você sem me precipitar e nem perder a hora.
Hoje estou pronta para ser feliz, apesar de você.
Cris (Krica)
XV Bienal de Arte de Cerveira traz mais de 80 artistas
A Bienal estará presente em vários concelhos, cinco do Minho (Caminha, Valença,
Monção, Melgaço, Paredes de Coura) e em Tui, na Galiza. A inauguração nesses
espaços terá lugar no próximo dia 18 de Julho, iniciando-se o percurso pelo
Museu de Caminha, onde está patente uma exposição de Obra Gráfica -
Representação Internacional.
A inauguração em Vila Nova de Cerveira, terá lugar no dia 25 de Julho, às 17h00,
no Fórum Cultural.
O concurso internacional teve a participação de 439 artistas concorrentes, dos
quais foram seleccionados 83. Estão presentes artistas de 33 países. Alemanha,
Angola, Argentina, Arménia, Austria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Egipto,
Espanha, França, Holanda, Iémen, Inglaterra, Israel, Itália, Japão, Lituânia,
México, Moçambique, Nepal, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Sérvia,
Suécia, Suíça, Tailândia, Tunísia, Turquia e Estados Unidos.
Geração de emprego formal no Brasil cai 78% no 1º semestre
Ministério do Trabalho registra criação de 299.506 vagas com carteira, contra 1.361.388 no mesmo período de 2008.
A geração de emprego com carteira assinada no Brasil caiu 78% no primeiro semestre de 2009, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 16, pelo Ministério do Trabalho. De acordo com os números do O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a junho foram criadas 299.506 vagas formais, contra 1.361.388 novos postos no mesmo período de 2008.
Segundo noticia a Agência Estado, em junho, o Caged registrou a geração líquida positiva de 119.495 empregos formais, volume 61,38% inferior registrado em junho de 2008, quando o saldo entre contratações e demissões foi positivo em 309.442 postos de trabalho. O desempenho elevou em 0,37% o estoque de empregos da economia brasileira, que atingiu 32.292.808 vagas. O saldo positivo em junho é resultado de um total de 1.356.349 admissões e 1.236.854 demissões.
A indústria teve o terceiro mês seguido de saldo líquido positivo de empregos, ao registrar 2.001 novas vagas no mês passado. Mas, no primeiro semestre, a indústria ainda registra saldo negativo de 144.477 vagas.
O destaque em junho, no entanto, foi o setor de agropecuária, com a criação de 57.169 vagas. À exceção da extrativa mineral, que registrou saldo líquido negativo de 26 vagas, todos os demais setores mostraram contratações líquidas em junho. Serviços foi o segundo destaque do mês, com 22.877 vagas, seguido da construção civil (18.321 vagas).
Histórias da Vida Real
Crónicas por Martim Afonso Fernandes
Apelidos dados a automóveis e até a pessoas...
Um site na Internet conta-nos a história dos apelidos. A autora diz o seguinte:
«Da maneira como conhecemos hoje, os sobrenomes só começaram a ser usados oficialmente no século 15. Antes disso, o único jeito de diferenciar uma pessoa de outra com o mesmo nome era através dos apelidos. Para isso, era comum recorrer ao nome do pai, o lugar de nascimento, a profissão e até características físicas ou morais do cidadão.
Alguns apelidos comuns na França eram Bienboire (bom de copo) e Fritier (vendedor de peixe frito). Já na Espanha e em Portugal eram usadas as terminações «–ez» e «–es» para designar o «filho de alguém». Assim, Antunes era o filho de Antônio, e Sánchez, de Sancho.
Mas, com o crescimento das cidades, o sistema se tornou ineficiente. Decretos
governamentais passaram a exigir o registro de sobrenomes e as pessoas
recorreram aos nomes informais que já usavam. Desta maneira, os apelidos foram
oficializados e se tornaram sobrenomes de família.
A relação entre apelidos e sobrenomes continua tão forte que, em espanhol, a
palavra «apellido» significa sobrenome.»
Alguns apelidos são chamados por brincadeira. Mas, sabemos também que outros são colocados por deboche, o que é uma tendência negativa e que faz sofrer ao que o recebe.
Outro dia, ouvi uma psicóloga a dizer na TV que algumas crianças apelidam os
coleguinhas, por uma tendência maldosa, fazendo-os sofrer, como por exemplo,
chamando de «Bolão» a um gordinho, que se ressente. Ela citou outros exemplos
mais.
Concluo, então, que o ideal será chamarmos a todos pelos nomes dados pelos pais.
Eu, Martim Afonso, conto o que presenciei sobre apelidos, na cidade onde vivi
por muitos anos.
Na pacata cidade de Imbituba, muitas pessoas recebiam alcunhas, assim como penso
que ocorre em todas as cidades, em umas mais e em outras menos. Assim como as
pessoas, os automóveis também os recebiam, de acordo com o tipo e o modelo.
Começando por uma cabriolet, ano 1927, fabricação da International, chassi
aumentado com carroceria de madeira, estribos laterais dos dois lados também em
madeira com suporte de ferro, tinha 4 bancos para 5 passageiros cada, 20
passageiros sentados ao todo. Nos estribos levavam mais 5 pessoas de cada lado,
com lotação total de 30 passageiros, não havia janelas de correr e nem tipo
guilhotina.
Nas laterais os rolos de cortinas protegiam da chuva e do vento.
Este veículo era de propriedade de meu pai para transporte de pessoas em dias de
festa. E era chamado de Jardineira.
Meu tio, farmacêutico de profissão, tinha um Chevrolet Ramona Conversível, ano
1928, que fora apelidado de Biguá.
O tempo ia passando e o povo, aos poucos adquiria novos carros. Um comerciante
tinha um Buich ano 1941, ao qual chamavam de limousine. Meu irmão, adquiriu um
Ford 1929, modelo A, que recebeu um recorte de Revista no pára-brisa, com os
dizeres: «Eu sou o Bagre». Foi o bastante para ficar conhecido e lembrado por
muitos anos pelos usuários assíduos.
O pai de um amigo meu tinha um Morris Tem, ano 48, batizado de Fubica. Um Ford
ano 42, cor preta, propriedade da Cia Docas, era o Carochão. Um Hudson 51, era a
Lancha. O Ford, ano 1934, carroceria de aço, 4 portas com vidros, chamavam de
Cristaleira.
Uma caminhonete furgão Perfect, de propriedade do padeiro que substituiu a
galeota com cavalo, recebeu o nome de galista. Uma ambulância Internacional,
1939, do Instituto dos Transportes, não tinha sirene, era um sino redondo,
circular, pedalado por dentro, pedal perto da embreagem, batizaram de Cocota.
Outra ambulância mais moderna ficou conhecida como Noiva, devido ao seu tipo e
brancura. Um ônibus Ford 51, foi apelidado de Pica Fumo. Fazia a linha do
interior, e os fumantes, na maioria, usavam fumo de corda e palha de milho.
Um dos ônibus, foi chamado de Charrua, e com o tempo passaram a chamá-lo de
Andorinha, devido ao nome da Empresa. Como o Pica-fumo tinha horário de chegada,
vindo de Garopaba mais ou menos às 10.50h, os amigos costumeiros do «aperitivo
para almoçar», quando se encontravam, perguntavam um para o outro:
- Vamos tomar uma?
O convidado, às vezes achava que era cedo e pedia para esperar.
No dia a dia, o horário do Pica Fumo foi observado e aí mudou a pergunta:
- Fulano, o Pica Fumo já passou?
Se já tivesse passado, estava na hora do pessoal tomar os seus goles, ou então
secar o fundo do copo.
Em Imbituba, ou em outras localidades por onde o Pica Fumo fazia sua linha, a
pergunta virou marca registrada. Como pretexto para qualquer compromisso ou
encontro de destino amoroso, vinha a pergunta:
- Turma, o Pica Fumo já passou?
Outro apelidado, foi um caminhão com motor e chassi de um Dodge, que a lataria
estragou e foram colocando peças de várias marcas, até conseguirem montar uma
cabine, sendo alcunhado por Mistura Fina.
Na cidade de Cascavel, no Paraná, terra de pilotos de competição, um dos pilotos
de prova e sua equipe de mecânicos construíram um protótipo de carro biposto,
com a metade do carro na parte dianteira DKW e na parte traseira de wolkswagem.
Serraram, emendaram soldando as partes, saindo dali um sucesso de automóvel.
Deste modelo fui eu o padrinho: apelidei-o de Misto-quente. O nome colou e tinha
seus admiradores. Só que o dono não gostava que seu bólido biposto fosse chamado
de misto-quente.
Um piloto de provas de Laranjeiras do Sul, no Paraná, onde vivi muito tempo,
apelidou seu Simca Chambord preparado para competição, de Truta. Meu Simca
Esplanada, cor preto cadilac, teto de corvin branco, foi batizado de Corvo. E
assim, vários e vários, como o Renault conhecido por Rabo Quente, ano 48.
O Citroen ano 51, foi chamado de Freira, porque era todo pretinho. O Caminhão
Alfa-Romeu, FNM, ano 1956, foi chamado de Barriga Dágua, por ter um defeito de
fabricação. A Pickup Chevrolet 1957, por ser muito bonita, foi chamada de Marta
Rocha., em homenagem à Miss Brasil.
Assim como os veículos, conheci muitos amigos, e com respeito e carinhosamente,
recordo seus apelidos ou alcunhas:
Siri, Peixe-Galo, Bagre, Tatuíra, Macaco, Cação, Zé Cachorro, Nó Cego, Bucica,
Bico Rouxo, Pirão Dágua, Babão, Fon-Fon, Melancia.
Conheci também o Zé-Gambá, Zé-Pomba, Marrom, Bicudo, Pardal, Pão de Milho,
Mancha, Banha, Trinta Pão, Biscoito, Pamparra, Mandico, Boca Rica, Bandido,
Mane-Marreca, Zé Corninho, Milosa, Bocha, Pé de Chumbo, Bagunça, Sete Veneno,
Gambá, Sapo, Gatanhão, Batom, Zé da Barra, Biraquera, Pudim, Camelo, Xuxu e
muitos outros.
Destes apelidos também não escapei. Quando saí de Imbituba, SC, para servir o
Exército em Curitiba, eu era o único catarinense. Esqueceram de chamar-me pelo
meu nome de batismo que era Martim, para me chamarem de Catarina.
Como a Companhia de Exército que servi chamava-se 5ª Companhia Leve de
Manutenção, e em função de minha unidade passei a freqüentar vários quartéis
militares de Curitiba, fiquei conhecido como Catarina da manutenção. Mesmo indo
soldados fazendo cursos de especialização onde eu servia, meus conterrâneos
catarinenses passaram a chamar-me de Catarina.
Esta coisa de apelido cola tão bem, que quando fui trabalhar na Companhia de
Telecomunicações do Paraná, «TELEPAR», trocaram meu sobrenome de manutenção para
Catarina da Telepar. Alguns anos após, fui trabalhar na Cia de Navegação Vale do
Rio Doce, como condutor de máquinas, recebi outro sobrenome: Catarina do Doce
Mar, que era o navio onde eu trabalhava.
Fui trabalhar na Frota Nacional de Petroleiros, a «FRONAPE», passei a ser
chamado de Catarina do Joinville, que era o navio em que trabalhava. Ambos eram
super-petroleiros. Após muito tempo voltei à minha terra Natal, da qual estava
distante há mais de 16 anos, para trabalhar na Cia Catarinense de Aguas e
Saneamento, a «CASAN».
Encontrei em meu torrão natal muita gente nova e pessoas de outras cidades. A
população tinha quadruplicado. Recebi meu primeiro nome, mas o sobrenome mudou,
conhecido como eu era, devido ao meu contato com o povo, passei a ser chamado de
Martim da CASAN.
Trabalhei na CASAN durante dezenove anos. Aposentado e morando em Florianópolis,
quando meus amigos lembram de mim, até hoje sou conhecido por Martim da CASAN.
Até hoje, quando alguma pessoa não conhece minha esposa Arlete, ela diz: - Sou
casada com o Martim da CASAN. Aí, todos conhecem.
O mesmo acontecia com meus filhos. Se houvesse alguém que não os conhecesse, e
perguntasse de quem eram filhos, eles diziam: - Somos filhos do Martim da CASAN.
Desta forma, existem muitos Martins neste mundo, com outras alcunhas e nomes que
nada tem a ver com o legítimo.
Há uma rua de Florianópolis chamada de Artista Bitencourt. Ao investigar o
porque, descobri que tratava-se de um artífice de sapatos, de muitos anos
passados, quando assim eram chamados os confeccionadores de calçados, tempo em
que não eram muitos os que os usavam.
Em São Francisco do Sul, uma das cidades mais antigas de SC e do Brasil foi
construído um forte chamado de Marechal Luz. Na História do Exército Brasileiro,
ninguém conseguiu encontrar alguém conhecido por este nome.
Enfim, todos os nomes devem ter um porquê. Indo-se de Florianópolis pela BR
-101, sentido sul, mas algumas também para o Norte, conhecemos as seguintes
localidades:
Sete Pontes, Morro dos Padres, Morro dos Cavalos, Morro Cortado, Morro Agudo,
Canta Galo, Morro da Fumaça, Morro Grande, Rio Seco, Bugre Morto, Vargem dos
Bugres, Sambaqui, Morro do Boi.
Também, ao sul, tem uma cidade mentirosa, porque chama-se Praia Grande e não tem nenhuma praia e nem é grande. O nome foi-lhe dado em função do formato do rio. É uma pequena praia de rio.