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Pagª 42 - EDIÇAO NºXXXI , IVº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Coluna Poética de Laila Murad

Acróstico - Amigo

A mizade - traço inconfundível de união;
M ensagem de carinho sincero, puro e honesto;
I deal de amor, fraternidade e simpatia;
G esto espontâneo de busca,ternura e doação;
O rgulho de um coração que se dá por afeto!


Almas Afins

Vagando pelo espaço infinito
Talvez por obra do acaso ou destino
Dá-se o encontro de duas almas em sintonia.
Companheiras afins talvez de inúmeras jornadas
Seguem juntas no novo caminhar em perfeita harmonia.

Outras se querem muito, mas vivem dos contrastes,
Suas idéias são diferentes, apesar do bem-querer
E convivendo vão acertando suas disparidades
Até perceberem que o encanto desse encontro par
Está na singularidade que cada uma traz em si;
Quando separados, se sentem vazios e solitários,
Mas unidos se tornam fortes e se completam no amor.


AMIZADE VERDADEIRA

Bem-vindos amigos e companheiros
Vamos repartir os momentos inigualáveis,
Em que o riso espontâneo e a alegria solta
Vêm temperar nossa vida com euforia.

E não apenas nesses ditosos momentos,
Em que a felicidade nos traz o gosto de mel,
Mas se a dor e a tristeza chegarem ao coração
Trazendo consigo um fardo duro e cruel,
Estejamos também unidos em todos os dias.

Afinal foi Deus, na sua infinita sabedoria,
Que nos fez seus anjos pela Dádiva Divina,
Nossos corpos são moldados em matéria terrena,
Mas os nossos espíritos adejam soltos e leves
Pelo espaço, onde a imaginação os conduz
E livres como pássaros, voam em harmonia.


Vem Amor

Vem amor, beija-me, abraça-me
Gruda seu corpo no meu...
Sinta o compasso louco, acelerado
Desse coração que soa
De encontro ao seu...

Com o toque de suas mãos e boca
Venha colher os sussuros e gemidos
E os gritos dessa mulher, fêmea louca
Que, amante insensata, se esfrega em você.
Movida pela paixão , desejo , tesão...

Aperta-me contra ti, meu doce amor
Desvende os segredos e mistérios ocultos
No corpo, na alma, no coração de uma mulher

 

Coluna Poética de Sá de Freitas

SER MÃE

Ser mãe é dar de tudo, e à si nada querer;
E amar, mais do que ama a sua própria vida;
E disfarçar sorrindo a dor de uma ferida,
Para evitar que um filho seu, venha a sofrer.

Ser mãe é entregar-se inteira à luta insana,
Para orientar, amar e compreender, perdoando;
Ser mãe é atravessar as noites, sempre orando,
Por um filho que enfrenta a turbulência humana.

Ser mãe é padecer sem nunca lastimar;
E se esquecer de si e não deixar faltar,
Tudo que um filho seu precisa na jornada.

Ser mãe é ser alguém que ri, que chora e canta;
Ser mãe é ser um misto de mulher e Santa.
Que dá sempre o que pedem e, à si, não exige nada.

Avaré - SP

Sá de Freitas Poesias Uol
Sá de Freitas Raul de Leoni
Sá de Freitas Artecultural Brasil
Sá de Freitas Recanto das Letras

 

 

 




Crónicas da Minha Terra

Por Arlete Piedade

O Castelo de Almourol

 

O Castelo de Almourol localiza-se no rio Tejo, numa pequena ilha situada a norte de Santarém, a cidade onde vivo. Pertence á freguesia de Praia do Ribatejo, concelho de Vila Nova da Barquinha e distrito de Santarém.

Este pequena ilha com 310 metros de comprimento e 75 metros de largura, resulta de um afloramento de granito e não se sabe ao certo quando o castelo foi construído, mas em 1129 data da conquista deste local pelas forças portuguesas, já existia e era chamado de Almorolan, o que motiva a suposição de ter sido edificado pelos mouros.

O castelo foi em seguida entregue á ordem dos Templários, que o reedificaram , sendo as obras concluídas em 1171, conforme inscrição ainda visível sobre a porta principal.

Como responsáveis pela defesa da capital do país, que na altura era Coimbra, este castelo fazia parte de uma linha defensiva que o unia ao Castelo de Tomar, sendo provido de torres e uma estrutura em tudo semelhante ao mesmo.

Quando foi extinta a ordem dos Templários e completa a reconquista cristã, o castelo foi sendo esquecido pelos séculos seguintes, até que no século XIX, com o Romantismo, o castelo foi redescoberto e alvo de obras que tiveram mais um cunho estético que prático, na busca pelos ideais medievais.

No século XX, o fascínio que o castelo exercia, estendeu-se ao Estado, que promoveu alguns eventos naquele espaço representativo das velhas tradições e lutas dos guerreiros portugueses.

Mas como todos os locais antigos, o castelo tem as suas lendas. Uma das mais conhecidas refere-se a acontecimentos ocorridos pouco depois da reconquista, quando ainda conviviam nas mesmas terras, mouros e cristãos.

O castelão, D. Ramiro, era um guerreiro cruel, um homem violento e impulsivo, que odiava a raça invasora. Ele tinha uma filha chamada Beatriz, uma linda menina que vivia no castelo.

Um dia quando regressava das batalhas contra os mouros em direcção ao castelo, cansado e sedento, viu duas mouras que regressavam da fonte, com os seus cântaros de barro, cheios de água fresca, á cabeça.

Parou o cavalo e pediu de beber ás pobres mulheres que temerosas e aterrorizadas com o cavaleiro e o cavalo, se atrapalharam e deixaram cair as bilhas, que se partiram no chão derramando a preciosa carga.

Furioso D. Ramiro, atravessou com a sua lança as duas mulheres que morreram ali mesmo perante o olhar horrorizado de um jovem mouro que tinha acorrido ao local em socorro das duas, que eram a sua mãe e irmã.

D. Ramiro sem piedade, acorrentou o jovem mouro a quem levou para o castelo como escravo, colocando-o ao serviço da sua filha, Beatriz.

Mas o mouro jurou vingar a morte da mãe e da irmã, matando a esposa e a filha do impiedoso cavaleiro. Daí a algum tempo, a esposa de D. Ramiro adoeceu com umas febres estranhas e acabou por falecer, consumando-se assim a primeira parte da vingança.

Entretanto D. Ramiro sem desconfiar de nada, teve que partir para mais uma batalha, deixando Beatriz entregue á guarda do jovem mouro.

Este que se tinha apaixonado perdidamente por Beatriz, não teve coragem de a matar, pensando-se que lhe tenha contado toda a história e tenha obtido o seu perdão, pois também ela estava apaixonada pelo seu guardião.

Quando D. Ramiro voltou da batalha, não encontrou mais ninguém no castelo. De Beatriz e do mouro, nem sinal. O cavaleiro arrependido reconheceu os seus erros e prometeu emendar-se passando a ser mais piedoso.

Pelos séculos seguintes, consta que na mais alta torre ainda se vêm por vezes dois vultos abraçados, em certas noites escuras. São Beatriz e o mouro declarando o seu amor.

O Castelo de Almourol, foi declarado uma das sete maravilhas de Portugal. Se quiserem saber mais sobre este local encantado, acedam ao site oficial em:

www.castelodealmourol.com

E quando vieram para o Ribatejo incluam uma visita a este local no vosso roteiro. Podem crer que vale a pena. Eu já lá fui ao vivo e em imaginação. Podem crer que não me arrependi!

Arlete Piedade

http://www.youtube.com/watch?v=9z1c-gJcoyM 

http://www.youtube.com/watch?v=dq3yt6HSPjU