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Pagª 18 - EDIÇAO NºXXXI , IVº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

 Coluna de Liliana Josué  

QUANDO AS FOLHAS CAEM

O velho Manuel era um homem alto e pesado; olhos pequenos, ligeiramente rasgados e brilhantes, de tom pardo e vivos como os de uma criança.

Os cabelos brancos ainda se mostravam um tanto vaidosos do seu vigor, emoldurando graciosamente as aquelas faces bordadas de rugas.

Suas mãos eram mapas de gelhas, salpicadas de largas sardas acastanhadas mas ainda com alguma destreza. As pernas é que já não tinham a agilidade de antigamente e os pés arrastavam ligeiramente pelo chão.

No entanto, o seu porte era ainda contornado de certa virilidade.

Cansado de olhar as grandes vespas do jornal, pois a vista para pouco mais dava, levantou-se do puído sofá, outrora verde, adornado de outonais folhas castanhas, saindo em direcção ao jardim perto de sua casa.

Enquanto caminhava lentamente, nesse fim de tarde, ouvia os pássaros num cântico murmurado de saudade pelos apetecidos dias de verão.

Manuel sentou-se num banco de madeira pintado de verde, debaixo de uma grande amoreira. As folhas fustigadas por ligeira aragem, cantarolavam nostálgicas melodias de despedida, e num recato de fim de tempo caíam uma a uma, no seu amarelo envelhecer, enquanto se ofereciam dóceis , em tapetes macios, aos pés daquele homem.

Na relva verdejante, bandos de crianças corriam e gritavam, como pássaros acabados de aprender a voar, no seu entusiasmo de brincadeiras que só a elas diziam respeito.

Havia ainda cães brincando com seus donos em corridas e saltinhos, de rabito espetado, numa felicidade sem limites. Enquanto outros, de pelo frouxo e olhar triste, fugiam de cauda encolhida na certeza de não serem desejados.

Manuel tudo via e entendia. Inclinou um pouco a cabeça para trás, observando o céu acinzentado, e um leve sorriso marcou-lhe a boca de lábios finos. «Os eternos contrastes e desigualdades».

Um vento mais forte soprou num uivo de lobo, e o tapete de folhas mexeu-se num seco rostilhar, chamando a atenção daquele homem. Este olhou-as, agora atentamente, vergando lentamente o corpo.

Os seu pés mal se viam submersos naquele acolhedor tapete matizado. Numa admiração de velho que pensara já nada o perturbar, reparou serem elas também velhas mas belas.

Esticou os braços e segurou algumas nas suas mãos. Chegou-as ao rosto inalando emocionado seu cheiro a terra, enquanto duas lágrimas traiçoeiras lhe rolaram pelas faces molhando as folhas quase mortas.

Em atitude de abandono, ali permaneceu num abraço de cumplicidade, esperando serenamente algo de que sempre tanto medo tivera. Afinal a outra parte escura da vida também podia ser bela e repousante.

Eis que uma nuvem de lindas folhas castanhas, amarelas e encarniçadas desceram suavemente pela árvore envolvendo totalmente o ancião, adormecendo este em doce serenidade.

 

 

Coluna de Rosa Pena

Haoli

Para Larry Rohter

Que você não gosta do Brasil, a gente já sabe, até porque se gostasse não era amigo do Claudio Humberto, ex-assessor do Collor, que odeia nossa pátria. Que você bebe mais que o Lula, a gente também já tem conhecimento, pois já foi visto de porre diversas vezes no Barril 1800, no Rio de Janeiro.

Que você odeia os americanos que ficam abaixo de USA, a gente também tá lixado de ter ciência, já que foi público seu empenho em desacreditar a prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchu, da Guatemala, entre outras façanhas suas contra os latinos.

Que você é um jornalista medíocre de um jornaleco brown, a gente tem absoluta certeza, uma vez que as matérias que ali se publica são os maiores micos que alguém pode pagar e só comparáveis as fofocas ridículas da revista Caras.

O que a gente não sabia, é que você não gostava de mulher.

Yes man. Não gosta não. Se você é gay, eu não sei, mas que não aprecia curvas femininas, ficou claro em sua matéria do NYT. Deu uma de estilista que opta por ossos, que não consegue apreciar uma bela bunda recheando um jeans, um par de coxas que se roçam, peitinhos sem silicone, puro filé, que de tanta fartura teimam com o biquíni, e acabando saltando no primeiro mergulho .

Pois é Larry, a democracia brasileira é que nem lycra. Sempre estica e cabe mais um pouco, tanto que permitiu a entrada dos hamburgers, do ketchup , do silicone , do McDonald's, da coca- cola e você (tudo made onde? Responde!) , e também das gordinhas, made aqui, se esbaldando pelai.

No mais, o mar não precisamos importar. Sempre esteve lindíssimo aqui, pra qualquer inglês ver, e o bronzeado nestas bandas é coisa corriqueira. Ir à praia não é evento de uma vez ao ano como turista faz, que nem desfile de escola de samba (vocês pagam uma nota pra ver nossas bundas calóricas), nem fogos no reveillon (também fazem fila, mas não tem a Disney ai?) . É fato banal, sem censura de idade, sem a obrigação de ser garota de Ipanema. Todo mundo participa, como àquelas senhoras moradoras de Copacabana, (princesinha do mar!!!!), que vocês fotografaram, simbolizando a obesidade que interessava ao NYT, por pura maldade. Eta inveja!

Difícil pra uma cabecinha americana do norte, traumatizada com tanta guerra, entender esse lance de informalidade?Pois é seu Mané! Você não sabe qualé que é! Não sabe que não precisamos ser índios pra andarmos despidos, desprevenidos, curtindo o sol abaixo da linha do equador, sem sentir a dor das guerras dos desenvolvidos mal resolvidos. Nosso país permite!

Rio quarenta graus , sem o fogo das torres, intimidade com o mar, não dá pra qualquer babaca estrangeiro sacar. Vira haoli!( haoli=invasor). Ser brasileiro é privilégio de alguns. Ser carioca é dádiva!

15 de janeiro/ publicada no Jornal O Globo

ps: resposta ao repórter Larry Rohter do NYT, sobre obesidade nas praias do Rio de Janeiro e Brasil em geral.