Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo

Gripe A: Panorama Global

Hemisfério Sul corre maior risco de transmissão

A transmissão do vírus da gripe A H1N1 pode ser superior no Hemisfério Sul, mas isso não implica que a mortalidade seja maior em comparação com o Hemisfério Norte, já que a doença é benigna, previu hoje um especialista português.

«Penso que a questão principal é a transmissibilidade e, provavelmente, onde as normas de higiene e médicas são mais precárias, o que é habitual nestes países, o risco de transmissão é, eventualmente, mais elevado», declarou a Luís Caldeira, assistente graduado do serviço de doenças infecciosas do Hospital de Santa Maria.

«Isso ter-se-á verificado já nas diferenças que nós encontramos entre certos países na América do Sul e da América do Norte, como no México, e a Europa. De resto, a doença não se torna mais grave pelo facto de ocorrer neste ou naquele grupo (de nações)», acrescentou o especialista em infecciologia.

Segundo o médico, «nestes países (do Hemisfério Sul) pode haver maior incidência de casos, mas isso não quer dizer que haja uma mortalidade muito elevada».

«A questão da gravidade da doença tem sobretudo a ver com o perfil de vírus que nós temos visto. A mortalidade tem ocorrido sobretudo em grupos com patologias prévias – algumas vezes um pouco surpreendente, como no caso das pessoas obesas -, os mais idosos e pessoas com patologias pulmonares, asma e outras doenças», referiu o especialista.

O médico relatou que a doença não tem um perfil para afectar os grupos que tenham uma imunidade mais eficaz, como as pessoas mais jovens, acrescentando que «isso só acontecerá se houver uma grande mudança do vírus, o que não é o caso, que já era parcialmente conhecido nos humanos».

Luís Caldeira disse que esta pandemia tem sido classificada de várias maneiras.

«A entidade que tem sido mais razoável a classificá-la é o Centro de Controlo de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, que ordena as pandemias pelo grau de mortalidade que causam. Este vírus (da gripe A H1N1) tem um índice de mortalidade baixa, tem um grande grau de transmissão, mas a doença causada por ele é muito benigna», garantiu.

«Por isso mesmo, para o CDC continua a estar entre as mais baixas prioridades, ao contrário do que a OMS (organização Mundial da Saúde) está a fazer, é uma patologia que tem de ser vista de várias maneiras», acrescentando que o vírus transmite-se com grande facilidade e por este facto pode ter, eventualmente, um impacto social e económico elevado em alguns países, sobretudo nos custos monetários que pode acarretar.

Sobre o problema do HIV/Sida, que é muito grande principalmente em �frica, o médico salientou que «no momento, não há nada de muito concreto que nos possa dizer que as pessoas portadoras do HIV são afectadas de uma forma mais grave ou mais fácil do que as outras».

«Para já, na Europa muitos dos doentes portadores de HIV vivem com uma situação imunitária normal, não têm imuno-depressão. Em �frica, poderá haver pessoas portadoras de HIV com a situação imunitária deprimida, que poderão ter um pouco mais de risco em relação à gripe», declarou.

«Mas isto ainda não é uma realidade completamente decidida, não está completamente claro», concluiu o especialista.

Na América Latina (com 480 mortes – dois terços do total mundial), países como México (138 mortes), Argentina (165 mortes) e Brasil (34 mortes) já apresentam um grande número de infectados, passando a barreira dos milhares.

No continente africano, a �frica do Sul é o mais afectado pela gripe A, registando 114 casos, nenhum fatal, muito acima do segundo país mais atingido, o Quénia, com 22.

Os Estados Unidos, que lidera a lista no que se refere ao número de mortos, somando 221 vítimas, já estão a preparar-se para o próximo Inverno.

 


 

 

 

 

 

 


Pagª 50 - EDIÇAO NºXXXI , IVº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

DESABAFO DE UM PROFESSOR

Por Cristina Ubaldo

2009 – inicio de mais um ano letivo. Quando fui chamada para lecionar em uma escola da periferia do bairro mais carente da cidade, um temor me invadiu. Não que eu não tivesse trabalhado antes com crianças carentes, aliás, em toda minha vida só lidei com crianças carentes.

Contudo, desta vez era diferente, eu estaria diretamente inserida na comunidade, dentro do bairro não só carente, mas marcado pelas drogas, prostituição, violência, preconceito enfim, todo tipo de marginalização que possa existir.

Outro fator que me causou grande receio, era saber que as crianças de lá desconheciam qualquer tipo de regras, não tinham estrutura familiar e conhecia apenas a linguagem das ruas acostumadas a se defenderem sozinhas. A maioria delas não estava acostumada a serem tratadas com carinho e respeito não sabendo, portanto, a agirem desta forma. Como a situação do professor não permite muitas escolhas, aceitei.

No primeiro planejamento antes do inicio das aulas, uma colega «velha de casa» me alertou:
__ «Não mostre os dentes, pouca conversa e muito grito logo nos primeiros dias, ou não vai conseguir «dominá-los» nunca mais».
Outra colega também me aconselhou:
__ «Mostre logo de cara que quem manda na sala é você, passe bastante «matéria» e não de tempo deles argumentarem ou você perde o «controle deles.».

Ainda mais apavorada, armei-me até os dentes, fiz o nome do pai e entrei na sala. Com meu «pré-conceito» formado confesso que mal olhei para as crianças e não senti alegria nenhuma em estar ali. Os primeiros dias transcorreram tensos e pensei em desistir quando constatei que mesmo estando na 3ª série, poucos sabiam ler e escrever, a maioria encontrava-se ainda na fase pré-silábica. Mesmo não sorrindo e mostrando total autoritarismo, eles não me respeitavam e não respeitavam um ao outro, não demonstravam interesse algum pela aula.

Ao fim da segunda semana de aula, cheguei à conclusão de que eu tinha três opções: ou teria que muda-los, como ainda não sabia; mudaria meu comportamento para qual também não sabia, ou pegava meus livros e caia fora assinando o atestado de incompetência profissional. Destas, a terceira seria a mais viável se eu não precisasse tanto do salário.

Em meio ao meu tormento pedagógico que ocasionou um enorme mal estar docente em mim, decidi tirar a armadura, abrir meu coração e entrar na sala sem os «óculos escuros», lembrei-me da minha função social de professor. Foi o que fiz, olhei no rostinho deles com ternura e, pela primeira vez desde o inicio das aulas, vi o brilho lindo, infantil e meigo nos olhinhos deles. Compreendi que em suas atitudes revoltas estava um pedido gritante de socorro.

Senti-me terrivelmente envergonhada e pensei: __ ora Cristina, são apenas crianças e não monstros nem terroristas mirins. Se você desistir deles, estará entregando-os à mercê da própria sorte. E que sorte terá estas crianças se continuarem marginalizadas, discriminadas, estereotipadas pela sociedade?

Não meus caros amigos professores ou não. Não foi para isto que escolhi a docência como profissão e como ato de devoção à vida. Sou uma educadora orgulhosa de assim ser e, acredito fielmente que educar é mais do que ensinar a ler e a escrever. Educar é um ato incondicional de amor ao próximo.

E, se me permitem a prepotência, se tem algo que Deus me ensinou e eu sei fazer muito bem, é amar meu próximo e à vida. Hoje ainda com pouco tempo para grandes avaliações, mas tempo suficiente para que as mudanças sejam notadas. Minha sala de aula é democrática, não sou a detentora do saber, ensino, mas, também aprendo muito com eles a cada dia, todos têm a vez e a voz.

Isto se chama construtivismo? Não sei, respeito e dedicação talvez. O que sei de certo é que um pouco de carinho não faz mal a quem recebe nem dói a quem doa, ao contrário, o sorriso que aquelas boquinhas me devolvem... ah! Esta alegria não tem palavra que defina.

Finalizando este desabafo ou relato, quero deixar um apelo de uma professora que foi um dia uma aluna tão carente, descriminada pela pobreza quanto tantas que temos por aí. Não cometamos os mesmo erros, a marca deixada nas crianças não se apaga como o giz da lousa nem se deleta de suas lembranças, coloquemos mais amor em nossos atos.

Estamos lidando com gente pequenina, mas que serão cidadãos críticos participativos e nós temos a função e obrigação de zelar para que isto aconteça da melhor maneira, afinal, foi para este propósito que passamos tantos anos nos bancos da faculdade. Boa sorte a todos os colegas!