Pagª 4 - EDIÇAO NºXXXIII , IIº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
DENISE CASOU

No dia 1 do presente mês, a felicidade espelhava-se no rosto da nossa
colaboradora, a simpática poetisa e professora gaúcha, Denise Severgnini, ao
sair pelo braço de seu marido, Márcio Prass, da Igreja Luterana de Lomba Grande
- Nova Hamburgo - Rio Grande do Sul, conforme podem verificar pela foto inclusa.
Os apaixonados companheiros tinham acabado de contrair matrimónio, concretizando
um sonho antigo, e a Redação do Raizonline, associa-se a este ditoso
acontecimento, desejando as maiores felicidades ao casal e fazendo votos que
esta se prolongue no espaço e no tempo e derrame raios de luz e bem-estar nas
suas vidas e na daqueles que com eles privam, pessoalmente e virtualmente, mesmo
com oceanos de permeio.
Arlete Piedade - Chefe de Redação do Raizonline

Para ver as imagens em tamanho maior carregue aqui, s.f.f.
Nota da Direcção:
Em qualquer altura na vida das pessoas, mas sobretudo numa altura em que uma nossa grande amiga dá um passo desta importância como é o casamento, não pode (nem quer) a Direcção do Raizonline deixar de demonstrar o apreço que sente por esta nossa grande amiga e colaboradora.
Não temos o prazer de conhecer a Denise há tanto tempo quanto a Arlete Piedade e outros colaboradores deste jornal, mas embora estando para lá dos oceanos a Denise sempre nos transmitiu pelas suas palavras, pelos seus poemas, pelas suas crónicas e relatos e pela sua forma de estar connosco - através do seu carinho e compreensão - que a amizade e o companheirismo não esbarram em quaisquer fronteiras.
Sempre prestável, sempre amiga, sempre colaborante, a ela, Denise, devemos muito daquilo que neste jornal se vê imediatamente e daquilo que se não vê desde logo.
Por isso, ao mesmo tempo que desejamos à Denise a ao Márcio a maior felicidade que sem dúvida merecem não podemos deixar de lhes enviar também o nosso agradecimento por serem nosso amigos.
Obrigado Denise, Obrigado Márcio!
Dois Poemas
Por Denise Severgnini
Meandros
Constranger depreciativo
Nefelibata volita ao lusco-fusco
Nas entrelinhas, vocábulos
Aquietam - se...
Mudez mordaz
Ação falaz...
Virtualidade do tempo
Boca da noite, funcional
Deitou breu nas letras...
Rainha de copas
Alforriou o sorriso
No gato de Alice...
Tardio entardecer
Murano quebrado
Re_colado ... !!!???
Fotografia rasgada!
Pôr-do-sol derradeiro!
Ocaso caligráfico!
Crepúsculo prosaico!
Anoitecer funesto!
Epístolas jazentes...
Um epitáfio, apenas:
«Fratello» setentri_oriental :
Rosa dos Ventos oscula-te exonerada
Amplexos solares a ti ofertados
Feneceu astro-rei...«Rest em peace»!
Renascerá em outra eternidade!
Sempre haverá poesia em mim
Há ratos no tombadilho da minha caravela
Os gatos, mui amigos, saíram de férias
comeram meu queijo, deixaram-me à míngua
Mas a poesia ainda está em mim...
Minha lápide foi edificada pelos carnífices
E um epitáfio por eles escrito: Aqui jaz poesia inerte!
Aniquilei e nele com sangue gravei:
Sempre haverá poesia em mim!
Jogaram-me no deserto, sem água por perto
miragens abrolharam, oásis poéticos
beduíno trouxe-me subsídio providencial
letras soltas, alforriadas... Então ,eu poetei...
Sempre haverá poesia em mim!
Arremessada à arena, aos leões, fui oferecida
gladiador intrépido, abrolhou-me um verso
E eu ,então, com ele interagi ,num mágico dueto:
Sempre haverá poesia em mim!
Não importam ratos, doença, fome, desgraça
Pode chover canivetes, abriram-se grotas...
Se a manancial secar, a estiagem chegar, a expiação persistir
Se tudo de malfazejo a eu incidir, ainda assim
Com as bênçãos de Deus: Sempre haverá poesia em mim!
Histórias da Vida Real
Crónicas por Martim Afonso Fernandes
Eleições Políticas - Parte I
(época das promessas)
A foto abaixo mostra-nos o transporte de pessoas na carroceria de um pequeno
caminhão, em dia de eleições, em 1928, comprovando que já naquela época os
imbitubenses ganhavam transporte para ir votar.
A compra de votos no Brasil, não é de hoje, vem de há muito. Junto com o
transporte os eleitores ganhavam almoço, café e outras ofertas mais.
Os eleitos iam-se aprimorando e inventando o que de melhor podiam para angariar confiança de seus eleitores, com a finalidade de perpetuarem-se no poder. Sempre as benesses do poder atraíram a muitos, desde o tempo do Império Romano.

Nas eleições de 1950, um candidato comprou dezenas de ternos azuis - marinho, de baixa qualidade e centenas de pares de sapatos, em liquidação, para doar aos eleitores em troca de votos.
O pior de tudo é que depois das eleições sobraram calças, sapatos, paletós, sem
ser possível formar o conjunto do terno ou o par de sapato com a mesma
numeração. É que antes das eleições era doada uma peça: um paletó e um pé do
sapato.
Se o candidato «doador» vencesse o pleito, os eleitores poderiam voltar até sua
casa e receber a peça do terno que faltava e o outro pé de sapato. Contavam-se
que saíam cidadões caminhando com os sapatos de um só pé, isto é, dois bicos
virados para fora ou vice-versa. Tinham que procurar um parceiro para trocar o
pé errado, que àquela altura dos acontecimentos estava na mesma situação.
Com o passar dos anos as doações passaram a ser mais úteis, como dentaduras, que
eram chamadas pelos cabos eleitorais de «pererecas».
Foi um tempo em que os protéticos mais confeccionavam e faturavam, pois o material utilizado era de baixa qualidade, e dentadura para fins eleitorais não precisava ter garantia. Devido à fragilidade elas eram distribuídas nas vésperas das eleições, justamente para evitar algum acidente e quebrar.
A equipe de cabos eleitorais era responsável em fazer o cadastramento dos
eleitores desdentados, fazendo constar se a necessidade era de cem por cento ou
de cinqüenta por cento!!!
No cadastro ia o número do título, zona e secção de votação. Pela ordem de
cadastro dificilmente o voto falhava. Geralmente, na casa do candidato tinha uma
dependência reservada para fazer a «prova».
Dentro de uma caixa com trinta ou mais pares de dentaduras, a chamada era feita
e o eleitor fazia a escolha do par que mais se lhe amoldava à boca.
Saía com sorriso artificial e o aviso de que devia acostumar-se com a nova
dentadura, usando-a em dias alternados, até que a mesma se fixasse bem
Devido ao comércio ilegal em óticas no país vizinho do Paraguai, também eram
feitas compras de óculos de grau em grande quantidade e os eleitores também
faziam a prova dos óculos, experimentando-os e lendo bulas de medicamentos, que
tem as letras bem pequenas e devido ao grau elevado das lentes o eleitor saía
satisfeito, sempre dizendo:
-«Agora eu consigo ler tudo»!!!
(Ver a segunda parte deste tema carregando aqui)
Vidas perdidas
Haroldo
P. Barboza
(3º lugar I Festival Alternativo de Poesia – SP – jul / 99)
Quem votou nos mesmos
Tava lelé da cuca
Ou é filho batuta.
Hoje chora nos cantos
A falta de emprego
E o futuro do medo.
O salário vira fumaça
Não dá nem pra birita
Quanto mais pra marmita.
O barraco, quando chove,
Fica mais inclinado
Para oito tá apertado.
Dos carros que controlo
Da boate na esquina
O guarda leva propina.
A mulata sem emprego
Não tem mais faxina.
Já nem lava a vagina.
As crianças sem futuro,
De dia jogam bola
À noite cheiram cola.
E a turma do palácio
Que só caga camarão,
Ri à toa na televisão.
Dizem que tudo vai bem
E logo vai melhorar.
Não suporto esperar.
Mesmo sem estudo
Sei que fui enganado.
Tô perdido, tô cagado.
Ainda rezo aos santos
Pedindo de coração
Que tenham compaixão.
Não é este o destino
Que sonhei para nós.
Fico até sem voz.
Por que esta terra
Desde o descobrimento
Vive no sofrimento?
Peguem seus foguetes
Partam para outro planeta.
Vão chupar uma caceta.
Me rejeitam, me humilham.
Que na fome eu sorria.
Isto é a democracia?
Nem possuo um CPF.
Dizem que tenho valor
Pelo título de eleitor.
Agora manjei a jogada
No meio destas cobras
Somos massas de manobras.
Só queria voltar 1500
Apenas um breve tempo
E soprar outro vento.
Lamentar não adianta.
É preciso ter esperança
E ensinar à criança.
Recuperem a cidadania
Sumam as raposas e gaviões.
Prendam-se os ladrões!