Pagª 44 - EDIÇAO NºXXXIII , IIº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Portugueses e Internet

Condições sim - uso não

Na União Europeia, portugueses estão entre os que acessam menos a Internet

Em Portugal, apenas 38% utilizam a Internet regularmente (pelo menos uma vez por semana), o que coloca o país em 22. lugar entre os 27 Estados-membros.

Os portugueses estão entre os europeus que menos utilizam a Internet no conjunto dos 27 países da União Europeia, embora a rede de Internet no país seja ampla, com possibilidades de ligação acima da média europeia.

Numa análise global, um relatório elaborado pela Comissão Europeia avalia que Portugal tem uma «posição relativamente forte» na sociedade da informação em termos de aplicações comerciais (e-business e e-commerce) e é um dos países que lidera em termos das possibilidades oferecidas à população para dialogar com a administração pública (e - government).

O relatório de 2009 da Comissão Europeia sobre a competitividade digital, mostra que o sector digital europeu fez «fortes progressos» desde 2005, com 56% dos europeus a utilizarem regularmente a Internet em 2008.

Em Portugal, apenas 38% utilizam a Internet regularmente (pelo menos uma vez por semana), o que coloca o país na 22. posição entre os 27 Estados-membros.

De acordo com o mesmo relatório, apenas 29% dos portugueses acessam a Internet todos os dias, o que compara com média europeia de 43%.

«Portugal é um dos países com a taxa mais baixa de utilizadores regulares e frequentes, e tem uma quota elevada de população que nunca utilizou a Internet» (54%), de acordo com o estudo da Comissão Europeia.

O relatório revela que 95% da população portuguesa tem a possibilidade de utilizar uma ligação DSL (alta velocidade), ligeiramente acima da média europeia, que é de 92,7%, dando assim a Portugal a 12. posição na União Europeia..

 

Brasileiros que vivem no exterior poderão fazer o Encceja 2009

O Encceja é uma avaliação para identificar habilidades de jovens e adultos que não tiveram oportunidade de acesso ao ensino regular na idade apropriada.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) regulamentou a realização do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2009 para brasileiros residentes no exterior.

A medida está no Diário Oficial da União de dia 5. Os candidatos vão prestar exames nos níveis de conclusão do ensino fundamental, em 24 de outubro, e do ensino médio, em 25 de outubro. O Inep firmou parceria com a Secretaria de Estado da Educação do Paraná para a aplicação das provas.

As inscrições para o exame podem ser feitas apenas pela internet, até 31 de agosto de 2009, na página www.diaadia.pr.gov.br/ceja , na opção Exames Supletivos no Exterior.

Só pode se inscrever quem tiver, até o dia da prova, 15 anos ou mais de idade, para o ensino fundamental, e 18 anos, para o ensino médio.

Os participantes com necessidades educacionais especiais deverão informar, no ato da inscrição, o tipo de atendimento especial de que necessitam.

 

Lago dos Sonhos

É madrugada, mais uma noite se vai
Desperto, abro as janelas do quarto
Vejo o mar...
Ondas altas, pássaros que voam
O dia amanhece e a vida continua
Sem sentido, sem esperanças...
Só saudade, por estar longe de ti
Assim vou seguindo, tal como o rio
Que corre, para um oceano sem fim
E juntos se fundem, temperando as águas
Sigo meu destino, chorando as mágoas.
Vivendo o não viver, lutando com a vida
Em busca da sorte, levando comigo...
A lembrança de um sonho
Aquele sonho lindo que se foi...
Junto às águas do rio que segue seu rumo...
Rompendo barreiras, devastando matas
Em minha alma um vazio, sonhos e ilusões
Ah! Um dia terei coragem de mergulhar...
Nas ondas do mar, atravessar o oceano
Na corrente das águas, romper barreiras...
Seguir o meu rumo, encontrar o meu rio
E juntos formaremos o lago dos sonhos
Tudo renascerá em minha alma...
Que grita, explode...
Num silêncio sem fim...

Autora: Pequenina


 

Fale aí, preta!

Keisha-Khan Y. Perry, Profa. Dra. em Estudos Africanos na Brown University (EUA)- com a devida vénia da Direcção.

Dedicado a Rita dos Santos Barbosa da Associação Amigos de Gegê dos Moradores da Gamboa de Baixo, em Salvador

Fale aí, preta!
Levante a cabeça, preta!
Não grite em silêncio!
Não grite em silêncio!
No silêncio do respeito forçado
No silêncio do «pois não, Senhor» e «sim, Senhora!»
Respeito despercebido no «menina, vem cá» e «faça isso direito»
Respeito mal dividido mal pago mal concebido no salário muito menos do que o mínimo
Dos senhores que roubam que abusam que estupram
Das senhoras que torturam que controlam que vigiam
Os seus corpos escondidos
As suas mentes não emancipadas
As pretas colocadas em plena vista
Para todos verem
Ajoelhadas na poeira do egoísmo
Para todos verem e saborearem
A sensação de experimentar a tradição da humilhação
De manter elevadores de serviço
De pretas que depois de subir ladeira
Andar ligeiro
Tem que achar o seu lugar segregado
A porta a panela o quarto fechado
Diferente desigual separado
Será que não sabem que eu também gosto de bacalhau?
Que é o pão de hoje que prefiro comer?
Que quando me vêem na rua bem vestida é para me cumprimentar MESMO?
Que tenho meus próprios filhos para criar?

Chegou a Salvador cheia de esperança
Chorou quando viu que estava cuidando dos filhos dos brancos
E não sabia quem dava banho na sua própria filha
A filha que chorava de solidão aparente no parentesco falsamente cultivado
Chorava das relações baseadas em dinheiro trocado
Dinheiro gasto e responsabilidade esquecida
Sua infância roubada e sujada
Marcada pela consciência do abandono

E os senhores e as senhoras das casas grandes
Esquecem que é perigoso sair das senzalas às 5 horas da manhã
Que ela gostaria de ter seu horário de trabalho definido
Seu décimo terceiro salário na data certa
E andam afirmando que ela
É descendente das pretas que andavam em silêncio
As pretas que andavam contemplando transformação
As pretas que gritavam e controlavam suas casas
Inventavam soluções
Criavam revoluções
Vidro - as pretas quebravam em infinitos pedaços nos pratos de poder
Veneno - as pretas ferviam em águas de dominação
Em sopas de discriminação
De separação
De miscigenação forçada
Embaixo das árvores onde os senhores rezavam e enforcavam
Onde as mães pretas plantavam ervas que lembravam o sofrimento
Das cicatrizes
Dos gritos quando
Abortavam futuros escravizados
E matavam dores de massacres em massa

E cada vez que a preta atravessa as pedras em silêncio
Sobe a ladeira
Pega ônibus na escuridão
Espera o elevador de serviço em silêncio
Entra pela porta dos fundos
Ela grita em silêncio
Ela lembra as marcas das dores
Ela anda ligeiro contemplando criando na sua cabeça em silêncio
Nos pedaçinhos de papel
Na memória
Guardando as receitas das águas
Das folhas
Respondendo com as sopas da justiça em silêncio
Quebrando e rompendo a infinita quantidade de vidro em silêncio
Escrevendo notas da educação de nossa libertação em silêncio
Lembranças das dívidas para pagar em silêncio
Em silêncio em silêncio em silêncio.

Fonte