Pagª 49 - EDIÇAO NºXXXIII , IIº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo




A Santa e a Leitoa

Crónica / Causo de  Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS-

 

 

 

Prequeté, prequeté, prequeté!. E a charrete subia a rua principal.

Na boléia, mascando um pedaço de bom fumo goiano, ia o Souza, legítimo africano de quatro costados. Pouco abaixo de seus pés, entre as rodas murchas do pneu careca e à sombra, ia o Viajante; um querido e legítimo canino puro-sangue tomba-latas. Vez ou outra alguém gritava para ele: - dia Souza!, ao que ele apenas murmurava um «dia» de muito mau grado.

O Souza trazia na parte traseira da charrete, enrolada dentro de um saco de aniagem, a Neguinha; uma leitoa que foi criada dentro de casa, junto com os gatos e os cachorros da casa do Souza. Pois é, a pobre da Neguinha estava indo para o sacrifício, ou seja estava sendo doada pelo Souza ao Padre Tito, vigário de Passa - Tempo, sendo a pobre uma das prendas que seriam rifadas na quermesse. Três quartos de hora depois, e novo prequeté, prequeté, prequeté... .

Na boléia o Souza, olhos cheios de lágrimas a responder: «dia»', entre uma cusparada e outra , e entre um esfregar de olhos e outro. O Souza estava chorando!.

Todos em Passa - Tempo gostavam do Souza, e ao vê-lo chorando, perguntavam-se: o que teria acontecido?. Parou a charrete na venda dos Signorini, e depois de meia garrafa da branquinha, contou para a platéia formada de compadres e o vendeiro, a razão do choro. Foi o seguinte o que contou o Souza:

- «...é que ninguém agüentava mais a Neguinha. Todo dia ela tombava o balde de leite da Dona Zéfa, mulher do Souza, apenas para beber o leite derramado; por três ou quatro vezes pisara, talvez por pirraça ou ciúmes, com os pés enlameados, a roupa branca no quarador; brigava a dentadas com os gatos e cachorros da casa, notadamente por ciúmes, estes viviam descalabrados.

Mas, ontem foi o fim da linha!. A Neguinha deu um verdadeiro «baile» no «Souza e família a quatro»: - não se sabe como, a Neguinha conseguiu subir até o telhado da velha casa, construída ao lado de um grande barranco!. Da cumieira, choramingava feito criança nova: - tinha medo de descer!.

O Souza tentou pegá-la pelo rabo, usando uma escada, mas ela escapara vezes seguidas, e ainda de quebra, dera-lhe uma dolorida dentada na perna!. Imagine só, morder a quem a tinha alimentado desde pequenina!. A Dona Zéfa, aos gritos, quando viu a «sangüeira», desmaiou. Um vizinho do Souza, o compadre Titõezinho, quis ir chamar o Dr. Patrick para atender a comadre Zéfa, no que foi impedido pelo Souza:

-... ele é um dotô marca barbante, purisso mêmo num achô nem a duença da fía do cumpade Justino!.

Mal acabara de dizer estas palavras, o Souza viu o compadre Titõezinho cair da escada, o quê resultou na quebra das duas pernas do mesmo. Quando a filha menor, a
Magali, tentou chegar perto da Neguinha, uma ripa se partiu e ela caiu com «Neguinha e tudo» sobre o forro de madeira da sala, que também veio abaixo. Por azar, caíram sobre a cristaleira e quebraram todos os pratos e todos os copos; e
até uma reprodução da foto de casamento da dona Zéfa com o Souza.

A mesa com as doze cadeiras dispostas no meio da sala também não resistiu. Praticamente não sobrou nada da sala. Depois do ocorrido, resolveram que iriam matar a Neguinha; que ela seria transformada em torresmo e lingüiça no dia seguinte. Arranjaram um cantinho para a Neguinha dormir num canto da sala, agora sem os entulhos, ao lado do rádio Capelinha de quatro faixas e do quadro em feitio de televisão, com a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Este quadro, que a Dona Zéfa trouxe de Aparecida do Norte, era o oráculo da família, portanto centro das orações; e estava em lugar considerado sagrado. Tudo pronto para a «matança» do dia seguinte: o Souza já deixou as folhas de zinco lavadas, as palhas no jeito (para sapecar a Neguinha); além das facas, bacias e um balaio para pegar a barrigada. Tudo pronto e decidido, os Souza foram dormir, quando ainda não era nove da noite!.

Duas horas da manhã. Um grito horripilante ecoou no ar, acordando e atraindo inclusive a vizinhança. A Magali e o Souza encontraram a Dona Zéfa, olhos arregalados e sem voz; por incrível que pareça tanto ela, que havia dado o grito, quanto todos os demais que chegaram presenciaram a cena chocante: a Neguinha estava de joelhos ao pé da santa!.

Daí a razão de dar a Neguinha para o padre e estória do prequeté, prequeté, prequeté, com o qual comecei o «causo».

- O Souza achava que havia feito um pecado grave; onde já se ouviu falar que alguém fizesse lingüiça e torresmo de uma leitoa tão católica?.

 

 

Música, Piano, Guitarra, Bandolim e Grupo Instrumental.

Por Marcelo Torca

A música e sua história misturam-se com a história humana, são séculos de evolução e aprendizagem musical tanto na parte musical, como na parte de construção de instrumentos musicais.

As cameratas, bandas, fanfarras são comuns nesta caminhada humana, o quarteto de cordas com dois violinos, viola e violoncelo ficou famoso pela combinação sonora e seu devido equilíbrio, há outras combinações, mas nem sempre o equilíbrio é atingido de forma fácil e com qualquer combinação.

Hoje há outros recursos para melhorar o desempenho dos instrumentos musicais, interferindo diretamento no equilíbrio sonoro, são os pedais, caixa de som, mesa de som, e outros, trabalham o som dando mais potência ou deixando-o mais visível.

Portanto, uma combinação com piano, guitarra elétrica, bandolim e grupo instrumental torna-se viável e com mais recursos, podendo utilizar apenas um instrumento musical de cada tipo, pois os recursos eletrônicos suprem as necessidades.

E importante escrever música, deixando-a registrada numa partitura (local num papel onde há conjuntos de cinco linhas), valorizando a música e permitindo as gerações futuras aprenderem a técnica desenvolvida, também faz com que haja uma procura por estas músicas, pois há a necessidade de fazer arranjos específicos devido ao equilíbrio sonoro.

O bandolim e a guitarra elétrica se complementam, é quase uma continuação, também o duo entre esses dois instrumentos ocorrem de forma bem harmônica, o piano funciona bem como acompanhamento com estes dois instrumentos, ao fazer um solo, o bandolim precisa tocar suave, já a guitarra pode-se utilizar os graves, assim o equilíbrio existe e cada instrumento pode mostrar o seu potencial sem ser atrapalhado pelo outro.

O bumbo da bateria com o baixo elétrico formam uma sintonia muito boa, o grave do piano também ajuda a forma uma linha de baixo agradável.

A flauta-doce com o teclado utilizando som do naipe das madeiras (flauta, sax, clarineta, oboé), formam duos interessantes, mas a flauta com o bandolim soa como se tivesse uma acentuação, um recurso agradável, na velocidade este dois instrumentos acabam combinando mais.

Cada instrumento possui a sua característica e isso deve ser utilizado em favor da música, as diferenças entre os instrumentos musicais aplicadas no conjunto fazem a riqueza musical, é onde a criatividade aparece e a música tem razão de ser o que é.

Ouça música!

www.marcelotorca.com, www.grupoinstrumental.com ,
www.marcelotorca.autoreseleitores.com,
http://www.free-scores.com/partitions_gratuites_torca-marcelo.htm,
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo.asp?ID=1587 
www.macrisan.com,
www.caestamosnos.org/autores/autores_m/marcelotorca.htm 
www.grupoinstrumental.net 

 

Maria Petronilho



 

 

Saudade

A saudade é uma vela
translúcida, vibrante, acesa,
representando uma estrela

Tanto arde e não se queima!

Bordada no ar, é água...
véu transparente que voa!

É ponte que nos mantém
unidos, aonde somos
duradouros companheiros

Saudade... É uma dor doce,
não um barco mas um porto
donde se parte e se chega
prevendo quem nos abriga.

O meu carinhoso abraço a todos vós, de quem nunca estive longe, porque vos guardo no peito,

Maria Petronilho