
Pagª 10 - EDIÇAO NºXXXIII , IIº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
NA FAZENDA BATATEIRAS
Causo (Contada por Papai)
Por Sandra Fayad
Na fazenda Batateiras, lá pelos lados do rio São Marcos, território goiano perto de Catalão, eu tocava minhas lavouras. Naquela época não havia os «artifícios» que há hoje.
Quase tudo era na base da permuta (troca de mão-de-obra por
mantimentos).
- Quanto valia um dia de serviço?
Dependendo do peão, o dia era pago da seguinte forma: uma rapadura, um
palmo de fumo, uma garrafa de pinga, cinco litros de café em grão ou até
cinco balas de revólver.
Outras vezes trocava-se por ferramentas (pá, enxada, serrote, pólvora, espoleta) e até por remédio.
Eu tinha uma pequena «venda» nas minhas terras e ali se fazia de tudo. Minha mulher Geny tomava conta da venda e dava aulas para o povo da região no barracão, coberto com folha de babaçu.
Quando tinha que plantar ou colher uma lavoura, eu montava meu cavalo e saía na redondeza para convocar o povo, que ia trabalhar na minha roça: capinar; plantar arroz, milho, feijão, algodão.
A turma era grande. Tinha o Filomeno; Compadre Joaquim Matias com seus filhos João, Gerciano e José; o Felipe e o Adalto; o Gibrail, o Nego da Brasiliana, o Vidal.
Era um povo pobre que não tinha quase nada e que raramente ia à cidade.
Por esta razão fazíamos a «trama», que era o sistema de trocas sobre o
qual acabei de falar. Somente um ou outro é que queria dinheiro.
- Também para quê dinheiro na roça, se lá a gente produzia quase tudo o
que necessitava?
Na época própria, eu juntava a turma e íamos para a capina. Era uma
beleza ver aquela turma toda capinando...
O Filomeno ia numa beirada da roça e eu na outra: a turma dele subindo e
a minha descendo... Quando eles chegavam lá em cima, o Filomeno gritava:
- Cheguei!
E eu dizia:
- Agora desce com a sua turma, que eu vou subindo...
DIA DO PAI
João Furtado
PARA MEU QUERIDO PAI
Passam os anos e a força já não é muita
As pernas se curvam com o tempo
Repara-se que a memoria não é a mesma
A verdade simples é o amor que permanece nos seus olhos!
Meu querido pai, hoje é teu dia, pai
E meu também, há muito que sou pai também
Um dia que também já é dos meus filhos…
Quero te dizer obrigado pai
Um obrigado amorosamente dito
Especialmente por hoje, o nosso dia!
Reparo e vejo o quanto aprendi contigo
Inda que nem escrever sabes, querida pai
Deste-me tudo que sou hoje, principalmente
O desejo de sempre andar por vias de rectidão!
Peço-te pai, que aceites este poema como presente
A minha atenção e o meu carinho sempre terás
Isto te prometo e cumprirei, te juro, pai !
JOAO BRANCO
Já não és o que eras homem
O teu corpo torna-se pesado
A tua memoria mais fraca, mas
O amor por mim é o mesmo que tens!
Bem me ensinaste a praticar
Rico ou pobre não me mandaste escolher
A única exigência sempre dita,
Nunca mais esquecerei, foi para,
Contentar-me com o que é meu,
O que os outros tiverem, não me pertence!
Praia, 01 de Agosto de 2009
A Coluna de José Geraldo Martinez

DUETO MARTINEZ & MARIA LUIZA BONINI
GARGALHO!
José Geraldo Martinez
Gargalho de minhas debilidades...
Brinco comigo sem temor!
Se do jovem eu sinto saudade,
Por este velho, eu tenho amor!
Aliás, amor antigo...
Nem poderia ser diferente!
O jovem vivia toda vivacitude e
O velho me aguardava, lá na frente!
Envelhecemos juntos!
Ainda que por tempos, separados...
O velho é o novo de hoje,
O jovem é o velho, é passado!
Vida louca?
Tempo tresloucado...
A alegria do jovem foi pouca,
No tempo que passou apressado!
GELEIRA
Maria Luiza Bonini
O velho amigo
Que envelheceu contigo
Carregou por prevenido
Uma rara bagagem
É de onde te inspiras e respiras
Esse ar tão repleto de verdades
Ao contar, em nostálgicos versos, a tua viagem
O velho que caminhou contigo
Trouxe escondido na bagagem
O jovem que julgavas desaparecido
É agora o teu ser poeta
Que vive de forma mais discreta
Ao amor, ainda se manifesta
Quando te percebe (de paixão) perdido
Aprenda com a árvore e deixe cair as folhas secas do passado para que adubem o
chão, onde as raízes preparam o futuro.
René Trossero
Lamento de uma guitarra
Conceição
Bernardino
A visão nega-me o ensejo da luz sadia
em cera queimada, já sem pavio.
Pudera eu ser a razão
de uma razão qualquer errante.
Deixem-me aqui quieta
no medo que já não me amedronta
onde as candeias se apagam à noite,
no lamento de uma guitarra.
…pudera eu ser o que já fui
sem ser o que não mais serei…
Deixem-me aqui
onde o meu fado mora também.
Onde o silêncio sente e escuta
este sentir, vazio de ninguém.
