Pagª 19 - EDIÇAO NºXXXII , Iº NUMERO  DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


Sonhos Coloridos

Poema de Ilona Bastos

 

 

 

 

 

Leva-me contigo pelos verdes campos,
A minha mão na tua, o teu coração no meu,
Os nossos sonhos desenhando-se, coloridos,
No horizonte…

Não deixes que o vazio me invada,
Que as sombras me inspirem tristeza,
Que o sol fuja de nós e se esconda
Por detrás das nuvens cor-de-chumbo
Que a nossa desilusão engendra.

Ouves o gritar da sirene
Que anuncia a rotina do cinzento?
Sentes o frio pegajoso
Que à nossa volta se cria?
E o amontoado de medos,
Fantasmas sombrios,
Que nos aprisionam e nos afastam da vida?

Vem, vamos!
Leva-me contigo pelos verdes campos,
Em busca da luz e da vida.
Que a felicidade nos invada!
Que o azul do céu nos inspire alegria!
Que o sol nos acompanhe por entre as flores
E nos guie até ao horizonte,
Onde os nossos sonhos se desenham coloridos!


No Rossio Eram Gaivotas

São os pombos, os melros e os pardais
os velhos, os novos e outras gentes
as flores, as bancas e os jornais
as fontes e seus jorros transparentes
as lojas, os cafés, as esplanadas
os turistas, os apressados, os indolentes
os gritos, os sussurros, as risadas
as verdes copas e as castanhas quentes

Porque assim é e sempre foi
na realidade...

Mas neste início de uma tarde calma
azul o céu, brilhante o sol, sereno o ar
tudo em redor ganhou uma nova alma
pois no Rossio eram gaivotas a voar.

 

A FILHA DO MEU AMIGO NASCEU

Por João Furtado



Como não canso de dizer, apenas brinco com as letras, sinto um fascínio enorme por juntar as letras e formar palavras. As palavras agrupadas umas atrás de outras na tentativa de formar frases com mais ou menos sentido.

Tenho prazer em fazer um acróstico e nele brincar com os meus próprios sentimentos. Fingir que estou alegre, as vezes com a própria alegria vivida.

A dor também é fascinante para mim. Continuo a chorar a minha mãe, ela morreu faz quase seis anos, mas a sinto tão perto de mim. As vezes, eu não resisto e faço poemas para ela. Uns pouco melhores que outros, mas todos frutos da saudade eterna que dela sempre terei.

Também já fiz alguns poemas para os meus colegas, uns nos momentos alegres, mas a maioria nos momentos que as saudades mais apertam.

Alguns por mudarem de trabalhos, outros, infelizmente, os mais difíceis de fazer, entretanto os mais necessários, quando partem para o outro mundo. Mas todos espontâneos. Nenhum por encomenda.

Será que é mais difícil escrever por encomenda?

Um dos meus colegas de trabalho, o Jocelino Delgado, é pai pela segunda vez. Pai de uma linda e fofinha menina, não é que ele achou que, por direito, merecia um poema para a filhinha dele? A verdade é que eu também achei.

A lindíssima menininha merece muito mais que simples poema, existe apenas um pequeno problema. O bloqueio que sofro sempre que me pedem para escrever.

Gosto muito de dar, de oferecer, mas sinto certa dificuldade quando me pedem alguma coisa. O meu espírito altruísta sente sempre abalado perante um pedido, vejamos se consigo superar este…

ALISSIA JOCIANY DELGADO

ALISSIA querida menina nascida
Lembranças do teu pai que tanto
Insistiu para escrever-te um poema,
Sei que mereces, tua beleza,
Sabes, és bela e perfeita
Imperiosamente muitos poetas cantarão
A mim me resta ser a pedido do teu pai!

JOCIANY, o Jocelino teu pai ficou
Ouvi que te digo, todo babado
Claro, menina, quem não ficaria?
Isto de ser pai é mesmo assim
Ainda por cima, ser de ti, o pai
Não podia esperar outra coisa dele
Ya, ele esta feliz e muito contente!

DELGADO, aproveito, para neste poema
Enviar meus parabéns a tua mãe
Linda filha és de ambos com certeza
Graças a Deus te desejo sempre
A paz seja tua sombra no dia a dia
De carinho e amor nunca tenhas falta , e,
O mais importante, que sejais muito feliz!

Parece-me que consegui, não posso garantir a qualidade, é o primeiro poema que faço por encomenda. Será que conseguirei fazer mais?

Como o ser humano é tão egoísta…olhem só que me veio a cabeça. A ideia de arranjar dinheiro…, passar a ser um poeta por encomenda. Olha, não é ma ideia, pelo menos garantiria um leitor por cada poema que fizesse. Ninguém iria me pagar sem ler primeiro. Vou pensar nesta alternativa. Mais uns tostões, até vinham a calhar…

Praia, 28 de Julho de 2009.


O DIA DA AMIZADE

O meu dia é dedicado a ti meu Amigo!

Digo-te amigo, nunca esquecer-me-ei de ti
Infelizmente nem sei onde você esta
A distância nos separou e ficou a saudade!

Das doces confidências tidas
A certeza apenas resta da amizade eterna!

A recordação dos momentos felizes
Muito bem vividos no respeito mutuo
Impera na lembrança sempre viva
Zeloso continuo guardando na mente
As estorias por ti inventadas
Digo-as com os meus traços
E sempre ressalvando a tua autoria!


CIDADE DA PRAIA SEM VIOLENCIA

C – Civismo e paz queremos
I – Isto, ninguém tem mínima dúvida
D – De lixos, todos nós sabemos
A – A doença e a morte são únicos resultados
D – Da violência e o crime só morte e ódio
E – Esperemos ter como resultados!

D – Detestamos, com razão, ser vitimas
A – Assim sendo, porque vitimar nossos concidadãos?

P – Paz, amor e justiça e muito civismo
R – Reclamamos por justo direito da cidadania, e,
A – Andamos lançando e atirando pedras
I – Imaginando que impune somos
A – Ainda que alguns de nós, frágeis sentimos!

S – Sempre queremos no melhor habitar
E – Entre belas flores, perfeitos jardins
M – Mas lixo atiramos no quintal vizinho!

V – Vimos continuamente a criticar
I – Impróprios dos outros feitos praticados
O – Obras boas e perfeitas jamais praticamos
L – Lágrimas choramos quando violados
E – Entretanto atropelamos direitos dos outros
N – Nas ruas deixamos nossas crianças
C – Crianças estas que de rua chamamos.
I – Irmãos nossos esfaqueados e de tiros
A – Assassinados assistimos e nada dizemos!

 

 

 



Coluna de João Furtado

A minha neta, Nuna , fez ontem, 22 de Julho, dois anos. Embora neste momento esta a passar férias com os pais nos Estados Unidos, regressa em Setembro, ela vive cá desde os nove meses. É a nossa querida filha. Fiz uns poemas para ela.

NUNA, ADRIANE

Não é a primeira vez que choro
Umas vezes é por muitas razões
Nalguns casos por pouco ou quase
Agora chorei por alegria, meu Deus!

Aniversariante é a NUNA
Dois belos anos, fez a «PEQUERUCHA»
Rever a felicidade no rosto da minha filhinha
Inocente menina bela e engraçada
As lágrimas de alegrias face abaixo correram
Não pude conter NUNA mas foram de felicidades
E agora e sempre te desejo Amor, Paz e Alegria!

NUNA

N - Nos momentos como estes
U - Unirei sempre a minha força
N - No desejo de desejar felicidades
A - A minha querida filha muito amada!

A Nuna é minha filha
Dela não abro as mãos
Rosa perfumada minha
Inda que Adriane foi chamada
A Nuna aniversariante e bela
Nunca esquecerá do seu pai
Este que belo nome, NUNA, a deu!

 

 

COLUNA DE MARIA PETRONILHO

Sozinha

Eu nunca, nunca
tive um ombro
onde encostar a cabeça
quando sobre mim desabava
a tempestade!

Eu nunca, nunca
Senti uma mão
alisar-me o cabelo
quando as ondas alterosas
agitavam o meu peito

Eu nunca nunca
Tive ninguém
Nem um beijo
Nem um braço sobre os ombros
Que me acalmasse os soluços

Eu nunca nunca
Escutei de alguém
Não chores mais e descansa
que na vida tudo passa

Eu nunca nunca
tive pai, marido, mãe
A não ser para suportar
Nos meus frágeis ombros
Os males de tudo e de todos


Dança Borboleta

No fim do Verão, a borboleta amarela, depositou cuidadosamente os seus ovos num ninho de seda. Extenuada, fechou as lindas asas e adormeceu. Nem sentiu aproximar-se o frio.

Ficou muito quieta, mesmo quando as manhãs surgiram vestidas de branco e um raio fininho de sol, seu amigo, lhe tocava no ombro avisando:
- Cuidado!
... Ela nem sentiu.

Estava muito cansada, por uma estação inteira de luta, ora doce, ora amarga, buliçosa e ligeira, voando de flor em flor, multiplicando a vida. Imobilizou-se. O seu sangue deslizava mansamente... parecia uma borboleta de âmbar, esquecida pelo tempo, sem sentir o vento, as gotas de chuva, o aroma da terra...

No ninho, as larvas acordaram, famintas de vida. Roeram o caule da planta onde a mãe adormecera... a planta caiu, e nem assim a borboleta acordou. Saciadas e prontas, por sua vez, imobilizaram-se as filhas: cada uma num sarcófago perfeito de seda.

Aparentemente, nada existia... mas quanta coisa acontecia!

Entretanto, o sol voltou, e novas flores encheram de perfume o campo. As crisálidas moveram-se um nadinha: abriram os olhos no lusco fusco e estavam de novo esfomeadas... a pouco e pouco, começaram a roer o casulo, com pouca força mas muita persistência.

E uma porta se abriu... e uma ânsia cresceu! Saíram húmidas, tenras, indefesas, exauridas. Pararam um pouco, sentindo que já não eram as mesmas... à medida que a brisa as beijava, as escamas endureciam, o sangue pulsava pelas finíssimas veias.
Agitaram a medo as asas e sentiam o vento levantá-las... encantadas! Imitavam as estrelas. Fulgiam e riam, riam, lá no alto!

Mas no chão, a borboleta mãe não mais acordou.

Multiplicara-se em fulgor, em energia, em luz iridescente!
E muitas borboletas amarelas rodopiam no campo, semeiam pólen, multiplicam de novo o ciclo da vida.

 

Quando os Sonhos Morrem

Por Francis Raposo Ferreira


 

 

O que aquela mulher desejava era que acontecesse o vazio na sua cabeça, um vazio absoluto, naquela sua cabeça que pensava o que o coração sentia. Que tudo aquilo que a sua memória armazenou na palma da sua mão, na boca do beijo dele, no abraço ao braço negro, no sorriso ante o siso branco, na dor daquele amor, se esvaziasse.

Aquela mulher desejava operar a sua alma através da suas memória, desejava então que uma parte da sua memória desaparecesse, levando consigo todas as cenas de amor, todos os lugares em que se emprestaram um ao outro, todos os momentos que juntaram os outros a si, todos os outros que os ligaram ainda mais, todos os sonhos que aconteceram, todos os sonhos que caíram.

Aquela simples mulher desejava que tudo passasse a ser nada e esse nada pudesse ser tudo, a partir daquele dia. Ela desejava o impossível numa frase batida, que aquele dia fosse o primeiro dia do resto da sua vida. Porque aquela mulher queria os pés no lugar das mãos e as mãos no lugar dos pés, queria pôr-se de gatas e atravessar o resto da vida, debaixo da mesa, queria esquecer aquelas rugas desalinhadas da testa ao pescoço, aquela cor de olhos, um resto de castanho que isolado já não era cor nenhuma, aquele corpo inteiro, a franja desalinhada e aquele cheiro de quem mora em muitos lugares.

Aquela mulher queria esquecer, definitivamente, aquele homem, mas aquela mulher queria um enterro sem cortejo, sem padre, sem missa, sem despedida,. Aquela mulher não queria que lhe doesse o coração no lugar da alma, aquela mulher não só queria esvaziar a concha da água, como também queria destruir a forma da concha para que nunca pensasse em enche-la com o que quer que fosse, queria o vazio no lugar do amor.

Aquela mulher queria pegar nele e molda-lo à medida de uma só pessoa, de um só corpo, queria um prato cheio daquilo, queria uma mesa só para si e esvaziar a barriga de todos os sabores que conhecia. Mas aquela mulher também queria mais, queria o futuro, mergulhar nele e, através dele, mudar de pele, perder o liso da barriga, mudar aquele sorriso estúpido de quem não sabe dizer não, cortar o cabelo, mudar a cor dele, vestir encarnado, mudar de restaurante, mudar de rua, dançar descalça talvez.

Aquela mulher queria renascer sem mãe e sem pai, respirar pela primeira vez, encostar-se a uma estátua e gritar bem alto, rezar a um Deus distante e cair de costas na vida, sem medo, que entretanto é a mesma vida de sempre e dizer olá, sem falar, ao viajante que lhe entrou pelo corpo dentro antes de ela o pedir.

Aquela mulher não se arrependia de ter provado o néctar do amor.