Pagª 50 - EDIÇAO NºXXXII , Iº NUMERO DE AGOSTO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Gripe A: Panorama Global

Hemisfério Sul corre maior risco de transmissão
A transmissão do vírus da gripe A H1N1 pode ser superior no Hemisfério Sul, mas
isso não implica que a mortalidade seja maior em comparação com o Hemisfério
Norte, já que a doença é benigna, previu hoje um especialista português.
«Penso que a questão principal é a transmissibilidade e, provavelmente, onde as
normas de higiene e médicas são mais precárias, o que é habitual nestes países,
o risco de transmissão é, eventualmente, mais elevado», declarou a Luís
Caldeira, assistente graduado do serviço de doenças infecciosas do Hospital de
Santa Maria.
«Isso ter-se-á verificado já nas diferenças que nós encontramos entre certos
países na América do Sul e da América do Norte, como no México, e a Europa. De
resto, a doença não se torna mais grave pelo facto de ocorrer neste ou naquele
grupo (de nações)», acrescentou o especialista em infecciologia.
Segundo o médico, «nestes países (do Hemisfério Sul) pode haver maior incidência
de casos, mas isso não quer dizer que haja uma mortalidade muito elevada».
«A questão da gravidade da doença tem sobretudo a ver com o perfil de vírus que
nós temos visto. A mortalidade tem ocorrido sobretudo em grupos com patologias
prévias – algumas vezes um pouco surpreendente, como no caso das pessoas obesas
-, os mais idosos e pessoas com patologias pulmonares, asma e outras doenças»,
referiu o especialista.
O médico relatou que a doença não tem um perfil para afectar os grupos que
tenham uma imunidade mais eficaz, como as pessoas mais jovens, acrescentando que
«isso só acontecerá se houver uma grande mudança do vírus, o que não é o caso,
que já era parcialmente conhecido nos humanos».
Luís Caldeira disse que esta pandemia tem sido classificada de várias maneiras.
«A entidade que tem sido mais razoável a classificá-la é o Centro de Controlo de
Doenças (CDC), dos Estados Unidos, que ordena as pandemias pelo grau de
mortalidade que causam. Este vírus (da gripe A H1N1) tem um índice de
mortalidade baixa, tem um grande grau de transmissão, mas a doença causada por
ele é muito benigna», garantiu.
«Por isso mesmo, para o CDC continua a estar entre as mais baixas prioridades,
ao contrário do que a OMS (organização Mundial da Saúde) está a fazer, é uma
patologia que tem de ser vista de várias maneiras», acrescentando que o vírus
transmite-se com grande facilidade e por este facto pode ter, eventualmente, um
impacto social e económico elevado em alguns países, sobretudo nos custos
monetários que pode acarretar.
Sobre o problema do HIV/Sida, que é muito grande principalmente em Africa, o
médico salientou que «no momento, não há nada de muito concreto que nos possa
dizer que as pessoas portadoras do HIV são afectadas de uma forma mais grave ou
mais fácil do que as outras».
«Para já, na Europa muitos dos doentes portadores de HIV vivem com uma situação
imunitária normal, não têm imuno-depressão.
Em Africa, poderá haver pessoas
portadoras de HIV com a situação imunitária deprimida, que poderão ter um pouco
mais de risco em relação à gripe», declarou.
«Mas isto ainda não é uma realidade completamente decidida, não está
completamente claro», concluiu o especialista.
Na América Latina (com 480 mortes – dois terços do total mundial), países como
México (138 mortes), Argentina (165 mortes) e Brasil (34 mortes) já apresentam
um grande número de infectados, passando a barreira dos milhares.
No continente africano, a Africa do Sul é o mais afectado pela gripe A,
registando 114 casos, nenhum fatal, muito acima do segundo país mais atingido, o
Quénia, com 22.
Os Estados Unidos, que lidera a lista no que se refere ao número de mortos,
somando 221 vítimas, já estão a preparar-se para o próximo Inverno.
Porque é que os portugueses não votam?
Um terço dos portugueses que não votou nas eleições europeias de 7 de Junho
justificou a decisão de se abster com a falta de confiança ou insatisfação com a
política, segundo um estudo do Eurobarómetro divulgado hoje.
O estudo, o primeiro realizado depois das eleições europeias e disponibilizado
hoje pela representação em Lisboa do Parlamento Europeu, concluiu que 28% dos
que se abstiveram apontaram como razão a falta de confiança ou insatisfação com
a política, 23% o desinteresse pela política em geral e 11% a convicção de que o
voto não muda nada.
As eleições dos deputados para o Parlamento Europeu realizaram-se nos 27
Estados-membros da União Europeia entre 04 e 07 de Junho, registando uma
abstenção média de 57%. Em Portugal, a eleição foi a 07 de Junho e registou uma
taxa de abstenção de 63,2%.
O principal argumento dos abstencionistas portugueses - a falta de confiança ou
insatisfação com a política - é apontado por muitos dos eleitores europeus que
decidiram abster-se: 28% nos 27 países.
Mais de um terço (34%) dos eleitores portugueses que se abstiveram disseram ter
tomado a decisão de não votar meses antes das eleições, quase o dobro da média
dos 27, que é de 18%.
Entre os portugueses que votaram, quase metade (43 por cento), disse tê-lo feito
por ser esse o seu dever como cidadão e apenas 15 por cento por considerar que o
seu voto pode ter influência.
Estes valores são inferiores à média registada entre os eleitores europeus que
votaram nestas eleições: perto de metade (47 por cento) refere ser esse o seu
dever e quase um quinto (19 por cento) pensa que o seu voto pode mudar as
coisas.
Sobre a UE e as suas instituições, mais de metade (58 por cento) dos portugueses
confia nas instituições europeias, mais de dois terços (70 por cento) sente-se
cidadão europeu e quase metade (48 por cento) pensa que o Parlamento Europeu tem
em conta as preocupações dos cidadãos.
México: Bispos ameaçados por denunciar o narcotráfico
Igreja diz que o Governo não pode negociar com delinquentes
Três bispos e vários sacerdotes do Estado mexicano de Michoacán estão a ser ameaçados de morte por narcotraficantes, revela a Rádio Vaticano, que cita fontes eclesiásticas desta região do México. Na semana passada, aumentou a violência entre os cartéis que controlam o narcotráfico na região.
O clero local condena abertamente a actividade ilícita do tráfico: alguns párocos promovem programas preventivos e denunciam grupos que vendem drogas. «Os traficantes sentiram-se atingidos e tentam intimidá-los», explica o Padre Hugo Valdemar.
«Até ao momento, párocos e bispos recusam a protecção oferecida pelo Estado, mas se as ameaças continuarem, serão obrigados a aceitá-la», acrescenta. Um dos incidentes mais graves em Michoacán ocorreu no passado dia 11, quando foram encontrados os cadáveres de 12 agentes da Polícia Federal, massacrados em represália pela detenção de um chefe do cartel.
O clero local já sofreu ameaças no passado, especialmente depois de o Arcebispo de Durango, D. Héctor González Martínez, ter revelado a suposta morada do narcotraficante mais procurado do país, Joaquín ‘El Chapo' Guzmán, líder do cartel de Sinaloa.
«O Estado não pode negociar com delinquentes; deve aplicar a lei. Se quiserem dialogar, devem parar com a violência», diz o Pe. Hugo Valdemar. O governo do México mais do que quadruplicou a presença policial no Estado de Michoacán, no oeste do país.

O ministro do Interior do México, Fernando Gómez Mont, respondendo negativamente ao convite de diálogo dos traficantes