Pagª 27 - EDIÇAO NºXXX , IIIº NUMERO DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes.
Barack Obama diz a Africa: «yes, you can»
Barack Obama, pediu este sábado a Africa que assuma o controle de seu destino,
lutando contra as práticas antidemocráticas, as guerras e as doenças, além de
assegurar o apoio americano ao continente. Em sua primeira visita como
presidente à Africa negra, Obama adaptou seu slogan de campanha, «yes, you can»,
para pedir aos africanos que não voltem a invocar o colonialismo para explicar
as guerras, a doença, o subdesenvolvimento, as práticas antidemocráticas e a
corrupção no continente repleto de «promessas».
«Vocês podem vencer a doença, acabar com os conflitos, mudar fundamentalmente as
coisas. Vocês podem fazer isto. Sim, vocês podem (yes you can)», afirmou para os
aplausos dos deputados de Gana no Parlamento de Acra. «Mas isto só é possÃvel se
vocês, todos, assumirem a responsabilidade de vosso futuro. Não será fácil.
Levará tempo e esforços. Existirão testes e contrariedades. Mas posso prometer
isto: os Estados Unidos estarão ao lado de vocês, em cada etapa, como sócio,
como amigo».
A visita de Obama levantou o fervor popular. Centenas de pessoas o esperavam
desde o amanhecer nos arredores do palácio presidencial, onde foi recebido pelo
presidente John Atta Mills antes de seguir para o Parlamento. Muitos ganenses
tinham a esperança de ver Obama por alguns segundos. Alguns exibiam cartazes com
a frase: «Obama é o verdadeiro filho da �frica que queremos».
Entre a multidão, Ama Agyeman, uma mulher de 80 anos, em cadeira de rodas,
ajudada pelo neto de 10 anos afirmou que desejava ver o primeiro presidente
negro dos Estados Unidos antes de morrer. Obama, filho de um queniano que
emigrou para os Estados Unidos para estudar antes de voltar ao paÃs, recordou no
Parlamento que o sangue da Africa corre em suas veias e que sabe o dano
provocado pelo colonialismo no continente.
Mas, apesar de ter reconhecido a responsabilidade do colonialismo, completou: «É
fácil acusar os outros, mas o Ocidente não é responsável pela destruição da
economia zimbabuana na última década ou pelas guerras que alistam crianças entre
os combatentes». Obama, que escolheu o Gana por ser um raro exemplo na �frica de
transições democráticas e êxitos econômicos, pediu aos africanos que adotem
regras de boa governança e acabem com as mudanças brutais de regime porque «a
Africa não precisa de homens fortes, precisa de instituições fortes».
Ele completou que o apoio americano ao desenvolvimento dependeria da adesão à s
regras democráticas. Insistiu ainda no papel da parceria. Obama também prometeu
a manutenção da ajuda dos Estados Unidos à luta contra as doenças na Africa, com
o objetivo de erradicar a malária, a tuberculose e a pólio. «Ainda morrem muitas
pessoas por doenças que não deveriam ser fatais», afirmou, antes de destacar que
a luta passa por um reforço dos sistemas de saúde africanos.
Ao comentar o genocÃdio em Darfur e o aumento do terrorismo na Somália, ele
defendeu uma resposta internacional, mas também se mostrou favorável a uma visão
de «arquitetura regional de segurança que seja forte e possa produzir uma força
transnacional eficaz quando necessário». «Então, os Estados Unidos darão seu
apoio diplomático, técnico, logÃstico e respaldarão os esforços para que os
criminosos de guerra sejam julgados», disse.
Antes de retornar aos Estados Unidos, Obama visitará um hospital de Acra
especializado na luta contra a malária e, ao lado da esposa, Michelle, que é
descendente de escravos, pretende conhecer Cape Coast, local importante da
tragédia do tráfico de escravos da Africa.
O ANO EM QUE ZUMBI TOMOU O RIO
de José Eduardo Agualusa
Por
Arlete Deretti Fernandes
Introdução
O Romance contemporâneo foi enriquecido com os livros de José Eduardo Agualusa,
que publicou as seguintes obras:
• A Conjura (romance, 1989)
• D. Nicolau Agua-Rosada e outras estórias verdadeiras e inverosÃmeis (contos,
1990)
• O coração dos bosques (poesia, 1991)
• A feira dos assombrados (novela, 1992)
• Estação das Chuvas (romance, 1996)
• Nação Crioula (romance, 1997, no qual aparece o personagem de Fradique Mendes)
• Fronteiras Perdidas, contos para viajar (contos, 1999)
• Um estranho em Goa (romance, 2000)
• Estranhões e Bizarrocos (literatura infantil, 2000)
• A Substância do Amor e Outras Crónicas (crônicas, 2000)
• O Homem que Parecia um Domingo (contos, 2002)
• Catálogo de Sombras (contos, 2003)
• O Ano em que Zumbi Tomou o Rio (romance, 2003)
• O Vendedor de Passados (romance, 2004)
• Manual Prático de Levitação (contos, 2005)
• As Mulheres de Meu Pai (romance, 2007)
• Na rota das especiarias (guia, 2008)
• Barroco tropical (romance, 2009)
«O ANO EM QUE ZUMBI TOMOU O RIO», remete-nos a uma questão histórica do Brasil
no século XVII, o herói Zumbi do Quilombo dos Palmares, que lutou para defender
seu povo contra a opressão e a escravidão. Nos dias de hoje, o personagem
Jararaca, do mesmo livro, é um herói que luta para defender o povo do Morro da
Barriga, favela do Rio de Janeiro.
As cenas do livro se alternam, ora no Brasil, ora em Angola. No decorrer da
narrativa o autor junta Brasil, Africa e Portugal pelo tronco comum que os une.
As vozes narrativas, através de Agualusa, ousam citar temas polêmicos, como
questões do tráfico de armas, a situação do negro no Brasil e a violência em «um
meio onde pulsa a vida e a paixão».
A trama, parte do final, que é igual ao começo, ou seja: «o fim, como se fosse o
princÃpio e o princÃpio como se fosse o fim».
O autor angolano, inicia a narrativa assim:
Helicópteros rodopiam no céu, ao longe, agitando as águas mornas
da lagoa. Conta-os: quatro...seis...nove. Vê-os acometerem contra
o Morro da Barriga, ali mesmo, onde os últimos revoltosos
buscaram refúgio. Àquela velocidade estarão sobre eles, a
cuspir fogo, em poucos segundos. (Agualusa, 2002), p. 3.
Com a leitura e a apreciação desta narrativa verificou-se que o Brasil é visto
como uma Nação de Zumbis, paralela a outra concepção, a Nação de Tupis.
Portanto, pode-se pensar que Oswald de Andrade, com sua paródia, «Tupy, or not
tupy», pode ser substituÃda pela questão, «Zumbi, or not Zumbi».
