Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


Pagª 21 - EDIÇAO NºXXX , IIIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

 Joaquim de Fiore e August Comte

 (Continuação - ver Início)

A figura de São Bento (480-547) não é idêntica á do Profeta Elias, (Sec. IX A.C.) mas a obra do abade de Monte Cassino (S. Bento) repete, num plano superior, a do ermitão do Monte Carmelo (Elias). Investigar essas analogias ou «concórdias» é, para Joaquim de Fiore, a grande incumbência do exegeta. Quem, munido desta chave, conseguir entrar na tipologia da Escritura Sagrada será também capaz de entender o profundo significado da história moderna.

Por outras palavras e através de um sistema previamente construído, ainda que não de todo conhecido (faltará a chave) o homem constata as coincidências temporais, resume estas e tem consciência que o «segredo» do conhecimento está numa hipotética chave ou combinação metodológica que doará o conhecimento da história moderna, entendida aqui como sendo o conhecimento absoluto de tudo o que irá acontecer, precisamente porque essa metodologia (chave) sendo a mesma que orientou o passado será a mesma que orientará o futuro, consciência que se tenha que o sistema funciona em plataformas que se repetem.

Breve, num e noutro caso, nos seus últimos estados, põe-se por exclusivo o problema do conhecimento e nunca o problema da acção (praxis) e a vida do homem, como ser componente da história.

Os dois Estados anteriores referem-se, de uma forma geral, à atitude do homem perante a natureza, a sua forma de compreensão dela e dos Deuses ou Deus que lhes está subjacente: no primeiro Estado desconhecido ou incompreendido, no segundo Estado personificado ou unificado numa ou em várias entidades e no terceiro Estado,
predestinado em Fiore e resultante de uma impossibilidade de conhecimento constatada em Comte.

Enquanto que em Fiore o segredo do futuro pode ser conhecido (mas não transformado) em Comte o futuro pode apenas ser conhecido no campo restrito do acontecer, o que de alguma forma vem dar ao mesmo uma vez que um e outro sistemas não actuam sobre esse mesmo futuro.

Em qualquer um deles predomina pois o destino, o facto consumado desde o princípio dos tempos, e a margem de liberdade do ser humano restringe-se ao exercício de especulações inseridas em campos pré-delimitados (num caso por força das coisas e noutro caso por força de uma constatação dessa mesma força das coisas).

A acção humana, que pode existir dentro de um campo delimitado é de alguma forma serva dessa mesma condição.

Daniel Teixeira

 

Estrada de ternura.

Poema de Arlete Deretti Fernandes

Vou guiando meus passos na estrada da ternura.
Meus pés pisam firmes, silenciosos, macios...
enquanto a sensibilidade de poeta
toca-me a alma e faz-me sentir o encanto
da magia da palavra na doce brisa que sussurra.

A leveza de meus pés livres na relva,
o encanto da harmonia que se expande num frêmito
em meu corpo suado, gotejante...
Encontro-me com a alegria, encanto-me com a poesia.
Amizade, amor, paixão, loucura!

É uma longa estrada coberta de suave textura
São passos perfeitos, livres, enamorados,
percorro a trilha que me conduz ao infinito,
Enquanto o vento forte acaricia-me com doçura.
Encontrei neste caminho a delicadeza e a ternura.

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XXX)

«Acordei para a vida, com o pressentimento de que o meu coração dormira tempo demais! Senti e descobri que era a ti que eu mais queria. Olhei e vi a lua despida, franzida e brilhante numa noite algo fria. Questionei-a acerca do que fazer, mas ela nada me dizia.

Desesperei, pensei e repensei, concluindo que o melhor era ser eu própria, não me isolando no mundo e aceitar o que o céu, a lua e as estrelas me diziam.

Neste momento único, em que descobri os meus sentimentos, quero alcançar a felicidade extrema, difícil de avaliar, num mundo só meu e teu, em que as restantes pessoas são meros figurantes. Num mundo em que somos invadidos por sentimentos fúteis e desnecessários. Num mundo em que os verdadeiros sentimentos teimam em desaparecer.

A lua nada me dizia, limitava-se a iluminar.
As estrelas deram o seu contributo tornando a noite mais bonita…»

Este bonito trecho da escritora Inês Coelho Pires no livro «Psst... escutem-me!», pp.98-99, traduz bem o que um bebé pode sentir e falar com os seus próprios botões. Sim, porque estes também sentem e pensam…

A razão da sua escrita ter aqui sido escolhida, é nada mais, nada menos, pela visão realista, idealista, sincera, mas também melancólica e sentida, patentes na forma como descreve os sentimentos que de pequenininho um ser humano pode desenvolver.

Não deixa pois de ser curioso, como sem a conhecer, estes seus dizeres me tocaram fundo! É verdade! Pois, acredito, que à medida que se cresce, decerto esses sentimentos vão se enraizando, desenvolvendo e por vezes até podem explodir! Se «de pequenino é que se troce o pepino», será o caso de dizer que «também é de pequenino que os pensamentos começam a fluir, começam a formar a cabecinha e o coraçãozinho de cada um…»

Decerto, o céu, a lua, o sol, as estrela, vão continuar a lá estar durante todo o crescimento deste e de outro seres humanos. Decerto a visão vai mudar… Decerto continuarão sem falar, … Mas decerto haverá momentos que talvez serão os únicos a ouvir os seus queixumes, os seus medos, os seus avanços e os seus recuos… E aí, e neste contexto, decerto perceberá que afinal, pouca coisa mudou…Decerto, vão continuar a iluminar de forma surda e muda, constantemente e ininterruptamente… Decerto, serão amigos fieis para todo o sempre, com a preciosa vantagem de não haver criticas…

Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza que o melhor é mesmo não se fazerem julgamentos...