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Pagª48 - EDIÇAO NºXXX , IIIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

ENSINO DA LINGUAGEM NA ESCOLA.

Por Arlete Deretti Fernandes

Pressupostos teóricos.

A abertura política no Brasil veio trazer novas conseqüências, que influenciaram as relações dos seres consigo mesmos, com a sociedade em que se inserem e com os princípios e métodos pedagógicos.

Há mudanças significativas na lingüística, surgem várias disciplinas, como a Sociolingüística, a Psicolingüística, Texto e Enunciação, Análise do Discurso e outras.

Muitos estudos têm sido realizados sobre o Ensino da Língua Portuguesa e da Literatura nas nossas escolas, decorrentes de novas concepções dos lingüistas e dos avanços científicos da Língua como ciência. Os Parâmetros Curriculares Nacionais mostram estas novas propostas, muito mais coerentes com os avanços pedagógicos.

O Curso de Letras oferece-nos na atualidade, conceitos de lingüistas e pedagogos que nos levam a realizar muitas reflexões sobre a prática do ensino do português na escola.

Nós, professores não podemos mais estar preocupados com a absorção de conteúdos estanques, porque o fundamental não está mais nas informações mas sim na competência de se pensar com elas.

Esta pedagogia do conhecimento busca no próprio educando os fundamentos do ensino, compreendendo que ele é capaz de criar teorias e refletir sobre elas. Neste sentido deve o professor mostrar ao aluno as diversas visões de mundo, proporcionando um intercâmbio e permitindo que se faça a distinção necessária entre o saber pessoal e o saber coletivo.

O educando passa a ser um indivíduo ativo e o conhecimento é constituído culturalmente.

A língua concebida como meio de integração social, requer desses atores a defesa de suas variações, sem ignorar a importância do domínio da norma lingüística. Não posso fechar os olhos à realidade lingüística: a variedade. Toda variedade tem uma regularidade, não é um caos.

A escola deve respeitar as variações lingüísticas que o aluno usa para interagir, mas também deve ensinar a norma padrão, já que a maioria dos alunos das escolas públicas não têm acesso a este tipo de linguagem. A norma padrão culta não deve ser ensinada como uma imposição da classe dominante, nem como uma possibilidade de ascensão social, mas com outro objetivo, que é o falante ter competência para se expressar através da variante padrão da Língua Portuguesa, explicando-lhe como e em quais lugares ou ambientes usá-la.

Também é necessário conduzir de uma melhor forma o ensino da norma-padrão. Está ultrapassado trabalhar o português através de «erros» e «acertos», «isto pode» ou «isto não pode» As diferenças lingüísticas não devem ser vistas como deficiências lingüísticas.

A língua-padrão deve ser ensinada mostrando ao aluno que há variações em uma comunidade, que ocorrem em função do contexto em que são empregadas.

A leitura não deve ser apenas simples exercício de interpretação textual, como recorte de texto e colagem de respostas. O aluno deve desenvolver diferentes conhecimentos para alcançar o objetivo da leitura.

A prática de escritura deve ser desenvolvida através do processo de reescritura, para ampliar o vocabulário, estruturar bem seus enunciados e desenvolver as habilidades de escrita.

Também é importante focalizar a oralidade, a fala e a escuta, que são habilidades interligadas. E por meio delas se desenvolve e amplia os diferentes recursos lingüísticos.

O processo de ensino e a aprendizagem da língua materna precisa estar associado aos processos de letramento, sobretudo no que diz respeito à produção de textos e às práticas presentes e necessárias à inclusão social.

Neste estudo da linguagem como prática social, os estudos literários partem do princípio de que a literatura deve ser estudada de uma perspectiva discursiva, como uma construção social onde a comunicação, o conhecimento e a interação literária são determinados não apenas por processos estéticos mas também e principalmente por comprometimentos, tensões, conflitos e contradições entre os diversos agentes que atuam e compõem o campo literário.

Os trabalhos científicos da área de educação realizados nos anos 80, tornaram possível repensar as questões envolvidas no ensino e na aprendizagem da língua portuguesa. As novas metodologias reconhecem que o aluno tem um conhecimento prévio da língua, fruto da sua vivência, cabendo à escola aproveitar esse saber do aluno para que ele multiplique os seus conhecimentos.

Mas ainda é discutível a forma com que os conteúdos da chamada língua culta são ensinados. Algumas escolas e professores ainda não sabem como aplicar as novas práticas. É possível identificar alguns equívocos no ensino e, apesar da evolução que já é notada, ainda há muito o que melhorar.

Pela leitura a criança aprende a escrever e o hábito da leitura dispensa a sistematização do ensino da gramática, que deve ser apreeendida no contexto dos textos que a criança lê ou produz. Podemos destacar palavras que representam o substantivo, o verbo, o adjetivo, A leitura permite que a criança aprenda a estruturar o texto, com coesão, coerência e com vocabulário variado.

Mas para conseguir os resultados esperados, o professor tem que participar ativamente do processo, tem que provocar o aluno a buscar o conhecimento.

Para Possenti, «a única opção de uma escola comprometida com melhoria de qualidade do ensino está entre ensinar ou deixar aprender… Qualquer outra implica em conformar-se com o fracasso, ou pior, em atribuí-lo exclusivamente ao aluno».

Em seu livro «Por que (não) ensinar gramática na escola», o lingüista Sírio Possenti afirma que «ler e escrever não são tarefas extras que possam ser sugeridas aos alunos como lição de casa e atitude de vida, mas atividades essenciais ao ensino da língua. Portanto, seu lugar privilegiado, embora não exclusivo, é a própria sala de aula».

Principalmente quando o ambiente familiar é menos favorecido do que o da escola, e a oferta de material para leitura é reduzida, o professor deve apresentar a maior variedade possível de elementos que possam servir para o aprendizado da língua materna.

De uma maneira geral, o estímulo à leitura não é feito apenas pelos livros de ficção. O professor pode utilizar cartazes, rótulos de produtos, textos de embalagens, avisos, revistas e jornais. É importante despertar no educando a consciência da funcionalidade da escrita, que passou a existir na sala de aula mais recentemente.

(Ver este texto completo carregando aqui.)

 

 

COMO ANALISAR E SELECIONAR DA MELHOR MANEIRA OS TEXTOS DE LITERATURA INFANTIL.

Por Arlete Deretti Fernandes

É muito importante que as crianças entrem em contato desde cedo com os livros, para adquirirem gosto pela leitura. Pesquisas da UNESCO demonstram que o hábito da leitura é formado até ao máximo, 12 anos.

O escritor e filólogo Antônio Houaiss diz que «trata-se de um processo geracional. Só depois do enraizamento do hábito de leitura na infância é que poderemos ter um mercado -leitor amplo e vasto. Quem até aos 25, 26 anos não chega a ler pelo menos um livro por ano, não terá um livro por dez anos. E quem se habituou a compulsar dez livros por ano aos 4 anos de idade, vinte aos 5 anos e por aí em diante, dificilmente abandonará o livro.» (O Globo, 15-07-76).

O hábito da leitura é transmitido à criança pelo adulto. É importante ler e falar sobre livros na presença dela. Levá-la a visitar livrarias e escolher um livro. Reservar espaço para guardá-los, conversar sobre um livro que esteja lendo, admitindo que ela possa dar outro final à história, se quiser.

Há nos dias atuais uma grande quantidade de livros infantis e juvenis no mercado. Encontramos as histórias clássicas de há muito conhecidas, e as demais publicações.

O professor que precisa destas obras para trabalhá-las com seus alunos em literatura, se depara com uma quantidade grande de obras. No meio a esta quantidade há livros bons, mas a maioria tem qualidade duvidosa.

Torna-se difícil fazer-se esta avaliação, basta entrar-se em uma livraria ou biblioteca. Há livros dos mais diferentes formatos e materiais, com figuras que se movimentam e com recursos sonoros. Neste caso a narrativa torna-se menos importante que o audiovisual.

Nesta situação, o que fazer para selecionar-se bem, escolher leituras que estimulem e levem a criança e o adolescente a buscar outras leituras?

Há livros bons e há livros descartáveis. Por este motivo é importante que o professor tenha conhecimentos teóricos sobre a importância que tem a literatura infantil na formação da criança. Os objetivos que o professor quer atingir também devem ser claros.

Um aspecto a ser focalizado é o externo, já que primeiramente a criança entra em contato com conteúdos visuais, como capa, tamanho, formato, peso, espessura, qualidade do papel, número de páginas, o equilíbrio entre a ilustração e o texto, o tamanho e tipo de letras usadas, as técnicas de ilustração e as cores. Tais características atraem ou afastam o leitor infantil.

As crianças menores precisam de livros mais resistentes, que facilitem seu manuseio e que tenham letras grandes e muitas ilustrações.

Para as crianças em fase de alfabetização, o texto precisa ser curto e acessível. A ilustração deve facilitar a compreensão da história, porque os desenhos estimulam o raciocínio e a criatividade.

Há que se cuidar com as ilustrações, porque elas também reforçam estereótipos e preconceitos. Personagens más, sempre aparecem feias, fadas, príncipes, princesas e heróis sempre tem aparência bonita. A avó, aparece sempre como uma velhinha de cabelos brancos, tricotando em uma cadeira de balanço. O avô aparece como um velhinho gordo, de óculos na ponta do nariz. Mesmo nas histórias mais novas a mãe é representada como uma mulher de avental e com um espanador na mão. E o pai segurando uma pasta ou o jornal. A empregada, o marginal e o operário são quase sempre negros.

O professor tem que reconhecer estes preconceitos e enjeitar estes livros ou então pelo menos conversá-los com os alunos.

Há também os textos imagéticos, aqueles que não tem texto verbal.

O segundo ponto de discussão do livro é a respeito de sua escrita. É bem escrito? Conta uma história original? Vai prender a atenção do leitor? Está de acordo com a faixa etária a que se destina? É capaz de despertar o imaginário, o raciocínio? De buscar soluções para os problemas? Que ideologia tem? É obra didática ou moralista?

Também é preciso observar-se as revisões, se não contém erros, porque senão prejudicará a aprendizagem do aluno.

Os interesses das crianças pelos assuntos também se relacionam com a faixa etária.

Os primeiros livros que se oferece ao bebé devem ter gravuras de seu interesse, como brinquedos e animais e histórias com animaizinhos.

A segunda fase vai dos 5 aos 9 anos. É a idade dos contos de fadas. No texto poético encontra o gosto pelas rimas e pela métrica.

Dos 9 aos 12 anos continua o gosto pelas histórias de fadas mas também começa a interessar-se por história de aventuras.

Dos 12 aos 15 anos os interesses são por livros de aventuras, romances sensacionais, livros de viagens e histórias sentimentais.

A 5ª e última fase, dos 14 aos 17 anos, a leitura torna-se diversificada e abrange histórias de conteúdo mais intelectual, livros de viagens, romances históricos, biografias, histórias de amor, atualidades.

Esta classificação é para indicar os interesses de faixa etária para leitura, porque nos dias atuais houve muitas mudanças nos interesses infantis. As crianças costumam assistir histórias bem complexas na televisão e entendê-las.

A leitura de poemas também é interessante para a aprendizagem infantil e adolescente, porque vai despertando o gosto pela poesia.

Também é importante levar os leitores à reflexão dos textos lidos, para que se desenvolvam alunos e jovens conscientes da própria vida.

REFERÊNCIAS:

Critérios para Análise e seleção de textos de Literatura Infantil- Mara Ferreira Jardim.