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Pagª 10 -  EDIÇAO NºXXX , IIIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   


JURANDIR DO SAX

Sandra Fayad

Quem por este Brasil afora não ouviu falar de Luiz Gonzaga que, em parceria com Humberto Teixeira, é autor e intérprete da música PARA�BA MASCULINA?

Quando a lama virou pedra e mandacaru secou
quando ribançã de sede bateu asas e voou
foi aí que eu fui me embora carregando a minha dor
hoje eu mando um abraço pra ti pequenina

Êta pau pereira que a princesa já roncou
êta paraíba mulher macho sim senhor
êta pau pereira meu bodoque nem quebrou
hoje eu mando um abraço pra ti pequenina

Paraíba masculina mulher macho sim senhor (bis)

Saí pra lá peste!

Hoje, ao invés de ir embora, o paraibano prefere dar uns «rolés» por aí e voltar para receber gente do mundo todo em seu torrão natal, com muito orgulho.

Uma das principais atrações da boa terra pode ser encontrada em dezenas de vídeos inseridos no «youtube» sobre o pôr-do-sol na famosa Praia do Jacaré, que não me canso de admirar sempre que tenho a oportunidade de ir a João Pessoa.
Você dirá:
- Pôr-do-sol é bonito em qualquer lugar do mundo.
- Com certeza.

Mas posso lhe garantir que esse tem algo de muito especial. Para assisti-lo, você necessita chegar por volta de 4 horas da tarde, munido de câmara fotográfica ou filmadora, de preferência. Faça um curto passeio pela orla para escolher um dos seis bares onde estão se apresentando músicos regionais e instale-se.

Peça algo para beber e, se a visita ocorrer em alta temporada, curta a movimentação intensa de visitantes, que tentam escolher o melhor ângulo para verem, ouvirem e fotografarem ou filmarem o evento, que dura apenas 15 minutos, dentro do calmo e estreito braço do mar, à frente.

Ali circulam pequenos barcos com turistas que preferem participar do acontecimento o mais proximamente possível. Às 17 horas em ponto, interrompem-se as apresentações musicais nos bares para dar lugar às primeiras notas que saem de um único saxofone, vindas de uma pequena canoa, que é movimentada lentamente da direita para a esquerda da orla por um remador.

O passageiro, apenas ele - o Jurandir do Sax - emociona a todos com o Bolero de Ravel naquele pequeno instrumento de sopro, tocado de pé. O barquinho vai passando na frente dos bares, enquanto ao fundo o sol se põe, refletindo nas águas os tons dourado-avermelhado, sob os quais circulam também os outros barcos. É impressionante constatar que o espetáculo do pôr-do-sol e o concerto duram exatamente 15 minutos cravados. Desta vez pedi ao meu amigo Adriano que filmasse e ele me presenteou com um DVD, que poderá ser assistido no meu site www.sandrafayad.prosaeverso.net.

Três dias depois, em um pequeno shopping de João Pessoa, após outra apresentação em ambiente fechado, onde ouvimos vários clássicos da MPB tocados por Jurandir e seu grupo, pude perceber que ele é dono de uma simplicidade e de um astral de fazer inveja. Ao falar do seu trabalho e da oportunidade de se apresentar ali, onde também ouviríamos Antonio Carlos e Jocafi, demonstrou muita emoção e valorizou a oportunidade. Nós é que ganhamos duplamente.

Aproveitei para conversar com ele e me fotografar ao seu lado. Sempre sorridente, contou um pouquinho da sua história:
- Comecei a tocar instrumento de sopro aos 16 anos. Todos os dias eu ia para a Praia do Jacaré assistir ao pôr-do-sol levando meu sax. Ali sozinho comecei a acompanhar o evento tocando Bolero. Deu no que deu...

Hoje Jurandir é conhecido em todo o mundo, mas mantém a simplicidade e a gentileza típicas de um bom paraibano.
Estão ambos de parabéns: o Jurandir e a Paraíba.

 

Horta Comunitária 713 Norte - Brasília

Sandra Fayad

Registrei em uma foto um dos momentos mais significativos da minha vida. Faltava exatamente um mês para o aniversário de 91 anos do papai.

Nesse dia, 1º de agosto de 2006, ele estava hospedado em meu sobradinho, para darmos continuidade aos registros das suas histórias ocorridas em Catalão, que iriam se transformar em livro, enquanto vida ainda tivesse. Infelizmente, ele se foi antes da conclusão do nosso projeto.

Nos intervalos entre um relato e outro que eu interrompia, papai, que não conseguia ficar quieto, apesar do agravamento do enfisema pulmonar, resolveu fazer uma limpeza no terreno sob a mangueira e o jambeiro que há na frente da casa.

Rastelou as folhas secas, recolheu os plásticos e papéis trazidos pelo vento, retirou as baquearas com a força das próprias mãos e, quando já cansado e curvado sob o peso da idade, da doença e da coluna torta, - porém de pé bem no meio do terreno - apoiou o cotovelo no cabo do rastelo e olhou para a sua obra-prima, aprovando-a.

Eu, que o observava em toda a sua fragilidade e solidão da janela do meu quarto, me armei de coragem e compaixão e o fotografei emocionada, sem que ele percebesse...

Aos poucos fui organizando naquele local uma das coisas que papai mais gostava: a hortinha de ervas, onde ele ainda participou dos primeiros passos. Foi ali que eu me despedi dele alguns dias após a sua morte, em janeiro deste ano, prometendo-lhe que iria fazer daqueles 38 m² a mais bela horta da cidade. E parece que consegui dar-lhe esse presente.

Veja aqui algumas publicações sobre a Horta Comunitária 713 Norte de Sandra Fayad : Um - Dois - no Site da Sandra e AQUI a última remessa da Sandra: uma relação de plantas e animais que vivem na Horta.

 

Poesia de José Manuel Veríssimo

(ver biografia resumida)

Lá do Oceano �ndico ou Sobre uma noite na Internet

Um teclar inibido:
- Quem és?
- De onde teclas?
- Sou de longe
- Sei que é difícil adivinhar
- Quando não se vê
- Mas creio que se sente.
- Falo a tua língua
- Noutro continente
- Pertenço a outras gentes……
Falamos de mães
que salvam filhos
De tanta inundação
Da caridade que pinga
Da informação
Entre o sangue
A saliva e a tinta
As tempestades
E a mingua…………
Ficou ponto assente
Entre continentes
Afectos
Contactos
E pontes
Não vou esquecer
Do que ainda
Tão bem me lembro
Até um dia amigo
Kanimambo

Actualização no Seixal em 17.07.2009 de um poema escrito em 29.12.2000 - Sobre uma conversa na net


Ninhos e Desejos

Caíram Ninhos
Porque não eram Ninhos
Apenas um monte de ervas secas
Sem carinhos

Quando semeamos
As sementes não germinaram
Porque não saciamos a terra
Um dia
Em simultaneo
Fartos de solidão
Encontramo-nos
Num gesto telepático
E espontaneo
Em margens opostas do Tejo

Sentimos levemente
O toque do outro
Como um beijo
Quente……..quente
Ali mesmo
Numa ponte diferente
De corpo e desejo


Noite na Praia - sobre uma noite na Manta Rota em 1997

Bátegas de chuva
Diante dos faróis
O corpo movendo
Meio automático
O volante………
Os últimos quilómetros
Os últimos metros
Os cálculos do estacionamento
Vagas lembranças
Recordam maresias
Os meus lábios
Os teus olhos
Murmurando entreabertos
De um castanho esverdeado
Baloiçando corpos
Na praia húmida de Outono………………
Limpei a imagem
Na vidraça embaciada do pensamento
Tudo ficou salpicado de estrelas
Nos nossos corpos vibrantes
Soavam músicas
-Lânguidas
-Mágicas
-Belas