
Pagª 19 - EDIÇAO NºXXX , IIIº NUMERO DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
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Fernandes.
José Alencar, um bravo

A segunda vez que tentei fazer a Primeira Comunhão
Era um sábado incomum. Há um bom tempo eu estava às voltas com os preparativos para a minha primeira comunhão. Durante muitos dias se discutiu se eu deveria usar uma roupa branca ou azul marinho. Finalmente chegaram à conclusão que só deveriam resolver no momento da compra.
Para se fazer a compra tinha que se ir para a cidade, e para se ir até a cidade, desde a fazenda em que vivia era necessário passar por uma verdadeira via sacra. Tínhamos que tomar o caminhão dos bóias frias que zarpavam da fazenda muito cedo, por volta de três e meia da manhã.
O caminhão nos deixava próximo da cidade, mas não ia dentro da cidade. Dali, tínhamos que esperar o ônibus que vinha da cidade vizinha que nos levava até o «comércio» da cidade, onde minha roupa da primeira comunhão me esperava. Só de pensar ficava excitado. E de tão excitado, não dormi.
Muito antes do galo do terreiro cantar, sim porque na minha terra o galo é tido como um relógio pois canta em horas determinadas; eu já estava de pé.
Lavar o rosto, botar uma roupa de passeio pentear os cabelos e escovar os dentes nunca tinham sido atividades tão prazerosas.
Embarcamos no caminhão no local e momento determinado; e eu me sentia orgulhoso de ser o centro das atenções. Quando, finalmente, o caminhão nos deixou no local previamente conhecido, eu ainda estava bem disposto. Foi então que aconteceu algo, que marcou minha vida.
Eu estava de pé, ao lado de minha mãe, aguardando o ônibus que nos conduziria até a sonhada roupa nova. Por trás do morro, próximo ao local onde estávamos, vi surgir um enorme monstro de ferro, expelindo fumaça pelo nariz e pela boca, ao mesmo tempo em que urrava feito uma fera.
Tomado de pavor, saí correndo ao longo da estrada onde me encontrava, enquanto a
minha mãe corria atras, e gritava:
- Pára menino!
-PEEERUUU, PEEERUUU, PEEERUUU, ...
E o monstro se aproximava, feio e aterrador, envolto em grossa cortina de fumaça
negra. O meu coração parecia querer sair pela boca, minhas pernas tremiam e
pareciam que não estavam suportando meu próprio peso. Devo ter corrido uns
quinhentos metros, quando tropecei numa pedra e me estatelei no meio da estrada.
Com a cara colada ao chão, esperei chegar o momento de ser devorado por aquele
monstro terrível.
-PEEERUUU, PEEERUUU, PEEERUUU, ..., apitou o monstro, ou falou, não sei ao
certo, mas o fato é que ele parece ter desistido de me devorar, pois passou
direto e quando levantei a cabeça, só vi os grossos rolos de fumaça negra que
iam muito além. Quando criei coragem e me levantei, vi minha mãe sorrindo,
embora preocupada. Ela me disse:
- Menino isso foi só um «trem de ferro». Levantei-me, todo sujo de poeira e com
a cara mais sem graça, percebi que todas as pessoas me olhavam com curiosidade;
afinal eu propiciei um momento pândego. Só então pudemos tomar o ônibus até a
cidade, para comprar a minha esperada roupa de primeira comunhão.
Em tempo, a roupa escolhida foi a roupa branca de marinheiro mais bonita jamais confeccionada no Brasil, em todos os tempos.

Sou o menino de branco, ao lado das meninas com seus vestidos especiais. Estou olhando para o chão; infelizmente vocês não poderão apreciar meus lindos olhos...
ACAS
Nota Redacção: Pode aumentar o zoom (até 150%) no browser para ver melhor a foto, mas não dá mais que isso...
Em meio a tanta mediocridade da vida pública brasileira, no vendaval de corrupção que sacode Brasília e o Congresso Nacional, no apequenamento cada vez mais acelerado de homens e de mulheres que deveriam ser paradigmas para a Nação e em especial para a juventude brasileira – avulta a figura humana de José Alencar, vice-presidente da República.
Como Euclydes disse do sertanejo, podemos, também, afirmar que «José de Alencar é, antes de tudo, um forte». Pois a sua luta pela vida, mais do que comovedora e emocionante, é admirável e exemplar.
Dia a dia, cirurgia por cirurgia, internação por internação, o Brasil acompanha a hercúlea e heróica luta desse homem para manter-se vivo, nesta que é o mais dramático enfrentamento do ser humano, a batalha para se manter vivo.
José Alencar – enquanto a classe política brasileira chafurda na lama e o Senado torna-se conhecido, no exterior, como «A Casa dos Horrores» – dá um testemunho tocante de dignidade pessoal e de respeito pela vida. Pois, enquanto políticos que lhe são próximos, diminuem a própria vida e as relações humanas com total desprezo por qualquer sinal de dignidade, ele, o vice-presidente, assume com galhardia a sua enfermidade e não se deixa derrotar pelo mais poderoso e imbatível dos inimigos do homem, a morte.
Nesse oceano de mediocridade dos políticos brasileiros, José Alencar conquista o coração e a admiração dos brasileiros, como um bravo que merece ser reverenciado pela tenacidade e força espiritual, pela valorização da vida e pela grandeza humana que faz espalhar-se pela nação brasileira.
Alencar é a âncora de uma dignidade quase perdida, a tábua de salvação num mar de podridões, como que o lírio simbólico que surge da lama.
Houvesse um mínimo de vergonha na cara de homens públicos que ocupam cadeiras e cargos no Congresso Nacional, eles estariam, no mínimo, ruborizados pela dimensão moral e humana de José Alencar, o vice-presidente que, quase anônimo como político embora um paradigma como empresário, se transforma numa luz de esperança na noite sombria que Brasília insiste em derramar sobre o Brasil.
É um bravo. E, para ele e diante dele, o povo brasileiro se rende de respeito e admiração.
Bom dia.
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Cecílio Elias Netto é fundador do Jornal A PROVINCIA
A PROVINCIA, como jornal impresso, foi fundada em 28 de Agosto de 1987, pelos jornalistas Cecílio Elias Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim.
Durante duas décadas, com idas e vindas, ela cumpriu o seu propósito e o sonho desenvolvido: recuperar a memória de Piracicaba, especialmente através da oralidade de seus mais antigos moradores, contar a história do município e da região, com fartura de documentos e de fotos e postais.
O lema continuou vivo quando, há cerca de dois anos, A PROVINCIA ingressou no universo digital, criando A PROVINCIA electrónica, com o mesmo objectivo e a mesma motivação: «Paixão por Piracicaba».
Piracicaba é um município do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2008 era de 365.440 habitantes.
A cegueira dos ciúmes
Pequenina
Na gruta da boca da noite
Num convento mal-assombrado
Nos sinos, ao pé do telhado
Ouve-se uma Coruja á piar…
Dizem ser uma princesa enfeitiçada
Que ali fora enclausurada
Por uma velha bruxa malvada
Que ao pino da meia-noite ela visita o cativeiro
Vestida na pele de um cordeiro
Conduzida pelo nevoeiro…
Falam que traz nos queixumes
A cegueira dos seus ciúmes
De um um tal príncipe amante seu
A quem tanto amor lhe deu, e pensava ser amada
Até que um certo dia, percebeu que era enganada
E por seu amado príncipe sentiu-se então desprezada
Triste e desesperada atirou-se de uma sacada
Pôs a corda em seu pescoço, e assim morreu enforcada
E agora só por vingança, traz a rival confinada
Tornou-se uma bruxa malvada.