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Pagª 20 - EDIÇAO NºXXX, IIIº NUMERO  DE JULHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.           

Sonhos Coloridos

Poema de Ilona Bastos

 

 

 

 

 

Leva-me contigo pelos verdes campos,
A minha mão na tua, o teu coração no meu,
Os nossos sonhos desenhando-se, coloridos,
No horizonte…

Não deixes que o vazio me invada,
Que as sombras me inspirem tristeza,
Que o sol fuja de nós e se esconda
Por detrás das nuvens cor-de-chumbo
Que a nossa desilusão engendra.

Ouves o gritar da sirene
Que anuncia a rotina do cinzento?
Sentes o frio pegajoso
Que à nossa volta se cria?
E o amontoado de medos,
Fantasmas sombrios,
Que nos aprisionam e nos afastam da vida?

Vem, vamos!
Leva-me contigo pelos verdes campos,
Em busca da luz e da vida.
Que a felicidade nos invada!
Que o azul do céu nos inspire alegria!
Que o sol nos acompanhe por entre as flores
E nos guie até ao horizonte,
Onde os nossos sonhos se desenham coloridos!


No Rossio Eram Gaivotas

São os pombos, os melros e os pardais
os velhos, os novos e outras gentes
as flores, as bancas e os jornais
as fontes e seus jorros transparentes
as lojas, os cafés, as esplanadas
os turistas, os apressados, os indolentes
os gritos, os sussurros, as risadas
as verdes copas e as castanhas quentes

Porque assim é e sempre foi
na realidade...

Mas neste início de uma tarde calma
azul o céu, brilhante o sol, sereno o ar
tudo em redor ganhou uma nova alma
pois no Rossio eram gaivotas a voar.

 

Faleceu Lenya Terra

Faleceu no dia 16 de Julho Lenya Terra, nascida a 21 de janeiro, natural de Astorga, Paraná, Brasil. Adepta do registro de sua vida em diário, desde os 13 anos de idade. No Colégio interno das Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus em São Paulo, onde estudou, recebeu de presente o primeiro livro de poesias de J. G. de Araújo Jorge e, a partir daí, iniciou as primeiras construções poéticas, sempre adotando o estilo breve, composto de versos de significado e vida própria que se completam no contexto do poema.

Conheceu Ferreira Gullar nos idos de 1979, nos intervalos de seu trabalho, quando num dos bancos da Rua do Passeio no Rio de Janeiro, costumava se sentar com o poeta, ouvia-o declamar e discorrer sobre a poesia, sob os seus olhos atentos.

Abandonou a poesia quando as filhas vieram e a ela retornou quando sua prole já se encontrava independente, seguindo a mesma trilha de brincar com as palavras e passar uma mensagem sem ater-se aos requisitos formais da poesia.

Gerente Brasil do Grupo «ECOS DA POESIA» e o membro 86. Participou da antologia «CANTOS DO MUNDO», publicado em 2006. Profissão : Web Designer. Foi Coordenadora de dois BLOGS que abrigam talentos espetaculares:
CONHEÇA NOVOS E FAMOSOS TALENTOS
LIRA DOS POETAS

Era membro do MOVIMENTO DOS POETAS DEL MUNDO e mantinha permanentemente no programa Paltalk, em Europa – Portugal (http://www.paltalk.com), uma sala de poesia «A Lira dos Poetas» considerada a maior sala e a mais acolhedora em língua portuguesa, onde com a ajuda de outros coordenadores divulgava grandes e pequenos nomes da poesia Luso-Brasileira.

 

MALDITA MORTE

Lenya Terra

Vilã desaforada essa maldita morte
Carrega os meus e dilacera o meu espírito
Dela não se escapa nem com sorte
Desgraça que leva nossa alma ao desvario
Esfrega em nossa cara a certeza do destino
Escarnece de corpos frágeis e finitos
Causando horror ao apego dos amores que temos

Maldita!!!
Maldita!!!

Leva sei lá pra onde nossas partes
Deixa nos corações o estraçalho da dor
Brinca com desdém e com arte
Estampa sem cor a tenebrosa impotência

Maldita!!!
Maldita!!!

Resta crer no profundo propósito
Tentar entender desígnios divinos
Manter a esperança do reencontro eterno
Onde vozes entoam suaves hinos
Que nos alimente num gigante abraço etéreo
Quando viramos luzes a cintilar e pulsar
Embalados por redobrar de sinos
Na fusão final da criatura ao Criador


O Jornal RAIZONLINE associa-se ao pesar pelo falecimento da ilustre poeta e apresenta aos seus familiares as suas sentidas condolências e aos seus amigos a sua solidariedade nestes difíceis momentos.


Sra Claudete
Queira receber os meus mais sinceros pêsames pelo falecimento da sua irmã, que Deus a tenha.
Não resisti de escrever o seguinte poema:

LENYA TERRA

Legado enorme deixas mulher
Esta é uma verdade intransponível
Nesta terra que por cá passaste
Y saudades ficam mesmo por quem
Alguma vez jamais conheceste!

Tenho de ti lembranças nobres
Espelhadas nos belos poemas teus
Recordações que continuarão eternamente
Resta escrever para te homenagear Lenya Terra
A morte não te levou, viva na tua obra estarás sempre!

João Furtado

Cidade da Praia, Cabo Verde 

 



O ORACULO

Crónica

João Furtado

Foi o Gregório quem levou aquele livro, o copo e um dado, recordo como se fosse hoje, por duas razões. Uma porque o dado era de fundo vermelho e pontos brancos, a cor que fazia lembrar o equipamento do Benfica. A outra razão é a rivalidade entre mim e o livro, para todos o livro dava uma resposta sonhadora, menos eu. Definitivamente, o «ORACULO DE NAPOLEAO» não quis nada comigo.

Chegou como uma novidade lá em casa, era o livro da sorte e todos queriam saber a sua sorte. Desde as minhas irmãs até o meu pai, mesmo ele que era pouco dado as novidades ficou entusiasmado. Todos queriam saber o que seria seu futuro.

Pegavam no copo, colocavam o dado dentro do copo, agitavam o copo em movimento giratório enquanto proferiam a frase que o Gregório nos ensinou que era «Oráculo de Napoleão, Oráculo de Napoleão, diga-me….». Num movimento rápido embarcavam o copo sobre a mesa. Viam qual o número que coube a sorte e no livro, procuravam a resposta. As perguntas eram as que previamente se viam no livro.

As minhas irmãs, a minha mãe e o meu pai ficaram todos satisfeitos com as respostas obtidas e estavam ansiosos para continuarem o jogo. Pelo menos estavam a viver uma vida de ilusão por algum momento.

Chegou a minha vez e queria que eu me despachasse o mais rápido possível, para continuarem a perguntar. Todos tinham mil perguntas a fazer e queriam a resposta.

Tinha pouco mais de sete anos. Era a idade de fantasias e a pergunta devia ser sobre algum brinquedo ou outra fantasia de criança, mas eu não perguntei se ia conseguir uma bola no próximo Natal. Não quis saber se o Pai Natal olharia para mim, já que nos outros seis anos da minha vida ele nunca se lembrou de mim. Bem, mesmo que quisesse perguntar, não sei se a pergunta estava no livro.

Já conhecia algumas letras, mas ainda não sabia ler nada e por isso pedi a minha irmã mais velha para ler algumas perguntas. Ela abriu o livro e começou a ler as perguntas, escolhi uma. Não escolhi a que perguntava se seria rico, nem a que se teria um trabalho ou se seria feliz, mas perguntei se iria casar-me.

Não era normal um rapaz fazer uma pergunta daquelas, julgo eu, porque o «Oráculo de Napoleão» não gostou da pergunta e criou um adversidade para comigo nunca dantes visto.

Peguei no copo e usando o ritual que o Gregório nos ensinou, eu disse:

- Oráculo de Napoleão, Oráculo de Napoleão, diz-me lá, se vou me casar!

Saiu um número. A minha irmã registou e com o número da pergunta e o número do Dado foi a página da resposta e viu, estava escrito, «Não sei». A minha irmã disse-me para repetir o jogo, saiu outro número, ela foi consultar e leu «Se não mudares a tua forma de ser não casarás».

Ela não se conformou com a resposta e me mandou jogar de novo. Joguei. Fiz a mesma pergunta e o numero foi outro e a resposta também «DEIXA-ME EM PAZ». Das seis possíveis respostas saíram as três piores. Ela queria que eu repetisse e eu também queria, mas o Gregório não deixou. Disse-me que não deveria fazer a mesma pergunta porque o Oráculo estava chateado comigo.

Fiz outras perguntas, mas sempre recebi respostas negativas. Mais tarde, quando já sabia ler e escrever e continuava a ter as mesmas respostas, achei que devia ser do oráculo do Gregório, estudei-o em pormenor e criei o meu próprio. Inverti as respostas, mas os dados continuaram a dar-me números que correspondiam «Deixa-me em paz», «Vai passear», ou «Não tens mais nada que fazer!?».

Mesmo depois de casado, tornei a perguntar, num misto de troça e vingança para com o Oráculo, mas ele continuou impassivelmente a dar-me as mesmas respostas, «Deixa-me em Paz», «Vai Passear» ou «Não tens mais nada que fazer?».

 

COLUNA DE MARIA PETRONILHO

O que se passa com o lince?

O lince - ibérico é considerado o felino mais ameaçado do mundo e o único considerado Criticamente em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza - UICN.

Durante o século XX a distribuição desta espécie sofreu um acentuado declínio que teve como consequência a redução e o desaparecimento de algumas das suas populações, ficando estas cada vez mais dispersas e afastadas.

As investigações mais recentes apontam para uma população total com cerca de 100 indivíduos adultos, conhecendo-se actualmente apenas duas populações reprodutoras em Espanha (Guzmán et al. 2002).

Em Portugal, a presença da espécie foi confirmada pela última vez no ano de 2001, nos complexos fronteiriços das serras de Ficalho - Preguiça - Malpique - Adiça, através da identificação molecular de um excremento de lince - ibérico (Santos - Reis et al. 2003).

Actualmente os especialistas acreditam que podem existir indivíduos dispersos mas provavelmente sem ligação a populações - mãe.

O lince - ibérico é uma espécie emblemática, que já foi alvo de campanhas para reconhecimento da situação da espécie em Portugal (e.g. Campanha LPN/ICN «Salvemos o Lince e a Serra da Malcata»- primeira campanha de sensibilização sobre o lince - ibérico).

Trata-se do único grande mamífero carnívoro endémico da Península Ibérica e só uma intervenção urgente poderá travar o seu processo de extinção e evitar o primeiro desaparecimento de um felino na Europa nos últimos 2000 anos.


Presságio

O meu poema é feito de vento,
de água e areia, sol a pino!
Solta alegria de passarinho
ao avistar a rama sempre-verde
onde entrelaça o ninho!


Das camélias

Nos dias de nuvens
as flores desabrochadas
mostram-se desbotadas,
namoram às escondidas
mas quando o sol rompe os dias
riem às gargalhadas,
cantam em desgarradas,
desavergonhadas
vadias
soltas
pétalas
perfumes,
beijos claros
desdenham vigias
nada importa
que não seja
o apelo coevo e claro
da seiva a chispar
a ânsia dos estames
o gineceu em espasmos
acudi, abelhas!
gritam as pétalas
elas vêm, sempre fiéis
a dar a dar com as asas
fascinadas, gulosas
os pardalitos vadios
disputam o néctar,
brincam e brincam
desdobrando imensa
vida e alegria!