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EDIÇAO Nº XIII

COMENTARIOS

3ª SEMANA, 3º NUMERO  DE MARÇO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira


Continuação de «A Lingua de Eulália», Novela sociolingüística, escrita pelo Lingüista Marcos Bagno, por Arlete B. Deretti Fernandes.

(ver início)

Depois de amanhã eu passo na sua casa - Se eu passo é presente, como explicar seu uso numa frase que está proposta para o futuro?

Onde andará agora aquele nosso amigo? Andará é futuro e no entanto está numa frase que comporta uma dúvida relativa ao presente, indicada inclusive pela presença do advérbio agora.
Você bem que podia passar lá em casa amanhã. – Se podia é imperfeito, ou seja, ação incompleta ou continuada no passado, como explicar seu uso em : Você bem que podia passar lá em casa, amanhã – que indica uma possibilidade de ação no futuro?
Os verbos nas frases acima suscitam que reflexões acerca do paradigma modo - temporal em português ?

Listar os fenômenos lingüísticos, típicos do falar paulistano, considerados como tendo sofrido influência da língua italiana:

O cantarolado típico do falar paulistano, muito do seu vocabulário e muitas construções gramaticais que caracterizam este falar são facilmente identificáveis nas diferentes variedades de italiano que os imigrantes falavam quando chegaram aqui. Chamar as pessoas de belo e bela e reduzir os nomes próprios à primeira sílaba. Júlia vira Ju, Sônia vira Sô, Luís, vira Lu. São expressões de afetividade tipicamente italianas.

Até mesmo alguns palavrões e xingamentos são de pura raiz italiana... O adjetivo cafona vem do italiano do sul, cafone, usado primeiramente para designar o camponês, para depois significar de mau - gosto, antiquado. O tchau, que aportuguesamos e usamos para nos despedir, vem do ciao italiano, que para eles é usado não só para se despedir mas também para se cumprimentar quando chegam.

O falar paulistano também desnasaliza as vogais seguidas de N ou M mais vogal, ao contrário do que acontece no resto do Brasil... Ex: fóme, hómem, António, viémos, fizemos, por causa do contato da vogal com a consoante nasal que vem depois dela. Isto também pode ser atribuído à influência do italiano, que é uma língua que não tem as vogais nasais tão características do português. O italiano é uma língua que não apresenta as reduções de o em u que caracterizam o português. Em italiano, o que se escreve em E, é sempre pronunciado E, o mesmo acontecendo com o O . Os italianos que chegaram tiveram que aprender o português e assim eles transferiram para a nova língua algumas características do italiano. (p.102)

Os mininu quebraru as teia, ispaiaram us cacu pertu da garagi, começaru a gritá e fugiru di bicicreta pela istrada.

Distribuir os fenômenos de variação verificados na frase acima em dois grupos:

a) português - padrão e português não padrão.
Na frase acima, como português - padrão estão os artigos os e as , a conjunção de e pela.
As demais palavras todas fazem parte do PNP.

Analisar a construção «Aceita-se roupas novas», com base na seção identificada pela própria frase proposta para análise.

Nessa frase há uma inversão do sujeito, o verbo vem anteriormente. (VSO). O grande problema é para os gramáticos aceitarem o se na frase como sujeito, porque para eles o português procede do latim e em latim, se não podia ser sujeito mas somente objeto.

O se, pode ocupar o lugar do sujeito na ordem canônica da língua e aí exerce plenamente sua função. Ele corresponde a outros sujeitos «neutros» ou «indeterminados» que existem em tantas outras línguas., como on em francês, one em inglês, uno em espanhol e man em alemão. È por isto que os tradutores, ao encontrarem uma destas palavrinhas em texto estrangeiro, traduzem logo pelo nosso se . (p.135).

Destacar um dos princípios apresentados nas considerações finais, que você acha mais importante. Justificar a escolha.

A «unidade lingüística do Brasil» é um mito: em nosso país, além das línguas indígenas e das línguas trazidas pelos imigrantes, fala-se diferentes variedades da língua portuguesa, cada uma delas com características próprias, com diferenças em seu status social, mas todas com uma lógica lingüística facilmente demonstrável.

Este livro desmistifica a crença de que a língua portuguesa é uma só em todo o Brasil. Oferece uma visão muito interessante de língua, especialmente a nossa, como alguma coisa dinâmica, que vem evoluindo. Posso dizer que revi o meu conceito anterior de língua e que é muito agradável estudá-la como um fenômeno com muitas variantes, entre elas a Norma padrão.

Arlete B. Deretti Fernandes
Florianópolis - SC


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VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XIII)

Hoje é a décima terceira vez que esta crónica está no ar! Portanto, o número 13 está em acção!

Sempre achei curioso a superstição em torno deste algarismo, principalmente porque nunca maus fluidos me atingiram. Daí as frases «sexta-feira 13, é dia de azar» ou «13 pessoas sentadas à mesa? Dá azar! Não me sento!», nada significarem para mim. Até porque sempre gostei da sexta-feira dia 13.

Para mim, é um místico dia que sempre me que correu bem e, até já fui premiada com a sorte «nessa tão conturbada data». E depois… garanto que nunca a comida me ficou entalada na garganta por estarem à mesa 13 pessoas, ou inclusive eu ser a décima terceira. Então, pergunto, serei eu tão diferente da maioria, serão os outros, ou tratar-se-á simplesmente de uma forte corrente negativa em torno deste aparente «mistério»?

Garantido, garantido mesmo, é que e «apesar» de ser esta a décima terceira vez desta singela crónica ir para o ar, sinto-me com sorte e bastante feliz. Sorte, por ter a oportunidade de poder fazer «ouvir a minha voz» e feliz por serem os meus conceitos e modo de visualizar a vida que vos transmito com todo o meu amor e carinho. E acreditem-me…que até ao momento, nenhum raio me caiu na cabeça! E até tenho a honra de garantir que estou inteirinha e vivinha da costa!

Agora, o que é certo mesmo para mim, é a pureza e beleza do significado deste número 13, que aqui vou partilhar convosco. Assim, por uns minutos concentrem-se numa imagem da última ceia de Cristo com os discípulos. Já visualizaram? Então, pensem e concentrem-se bem: o que viram e analisaram? De certo o mais importante: Cristo e mais 12 discípulos. Reparam bem mais uma vez: 12, mais a pessoa de Cristo, perfaz exactamente 13, o tal número tão azarado e que toda a gente evita!

Não deixa de ser irónico que numa sociedade tão religiosa e católica como a portuguesa, o «pânico» ser tão generalizado em torno de um lindo místico 13, que no final de contas, o que tem de certo contra si? Nada, a não ser mesmo o preconceito tão enraizado inerente ao azar e má sorte! Afinal, e quanto a mim, Cristo e os 12 discípulos merecem mais respeitinho. E nessa óptica, o 13 passa num ápice de «malfadado» para «bem-aventurado» e «muito bem amado». E aí sim, tiro o meu chapéu!

No meio disto tudo, o que ressalta mesmo é que com tantos medos e fluidos negativos, a carga torna-se tão, mas tão nefasta, que forçosamente tem de arrebentar tal e qual uma bateria sobreaquecida e sobrecarregada!

Com ainda o ecoar do «BUM» nos ouvidos, não se admirem de acabar por a tal «sexta-feira 13» se tornar mesmo «infernal»! Torna-se de facto intransponível, porque cada um de nós, assim o quis, assim o faz ,e pior mesmo, é que assim o crê!

Lembrem-se, que é o «sentir» e o «pensamento» de cada um, de toda uma sociedade em conjunto, e até do mundo, que de uma pedrinha, pode provocar uma irreparável e destrutiva avalanche. Acto reflexo pois…os pensamentos criam acções! E o que pode advir de pensamentos negativos? Evidentemente que só e apenas acções negativas. Tal e qual o efeito «boomerang»!

Por tudo isto, tratem pois de terem pensamentos positivos, com a inabalável certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...